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Craque no paddock

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Interlagos

Ontem foi um dia bem movimentado em Interlagos, tanto dentro da pista quanto fora dela. A presença dos famosos é algo bastante comum nos finais de semana de F1. São tantos os chamados VIPs por aqui que é fácil de perder a conta. Mas destaco um em especial. Lucas, craque do São Paulo e contratado pelo Paris Saint-Germain por R$ 108 milhões, esteve presente ontem aqui em Interlagos como convidado da Gilette, ao lado de Ronaldo Fenômeno, o gordão.

Ambos, lado a lado, deram entrevistas coletivas, e a muvuca em torno deles era muito grande, muito mesmo. Tanto que impressionou até mesmo Narain Karthikeyan, da quase falida HRT, que passava pelo local com destino ao box da sua equipe, que fica bem no fundão. Impressionante como a aglomeração em cima do maior artilheiro das Copas do Mundo era grande, mas também havia muita gente entrevistando Lucas. Então fui saber a impressão dele sobre a F1 e essa maravilhosa parafernália que envolve esse mundo.

“Não manjo absolutamente nada (risos). Mas eu gosto muito de carros, de motor, de escutar o ronco deles, e quem assiste meu jogo sabe que eu gosto muito de correr, então nada mais justo do que prestigiar um evento como esse”, disse ele, todo simpático e solícito à imprensa, apesar de a assessora de imprensa ficar apressando o garoto.

“Tudo é muito diferente. Eu me sinto como um peixe fora d’água por aqui. Vi um monte de fios, cabos, o volante cheio de botões… não dá para entender nada (risos). Tive até uma aulinha ali com o Bruno Senna… Mas é bacana você poder conhecer, ter uma noção do que é outro esporte e feliz por estar aqui e conhecer o Senna, que é uma ótima pessoa”, falou o craque.

Questionado sobre a saída de Mano Menezes, que foi o treinador que o alçou à Seleção Brasileira, Lucas desejou sorte ao gaúcho, mas preferiu não mencionar sua preferência por seu substituto. O que ele deixou muito claro é sua ansiedade pelo momento de mudança em sua vida, quando trocará a caótica São Paulo pela bela Paris, mas levará consigo o Tricolor do Morumbi no Coração.

Perguntei a ele sobre sua expectativa pela mudança para a Europa em janeiro. “A ansiedade e a angústia aumentam a cada dia. Vai ser tudo muito diferente para mim, tudo muito novo, então só vou saber se estou preparado quando chegar lá. Só sei que vou sentir muita falta, ficar com muita saudade de tudo por aqui no São Paulo, no Brasil, mas tenho de buscar meus objetivos lá fora. Estou feliz por ir para um grande clube e vou deixar o São Paulo no meu coração“.

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Sinal de alerta

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

O tom das linhas mal traçadas a seguir pode até soar alarmista para alguns, mas, na minha visão, apenas traduz a realidade. Os últimos acontecimentos em São Paulo, mais precisamente na região metropolitana que engloba a capital paulista, indicam que há um estado não-declarado de guerra civil. Os números não mentem.

São inúmeras as mortes nos últimos meses. As estatísticas quanto aos homicídios apenas crescem. Segundo estudo do Estado de S. Paulo, pelo menos 154 pessoas foram mortas a tiros entre 24 de outubro e a última segunda-feira. Contudo, o governador daqui, Geraldo Alckimin, dizer que está “tudo sob controle”. Não, Sr. Governador, não está.

Faltam pouco mais de dez dias para o GP do Brasil de F1, o principal evento esportivo do ano no Brasil. Às vésperas da última etapa da temporada e restando menos de dois anos para a Copa do Mundo, parece evidente que haverá uma força-tarefa policial no próximo fim de semana, em Interlagos. Tudo para garantir a segurança de quem estará presente em São Paulo, e, também, para passar a imagem de um país seguro. Imagem esta que anda muito arranhada lá fora, pelo que se pode perceber da repercussão que essa última onda de violência ganhou mundo afora.

Tensão antecedeu o GP do Bahrein de F1

Tão grave situação me fez lembrar do que aconteceu sete meses atrás. Entre o fim de março e começo de abril, muito se falou sobre um possível cancelamento do GP do Bahrein, prova que foi cancelada no ano passado por motivos de (falta de) segurança. O Grande Prêmio fez uma baita cobertura sobre o assunto. O clima de tensão ainda pairava no ar em 2012, um ano depois de o movimento chamado de Primavera Árabe explodir. Protestos entre movimentos populares contra o regime totalitário do rei Hamad bin Salman Al-Khalifa davam o tom.

Até dias antes do embarque do material das equipes da F1 da China para o país insular, havia muita incerteza quanto à realização da prova. Emissoras de TV da Finlândia, Alemanha e Japão se recusaram a embarcar rumo ao Oriente Médio.

Entretanto, apesar da tensão e do medo de algumas equipes e pilotos — a Force India, por exemplo, não participou de parte das atividades de sexta-feira —, Bernie Ecclestone bateu o pé. A corrida foi realizada no circuito de Sakhir e não houve nenhum grande problema. O único fato relevante e digno de note foi que o Bahrein presenciou a primeira vitória na temporada do homem que pode ser campeão do mundo neste fim de semana, Sebastian Vettel.

Às vésperas do GP do Brasil, São Paulo vive onda de violência

De volta ao assunto São Paulo. Embora a maioria dos pilotos diga que ama o Brasil e que adora o ambiente hospitaleiro que existe neste país tropical, outros tantos não escondem o receio com a violência estabelecida por aqui. Apenas para recordar casos recentes, Jenson Button sofreu uma tentativa de assalto, em 2010, mesmo ano em que uma van que transportava membros da Sauber foi interceptada por ladrões próximos à saída de Interlagos.

Se naquela época não havia essa onda de violência como existe agora e o clima já era de tensão, o que dizer dos dias atuais?

Obviamente, o GP do Brasil deve e vai acontecer. Até onde eu sei, não há nenhuma ameaça de boicote de jornalistas quanto à viagem para São Paulo. O mesmo se pode dizer em relação aos pilotos e membros das equipes. Tal postura é alentadora e indica confiança na segurança do país, mas não basta. Por conta de todo o contexto atual e o número absurdo de mortes em tão curto espaço de tempo, chego a duas conclusões inevitáveis: São Paulo vive um momento tão ou mais tenso que o Bahrein na época da F1 por lá; e, na minha visão, não parece nenhum exagero dizer que o GP do Brasil de 2012 parece ter virado um evento de alto risco. Mas quero e espero estar errado. Espero que São Paulo tenha, de verdade, a violência sob controle, algo que, por enquanto, não passa de ilusão.

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Festa e decisão em Interlagos

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Interlagos

Neste fim de semana, a Porsche GT3 Cup realiza sua última etapa na temporada 2011, no tradicional circuito de Interlagos. Antes de os carros e pilotos irem para a pista nesta chuvosa sexta-feira (9) na capital paulista, todos posaram para a foto de encerramento do ano, com todos os 72 carros, das divisões Cup e Challenge. Apesar do clima de festa, a rodada vai marcar a decisão do título da categoria Cup. São dois os pilotos que lutam pela taça: Constantino Junior, que precisa de apenas um ponto em duas corridas, e Clemente Lunardi, o franco-atirador. A Challenge já tem o campeão de 2011: Sylvio de Barros. O clique é do Luca Bassani.

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O espetáculo e o perigo

Felipe Paranhos

95082_118279_indybia05nAlgum tempo atrás, prometi fazer a série Canastras aqui, só com as coisas que pilotos se submetem por patrocinadores. Tipo cozinhar paella na Espanha, como fizeram Hamilton e De la Rosa ano passado. Nem todas são legais.

As ações de divulgação que incluem o carro na pista, porém, costumam ser interessantes. Foi o caso do passeio a 150 km/h de Bia Figueiredo no carro de dois lugares da Indy. É inusitado, chama a atenção e deixa a cidade no clima do evento em questão. Sobretudo por ser no fim da madrugada, não atrapalhando o trânsito.

Mas uma coisa me deixou encucado na declaração de Bia ao jornalista Gustavo Antonio, do Terra [Não sei se foi dito a outros jornalistas também. Se sim, desculpem].  “Não dava para correr muito, porque em certos lugares pessoas atravessavam. Quase peguei uma mulher com um cachorro”, disse a pilota.

Opa. Pessoas atravessavam? Que espécie de esquema especial foi esse feito pela prefeitura, com o auxílio da Companhia de Engenharia de Tráfego local?

Ainda bem que a Bia teve a honestidade de contar isso, “achando curiosa a reação de estranheza de muitos espectadores que não sabiam do evento”, de acordo com o repórter do portal. E ainda bem que nada aconteceu, pela integridade de todos, inclusive da Bia, que nada teria a ver com um eventual acidente.

Mas determinadas coisas no Brasil me fazem acreditar que desastres não acontecem por pura sorte…

P.S.¹: Ah, o Canastras vai sair.

P.S.²: O clique é de Miguel Costa Jr.

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