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A maior de todos os tempos

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

2013 começou de maneira bastante positiva para as mulheres do automobilismo. No corpo diretivo, Claire Williams virou chefe adjunta da equipe do lendário pai, que, ao que tudo indica, vai pendurar as chuteiras em breve e prepara a filhota como sucessora. Claire, que trabalhou por um bom tempo no departamento de comunicação da equipe, agora vai desempenhar uma função de grande responsabilidade, assim como Monisha Kaltenborn, que já é chefe da Sauber desde o ano passado e substitui com propriedade o grande Peter Sauber no comando do austero time suíço.

Nas pistas, a história também está se mostrando bem interessante para as mulheres, o sexo forte, como costumo dizer. Danica Patrick, aquela que, embora muitos torçam o nariz, é uma baita pilota (sim, pilota está correto segundo a língua portuguesa) e foi pole nas 500 Milhas de Daytona da Nascar, alcançando um feito histórico. Na Indy, Simona de Silvestro fez uma baita corrida em sua estreia pela KV e quase, por muito pouco mesmo, não conquistou um pódio, mas impressionou ao superar o novo companheiro de equipe Tony Kanaan. Bia Figueiredo, que a princípio correria apenas em St. Pete, Anhembi e Indianápolis, garantiu mais duas corridas, pelo menos: Barber e Long Beach.

Talvez hoje não seja mais tão surpreendente assim ver cada vez mulheres em posição de destaque no automobilismo de elite pelo mundo. Mas não era assim que a banda tocava há 30 anos. Naquele tempo, era muito raro ver uma menina fazendo bonito nas pistas. Evidente que o espaço ofertado naquela época era muito menor que nos dias de hoje, e isso, obviamente, faz toda a diferença.

Mas uma mulher em especial quebrou todos os paradigmas possíveis no automobilismo e se colocou, em minha opinião, como a maior pilota de todos os tempos. Michèle Mouton, a rainha do automobilismo, venceu, sempre ao lado da navegadora Fabrizia Pons e correndo de Audi, nada menos que quatro provas do Mundial de Rali entre 1981 e 1982 (em 82, aliás, foram três vitórias). Sua última vitória aconteceu exatamente no Brasil. Naquele ano mágico, Mouton conquistou o vice-campeonato mundial. Jamais uma mulher chegou perto de alcançar o feito de Michèle.

Segue abaixo uma coletânea das melhores imagens da rainha. Pilotava muito ou não?

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A grande paixão de Kubica

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Robert Kubica nunca escondeu sua paixão pelo rali. Sempre que pôde, deu suas traseiradas aqui e ali. Teve de parar um tempo, é verdade, por causa da F1. A BMW não permitiu que o polaco participasse de provas esporádicas e fez questão de colocar essa restrição em contrato. Os bávaros saíram de cena em 2009, e aí Robert teve a chance de ir para a Renault para substituir o amigo Fernando Alonso. Pelo time anglo-francês, finalmente Kubica pôde voltar a disputar seus ralis vez em quando, ele mesmo fez questão de colocar isso em contrato.

Numa dessas trágicas ironias do destino, dias depois de ter sido o mais rápido da primeira semana da pré-temporada da F1 em 2011, em Valência, sofreu aquele trágico acidente lá em Gênova, quando disputava o Rali Ronde di Andora. Sua carreira na F1 praticamente terminava ali.

Ao mesmo tempo em que avançava na recuperação física — principalmente da mão direita —, Kubica era a fonte de boa parte dos rumores proferidos pela mídia europeia. Muitas dessas especulações o colocaram como piloto da Ferrari, no lugar de Felipe Massa, para 2013. Tudo dependia, claro, da sua reabilitação. Contudo, desde então, não houve nenhuma manifestação pública mais contundente de Robert quanto a um possível retorno à F1 àquela época.

Em contrapartida, o polonês, cada vez melhor fisicamente, voltou a competir fazendo o que ele mais gosta, suponho: disputando ralis. E, de maneira até surpreendente, desandou a ganhar provas pela Europa. Em sua primeira conquista, em setembro, Kubica chegou a considerar o retorno à F1 e tratou isso como prioridade para o futuro da sua carreira. Contudo, no último fim de semana, em Como, parece ter mudado de ideia ao afirmar que, em curto prazo, seu retorno aos monopostos é impossível.

Nesse mesmo tempo, Kubica, ao lado do navegador Emannuele Inglese, conquistou com extrema tranquilidade a vitória no Rali de Como pilotando o vitorioso Citroën C4 WRC, o mesmo modelo que tantos títulos deu a Sébastien Loeb. Mais do que as vitórias em sequência, os resultados mostram que Kubica é muito feliz no rali. Felicidade que se traduz em competência.

Tá aí um cara que, depois da saída do Loeb do WRC, poderia ser o grande nome dessa nova fase do Mundial de Rali. Talento, competência e carisma não lhe faltam. Além disso, não teria as mesmas dificuldades de Kimi Räikkönen, que tanto tempo levou para se adaptar. O principal, porém, Kubica tem de sobra: a sua paixão pelo rali.

Confira abaixo os melhores momentos da vitória de Kubica e Inglese no Rali de Como

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O artista do rali

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Depois de quase um mês de férias, estou de volta! É bom retornar ao trabalho, diga-se. Baterias recarregadas para fechar mais um ano aqui no Grande Prêmio.

Mas vamos ao que realmente importa. O assunto da vez é Sébastien Loeb. Loeb é mito, é lenda viva, é tudo isso e muito mais. Loeb é um desses gênios do esporte a motor que, de tempos em tempos, brindam os fãs da velocidade em todo o mundo. Dono de pilotagem perfeita, Loeb dá show. Um show que, pelo menos no WRC, está prestes a terminar.

Perto do NONO título mundial, Seb já anunciou que fará três ou quatro provas em 2013 e vai mudar seus horizontes. As primeiras informações apontam para um futuro no WTCC, mas, em minha opinião, é muito pouco para o que Loeb representa. Talvez o Mundial de Endurance e as 24 Horas de Le Mans tenham mais a ‘cara’ dele, mas ficaria muito feliz se ele anunciasse sua estreia no Dakar em 2014.

Abro um parêntese aqui. Claro que Loeb é o gênio do rali, é o cara, é o fodão, enfim. Mas é preciso creditar boa parte dos seus méritos ao eterno parceiro, o navegador Daniel Elena, um homem de história imensa no rali também! Fecho o parêntese.

Antti Kalhola, um gênio dos vídeos, produziu essa incrível e espetacular coletânea de imagens de Loeb em sua história vitoriosa no Mundial de Rali. Enquanto Seb não se despede do WRC, recomendo cada segundo deste vídeo antológico, de pouco mais de três minutos. Não perca o fôlego com Loeb, o artista do rali!

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A imagem do dia

Campeão do Dakar em 2011, Nasser Al-Attiyah é um dos raros pilotos de ponta a participar dos Jogos Olímpicos. Alguns até já participaram de uma ou duas edições, mas creio que jamais algum grande piloto chegará a cinco participações em Jogos Olímpicos como o catariano, conhecido como ‘Príncipe do Deserto’. E hoje, terça-feira, Nasser conquistou uma incrível medalha de bronze no tiro skeet em Londres. Baita piloto, baita atirador e uma das grandes figuras do esporte, no pessoal e no profissional, como diria alguém. Merece, pois. Além da vitória no Dakar, no ano passado, ele também conquistou o Mundial de Rali na categoria Production, em 2006. Seis anos depois, veio a medalha olímpica de bronze. Mais que um multiatleta, Al-Attiyah vira um verdadeiro mito do esporte.

Por Fernando Silva.

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Loeb, o mito

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

No último domingo, lá em Los Angeles, Sébastien Loeb deu mais um show de pilotagem. Sem tomar conhecimento dos rivais, venceu com sobras a prova do RallyCross e faturou a medalha de ouro no X Games 18 logo em sua estreia na competição. Ken Block, Tanner Foust… ninguém, absolutamente ninguém foi páreo para Seb, que só deu mais uma prova de que é um desses mitos que todos da nossa geração temos o privilégio de ver. Já escrevi aqui algumas vezes que a nossa geração é privilegiada por poder ver em ação verdadeiras lendas do esporte como o próprio Loeb, Valentino Rossi, Michael Schumacher, Fernando Alonso, Kelly Slater, entre tantos outros.

Também já escrevi algumas vezes que considero, dentre todos, pelo menos entre os que estão em atividade, que Loeb é disparado o melhor, à frente até de Alonso, sem aqui querer fazer qualquer comparação entre os estilos do rali e da F1. Mas lembro que certa vez, em uma entrevista, Kimi Räikkönen disse que era muito mais fácil bater Sebastian Vettel do que o xará Loeb. E de fato, o cara é praticamente imbatível. Enquanto Loeb estiver em atividade, todos os outros lutarão pelo segundo lugar, simples assim.

Atualmente, no esporte a motor, coloco Loeb, Alonso e Jorge Lorenzo no top-3. E para você, amigo leitor, Sébastien é o melhor de todos em atividade? Opine aqui!

E abaixo, curta a final do RallyCross nos X Games e veja porque Loeb é o mito e a lenda.

http://youtu.be/vwvCmYT6xJQ

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Coluna Power Stage, por Fernando Silva: O retorno da Toyota

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Os números são bastante relevantes: três títulos de pilotos, outros três de construtores e 43 vitórias no Mundial de Rali. Mesmo de fora do campeonato desde o fim de 1999, quando alegou a crise econômica para sair do WRC — mas anos depois começou a injetar rios de dinheiro, sem sucesso, diga-se, na F1 — a Toyota ainda é uma das grandes lendas da categoria. E 15 anos depois, o retorno está muito próximo. A palavra é do próprio presidente da Toyota Motorsport, Yoshiaki Kinoshita.

“Nossa meta final é o WRC. Esperamos estar prontos em 2014. O futuro é desconhecido, mas nós precisamos nos preparar para o projeto do rali. Negociamos muito com a FIA. Para voltar ao WRC, nós precisamos avançar várias etapas. Porque nós paramos em 1999 e depois a maioria das pessoas se foi e não há nenhum know-how dentro da empresa. O que precisamos é preparar os motores e homologar os chassis e assim adquirir conhecimento novamente. Então estaremos prontos. Acho que só podemos fazer um projeto neste momento”, disse o executivo durante uma entrevista coletiva a jornalistas australianos na sede europeia da montadora, em Colônia, na Alemanha, antiga base da equipe de F1.

Toyota pode voltar ao WRC em 2014 com o Yaris (Foto: Divulgação)

Muito da motivação da montadora para retornar ao Mundial de Rali tem a ver com o novo regulamento de motores adotado pela FIA para a categoria no ano passado, com o uso dos motores de 1,6 L. Desta forma, todos se viram obrigados a trazer modelos novos, com a Citroën trocando o C4 pelo DS3 e a Ford substituindo o parrudo Focus pelo Fiesta. A medida também motivou a entrada da Mini no ano passado com o John Cooper Works, e a Volkswagen, que fará sua estreia no ano que vem com o novíssimo Polo R, em fase constante de desenvolvimento. A Toyota, caso entre mesmo no WRC em 2014, deverá fazê-lo como Yaris, que deve ser adaptado, já que o modelo original não cumpre às dimensões obrigatórias estabelecidas pela FIA para o WRC.

Aí vale destacar o trabalho de Jean Todt. Mesmo tendo seu passado recente ligado à Ferrari e à F1, o baixinho tem um longo histórico no rali como navegador, entre 1966 e 1981. É graças a Todt que hoje o WRC conseguiu ter um pacote atraente e que vem atraindo as montadoras, proporcionando uma variação e uma dinâmica bastante distinta de, por exemplo, 2010, quando só Citroën e Ford estavam na luta pelo título. Falta, no entanto, a figura-chave de um promotor, um Bernie Ecclestone para a categoria.

Claro que não será como em 1982, quando nada menos que 18 montadoras estiveram presentes (como Audi, Opel, Nissan, Renault, Porsche, Mitsubishi, Lancia e até Ferrari) na temporada, mas ainda assim é bom saber que uma categoria do quilate do Mundial de Rali não seja monomarca (como é a Indy, no que tange aos chassis) ou protagonizado por poucas equipes, como era o WRC há poucos anos.

A Toyota não brinca em serviço, é bom lembrar. Acho que, com exceção do fracassado projeto F1, a montadora sempre teve um papel de destaque no automobilismo. Só nos tempos mais recentes, a fábrica esteve (ou está) presente na F3, Cart e IRL (como fornecedora de motores), Nascar e voltou com tudo ao Mundial Endurance, sendo que poderia, sim, ter vencido as 24 Horas de Le Mans neste ano com o inovador TS030 Hybrid.

Tudo aí esbarra na questão da restrição de custos, ainda mais com essa crise toda que agora chegou de vez à Europa. Mas dinheiro não parece faltar à Toyota, diga-se. E é animador ter a perspectiva de ter um Mundial com pelo menos cinco marcas fortes, como Citroën, Ford, Volkswagen, Toyota e Mini. E também vale lembrar que Sébastien Loeb tem contrato com a equipe francesa até o fim de 2013, então o Mundial do ano seguinte, sem aquilo que eu chamo de ‘dinastia Loeb’, poderá ter contornos imprevisíveis, tal qual a F1 neste ano.

Mas, obviamente, ainda é muito cedo para dizer qualquer coisa, embora seja mesmo o quadro seja bastante animador para um futuro próximo, não há dúvidas. Que venha 2014, o ano que, para a Toyota, pelo menos na figura do seu presidente, já começou.

Nas trilhas do Brasil

— Falta pouco: menos de dois meses para o começo do Rali dos Sertões, o maior do mundo disputado em um só país. A prova deste ano começará em São Luís, Maranhão, em 18 de agosto, e terminará dez dias depois, em Fortaleza. Acompanhe todo o noticiário aqui no Grande Prêmio. Estamos preparando uma cobertura especialíssima, começando já a partir da próxima semana. Fique ligado!

— Como prévia do Sertões, foi disputado em Barretos, a terra do rodeio no Brasil, o Rali Cuesta Off Road, válida pelo Brasileiro de Cross Country. Entre os carros, melhor para o duo Romeu Franciosi e Ivo Mayer. Na categoria Caminhões Leves, o trio Rafael Conde, Leandro Silva e José Papacena Neto venceu, enquanto nos pesos pesados venceu o experiente Guido Salvini, ao lado de Flávio Bisi e Fernando Chwaigert;

— Também no interior de São Paulo, mas em Jaguariúna, a Mitsubishi realizou mais uma etapa da Cup, a quarta de 2012. E na categoria principal, a L200 Triton RS, deu Marcos Baumgart/Kleber Cincea, que alcançaram 42 pontos, mesmo número de Marcos Cassol e Luis Felipe Eckel. Na L200 Triton ER Master deu Zé Hélio Rodrigues, aquele, que correu ao lado de Weidner Moreira. Cassol/Eckel lidera a Mitsubishi Cup 2012 na Triton RS, com 132 pontos;

— O mês de junho foi bastante movimentado no rali brasileiro. A Copa Peugeot realizou a sua segunda etapa na temporada em Poços de Caldas, sul de Minas Gerais. E na categoria principal, a 207 Super, venceu a dupla formada por Fabio Dall Agnol e seu navegador, Gabriel Morales. Luccas Arnone e Felipe Costa terminaram em segundo, mesma colocação na temporada;

— E não será em 2013 que o Brasil voltará a receber o Mundial de Rali. Isso porque a FIA decidiu manter as sedes do WRC para o próximo ano, com exceção da Austrália, que vai substituir a Nova Zelândia no rodízio já previsto para a Oceania.

Nas trilhas do mundo

— Junho foi um mês trágico para o rali mundial. Primeiro pela morte do jovem Gareth Roberts, de 24 anos, que não resistiu aos graves ferimentos sofridos na etapa de Targa Florio do IRC (Desafio Intercontinental de Rali), na Itália. O galês era navegador do experiente Craig Breen. A prova foi cancelada pela organização do IRC;

— Ainda pelo IRC, uma semana depois da tragédia que matou Roberts, Juho Hanninen venceu o Rali de Ypres, na Bélgica, correndo com um Skoda Fabia S2000. A liderança segue nas mãos de Andreas Mikkelsen, com 89 pontos, seis a mais que Jan Kopecky;

— Lucie Vauthier, de apenas 28 anos, também morreu neste trágico junho, também por conta de um acidente em um rali. A pilota francesa guiava um Citroën C2 no Rali Vins-Macon, etapa do campeonato francês. Lucie bateu em alta velocidade no muro. Removida para um hospital em Dijon, ficou internada por seis dias, mas não resistiu.

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Olho nos caras

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Postzinho rápido porque o tempo urge. Enquanto Sébastien Loeb ainda saboreava mais uma vitória no WRC, lá do outro lado do mundo, na Nova Zelândia, seu xará e ex-companheiro de equipe na Citroën, Sébastien Ogier, completava mais uma parte do programa de testes da Volkswagen com o Polo R na Finlândia, na última segunda-feira (25), visando o Mundial de Rali de 2013.

A Volkswagen não brinca em serviço, e a competente fábrica de Wolfsburgo já mostrou isso no Dakar, com a conquista de três títulos. E o pessoal vem fazendo a lição de casa direitinho, treinando a equipe sem pressão por resultados, com Ogier e Andreas Mikkelsen guiando o Skoda Fabia S2000 em algumas provas do Mundial.

Dizem que a Volkswagen não vai seguir com Mikkelsen, um dos destaques do IRC, para a disputa do Mundial a partir do ano que vem. Fala-se muito em Jari-Matti Latvala ou até em Petter Solberg, mas talvez o cara para completar essa dupla forte com Ogier seria Dani Sordo.

Se a Ford não se cuidar, vem aí a Volks como principal adversária da Citroën, por mais que a montadora anglo-americana tenha mais tradição no rali. A Mini perdeu muito do seu potencial neste ano depois de a Prodrive deixar de oferecer suporte à fábrica de propriedade da BMW.

Mas tá ficando interessante esse WRC. Ainda mais quando os fatos indicam que outra montadora pode pintar por lá a partir de 2014. Quem é? Leia a coluna Power Stage desta quinta-feira!

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Arriba, México

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Sair de um frio de aproximadamente -10ºC da Suécia para o caliente México, atualmente com temperaturas variando entre 30ºC na cidade de León, sede da terceira etapa do Mundial de Rali, que acontece nesta semana. Essa foi a missão de Mikko Hirvonen. Acostumado com a neve, o finlandês até que se adaptou bem ao calor do país latino-americano. Tá aí o vídeo — produzido pela Citroën — que não deixa mentir.

O México é simplesmente demais!

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Espetacular

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Piloto, para correr no rali, seja de resistência ou de velocidade, tem que ser MUITO bom. Só não falo que tem que ser macho para andar de rali porque tá cheio de mulher que mandou muito bem, como a rainha Michèle Mouton no WRC, e também Jutta Kleinschmidt, campeã no Dakar. Mas é incrível ver a perícia desse povo ao passar por uma SS mítica como é Col de Turini, no Rali de Monte Carlo, em que pilotos e navegadores andam lado a lado com o precipício. Acompanhe esse vídeo incrível de Petter Solberg em 2001, ainda correndo pela Subaru.

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Os dois lados do Rally de São Paulo

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Confesso que recebi com admiração o fato de Rubens Barrichello organizar um evento de fim de ano, chamado Rally de São Paulo. É ótimo para divulgação do esporte e a marca, no caso, a Mini, que voltou com tudo ao cenário do automobilismo mundial neste ano, com participações no Dakar e no WRC, inclusive conquistando grandes resultados, sobretudo com Daniel Sordo.

Não sei até que ponto o evento em si foi criado e promovido por Barrichello apenas para reunir pilotos, amigos e convidados em uma espécie de confraternização off-road de fim de ano ou se tem o dedo da Rede Globo para criar um espaço para a grade do domingo, geralmente vazio nessa época de fim de ano. Não sei até que ponto o Rally de São Paulo tem alguma relação com algum projeto futuro de Rubens no automobilismo, ainda mais levando em conta que sua permanência na F1 em 2012 ainda não está definida.

Opinião minha: seria MUITO legal ver Barrichello fazendo um rali pra valer depois que ele encerrar sua carreira na F1, mesmo sabendo que ele ainda tem muita lenha pra queimar na categoria. Talvez fazendo o caminho inverso de Kimi Raikkonen ao ingressar no WRC, ou mesmo no Dakar, não sem antes começar no Rali dos Sertões. Entendo que seria importante do ponto de vista de divulgação do rali aqui no Brasil e também daria nova motivação à sua vida esportiva, mesmo levando em conta que, quase aos 40 anos, motivação nunca faltou a Rubens.

Além de Kimi, o rali, seja de resistência ou de velocidade, já contou com nomes que já passaram pela F1: Robert Kubica, Jean-Louis Schelsser, Norberto Fontana e Ingo Hoffmann, que já disputou o Rali dos Sertões, por exemplo. Até mesmo Ayrton Senna já testou um carro do WRC, um Ford Sierra (veja vídeo abaixo).

Abro aqui um parêntese: outra modalidade que, creio eu, Barrichello poderia mandar muito bem e seria bastante útil é o Endurance. Por conta de sua grande experiência nas pistas, o brasileiro seria um elemento determinante no desenvolvimento de protótipos, como Allan McNish e Olivier Panis fizeram, por exemplo. Fecho parêntese.

Por outro lado, mesmo sabendo que o evento promovido pelo Barrichello não tem ligação nem visa promover o rali, a não ser pelo nome e pela marca envolvida — assim como o Desafio das Estrelas não tem como principal função difundir o kart —, acho válida uma ponderação feita pelo Guilherme Spinelli, tetracampeão do Rali dos Sertões e duas vezes top-10 do Dakar, que postou hoje em sua conta no Facebook.

“Rubens batizou o evento de Rally de São Paulo e realizará o desafio no estádio do Corinthians com transmissão da Globo/SporTV. Tudo muito legal, PORÉM O EVENTO É PROIBIDO PARA PILOTOS DE RALLY! O motivo, segundo declaração do Rubens nessa entrevista (http://www.diariomotorsport.com.br/), é que se formos convidados, desequilibraremos o evento. Porque não mudam o nome do evento então? Ficaria envergonhado se um piloto de rally organizasse um evento e proibisse qualquer outra categoria por esse motivo!!! Mas quem decide o time é sempre o dono da bola… e se não quer encarar o adversário é melhor não deixar ele jogar.”

Volto a dizer: nem o Rally de São Paulo, tampouco Barrichello, tem a menor obrigação de incluir um ralizeiro no line-up dos pilotos que vão participar do evento. Mas por outro lado, perde-se uma das únicas oportunidades de colocar um piloto da modalidade em rede nacional, principalmente levando em conta que a modalidade, embora esteja em crescimento — Rali dos Sertões indo para o 20º ano e com dois brasileiros no WRC, Paulo Nobre e Daniel Oliveira —, quase não conta com conta com divulgação na grande mídia. A participação de alguém da modalidade, como o próprio Spinelli, Palmeirinha, Oliveira, ou mesmo os veteranos André Azevedo e Klever Kolberg seria um atrativo a mais para a prova, sem sombra de dúvidas.

Fica a dica.

Em tempo:  Maurício Neves, piloto de rali dos bons (já correu inclusive pela Volkswagen no Dakar), recebeu o convite para fazer parte do Rally de São Paulo. Entretanto, Neves vai participar da prova no sábado, no evento Pro-AM, com jornalistas e artistas convidados. O convite veio na esteira do lançamento do XRC (Xtreme Rally Car), nova categoria brasileira da modalidade. Maurício é o chefe da Pro Macchina, responsável pelo projeto do novo protótipo.

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Tudo pronto

Fernando Silva [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Você que lê o BloGP agora sabe que o Palmeiras estará na final do Mundial. E sabe também que essa final não tem nada a ver com futebol, já que essa primazia é, em 2011, do meu GLORIOSO Santos, alvinegro da Vila Belmiro. Mas como o assunto aqui hoje não é ludopédio, mas o igualmente glorioso rali, e mais precisamente, o WRC.

Como escrevi aqui, Paulo Nobre e Edu Paula vão debutar na divisão principal do WRC neste fim de semana, quando a categoria disputa sua última etapa em 2011, no País de Gales, perto da capital Cardiff. Depois de alguns testes de reconhecimento do Mini John Cooper Works, este conduzido pelo luso Armindo Araújo, finalmente Palmeirinha teve a chance de guiar o bólido verde e branco com o escudo do Palmeiras, claro.

O Rali da Grã-Bretanha terá dois pilotos brasileiros. Além de Palmeirinha, a prova terá a presença de Daniel Oliveira, que também vai guiar um Mini John Cooper Works, este da Brazil World Rally Team. Ao contrário de Palmeirinha, o baiano participou de praticamente toda a temporada do WRC e usou 2011 como um ano de duro aprendizado. Daniel deve vir mais forte no próximo Mundial.

E para fechar esse post, confira abaixo um pouco do que rolou no teste com Palmeirinha e Edu Paula em Gales, com direito a trilha sonora fodástica: Scorpions, lembrando os clássicos comerciais da Hollywood. Enfim, tudo pronto para a estreia. E como o próprio piloto costuma dizer, agora é pé no porão.

http://vimeo.com/31716683

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Palmeiras no Mundial

Fernando Silva [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

As cores e o escudo do Palmeiras estarão presentes na final do Campeonato Mundial. Mas não será no futebol, meu amigo leitor coirmão palestrino. Paulo Nobre, o Palmeirinha, e seu navegador, Edu Paula, vão realizar o sonho de disputar uma etapa do WRC correndo com carro da categoria principal, um Mini John Cooper Works pela equipe Italia, a mesma do luso Armindo Araújo, bicampeão do P-WRC (categoria destinada aos carros de produção).

Equipe Italia, carro com as cores do Palmeiras, Palmeirinha no comando do bólido, tem mesmo tudo a ver.

A etapa final do WRC acontece no próximo fim de semana, o Rali da Grã-Bretanha, no País de Gales. Etapa decisiva, já que vai definir o campeão da temporada. Sébastien Loeb, da Citroën, é franco favorito ao octacampeonato, larga com boa vantagem perante Mikko Hirvonen, da Ford, que corre por fora para quebrar o jejum de 30 (isso mesmo, TRINTA) anos sem títulos de pilotos para a montadora do óvalo azul.

Mas para o automobilismo brasileiro, também será uma prova histórica. Sinceramente não lembro qual foi a última vez que dois pilotos nacionais disputaram uma etapa do Mundial na divisão principal do WRC. Daniel Oliveira, que também corre com Mini, vem em um ano de adaptação, e por isso, enfrentou muitos problemas em sua primeira temporada, praticamente completa, na categoria principal do rali. E agora, a boa notícia é ver Palmeirinha e Edu Paula correndo com outro Mini em Gales.

Palmeirinha é nome de destaque no off-road nacional. Amante tanto do Palmeiras quanto do rali, o piloto tem participações nos campeonatos Brasileiro, Sul-americano, Rali dos Sertões e também no maior de todos, o Dakar. Em 2011, ano em que concorreu à presidência do Palmeiras (perdeu a eleição para Arnaldo Tirone), lutou pelo título do Sertões ao lado do parceiro Filipe Palmeiro, mas perdeu a batalha para Guiga Spinelli e Youssef Haddad.

O BMW X3, aliás, é preparado pela equipe Italia, a mesma que foi responsável pela preparação do Mitsubishi Lancer de Palmeirinha (no P-WRC e no Sul-americano) e que fará o mesmo papel durante o próximo fim de semana em Cardiff com o Mini John Cooper Works, inscrito no Rali da Grã-Bretanha com o número 59.

Palmeirinha, claro, vibrou por finalmente fazer sua estreia com um carro do WRC e fez uma breve análise de sua carreira até alcançar o ápice, o auge para um piloto de rali.

“Quando comecei a correr ralis de regularidade em 1999, nunca imaginei correr uma prova de cross-country e muito menos uma prova de rali propriamente dito! Em 2001, completamente tomado pelo vírus do esporte acabei participando do Sertões, mas jamais podia sonhar que um dia viria correr o Dakar e ainda mais em uma equipe de fábrica, mas acabou acontecendo!”

“Em 2003 participei pela primeira vez do Campeonato Brasileiro de Rali, mas jamais sonhei em um dia correr uma etapa do Mundial. Mas há dois anos, o Edu e eu fomos ao País de Gales correr nossa primeira prova do Mundial de Rali pra valer, mas na categoria P-WRC, que era com o mesmo tipo de carro que corríamos no Brasil e no Sul-americano! Aí não teve como não sonhar em correr uma prova do Mundial a bordo de um ‘World Rally Car’, que nada mais é do que a F1 do rali mundial!”

“Pois é, precisamos ter cuidado com o que sonhamos e desejamos, pois pode virar realidade! E vai ser no mesmo Rali da Grã Bretanha que vamos realizar nosso sonho de correr com um WRC! Não vejo a hora de sentar no banco da esquerda e acelerar o Mini no teste desse domingo.”

Palmeirinha já andou no Mini como copiloto de Armindo para conhecer um pouco mais sobre seu novo carro. Apesar da pouca experiência no comando do veículo, o piloto está confiante em poder fazer boa prova.

“Tenho a expectativa de ser uma X3 pequena. Com o carro de cross-country, já andei dezenas de milhares de km, logo estou acostumado com câmbio sequencial, freios grandes e carro protótipo equipado com chassi tubular como o Mini WRC, mas cada carro tem suas características, e vou desfrutar cada quilômetro que andar nesse rali!”, vibrou o piloto palmeirense, em momento bem oposto ao do seu time de coração, que vai de mal a pior no futebol.

E por fim, fica a frase do próprio Palmeirinha. “Precisamos ter cuidado com o que sonhamos e desejamos, pois pode virar realidade!”. E como diria o próprio piloto, agora é pé no porão!

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Desnecessário


FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]

de Sumaré

“A equipe decidiu apoiá-lo. Matematicamente tudo é possível, qualquer coisa pode acontecer e vou fazer meu melhor. Meu trabalho será ajudar [a equipe] a conquistar os títulos. Não é a posição dos sonhos para piloto algum.”

Este é Sébastien Ogier, que deu as declarações acima durante entrevista coletiva que antecede o início do Rali da Catalunha, prova que será crucial para a definição do título do WRC em 2011. O piloto da Citroën se referiu a Sébastien Loeb, seu companheiro de equipe e líder da temporada ao lado de Mikko Hirvonen, da Ford. Ambos somam 196 pontos. Seria natural que a equipe francesa beneficiasse seu principal piloto e, em teoria, aquele que tem mais chances de ser campeão mundial.

Até aí, beleza. Só que Ogier, terceiro colocado, está a apenas TRÊS pontos de Loeb e Hirvonen. A Ford também fez uso do jogo de equipe nas últimas etapas do Mundial, já que o colega de Mikko, Jari-Matti Latvala, já não tem mais chances de título e abriu passagem para o compatriota, tanto na Austrália — onde Hirvonen venceu —, como na França. A tática ajudou o finlandês a alcançar Loeb no topo da tabela. A estratégia e o jogo de equipe da montadora do óvalo azul se justificam porque há apenas um piloto com chances reais de título.

Agora, quanto à Citroën, não há razão nenhuma para tal postura. Claro, a cúpula da equipe pode avaliar que é melhor para a marca que Loeb seja octacampeão, já que o piloto é um mito do rali e também acabou de renovar contrato pelo menos até 2013, rechaçando uma proposta tentadora da Volkswagen. Talvez a Citroën dê a preferência a Loeb como forma de gratidão por permanecer na equipe até o fim de sua carreira.

É a velha questão da ética no esporte que aflora mais uma vez. Lembre-se que não faz muito tempo, no ano passado, a Ferrari efetuou jogo de equipe para favorecer Fernando Alonso, único na equipe em condições de conquistar o título, em detrimento de Felipe Massa. No entanto, McLaren e Red Bull deixaram a disputa livre entre seus pilotos, e o resultado foi o vimos nas duas últimas temporadas.

O favorecimento da Citroën em relação a Loeb em fase tão crucial do campeonato é totalmente desnecessário para ele, para a própria equipe e para o Mundial de Rali como um todo. Embora Ogier esteja em melhor forma neste fim de temporada, com duas vitórias em três provas, o heptacampeão não precisa disso nem JAMAIS precisará: é o melhor do mundo no rali e franco favorito para a vitória na Catalunha e em Gales, última etapa do Mundial.

Só há uma grande razão que justificaria tal postura da Citroën: a confirmação dos boatos que dão conta da ida de Ogier para a Ford em 2012, em uma eventual troca com Mikko Hirvonen, que segundo o noticiário aponta, pode ser o novo colega de Loeb na próxima temporada. Seja lá como for, tal postura é ruim para a marca, é ruim para Loeb, Ogier e principalmente para o esporte.

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Será Ogier de 2011 o Vettel de 2010?

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Recordo bem que no fim da temporada 2010 de F1, nada menos que quatro pilotos (Fernando Alonso, Mark Webber, Sebastian Vettel e Lewis Hamilton) chegaram ao GP de Abu Dhabi com chances de conquistar o título mundial. A derradeira corrida daquele ano foi facilmente vencida pelo alemão, que conquistou seu primeiro campeonato depois de ter sido considerado carta fora do baralho em uma disputa que parecia estar entre Webber e Alonso.

Naquele ano, Sébastien Loeb teve vida muito mais fácil que seu xará e ‘colega’ de Red Bull ao conquistar o heptacampeonato mundial do WRC no Rali da França, faltando ainda duas provas de antecipação. Contando com Dani Sordo como companheiro no time de fábrica da Citroën (que ao longo da temporada foi substituído por Sébastien Ogier, que era da equipe Junior ao lado de Kimi Raikkonen), Loeb chegou ao título com incríveis 105 pontos de vantagem para Jari-Matti Latvala.

Analisando o ano de 2011 das duas categorias que julgo serem as principais do automobilismo mundial na atualidade, os papeis se inverteram completamente.

Vettel teve um ano de Loeb, ou de Vettel, mesmo. Dominou como quis a temporada e conquistou o bi mundial de maneira impecável. Mesmo contando como principal adversário um Jenson Button em fase esplendorosa, Sebastian jamais teve a oposição daquele que deveria ser seu principal rival, Webber, que foi postulante ao título em 2010. E o resultado foi o que todos vimos no domingo: Seb alcançou fácil seu segundo título, com quatro provas de antecipação.

Já no WRC, em contrapartida, três pilotos (Loeb, Ogier e Mikko Hirvonen) lutam pelo título de 2011, que certamente será definido na última prova do ano, no País de Gales. Antes, na próxima semana, haverá o Rali da Catalunha, que evidentemente será decisivo. Loeb e Hirvonen somam 196 pontos, apenas três a mais que Ogier, faltando só duas etapas para o fim da disputa.

Assim como aconteceu na F1 em 2010, impossível apontar um favorito ao título do WRC nesta temporada. Mas Ogier vem em ascensão, assim como Vettel cresceu na reta final no ano passado, ao passo que Loeb vem de duas quebras, lembrando muito Webber do último campeonato. Hirvonen é ótimo piloto, mas convenhamos, a Ford corre por fora nesse fim de Mundial, mesmo com a equipe centrando todas as forças no carro 3 do nórdico.

Leia e entenda que não estou comparando capacidade, técnica e estilos de pilotagem, não tem nada a ver. Mas que Ogier tem tudo para ser em 2011 o que foi Vettel em 2010: campeão mundial aproveitando a queda de rendimento de seus principais rivais na temporada e claro, mostrando competência na hora H. Claro que o retrospecto (na Catalunha e em Gales) é mais favorável a Loeb, que JAMAIS pode ser descartado. Mas que o Tião mais novo está em alta, é inegável. A decisão? Só em 13 de novembro, no Rali de Gales.

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Campeão fora de combate?

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Ainda não é oficial, mas tudo indica que Nasser Al-Attiyah não defenderá o título do Rali Dacar em 2012. A informação partiu do Twitter do piloto argentino Orlando Terranova, que em 2011 correu ao lado do luso Filipe Palmeiro com um BMW da equipe X-Raid. O príncipe do Catar estava cotado para guiar um Mini Countryman do time alemão no próximo mês de janeiro, mas é provável que algo tenha desandado nesse projeto.

Orly terá como navegador Lucas Cruz, que foi copiloto de Carlos Sainz nas últimas edições da prova, sempre representando a Volkswagen. Já que o time de Wolfsburgo tem centrado todas suas forças no WRC para a estreia oficial em 2013, o Dacar ficou sem sua equipe mais forte e tricampeã para uma nova fase da prova na América do Sul. Em 2012, o rali voltará às origens e será linear, com largada em Mar del Plata e chegada em Lima, capital peruana.

Curioso é que Nasser, praticamente garantido como um dos pilotos do projeto Volkswagen no WRC, abriu mão do Mundial para defender o título do Dacar, graças a um pedido de seu principal patrocinador, a investidora qatari Barwa.

Mas recentemente, Nasser também anunciou que buscava ser terceiro piloto do time de fábrica da Citroën, mais ou menos no mesmo esquema que faz Khalid Al-Qassimi, que corre esporadicamente pelo time oficial da Ford. O príncipe também anunciou um projeto para desenvolver os jovens pilotos de seu país no off-road.

Levando em conta a proximidade do fim do Dacar para o início Rali de Monte Carlo de 2012, apenas dois dias, é provável que, caso Orly Terranova esteja certo, Al-Attiyah tenha de fato priorizado o WRC, já que o Dacar segue cada vez mais caro. Vale lembrar, também, que a próxima edição da maior prova cross-country do mundo não terá outro campeão: Vladimir Chagin, o Czar do Dacar, anunciou sua aposentadoria depois de faturar seis títulos dos caminhões pela montadora Kamaz.

Abaixo, confira de novo o duelo épico entre Nasser e Sainz em janeiro. Sensacional.

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Geração privilegiada


FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Muito antes de sequer pensar em ganhar a vida escrevendo sobre automobilismo, já acompanhava todo tipo de esporte. Do tipo que já lia jornal de esportes com cinco, seis anos, sempre gostei. E sempre escutei aquela expressão manjada dos mais velhos que diziam que no tempo deles, tudo era melhor. E talvez tenha sido mesmo, e talvez eu diga o mesmo quando ficar mais velho.

Eu não vi Pelé, Garrincha, Di Stéfano nem Cruyff jogar. Tampouco pude assistir, ainda que pela TV, uma corrida de mitos como Fangio, Clark, Stewart ou mesmo Fittipaldi. Mas ao mesmo tempo em que perdi momentos gloriosos do esporte, não posso reclamar do que ei vi e recordo e que um dia eu vou contar para meus filhos e dizer que sim, ‘que no meu tempo, que na minha época, o esporte era melhor’.

Ao longo desses 31 anos, eu ainda recordo bem os êxitos de pilotos como Piquet (o pai), Senna, Prost, Mansell e Schumacher, os mais marcantes, isso para ficar na F1. Se for enveredar pelo esporte a motor a fora, como não mencionar Wayne Rainey, Michael Doohan e Valentino Rossi como mestres das pistas? Eu também vou poder falar sobre Alessandro Zanardi, que se não chegou a ser um campeão do mundo na F1, ganhou tudo na Indy e, mais importante que tudo, deu um X na morte e está aí, inteiro, prestes a disputar a Paraolimpíada de Londres.

Confesso que até pouco tempo atrás, não tinha lá muito acesso ao rali, por exemplo. Mas claro, já tinha ouvido falar muito bem, por exemplo, de Carlos Sainz e Tommi Makinen — o popular Antero —, tetracampeão mundial (obrigado Victor e Diogo pela correção), e do clássico Subaru 555. Até que, também pelo fato de trabalhar no Grande Prêmio e acompanhar melhor o WRC, não há como não admirar um piloto como Sébastien Loeb.

Da mesma forma, eu conhecia muito pouco da Nascar. Como não tinha TV a cabo, nem tinha como assistir as corridas naqueles superovais espetaculares, mas por tudo que eu lia nas revistas especializadas, principalmente, sabia que um certo Dale Earnhardt (o pai) era o fodão. E era mesmo. Mas aí apareceu Jimmie Johnson e ganhou tudo nos últimos anos. Se já é difícil ganhar em um ano, dada a extrema competitividade da Nascar, que dirá em cinco, ainda mais de forma consecutiva!

Mas porque eu escrevo essas linhas falando de memórias no automobilismo em geral? Pois bem, o fato é que parte dessa geração que aprendi (tenho certeza que não só eu) a admirar, encabeçada por Schumacher, Loeb, Rossi. JJ, o #48, deve seguir por um bom tempo na carreira e deve também ampliar seus recordes na Nascar, já que a categoria permite que pilotos mais velhos, como Mark Martin, por exemplo, ainda consigam ser competitivos.

Mas me refiro principalmente ao trio Schumacher-Rossi-Loeb. Na última segunda-feira, Michael já deu indicações que pode em 2011 fazer, definitivamente, sua última temporada como piloto de F1, mesmo depois de passar o ano todo falando que vai cumprir o contrato com a Mercedes até 2012. Não digo que ele tem ou não de parar, acho que ele tem feito o que mais lhe dá prazer, que é correr. E ganhando um baita dinheiro por isso. Não sigo o discurso daqueles que dizem que ele se queimou ao retornar. Ao contrário: mostra que, aos 42 anos, se tivesse um carro realmente competitivo, colocaria a molecada no bolso. Que nós, fãs do bom esporte, acompanhemos cada uma das oito corridas que restam, porque podem ser sim, as últimas de Schumcher como piloto de F1.

Da mesma forma, Rossi não tem mais nada a provar para ninguém. Ganhou tudo na Motovelocidade e poderia parar quando bem entendesse. Mas quis o italiano abraçar o novo desafio, de reconduzir a Ducati às vitórias. Mas a temporada tem sido muito difícil, já que a moto não ajuda, e as equipes rivais — Honda e Yamaha —, que foram muito ajudadas nos respectivos desenvolvimentos pelo Doutor, estão em um patamar superior. Claro que Valentino tem prazer pelo que faz, mas ele tem dado a entender, em suas últimas declarações, que está de saco cheio da moto ruim. Não duvido que ele pare no próximo ano, talvez. Mesmo sabendo que ele tem ainda muita lenha para queimar.

Mas dentre os supercampeões citados, o primeiro a encerrar a carreira deve ser Loeb. Para mim, o cara é um fenômeno do esporte. Não sei se em outro esporte de alto nível um cara consegue ser campeão mundial por sete anos consecutivos. Sei que é clichê, mas Sébastien é como vinho, quanto mais velho e experiente, melhor é nas trilhas de terra e principalmente, asfalto. O francês disse que vai decidir seu futuro no WRC na próxima semana, mas fez mistério. Disse que tem três opções: seguir na Citroën, ir para a Volkswagen e encerrar a carreira no WRC. De todas as possibilidades, a última é a mais provável.

É aquilo, não vi Pelé, Di Stéfano ou Garrincha, não vi Fangio, Clark, Stewart nem Fittipaldi nas pistas. Mas não posso reclamar. Vi Loeb, Rossi e Schumacher. Minha geração é mesmo privilegiada.

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Pilota pouco

Felipe Paranhos

Hoje eu ouvi a propaganda do GP do Brasil mandando comprar ingressos e tal. Lá pelo meio da narração, o cara fala: “Venha ver os melhores pilotos do mundo em Interlagos!”

É claro que a F1 não é a junção de todos os melhores pilotos do mundo, embora lá estejam vários deles. Mas essa frase fica ainda mais absurda quando se vê um vídeo como esse, do Rali da Grécia do WRC.

Não pilota nada, esse Hirvonen.

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Aí, sim


FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]

SUMARÉ — Confesso que fiquei bastante satisfeito ao ver hoje no Facebook uma foto do carro do Daniel Oliveira em Amã, na Jordânia, com adesivos de patrocinadores brasileiros. Levando em conta que hoje em dia os pilotos tupiniquins encontram dificuldades até mesmo para completar orçamento visando a disputa do Mundial de F1 — como Lucas Di Grassi —, o feito de Oliveira, único nacional a disputar o Mundial de Rali em 2011, é algo notável.

Pelo menos no Rali da Jordânia, o piloto baiano será patrocinado pela Embraer, pela Keta, empresa do setor financeiro e também de seguros, além do próprio Governo da Bahia. É preciso destacar que o WRC, apesar de ser considerado uma categoria top, jamais teve no Brasil o mesmo status que tem na Argentina, por exemplo.

E se a maior divisão do rali de velocidade do planeta não é atraente aos olhos do torcedor, esta é ainda menos visível para empresários que desejam ver suas marcas divulgadas em nível mundial. Mas é bom ver que, bem aos poucos, alguns investidores dão atenção ao rali. Aí, sim.

Infelizmente, o rali não tem a visibilidade que merece por aqui. Já venho batendo nessa tecla há tempos. O Dacar foi um exemplo claro disso. Apenas uma emissora de TV, a SporTV — é preciso reconhecer —, deu certo destaque à prova em janeiro, ainda assim, exibindo boletins no fim da noite. As outras, nem isso. E claro, baixa exposição, menor quantidade de patrocínios. O que explica a queda brusca de brasileiros inscritos na competição.

Mas aos trancos e barrancos, o esporte vai sobrevivendo aqui por essas bandas, graças a alguns mecenas, empresários apaixonados pelo rali que investem dinheiro para organizar e promover competições por todo o Brasil como o Rali dos Sertões e a Mitsubishi Cup, por exemplo. E mesmo com pouco apoio, tanto o rali de velocidade, quanto o cross-country nacional revela gente do porte de Oliveira, Guilherme Spinelli (isso para ficar só entre os pilotos de carros).

A situação de Daniel é um pouco diferente. O piloto conta com maciço apoio da Prodrive, empresa preparadora de carros de propriedade de David Richards, que criou a Brazil (assim mesmo, com Z) World Rally Team justamente para desenvolver o novo Mini, visando não apenas a atual temporada, como 2012, ano em que a montadora vai disputar todas as provas do campeonato. O time conta com estrutura de primeira e já fala em vitórias no ano que vem. Mesmo assim, um patrocínio sempre cai bem.

A equipe que conta com Daniel e o navegador luso Carlos Magalhães no comando do Mini John Cooper Works, por enquanto, da categoria S2000, cuja estreia aconteceu em Portugal no fim de março. A ‘promoção’ de Oliveira à divisão principal do WRC deverá acontecer no Rali da Itália, daqui a duas semanas.

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2011

Felipe Paranhos

Na vida: saúde.

Na F1: Kobayashis.

Na Indy: sucesso à parceria De Ferran-Kanaan.

Na GP2: respeito por quem assiste e cobre a categoria.

Na MotoGP: Rossi forte na Ducati.

No WRC: um adversário pra Loeb.

Na Stock Car: corridas que acabam quando terminam.

Na F-Future: gente.

Na CBA: decência, coragem, trabalho, fim das mentiras.

Sonha, garoto, sonha.

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