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Sertões, dia 1

EVELYN GUIMARÃES [@eveguimaraes]
de Goiânia

O GRANDE PRÊMIO já está em Goiânia para a disputa da 21ª edição do Rali dos Sertões. Embora o início das ações esteja marcado somente para amanhã, com o estágio do Prólogo, equipes, pilotos e navegadores já estão bem instalados na capital de Goiás, em uma área ampla de apoio, em frente ao um shopping, muito próximo a uma das principais entradas da cidade. Muitas barracas, tendas e motorhomes compõem o cenário em meio aos prédios altos que já tomam a capital goiana. E o cheiro é quase sempre do bom churrasco.

Nesta terça-feira, o dia foi dedicado aos últimos ajustes da pista do Prólogo, especial que serve para definir a ordem de largada dos competidores, além das vistorias técnicas em carros, motos, caminhões, quadriciclos e UTVs.

O dia também foi marcado pelo frio inesperado, que pegou muita gente de surpresa. A temperatura mínima foi de 12°C e a máxima não passou dos 19. Nesta quarta-feira, novamente os termômetros registram baixas temperaturas, mas a previsão aponta um clima mais quente à tarde, alcançando os 28 graus. Hoje também é dia de entrevistas coletivas, com os principais nomes da edição deste ano do rali, como Stéphane Peterhansel e Jean-Paul Cottret,além dos astros das motos Cyril Déspres e Marc Coma.

O GP acompanha ‘in loco’ os Sertões 2013 e vai trazer ao longo dos próximos dez dias matérias especiais, boletins dos resultados e tudo de mais importante que acontecer no coração do Brasil.

Abaixo, algumas fotos do primeiro dia de cobertura do Rali dos Sertões:

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Na rota dos Sertões: Vai deixar saudades

Escrevo este texto na noite desta terça-feira, 28 de agosto de 2012, dia de encerramento da histórica 20ª edição do Rali dos Sertões. Para mim, especificamente, foi um privilégio estar, pelo segundo ano, como responsável do Grande Prêmio pela cobertura desse evento único, tanto na esfera esportiva quanto na social. Foi uma grande honra estar aqui representando o melhor site de automobilismo do Brasil. Não sou lá muito afeito a autoelogios, mas, dentro das possibilidades, acho que o trabalho foi bom. Pode melhorar demais para as próximas edições, mas deixo Fortaleza, na próxima quinta, bastante satisfeito.

Desde quando acabou o ‘meu’ primeiro Sertões, em 2010, já vinha sonhando em participar da próxima cobertura. Não aconteceu em 2011, mas não deixei a guarda abaixar. Sabia que, mais cedo ou mais tarde, teria minha segunda chance. E ela veio neste ano, através de um convite da organização de prova, a quem agradeço demais pela oportunidade, e, novamente, ao Grande Prêmio e todos os membros do nosso ‘dream team’: Renan do Couto, Fagner Moraes, Juliana Tesser, Victor Martins, os viajantes Felipe Giacomelli e Evelyn Guimarães e o patrão Flavio Gomes.

Não é fácil fazer uma cobertura ‘in loco’ de um evento tão grande como é o Rali dos Sertões. É totalmente diferente de trabalhar em uma corrida em um autódromo, por exemplo. A complexidade é muito maior. São percorridos, em média, cerca de 500 km por dia. E muitas vezes as cidades por onde passa o rali não oferecem uma estrutura adequada para a realização de um bom trabalho. Foi assim em algumas oportunidades nesta edição, como em Palmas. Acontece. Então nós, jornalistas, temos de matar às vezes quatro ou cinco leões por dia. Peço desculpas por não ter conseguido atualizar o blog da maneira como eu gostaria. Mas é vivendo e aprendendo.

Por isso a necessidade de uma equipe forte e competente. Dessa forma, agradeço a todos do GP. Sem a ajuda de todos vocês, nada disso teria acontecido e jamais estaria aqui.

Eis um dos prêmios por completar o Rali dos Sertões: a medalha da vitória

Foram dez dias de estrada, mas um pouco mais de tempo entre a minha chegada a São Luís, no dia 16, até a minha partida, dentro de um dia e meio. Nesse tempo todo, conheci muitas pessoas, fiz bons amigos, passei por lugares onde jamais estive antes, ouvi histórias de luta, superação e vitória. Tudo isso ao longo de quase 5 mil km entre estradas, ótimas e péssimas, desse Brasil varonil.

Vi um pouco de tudo nesses dez dias de Sertões. De forma inimaginável, passei FRIO em Petrolina, em pleno semiárido pernambucano. E só para citar outros três exemplos vistos na penúltima cidade visitada, Iguatu, acho que jamais verei novamente um TÁXI rebaixado. Nessa cidade, cravada no centro-sul do Ceará, há, logo na entrada, um bar chamado ‘Sadan Hussein’ e, de forma contrastante, há um hotel, onde ficamos hospedados, comandados por freiras (Diocesano Hotel), algo que também nunca tinha visto antes. Espetacular!

Vi um Norte-Nordeste ainda bastante carente em muitos lugares, mas também é fato que, conversando com as pessoas que vivem por aqui, tudo melhorou significativamente de uns dez anos para cá. Muita coisa ainda precisa ser feita, mas o fato é que o Nordeste é uma terra promissora. Como eu disse para meu amigo Fagner hoje (ou ontem), o Nordeste é o futuro do Brasil.

Também tive o privilégio de acompanhar, ‘in loco’, um dos maiores ralis do mundo, e estar em contato diário com pilotos, navegadores, equipes de apoio, jornalistas, pessoal da organização, equipe médica, todo mundo que faz do Rali dos Sertões um acompanhamento grandioso. Quase duas mil pessoas e um só ideal. No fim das contas, o que vale é a parceria, o companheirismo, a amizade e o espírito de equipe… tudo o que, na verdade, compõe o verdadeiro espírito do Rali dos Sertões.

Aprendi demais nesses dez dias aqui. Estamos sempre aprendendo todos os dias. Mas estar em uma cobertura tão intensa como é o Rali dos Sertões nos ensina demais, não apenas como profissionais, mas na vida como um todo. Aprendi com uma lenda viva do esporte que, mesmo que você seja o melhor do mundo e o mais #fera de todos os tempos, é possível ser humilde e atencioso com o próximo. Aprendi com Cristiano Teixeira que, por mais limitações que você tenha, é possível realizar sonhos. Como o que eu realizei hoje, chegando ao fim da minha segunda cobertura do Sertões.

Junto com alguns dos muitos parceiros que me ajudaram nessa jornada ao longo desses dez dias — Fernanda Gonçalves, Caio Scafuro, Daniel Betting, Cleber Bernucci e Luciano Fritsch —, subi a rampa da vitória e recebi a medalha por ter completado o Sertões. Sentimento único de satisfação e vitória. Sentimento que gostaria de compartilhar com todos aqueles que, de uma forma ou de outra, proporcionaram tudo isso.

A cobertura do Rali dos Sertões ainda não acabou, mas o sentimento que fica já é de saudades. Nesta quarta-feira, vai ao ar um especial completo sobre tudo o que aconteceu na prova deste ano, com análise do que foi bom e do que pode melhorar, declarações de pilotos, organizadores, chefes de equipe, trazendo revelações e até mesmo um possível encerramento de carreira por parte de um lendário piloto brasileiro.

Fica o sentimento do dever cumprido, a saudade e o desejo de voltar em 2013. E seguimos na batalha, sempre acelerando. Avante!

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Na rota do Sertões: Desafio Maranhão

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Carolina

Depois de um longo dia de viagem nesta quarta-feira (22), quase 600 km após sair de Barra do Corda, estamos em Carolina, base da quarta especial do Rali dos Sertões, que começou a desenhar a luta pelo título. Mas o Sertões está muito além da esfera esportiva. Ao longo desses quase 1.500 km que foram percorridos desde a saída do rali, a belíssima São Luís, vi bastante coisa interessante e contrastante que queria aqui compartilhar com vocês. A começar pelos dois primeiros dias de prova.

Depois de entrevistar a musa Helena Soares e o mito Stéphane Peterhansel, entre tantos outros, na última sexta-feira, poder acompanhar o incrível Prólogo e o empolgante Super Prime, era a hora de partir pelas estradas deste Brasil varonil.

A nossa primeira parada foi em Barreirinhas, cidade distante 253 km da capital maranhense. Cidade que aparenta ser menor do que é. É um daqueles vilarejos que lembra muito os cenários da novela do lendário Dias Gomes. Mas foi um povo bem hospitaleiro (ou bem hospitalar, como diria o outro), que recebeu muito bem a caravana do Sertões no domingo.

Conversando com alguns moradores que olhavam admirados para os imponentes carros, motos, caminhões, quadriciclos e UTVs, eles me disseram que só souberam da vinda do rali recentemente e criticaram a administração local pela falta de divulgação. De fato, não havia mesmo tanta gente esperando pelo pessoal do rali, como costuma acontecer em outras cidades daqui do Maranhão.

Nesse mesmo dia, pouco antes de ir embora, engatei uma breve entrevista com o Filipe Palmeiro. O luso, que já foi navegador de Paulo Nobre, o Palmeirinha, no Dakar e no último Rali dos Sertões, já trabalhou na equipe de apoio da Mitsubishi Brasil, disputou algumas etapas do Mundial de Cross-Country deste ano como navegador de Yazeed Al-Rahji, e que no Sertões 2012 auxilia nos trabalhos da X-raid, disse ao BloGP que vai voltar a navegar no Dakar e revelou que assinou contrato com a equipe alemã visando 2013, mas preferiu não falar sobre o piloto para quem vai trabalhar.

Mas o portuga se mostrou empolgado por estar mais uma vez aqui no Rali dos Sertões, se dizendo um apaixonado pela competição e pelo ambiente que cerca a prova.

Mas o melhor daquele dia estava por vir depois. Eu já tinha marcado de conversar com o Cristiano Teixeira, piloto que conheci durante o briefing de apresentação do Rali dos Sertões em julho, lá em Barueri. Depois de outro briefing, desta vez, dos pilotos de moto após a primeira especial da prova, tive a chance de falar com ele.

De fala mansa, como todo bom mineiro, Cristiano falou sobre sua carreira como piloto. Exemplo de vida e de esportista, ele se manteve sempre sereno ao comentar sobre seu acidente, onde perdeu parte da perna esquerda. No fim das contas, todos são vencedores apenas pela coragem de encarar o desafio do Rali dos Sertões. A reportagem completa está no Grande Prêmio.

Não há tempo para perder no Rali dos Sertões. Depois de algumas horas de descanso em Barreirinhas, era a hora de partir. O destino daquela segunda-feira era Bacabal, iniciando de vez a descida do Maranhão. Ao deixar Barreirinhas, percebi alguns detalhes bem contrastantes. Talvez seja o costume daqui, mas o fato é que era possível ver, por exemplo, muita gente andando de moto sem usar capacete, e pasmem, com até criança recém-nascida no colo de uma passageira. O trânsito parecia uma Índia, longe de ser um primor de organização, pelo contrário. Os paus-de-arara ainda sobrevivem por aqui, mas com uma configuração um pouco mais compacta, com picapes (como Toyota e S10) tendo bancos instalados para o transporte de passageiros. Tudo devidamente credenciado pela prefeitura local.

Por outro lado, na saída da cidade, avistei o imponente Instituto Federal do Maranhão, Campus Barreirinhas, que evidencia uma localidade que busca se desenvolver. Aliás, apesar do contraste e da pobreza que ainda reina por aqui, é inegável o desenvolvimento da região como um todo. Isso é atestado pelos moradores e também por quem cobre, participa ou mesmo ajuda na caravana do Sertões ano após ano.

De Barreirinhas para Bacabal foram quase 400 km, 382,1, para ser mais exato, seguindo pela BR 135. Estrada de condições satisfatórias. Detalhe: por falar em estradas, até o momento, em quatro dias de jornada, não pegamos nenhum pedágio. Quer dizer, encaramos um, mas não foi de nenhuma concessionária, como existem aos montes em São Paulo e no Sudeste do Brasil, mas essa história fica para o próximo post.

Em Bacabal, foi possível ver que a cidade, assim como muitas outras daqui do Maranhão, se desenvolveu ao redor da rodovia, que, no fim das contas, é quase como uma avenida da cidade (e de outras da região). Nesse caso, diferente de Barreirinhas, o povo compareceu em peso e prestigiou a chegada do Rali dos Sertões, que é um dos acontecimentos do ano nas cidades daqui do Maranhão.

E foi em Barreirinhas que consegui um dos dias mais produtivos por aqui. Falei com muita gente: Jean Azevedo, Felipe Zanol, Riamburgo Ximenes, Guiga Spinelli e Stéphane Peterhansel, que, obviamente, tem seu inglês afrancesado, mas consegui entender até que bem; foi uma entrevista marcante aqui para esse humilde escriba. Estar diante do melhor do mundo em alguma coisa é privilégio para poucos. Está tudo lá no Grande Prêmio.

Tem muita coisa para contar sobre o que acontece por aqui. Nos próximos dias vou colocar aqui um pouco do que aconteceu em Barra do Corda e Carolina, as últimas paradas da prova até o momento. Posso assegurar que a experiência (a minha segunda) no Sertões, é inenarrável, é maravilhosa. Vale a pena estar aqui. É puro aprendizado. Como disse um amigo certa vez, estar no Rali dos Sertões é o tipo de experiência que muda a sua vida. E muda mesmo.

Continue com a gente na cobertura do 20º Rali dos Sertões!

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Na rota do Sertões: cara a cara com o mito

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de São Luís

É amanhã que os motores finalmente vão roncar aqui em São Luís, e o Rali dos Sertões vai começar a escrever a 20ª página de sua história. O clima de expectativa e de ansiedade é nítido nos olhares, nas entrevistas, nos gestos de cada competidor que está por aqui. E pude ver isso ao falar com muitos deles. As ambições são bem distintas: alguns vêm para lutar pela vitória, enquanto que, para outros, a conquista maior é simplesmente chegar em Fortaleza no próximo dia 28. No fim das contas, o que move todos é a pura e simples paixão pelo esporte.

Hoje, sexta-feira (17), foi um dia de muita movimentação aqui no Hotel Luzeiros, onde foram realizados os briefings com pilotos de carros, caminhões, motos, quadriciclos e UTVs, um outro briefing, com as equipes de apoio, além de, mais cedo, uma entrevista coletiva com as autoridades, diretores de prova e competidores e, também, um almoço promovido pela Honda Racing. Nesse tempo todo hoje tive a chance de conhecer de perto um mito do esporte, nas duas e nas quatro rodas.

Stéphane Peterhansel é a grande estrela do Rali dos Sertões 2012 (Foto: Fernando Silva/Grande Prêmio)

Talvez a grande atração do histórico 20º Rali dos Sertões seja a presença de Stéphane Peterhansel e seu inseparável navegador Jean-Paul Cottret, que vão tentar bater Guilherme Spinelli e Youssef Haddad com um Mini All4 Racing da equipe alemã X-raid. Peter, como é chamado por todos os seus colegas aqui no Maranhão, foi o último a se posicionar na mesa dos pilotos que participaram da entrevista, sentando-se ao lado de Tom Rosa, Felipe Zanol, Guilherme Spinelli, Edu Piano e Guido Salvini.

A sala de convenções, onde foi realizada a entrevista na manhã desta sexta, estava cheia de mulheres (lindíssimas, por sinal) distribuindo latinhas de Red Bull a torto e a direito. E as latinhas taurinas também decoravam a mesa da coletiva, sempre com um piloto tendo um Red Bull à frente. ‘Macaco velho’, Stéphane, que é patrocinado pela concorrente Monster, sutilmente colocou a ‘sua’ latinha de Red Bull para bem longe, até para não correr o risco de ser fotografado com um produto de uma marca rival.

Dez vezes campeão do Dakar e verdadeiro mito do esporte, Peterhansel, pode-se dizer, está para o rali cross-country como Michael Schumacher está para a F1. O maior de todos os tempos, o único, o imbatível. Assim é como Stéphane é visto por todos aqui, como o cara, o fodão, o melhor da história. E é justo considerá-lo assim. Afinal, são dez títulos do Dakar, seis nas motos e quatro nos carros. Quando um competidor vence uma prova da dimensão e da importância do Dakar uma vez, vira grande; quando vence dez, vira imortal. E Peterhansel é imortal.

E o que percebi, desde quando ele fez sua primeira aparição pública aqui em São Luís nesta sexta, é que ele, no alto da sua história como piloto, sempre se mostrou muito solícito com todos, seja com o amigo ‘Guiga’ Spinelli, seja com um fã, um membro de uma equipe de apoio, se disponibilizando sempre para tirar uma foto ou bater um papo. Assim foi também com a imprensa presente aqui. Peter deu a mesma atenção a cada um dos repórteres presentes e falou com todos com a maior tranquilidade. Postura, aliás, comum aos pilotos e navegadores do rali.

Marquei com ele próprio uma entrevista após o briefing, à tarde. E finalmente consegui falar com o mítico Peter, por volta das 17h. Em todas as respostas, Stéphane foi muito convicto, simples e se mostrou bastante humilde. Durante um trecho, ele diz ter a consciência de que é um dos grandes do esporte a motor em todos os tempos, mas que se vê apenas como uma pessoa normal.

Peterhansel falou sobre muita coisa, como a sua primeira vez no Sertões, sua história no Dakar, Sébastien Loeb, a possibilidade de um dia o Brasil receber uma especial do Dakar, enfim. Muita coisa. Adianto ao amigo leitor que a entrevista será publicada na Revista WARM UP, edição 29. Edição, diga-se de passagem, pra lá de especial, pois terá outra entrevista com outro mito do automobilismo: Emerson Fittipaldi. Em breve nas bancas virtuais!

Obviamente, Peterhansel veio para vencer. Por mais que diga que não, que não se considera o favorito à prova, seu equipamento e, principalmente, seu retrospecto vencedor, o coloca como o grande postulante ao título do Sertões 2012. O Mini All4 Racing é um baita carro e vai certamente lutar de igual para igual com o Lancer de Spinelli. Em teoria, a luta pela vitória ficará entre os dois, embora seja mais sensato não descartar Riamburgo Ximenes da briga.

Aliás, falando em Riamburgo, acabei fazendo parte de um momento curioso. Quando abordei Peterhansel, no saguão do hotel, para fazer uma última pergunta, o piloto cearense, que também correrá pela X-raid neste ano, mas com um BMW X3, se aproximou, bem humorado, e me disse: “Avise a ele [apontando para Peter] que só não falo mais com ele por causa de problemas de linguagem”. E eu disse isso, com meu inglês raikkonensístico, ao francês, que riu e disse que estava feliz por correr ao lado de Riamburgo.

Foi um baita dia, devo dizer. Não é sempre que você fica cara a cara com um mito do esporte.

E não é sempre que você consegue fazer uma entrevista com uma mulher linda, guerreira, vencedora, musa do rali e rainha do carnaval. No próximo post eu explico como foi.

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Na rota do Sertões: finalmente, São Luís

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de São Luís

Amigos e amigas do Grande Prêmio e do BloGP! Salve, salve! Finalmente estamos em São Luís. Depois de encarar uma verdadeira epopeia durante toda a quinta-feira, fizemos uma viagem tranquila, entre Campinas, com escala em Confins, até chegar à ‘Jamaica brasileira’ na madrugada de hoje, por volta de 1h30. Tudo tranquilo, sem problemas, sem tensões. Aproveitei o tempo de voo para descansar um pouco. Sei que os dias que virão serão cansativos, mas igualmente prazerosos.

Não dormi muito por aqui, mas não estou aqui para dormir, e sim para passar o melhor da informação para o amigo leitor. Então cochilei algumas horas e despertei de vez às 7h. E despertei de frente para o mar. Faz muito calor aqui em São Luís. Nunca menos que 25ºC. Logo no começo da manhã, tirei uma foto para ver como estamos bem por aqui. São Luís é mesmo espetacular.

Depois do café da manhã por aqui, falei com Marcos Cassol, campeão na categoria Caminhões no Sertões 2010. Depois de um ano de fora da prova, o gaúcho radicado na cidade goiana de Rio Verde voltará com um Troller da equipe Território providenciei os primeiros contatos com a lendária redação virtual do GP

O Grande Prêmio já está em São Luís para o início do histórico 20º Rali dos Sertões (Foto: Fernando Silva)

Hoje a programação do Rali dos Sertões prevê, para daqui a pouco, às 11h, a entrevista coletiva de abertura do evento, com a presença dos campeões da edição 2011 — Edu Piano, Guido Salvini, Guilherme Spinelli e Tom Rosa —, do vice-campeão nas motos, Felipe Zanol, e do mito Stéphane Peterhansel. Dentre os campeões do ano passado, apenas Cyril Després  não estará na edição de 2012.

Um pouco mais tarde, ao meio-dia, a Honda Racing promoverá um almoço-entrevista coletiva com Zanol, talvez o maior favorito ao título do Sertões nas motos, e seu companheiro de equipe, Dario Júlio.

Mais tarde, vou conhecer a área dos boxes, onde estão estacionados os carros, motos, caminhões, quadriciclos e UTVs, além de fazer algumas entrevistas e ver como está a expectativa antes do prólogo e do superprime, amanhã, além de conferir a movimentação no local. Tudo fica distante uns 10 minutos (de carro) daqui do hotel, onde serão realizados os eventos daqui a pouco.

E vamos que vamos que o Sertões está só começando!

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Na rota do Sertões: Entrando no clima

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7],
de Sumaré
(ainda)

Bom dia, amigos e amigas do Grande Prêmio e do glorioso BloGP. Daqui a pouco estaremos em São Luís, capital maranhense, que também é conhecida como a ‘Ilha do Amor’ e ‘Jamaica brasileira’. Ainda estou em Sumaré, aguardando um pouco mais antes de embarcar. No entanto, a viagem já começou e, parafraseando Roberto Carlos, em ritmo de aventura, ou em ritmo de caos aéreo. Mas até que valeu para entrar no clima.

Nosso voo rumo a São Luís, partindo de Viracopos, em Campinas, e com escala no Rio de Janeiro, estava marcado para 7h15. Por alguma razão, desconhecida para nós, a companhia aérea, de tamanha importância por aqui, remarcou nossas passagens para ONTEM, às 19h. Sem saber do ocorrido, eu e 20 integrantes da equipe piracicabana Kaipiras na Lama, que integra o time de apoio do Rali dos Sertões para motos e quadriciclos, não conseguimos embarcar.

Depois de entrarmos em contato com a organização da prova, a Dunas Race, garantimos nossa ida para São Luís, para alívio de todos. Desta vez, por uma nova companhia aérea. Contudo, não vamos voar com o céu azul, já que o horário mais próximo disponível para embarque era partindo à noite, às 20h06, com escala no aeroporto mineiro de Confins, antes de finalmente chegar à bela São Luís, já na madrugada de sexta-feira. Faz parte, diria um; imagine na Copa, diria outro. O que importa é que estaremos no Sertões para mostrar ao fiel leitor tudo o que envolve um dos maiores ralis do mundo.

'Ilha do Amor', São Luís abre histórico 20º Rali dos Sertões. E o Grande Prêmio está nessa (Foto: Divulgação)

Enquanto todos nós aguardávamos a solução do problema, conversei bastante com o pessoal da Kaipiras na Lama. Eles formam um time de enduro de Piracicaba, aqui pertinho de Sumaré, e, em agosto, integram uma das principais equipes de apoio do Rali dos Sertões. A maioria dos seus integrantes é formada por profissionais liberais, apaixonados por moto e que, nas horas vagas, fazem suas trilhas aqui e ali, principalmente no mítico interior paulista.

No papo com um dos chefes do time, Paulo Huff, o Paulinho, ele falou um pouco sobre como funciona o trabalho deles dentro da prova. A equipe é uma das responsáveis por garantir a segurança da população que vive nas cercanias do percurso por onde passa o rali. Muito antes do início da especial, a Kaipiras na Lama conscientiza o povo sobre onde a prova vai passar e monitora todo o terreno, até para que não haja nenhum risco aos moradores e transeuntes.

Paulinho vai para seu sétimo Sertões. São vários anos conhecendo as histórias do povo sertanejo durante o percurso da competição. E ele me disse que ter visto de perto uma realidade completamente diferente da que estava acostumado mudou para sempre sua vida. Como também mudou a minha depois que eu fui para meu primeiro Sertões, em 2010.

Uma dessas histórias chamou bastante a atenção. Certa vez, durante o Sertões de 2007, no Maranhão, Paulinho conheceu um garoto, de seus 17 anos, mais ou menos, que não via a hora de chegar à maioridade para arrumar as malas e tentar a sorte em São Paulo, tendo cursado apenas a 5ª série do ensino fundamental. Conversando com o rapaz, Paulinho alertou para as enormes dificuldades em ganhar a vida na cidade grande e indicou, como alternativa, ir para Fortaleza, uma das principais cidades do Nordeste (em franca evolução econômica) e intensificar os estudos, visando um futuro melhor para ele e seus familiares.

Depois de algum tempo, Paulinho teve novamente contato com o jovem maranhense, que já não era mais um garoto, mas sim o principal pilar econômico da sua família. Estudante de hotelaria depois de ter intensificado os estudos, o rapaz, que por muito pouco não veio para a cada vez mais incerta e insegura São Paulo, tem bom trabalho, ganha lá suas 2 mil dilmas por mês e consegue tranquilamente garantir o seu sustento e o da sua família. Com estudo, determinação e uma boa orientação, muita coisa pode mudar, e para melhor.

Além dessa história, que foi contada com enorme sentimento de satisfação, Paulinho relatou outras tantas ocorridas em sua trajetória no Rali dos Sertões. E cada uma delas é repleta de superação, determinação e conquistas. Como é a história dos competidores que buscam chegar ao fim de mais uma especial, como é a deste humilde escriba na luta pelo melhor texto, pela melhor entrevista, pela evolução diária, como é a da população sertaneja, que luta pela sobrevivência e por dias melhores.

A fome já estava batendo forte, o estômago estava roncando mais que o motor da Ferrari do Fernando Alonso. Sabendo que teria de esperar bastante tempo antes do embarque rumo ao Maranhão, percebi que compensava mais pegar dois ônibus e voltar para casa para almoçar por aqui. Comer em aeroporto e rodoviária está cada vez mais caro. Para se ter uma ideia, qualquer garrafinha de água custa R$ 4. Absurdo. Nem arrisquei saber o preço do rango. Preferi voltar e forrar meu estômago aqui em Sumaré mesmo. Às 16h10 retomo meu rali particular, pegando mais dois ônibus de volta a Viracopos, mas São Luís como destino final.

Ainda estou muito longe do Maranhão, mais precisamente a 2.850 km, mas, para mim, a jornada do Rali dos Sertões 2012 já começou. E para entrar no clima de vez, segue um vídeo sobre São Luís, a ‘Jamaica brasileira’. E vamos que vamos!

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Verde e amarelo

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Enquanto os Jogos Olímpicos rolam solto lá em Londres, do outro lado do Atlântico, na última terça-feira (31), em São Paulo, a Mitsubishi Brasil apresentou o Lancer com o qual Guilherme Spinelli e Youssef Haddad vão tentar mais um título do Rali dos Sertões, logo mais, entre os dias 18 e 28, entre São Luís e Fortaleza. A partir do dia 16 estaremos lá.

O modelo é praticamente o mesmo que disputou as últimas edições do Dakar e também o último Sertões, vencido pela dupla. Só que o Lancer deixou para trás o tradicional vermelho para vestir verde e amarelo (e branco também), graças à parceria com a Petrobras. Ficou bacana a nova pintura, não? O clique é do Carsten Horst.

É com o Mitsubishi Lancer verde e amarelo (e branco também) que Spinelli e Haddad vão lutar por mais um título no Sertões (Foto: Carsten Horst/Mitsubishi)

A Petrobras, aliás, que tem um histórico de muito apoio ao rali brasileiro, já que, por quase 20 anos, patrocinou a Brasil Dakar, equipe comandada por André Azevedo, um dos pioneiros do país no maior rali do mundo (ao lado de Klever Kolberg). A parceria durou até o Dakar deste ano, e os rumos da Petrobras apontaram para a Mitsubishi.

Além de Spinelli e Haddad, estiveram presentes ao evento atletas do quilate de Torben Grael, Fernando Meligeni, Rodrigo Raineri, Luigi Cani, Chico Serra, Felipe Maluhy e Fabinho Fogaça.

Spinelli, aliás, vai lutar pelo pentacampeonato do Rali dos Sertões. Mas o carioca terá uma dura missão pela frente: entre os maiores adversários estão pilotos do quilate de Reinaldo Varela, que vai de Mitsubishi Triton SR; Riamburgo Ximenes, que neste ano virá com BMW X5 da equipe X-Raid, e, principalmente, Stéphane Peterhansel, mito supremo e dez vezes campeão do Dakar.

O rali é feito de lendas. E o Sertões, que chega ao 20º de uma história vitoriosa, construiu várias. A Revista WARM UP 28 traz reportagem especial com sete lendas do Rali dos Sertões: André Azevedo, Klever Kolberg, Edu Piano, Jean Azevedo, Zé Hélio Rodrigues, Guilherme Spinelli e Marcos Moraes, o homem responsável por dar à competição o aspecto profissional que tem nos dias atuais. Não é por nada não, mas recomendo a leitura. É só clicar e ler!

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O legado de Nasser no Rali dos Sertões

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

A conquista da medalha olímpica de bronze por Nasser Al-Attiyah no tiro skeet, nesta terça-feira, em Londres, me fez recordar uma história incrível, na qual o ‘Príncipe do Deserto’ teve papel decisivo e deixou uma legião de fãs e admiradores aqui no Brasil. Fazendo a cobertura do Rali dos Sertões, em 2010, tive o prazer de entrevistar Heleninha Deyama e Joseane Koerich em Sobral, após o fim da penúltima especial daquela prova. Ambas estavam ali, comemorando o renascimento no rali, e demonstraram gratidão com Nasser que, um ano antes, em um gesto de generosidade, amor ao próximo e também ao esporte, proporcionou à dupla seguir competindo.

A história a seguir já foi publicada no Grande Prêmio em 2010. Só que, com a mudança de servidores e de portal, já não está mais no ar da forma como foi postada. Contudo, tenho a sorte de sempre guardar meus textos aqui, principalmente os feitos para coberturas especiais. Dessa forma, compartilho com vocês novamente esse texto que dá a dimensão do caráter de Al-Attiyah e da superação de Heleninha e Josi no Sertões. O texto está praticamente na íntegra, é um tanto longo, mas, ainda assim, vale a pena a leitura. Recomendo.

Após o encerramento do briefing dos pilotos no ginásio que abrigou a organização da prova em Sobral, falei com as experientes Helena Deyama e Joseane Koerich. Foi uma conversa que valeu a pena. Valeu por ter visto o brilho nos olhos de pessoas que têm prazer em competir, mas que também têm o gosto pela superação. É esse o caso de Helena e Josi.

No alto de seu pouco mais de 1,5m de altura, a brasileira de origem nipônica não aparenta, mas é uma fortaleza em forma de mulher. Ao lado da navegadora Joseane, a pilota revelou, com exclusividade ao Grande Prêmio, como renasceu esportivamente das cinzas após superar o acidente sofrido em 2009 e voltar de forma triunfante em 2010, que se encerra nesta sexta-feira (20) em Fortaleza.

Há quase um ano, a dupla teve o carro — uma Mitsubishi Pajero — totalmente destruído em um incêndio, após vazamento de combustível. Parecia mesmo o fim. Mas essas mulheres de fibra provaram que foi apenas mais um recomeço. Muito graças a Nasser Al-Attiyah, príncipe no Catar e também piloto vice-campeão da prova com a equipe Volkswagen.

Na cerimônia de premiação e encerramento do Sertões em 2009, em Natal, Reinaldo Varela organizou uma rifa de um jogo de pneus, cujo dinheiro seria revertido a Helena e Josi. O vencedor foi o diretor de prova, Jaime Santos, que não tinha condições de levar os pneus embora. Então, foi feito um leilão dos pneus, que valiam R$ 3 mil. Nasser se manifestou e fez a doação de US$ 20 mil para a dupla adquirir um novo carro, causando comoção a todos os presentes à festa.

Deyama batizou o carro de 2010 de ‘Príncipe’, justamente em homenagem a Nasser. Inclusive, a pilota colocou um adesivo no capô do carro, demonstrando mais uma vez a gratidão, tanto sua quanto de Josi. Talvez pelos bons fluídos trazidos diretamente do Oriente Médio, as competidoras não tiveram qualquer problema e estão em 14º na classificação geral do Sertões, o que pode ser considerado um bom resultado.

“O Príncipe foi perfeito. Você vê que até colocamos um adesivo de agradecimento ao Príncipe do Catar, que nos ajudou, e o carro retribuiu. Então foi perfeito. É o melhor carro de corrida que já tive até hoje. E realmente, tenho a certeza de que vamos terminar”, frisou Helena.

A pilota lembrou o momento de emoção vivido em 2009 e garantiu: vai retribuir em Fortaleza todo o apoio demonstrado pela caravana do Sertões. “No ano passado eu chorei muito quando subi naquele palco para agradecer à ação dos pilotos que fizeram leilão, rifa, tudo para nos ajudar. E nesse ano eu vou ter o prazer de subir no palco para agradecer a eles por toda essa força e comemorar a nossa vitória em mais essa edição do rali”, comentou.

Questionada pelo Grande Prêmio sobre o sentimento particular após estar prestes a completar mais um Sertões, Helena atribuiu o sucesso aos céus. “Olha, eu acho que é uma bênção de Deus que nós estamos recebendo. É o meu 11º rali, mas este tem um sabor todo especial, porque depois de tudo o que aconteceu, eu achei que teria de parar. Foi uma coisa bastante traumatizante. Mas tudo aconteceu de uma forma tão legal que notei que ainda não era a hora. Que era o momento sim de superar isso e voltar por cima”, disse a paulista.

Por sua vez, Josi exibiu o sentimento de dever cumprido. Faltando apenas o último estágio para ser disputado — entre as cidades cearenses de Sobral e Fortaleza —, a navegadora preferiu destacar o trabalho desempenhado pela equipe Brasil Rally e se lembrou de uma promessa feita à parceira logo após o incêndio em 2009.

“É uma satisfação muito grande. O que aconteceu em 2009 foi um infortúnio. Carro, equipe, pilota, navegadora, a gente tenta fazer com que tudo dê certo. Esse ano, acho que é o resultado do trabalho, do entrosamento, do comprometimento que tive com a Helena lá no ano passado, naquele fatídico dia. Prometi que voltaríamos vitoriosas”, vibrou Koerich, que logo em seguida exaltou o desempenho de sua parceira no off-road.

“Acho que isso nada mais é do que merecimento. A Helena é uma pilota maravilhosa, guerreira, que está fazendo seu 11º Sertões. Então, ela merece mais do que ninguém”, complementou a navegadora. Assim como a parceira, Joseane também tem grande experiência, já que disputa sua oitava prova neste ano.

Joseane Koerich, Nasser Al-Attiyah e Heleninha Deyama no Sertões 2009 (Foto: David Santos Jr.)

Feliz com o sucesso da parceria, Deyama revelou que a motivação para conquistar o bom resultado neste ano veio do apoio maciço que recebeu de torcedores por todo o país, comovidos com o drama da dupla no ano passado.

“Uma coisa que me levanta muito é o carinho e a torcida dos amigos. Tem gente do Brasil inteiro que torce por nós. Eu sou uma pessoa que acredita muito na força do pensamento e na força das pessoas. E a força positiva que todas essas pessoas emitem para nós tem nos dado tanta sorte e estamos bem no Sertões”, celebrou.

O fato é que uma competição como o rali ensina muito. Ensina a viver, ensina a entender, e ensina que nada como um dia após o outro, superação em cima de superação. Helena e Joseane provam que o esporte é pródigo em apresentar exemplos como esse, guardadas às devidas proporções, como aconteceu com Nelson Piquet nas 500 Milhas de Indianápolis de 1993 e também com Ronaldo na Copa do Mundo de 2002. Voltar ao rali com grande êxito depois do incêndio de um ano atrás é como ressurgir das cinzas. Como uma fênix.

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A primeira vitória de uma nova era

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Escrevo este post aqui da gloriosa Sumaré, mas, há quase uma semana, estava eu no briefing de apresentação do roteiro do Rali dos Sertões, onde estará o Grande Prêmio, o BloGP e este que vos escreve a partir de 16 de agosto. Após Du Sachs explicar com detalhes o trajeto da 20ª edição de um dos maiores ralis do mundo, fiz uma entrevista com Maurício Neves. Trata-se do lendário piloto que já alcançou, dentre tantos feitos, três Brasileiros cross-country (na T1), o Rali dos Sertões em 2007 e a participação no Sertões de 2009 e no Dakar de 2010 como piloto oficial da Volkswagen, correndo com o espetacular Race Touareg.

Mas, no papo que tive com Neves, abordei principalmente o XRC, o novo projeto para o rali de velocidade no Brasil. O Xtreme Rally Car vem sendo desenvolvido desde o ano passado para oferecer aos ralizeiros um carro mais barato graças à sua concepção. Trata-se de um bólido híbrido partindo de um monobloco de série, motor de 330 cv movido a etanol e usando 75% de peças usadas nas linhas de produção. O veículo tem tração 4×4, câmbio sequencial de cinco marchas e pode alcançar 210 km/h. Tudo feito pela ProMacchina, uma das equipes mais importantes do rali brasileiro, que é liderada justamente por Neves, lá no Paraná.

Na entrevista, perguntei ao piloto e chefe da ProMacchina como estava o desenvolvimento do XRC, que fez a sua estreia oficial no Rali Internacional de Erechim, etapa válida também pelo Sul-americano de rali de velocidade. Neves falou sobre os problemas que teve lá no grande Rio Grande do Sul, mas disse que recebeu uma bela e inesperada notícia nos últimos dias.

XRC conquistou primeira vitória logo na segunda etapa do Brasileiro (Foto: Divulgação)

“Em Erechim, onde o XRC estreou, o carro já tinha uma boa quilometragem. Acabou que, como todo projeto novo, tivemos alguns pequenos problemas, tivemos quase 45 dias para trabalhar em cima disso, mas não eram problemas de projeto ou nada do tipo, mas defeitos de fabricação de peças, mesmo”, explicou.

“Nesse meio tempo, a gente teve de trabalhar não só na parte técnica, mas sim politicamente fora do rali, para a homologação do carro. E a gente conseguiu muito mais do que a gente imaginava. O carro vai ser homologado pela Codasur, e a partir do ano que vem, eles vão poder correr o Campeonato Sul-americano, junto com os Lancer, enfim. A intenção era que ele fosse homologado em nível Brasil, e no fim ele vai ser homologado pela Codasur. Isso está tudo em processo, e a gente continua desenvolvendo os carros”, disse o visionário Maurício.

O preparador e comandante da ProMacchina explicou que o XRC, na verdade, não fará um campeonato à parte, como fazem, por exemplo, a Mitsubishi Cup e a Copa Peugeot, mas sim estará em disputa junto com outras categorias no Campeonato Brasileiro e também no Sul-americano. “O XRC vai andar junto com o Brasileiro. Hoje ele está em uma categoria separada, junto com a Classe 2, pode andar outros carros na categoria, mas a intenção é que, assim que a gente tiver um número maior de carros, vamos começar um trabalho de promoção e cuidado em cima da categoria XRC. Assim que passarmos do número dos cinco carros, vamos tentar trabalhar a categoria como se faz com a Stock Car ou com outra categoria monomarca, tentando baixar os custos, aumentar a competitividade e aumentar o espetáculo para todo mundo.”

Prosseguindo no assunto, Neves falou sobre a expectativa para o fim de semana, mais precisamente para o Rali de Passo Fundo, segunda etapa do Brasileiro de Velocidade e uma nova etapa no processo de desenvolvimento do XRC. “No fim de semana tem a segunda etapa, em Passo Fundo. Vamos para lá com dois carros: eu e o KZ [Morales], mais o Jean Pimentel e o Tiago Osternack, e espero não ter os mesmos problemas, pelo menos. Que sejam problemas novos, ou que não sejam. Mas estou muito empolgado com o projeto e vai dar tudo certo.”

E não é que deu certo mesmo? No último fim de semana, Neves, correndo ao lado de KZ Morales, venceu cinco das seis especiais da prova e faturou, logo na segunda participação, a vitória na classificação geral, terminando à frente até mesmo do 4×4 Turbo de Ulysses Bertholdo e Marcelo Dalmut. Pelo fato de o XRC ser um projeto ainda em estágio inicial, pelo menos em competições, é mesmo um resultado e tanto, e a comemoração é mais do que válida. Uma vitória maiúscula e histórica de uma nova era e de um projeto que já começou bem-sucedido no rali de velocidade do Brasil, mas ainda tem muito caminho para trilhar.

Voltando à entrevista, Neves falou exatamente sobre esse caminho para desenvolver o XRC e lembrou que, a maior dificuldade ainda é, disparado, a busca por maiores investimentos.

“A maior dificuldade para tocar o projeto é a falta de grana para investir. A ProMacchina não é uma empresa tão grande, então é uma luta, sempre. Às vezes eu deixo de fazer coisas minhas para investir. E acho que, em 12 anos de rali, é a primeira vez que eu acho que tenho muito mais para oferecer do que eu imaginava. Sempre fui pioneiro na construção dos carros, das Protons, trazendo o etanol de volta ao rali, e agora, trazendo o XRC, é um investimento alto. O desenvolvimento do automobilismo requer investimento.”

Neves explicou que, assim como nos últimos anos, vai estar no Rali dos Sertões em 2012 como chefe da ProMacchina, que vai levar quatro carros para o Norte-Nordeste em agosto. A intenção do experiente piloto e preparador é voltar a competir em 2013, desta vez, liderando outro projeto que tem tudo para ser tão vencedor quanto vem sendo o XRC no rali de velocidade.

“Volto no ano que vem com um projeto XRC cross-country, que é uma aposta minha, um projeto revolucionário, é um projeto que vai mudar o cenário do rali, mais uma vez. Carro para o nosso tipo de rali, não um carro que tenha a cara dos carros do Dakar. Nosso rali não se parece em nada com o Dakar, mas os nossos carros se parecem muito com os carros do Dakar. Então estou trabalhando nisso, e em 2013 eu estou de volta”, finalizou Maurício.

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Coluna Power Stage, por Fernando Silva: O retorno da Toyota

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Os números são bastante relevantes: três títulos de pilotos, outros três de construtores e 43 vitórias no Mundial de Rali. Mesmo de fora do campeonato desde o fim de 1999, quando alegou a crise econômica para sair do WRC — mas anos depois começou a injetar rios de dinheiro, sem sucesso, diga-se, na F1 — a Toyota ainda é uma das grandes lendas da categoria. E 15 anos depois, o retorno está muito próximo. A palavra é do próprio presidente da Toyota Motorsport, Yoshiaki Kinoshita.

“Nossa meta final é o WRC. Esperamos estar prontos em 2014. O futuro é desconhecido, mas nós precisamos nos preparar para o projeto do rali. Negociamos muito com a FIA. Para voltar ao WRC, nós precisamos avançar várias etapas. Porque nós paramos em 1999 e depois a maioria das pessoas se foi e não há nenhum know-how dentro da empresa. O que precisamos é preparar os motores e homologar os chassis e assim adquirir conhecimento novamente. Então estaremos prontos. Acho que só podemos fazer um projeto neste momento”, disse o executivo durante uma entrevista coletiva a jornalistas australianos na sede europeia da montadora, em Colônia, na Alemanha, antiga base da equipe de F1.

Toyota pode voltar ao WRC em 2014 com o Yaris (Foto: Divulgação)

Muito da motivação da montadora para retornar ao Mundial de Rali tem a ver com o novo regulamento de motores adotado pela FIA para a categoria no ano passado, com o uso dos motores de 1,6 L. Desta forma, todos se viram obrigados a trazer modelos novos, com a Citroën trocando o C4 pelo DS3 e a Ford substituindo o parrudo Focus pelo Fiesta. A medida também motivou a entrada da Mini no ano passado com o John Cooper Works, e a Volkswagen, que fará sua estreia no ano que vem com o novíssimo Polo R, em fase constante de desenvolvimento. A Toyota, caso entre mesmo no WRC em 2014, deverá fazê-lo como Yaris, que deve ser adaptado, já que o modelo original não cumpre às dimensões obrigatórias estabelecidas pela FIA para o WRC.

Aí vale destacar o trabalho de Jean Todt. Mesmo tendo seu passado recente ligado à Ferrari e à F1, o baixinho tem um longo histórico no rali como navegador, entre 1966 e 1981. É graças a Todt que hoje o WRC conseguiu ter um pacote atraente e que vem atraindo as montadoras, proporcionando uma variação e uma dinâmica bastante distinta de, por exemplo, 2010, quando só Citroën e Ford estavam na luta pelo título. Falta, no entanto, a figura-chave de um promotor, um Bernie Ecclestone para a categoria.

Claro que não será como em 1982, quando nada menos que 18 montadoras estiveram presentes (como Audi, Opel, Nissan, Renault, Porsche, Mitsubishi, Lancia e até Ferrari) na temporada, mas ainda assim é bom saber que uma categoria do quilate do Mundial de Rali não seja monomarca (como é a Indy, no que tange aos chassis) ou protagonizado por poucas equipes, como era o WRC há poucos anos.

A Toyota não brinca em serviço, é bom lembrar. Acho que, com exceção do fracassado projeto F1, a montadora sempre teve um papel de destaque no automobilismo. Só nos tempos mais recentes, a fábrica esteve (ou está) presente na F3, Cart e IRL (como fornecedora de motores), Nascar e voltou com tudo ao Mundial Endurance, sendo que poderia, sim, ter vencido as 24 Horas de Le Mans neste ano com o inovador TS030 Hybrid.

Tudo aí esbarra na questão da restrição de custos, ainda mais com essa crise toda que agora chegou de vez à Europa. Mas dinheiro não parece faltar à Toyota, diga-se. E é animador ter a perspectiva de ter um Mundial com pelo menos cinco marcas fortes, como Citroën, Ford, Volkswagen, Toyota e Mini. E também vale lembrar que Sébastien Loeb tem contrato com a equipe francesa até o fim de 2013, então o Mundial do ano seguinte, sem aquilo que eu chamo de ‘dinastia Loeb’, poderá ter contornos imprevisíveis, tal qual a F1 neste ano.

Mas, obviamente, ainda é muito cedo para dizer qualquer coisa, embora seja mesmo o quadro seja bastante animador para um futuro próximo, não há dúvidas. Que venha 2014, o ano que, para a Toyota, pelo menos na figura do seu presidente, já começou.

Nas trilhas do Brasil

— Falta pouco: menos de dois meses para o começo do Rali dos Sertões, o maior do mundo disputado em um só país. A prova deste ano começará em São Luís, Maranhão, em 18 de agosto, e terminará dez dias depois, em Fortaleza. Acompanhe todo o noticiário aqui no Grande Prêmio. Estamos preparando uma cobertura especialíssima, começando já a partir da próxima semana. Fique ligado!

— Como prévia do Sertões, foi disputado em Barretos, a terra do rodeio no Brasil, o Rali Cuesta Off Road, válida pelo Brasileiro de Cross Country. Entre os carros, melhor para o duo Romeu Franciosi e Ivo Mayer. Na categoria Caminhões Leves, o trio Rafael Conde, Leandro Silva e José Papacena Neto venceu, enquanto nos pesos pesados venceu o experiente Guido Salvini, ao lado de Flávio Bisi e Fernando Chwaigert;

— Também no interior de São Paulo, mas em Jaguariúna, a Mitsubishi realizou mais uma etapa da Cup, a quarta de 2012. E na categoria principal, a L200 Triton RS, deu Marcos Baumgart/Kleber Cincea, que alcançaram 42 pontos, mesmo número de Marcos Cassol e Luis Felipe Eckel. Na L200 Triton ER Master deu Zé Hélio Rodrigues, aquele, que correu ao lado de Weidner Moreira. Cassol/Eckel lidera a Mitsubishi Cup 2012 na Triton RS, com 132 pontos;

— O mês de junho foi bastante movimentado no rali brasileiro. A Copa Peugeot realizou a sua segunda etapa na temporada em Poços de Caldas, sul de Minas Gerais. E na categoria principal, a 207 Super, venceu a dupla formada por Fabio Dall Agnol e seu navegador, Gabriel Morales. Luccas Arnone e Felipe Costa terminaram em segundo, mesma colocação na temporada;

— E não será em 2013 que o Brasil voltará a receber o Mundial de Rali. Isso porque a FIA decidiu manter as sedes do WRC para o próximo ano, com exceção da Austrália, que vai substituir a Nova Zelândia no rodízio já previsto para a Oceania.

Nas trilhas do mundo

— Junho foi um mês trágico para o rali mundial. Primeiro pela morte do jovem Gareth Roberts, de 24 anos, que não resistiu aos graves ferimentos sofridos na etapa de Targa Florio do IRC (Desafio Intercontinental de Rali), na Itália. O galês era navegador do experiente Craig Breen. A prova foi cancelada pela organização do IRC;

— Ainda pelo IRC, uma semana depois da tragédia que matou Roberts, Juho Hanninen venceu o Rali de Ypres, na Bélgica, correndo com um Skoda Fabia S2000. A liderança segue nas mãos de Andreas Mikkelsen, com 89 pontos, seis a mais que Jan Kopecky;

— Lucie Vauthier, de apenas 28 anos, também morreu neste trágico junho, também por conta de um acidente em um rali. A pilota francesa guiava um Citroën C2 no Rali Vins-Macon, etapa do campeonato francês. Lucie bateu em alta velocidade no muro. Removida para um hospital em Dijon, ficou internada por seis dias, mas não resistiu.

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Nem tudo está perdido

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Quem acompanha o automobilismo sabe que nos últimos anos o esporte foi o centro de muitos episódios polêmicos e cheio de atitudes antidesportivas. Escândalos, batidas propositais, jogos de equipe, sabotagens e tudo mais. Isso falando só de F1, sem contar tudo o que acontece nas bandas desse Brasil varonil, fatos que já foram bem expostos aqui no Grande Prêmio nos últimos tempos.

Mas nem tudo está perdido. Guilherme Spinelli e Youssef Haddad, atuais bicampeões do Rali dos Sertões, vinham fazendo um grande Dakar e reuniam boas chances de figurar novamente no grupo dos dez melhores da competição. Com exceção dos problemas enfrentados na terceira especial, entre as cidades argentinas de San Rafael e San Juan, o duo brasileiro vinha em ritmo bastante consistente.

Até que chegou o dia de encarar as temidas dunas de Fiambalá, ainda na Argentina, em uma especial que já tirou as chances de vitória de Carlos Sainz em duas oportunidades, 2009 e 2011. Mas o azar de Spinelli e Haddad foi uma falha na bateria de seu Mitsubishi Lancer no km 95 da especial. Não havia condições de seguir. Até que a dupla recebeu a ajuda da equipe de apoio para substituir a peça, sendo possível assim a chegada até o destino final, com quase sete horas de atraso.

O regulamento do Dakar é muito rígido nesses casos. Ajuda externa só é permitida quando vem de outro competidor. Não por acaso, as maiores equipes fazem uso do ‘mochileiro’ (termo muito usado na Argentina), que são pilotos que disputam o rali, mas largam mais pesados por portarem peças sobressalentes que serão usadas pelo primeiro piloto em caso de alguma falha no equipamento. Ajuda da equipe de apoio ou mesmo de um transeunte? Nem pensar.

Em teoria, uma situação como essa passaria despercebida pela organização da prova, com tantas coisas para cuidar em uma competição gigantesca como é o Dakar. Mas Spinelli abriu o jogo de maneira que surpreendeu o presidente do corpo dos comissários do rali, Josep Besoli.

“Ele nos procurou, com lágrimas nos olhos, com uma carta em que comunicava seu abandono, por assistência irregular. É a primeira vez em 36 anos que eu vejo algo assim. Seria fantástico se pudéssemos convidá-lo no ano que vem. Deveria ser um exemplo para o resto dos competidores”, afirmou o dirigente, emocionado com o gesto do brasileiro.

Em um dos trechos da carta entregue a Besoli, Spinelli explicou: “Sei que ninguém me viu, mas não posso fazer isso. Não poderia aceitar terminar o Dakar trapaceando. Não poderia dormir com isso. A honestidade é a minha prioridade e única motivação”, escreveu o piloto.

O episódio chamou tanto a atenção que foi destaque de vários jornais argentinos e também do espanhol Marca. Após receber várias mensagens de apoio, Guiga agradeceu a todos em sua conta no Facebook.

“Nossa atitude foi simplesmente a única que podíamos tomar numa situação dessas. Sem dúvida eu e toda a equipe Mitsubishi Brasil ficamos muito felizes de poder ter despertado esse sentimento de justiça, honestidade, caráter e humildade. Foi muito bom sermos vistos pela elite do rally mundial, pelo rally brasileiro e pelas pessoas em geral como um exemplo a ser seguido. Não tomamos essa decisão com essa intenção, mas se despertarmos esse sentimento ficamos ainda mais felizes com a nossa decisão.”

Atos como esse são cada vez mais raros em um ambiente cruel e competitivo [às vezes injusto também] como é o automobilismo, como é o esporte em si, sobretudo nos últimos tempos. Depois de praticamente um ano inteiro trabalhando no projeto Dakar, Spinelli e Youssef deixam a prova, sem chegar ao final, é verdade, mas dando uma verdadeira lição. Uma lição de espírito esportivo.

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Nova rota sertaneja

Fernando Silva [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Depois de dez anos largando da belíssima (e de belas mulheres também, diga-se) Goiânia, o Rali dos Sertões completará 20 anos começando em um destino inédito. Em 2012, a principal prova cross-country do Brasil e uma das maiores do mundo terá largada na igualmente bela São Luís, capital do Maranhão e terra do reggae por aqui.

Ocorre que a Dunas Race, comandada por Marcos Moraes, assinou um contrato de patrocínio com o Governo do Maranhão. Tanto São Luís quanto o Rali dos Sertões vão comemorar marcos históricos em 2012. Enquanto a prova celebrará duas décadas de existência, São Luís vai completar 400 anos de fundação.

O traçado completo do Sertões 2012 só será divulgado no ano que vem, mas Moraes já adiantou que a chegada da prova será no mesmo local da edição desta temporada, ou seja, na paradisíaca Praia do Cumbuco, em Caucaia, próxima a espetacular Fortaleza.

E lá vai o Sertões para seu 20º aniversário. Prova fantástica, devo dizer. Estive lá em 2010 e foi incrível. Competição que alia esportistas de primeira linha do cenário mundial com paisagens espetaculares e também com muitos contrastes desse Brasil varonil. A rota do Sertões parece infinita — como bem canta Humberto Gessinger em uma das melhores músicas dos Engenheiros do Hawaii — e depois de percorrida, muda para sempre a vida de quem passou por ela. Eu garanto.

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Rali dos Sertões em ritmo de samba

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Maior competição off-road do Brasil e uma das mais importantes do mundo, o Rali dos Sertões será tema de samba-enredo da X9 Paulistana em 2012. Com o enredo chamado “Trazendo para os braços do povo o coração do Brasil… A X9 Paulistana desbrava os sertões dessa gente varonil”, a tradicional escola de samba da capital vai contar um pouco da história do Sertões, que dos dias 9 a 19 de agosto, cruzará pela 19ª vez esse imenso Brasil.

Rodrigo Cadete e Flávio Campello, carnavalescos da X9, acompanharão os dez dias da prova em agosto, de Goiânia a Fortaleza, para conhecer a dimensão de uma competição como é o Sertões. Aliás, o Sertões é muito mais que um grande rali. Além da prova em si, há uma série de medidas em prol do meio ambiente nas cidades que compõem o trajeto e, principalmente, as ações sociais lideradas pelo Instituto Brasil Solidário. Certamente, os carnavalescos terão muita história para contar na avenida.

A homenagem é mais do que merecida, por tudo o que o Rali dos Sertões representa para o esporte brasileiro. Sinceramente, eu não me lembro de outra figura do automobilismo ter sido homenageada no carnaval, pelo menos no Rio e São Paulo. Acho que só Ayrton Senna, mas não me recordo. Mas isso me fez pensar em alguns sambas-enredo ligados ao automobilismo que poderiam ser interessantes para as escolas de samba: Senna, Nelson Piquet, Emerson Fittipaldi, Rubens Barrichello, Brasil na Indy… e se fosse a CBA? Seria o ‘samba do crioulo doido’?

Com a palavra, o amigo leitor.

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Presente inesperado

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva1]

SUMARÉ — Nasser Al-Attiyah é um dos principais pilotos de carros do Rali Dacar em 2011. Vice-campeão da prova no ano passado, o príncipe-herdeiro do Catar obteve bons resultados em outras provas, como por exemplo, no Rali dos Sertões de 2009, quando também terminou em segundo, andando sempre próximo do ritmo do campeão Carlos Sainz.

Apesar de Nasser ser membro da família real de um dos países mais ricos do mundo, o piloto é considerado uma das pessoas mais simpáticas e acessíveis do meio ‘ralizístico’, conforme apurei em conversas com o pessoal que cobriu o Sertões em 2009. Sua postura agressiva dentro das pistas e extremamente generosa fora delas lhe rendeu muitos fãs. E um deles quis render uma homenagem a Al-Attiyah.

O jovem Orlando esteve presente no acampamento de Iquique, onde os pilotos concediam entrevistas aos veículos de todo o mundo. Munido de uma enorme bandeira do Catar, o chileno furou o bloqueio da segurança e seguiu aos boxes da Volkswagen para pegar uma foto e um autógrafo do príncipe.

“Nasser é o príncipe do rali. Queria lhe render uma homenagem. Também o faço pelo meu pai, que também é um grande admirador seu”, disse Orlando. O gesto emocionou Al-Attiyah, que após pedir o telefone do garoto para contato, convidou este e também seu pai, para conhecer seu palácio em Doha, capital do Catar. O chileno não conteve a emoção. “É um sonho que virou realidade. Não acredito. A única coisa que queria era uma foto. Apenas uma foto com ele”.

A generosidade de Nasser não é novidade. No mesmo Sertões de 2009, o carro de uma das melhores duplas femininas do Brasil, formado por Helena Deyama e Joseane Koerich — irmã de Marlon Koerich, que disputa o Dacar deste ano ao lado de Emerson Cavassin — pegou fogo em pleno sertão, sendo completamente destruído pelas chamas. Obviamente arrasadas com a má sorte e tendo o prosseguimento da carreira em xeque, as meninas também receberam um presente inesperado: um cheque de US$ 20 mil assinado por Nasser para comprar um novo carro. Como retribuição pelo gesto do piloto, a dupla o homenageou na edição de 2010, batizando o novo carro de Príncipe.

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