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Sinal de alerta

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

O tom das linhas mal traçadas a seguir pode até soar alarmista para alguns, mas, na minha visão, apenas traduz a realidade. Os últimos acontecimentos em São Paulo, mais precisamente na região metropolitana que engloba a capital paulista, indicam que há um estado não-declarado de guerra civil. Os números não mentem.

São inúmeras as mortes nos últimos meses. As estatísticas quanto aos homicídios apenas crescem. Segundo estudo do Estado de S. Paulo, pelo menos 154 pessoas foram mortas a tiros entre 24 de outubro e a última segunda-feira. Contudo, o governador daqui, Geraldo Alckimin, dizer que está “tudo sob controle”. Não, Sr. Governador, não está.

Faltam pouco mais de dez dias para o GP do Brasil de F1, o principal evento esportivo do ano no Brasil. Às vésperas da última etapa da temporada e restando menos de dois anos para a Copa do Mundo, parece evidente que haverá uma força-tarefa policial no próximo fim de semana, em Interlagos. Tudo para garantir a segurança de quem estará presente em São Paulo, e, também, para passar a imagem de um país seguro. Imagem esta que anda muito arranhada lá fora, pelo que se pode perceber da repercussão que essa última onda de violência ganhou mundo afora.

Tensão antecedeu o GP do Bahrein de F1

Tão grave situação me fez lembrar do que aconteceu sete meses atrás. Entre o fim de março e começo de abril, muito se falou sobre um possível cancelamento do GP do Bahrein, prova que foi cancelada no ano passado por motivos de (falta de) segurança. O Grande Prêmio fez uma baita cobertura sobre o assunto. O clima de tensão ainda pairava no ar em 2012, um ano depois de o movimento chamado de Primavera Árabe explodir. Protestos entre movimentos populares contra o regime totalitário do rei Hamad bin Salman Al-Khalifa davam o tom.

Até dias antes do embarque do material das equipes da F1 da China para o país insular, havia muita incerteza quanto à realização da prova. Emissoras de TV da Finlândia, Alemanha e Japão se recusaram a embarcar rumo ao Oriente Médio.

Entretanto, apesar da tensão e do medo de algumas equipes e pilotos — a Force India, por exemplo, não participou de parte das atividades de sexta-feira —, Bernie Ecclestone bateu o pé. A corrida foi realizada no circuito de Sakhir e não houve nenhum grande problema. O único fato relevante e digno de note foi que o Bahrein presenciou a primeira vitória na temporada do homem que pode ser campeão do mundo neste fim de semana, Sebastian Vettel.

Às vésperas do GP do Brasil, São Paulo vive onda de violência

De volta ao assunto São Paulo. Embora a maioria dos pilotos diga que ama o Brasil e que adora o ambiente hospitaleiro que existe neste país tropical, outros tantos não escondem o receio com a violência estabelecida por aqui. Apenas para recordar casos recentes, Jenson Button sofreu uma tentativa de assalto, em 2010, mesmo ano em que uma van que transportava membros da Sauber foi interceptada por ladrões próximos à saída de Interlagos.

Se naquela época não havia essa onda de violência como existe agora e o clima já era de tensão, o que dizer dos dias atuais?

Obviamente, o GP do Brasil deve e vai acontecer. Até onde eu sei, não há nenhuma ameaça de boicote de jornalistas quanto à viagem para São Paulo. O mesmo se pode dizer em relação aos pilotos e membros das equipes. Tal postura é alentadora e indica confiança na segurança do país, mas não basta. Por conta de todo o contexto atual e o número absurdo de mortes em tão curto espaço de tempo, chego a duas conclusões inevitáveis: São Paulo vive um momento tão ou mais tenso que o Bahrein na época da F1 por lá; e, na minha visão, não parece nenhum exagero dizer que o GP do Brasil de 2012 parece ter virado um evento de alto risco. Mas quero e espero estar errado. Espero que São Paulo tenha, de verdade, a violência sob controle, algo que, por enquanto, não passa de ilusão.

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