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Na rota do Sertões: cara a cara com o mito

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de São Luís

É amanhã que os motores finalmente vão roncar aqui em São Luís, e o Rali dos Sertões vai começar a escrever a 20ª página de sua história. O clima de expectativa e de ansiedade é nítido nos olhares, nas entrevistas, nos gestos de cada competidor que está por aqui. E pude ver isso ao falar com muitos deles. As ambições são bem distintas: alguns vêm para lutar pela vitória, enquanto que, para outros, a conquista maior é simplesmente chegar em Fortaleza no próximo dia 28. No fim das contas, o que move todos é a pura e simples paixão pelo esporte.

Hoje, sexta-feira (17), foi um dia de muita movimentação aqui no Hotel Luzeiros, onde foram realizados os briefings com pilotos de carros, caminhões, motos, quadriciclos e UTVs, um outro briefing, com as equipes de apoio, além de, mais cedo, uma entrevista coletiva com as autoridades, diretores de prova e competidores e, também, um almoço promovido pela Honda Racing. Nesse tempo todo hoje tive a chance de conhecer de perto um mito do esporte, nas duas e nas quatro rodas.

Stéphane Peterhansel é a grande estrela do Rali dos Sertões 2012 (Foto: Fernando Silva/Grande Prêmio)

Talvez a grande atração do histórico 20º Rali dos Sertões seja a presença de Stéphane Peterhansel e seu inseparável navegador Jean-Paul Cottret, que vão tentar bater Guilherme Spinelli e Youssef Haddad com um Mini All4 Racing da equipe alemã X-raid. Peter, como é chamado por todos os seus colegas aqui no Maranhão, foi o último a se posicionar na mesa dos pilotos que participaram da entrevista, sentando-se ao lado de Tom Rosa, Felipe Zanol, Guilherme Spinelli, Edu Piano e Guido Salvini.

A sala de convenções, onde foi realizada a entrevista na manhã desta sexta, estava cheia de mulheres (lindíssimas, por sinal) distribuindo latinhas de Red Bull a torto e a direito. E as latinhas taurinas também decoravam a mesa da coletiva, sempre com um piloto tendo um Red Bull à frente. ‘Macaco velho’, Stéphane, que é patrocinado pela concorrente Monster, sutilmente colocou a ‘sua’ latinha de Red Bull para bem longe, até para não correr o risco de ser fotografado com um produto de uma marca rival.

Dez vezes campeão do Dakar e verdadeiro mito do esporte, Peterhansel, pode-se dizer, está para o rali cross-country como Michael Schumacher está para a F1. O maior de todos os tempos, o único, o imbatível. Assim é como Stéphane é visto por todos aqui, como o cara, o fodão, o melhor da história. E é justo considerá-lo assim. Afinal, são dez títulos do Dakar, seis nas motos e quatro nos carros. Quando um competidor vence uma prova da dimensão e da importância do Dakar uma vez, vira grande; quando vence dez, vira imortal. E Peterhansel é imortal.

E o que percebi, desde quando ele fez sua primeira aparição pública aqui em São Luís nesta sexta, é que ele, no alto da sua história como piloto, sempre se mostrou muito solícito com todos, seja com o amigo ‘Guiga’ Spinelli, seja com um fã, um membro de uma equipe de apoio, se disponibilizando sempre para tirar uma foto ou bater um papo. Assim foi também com a imprensa presente aqui. Peter deu a mesma atenção a cada um dos repórteres presentes e falou com todos com a maior tranquilidade. Postura, aliás, comum aos pilotos e navegadores do rali.

Marquei com ele próprio uma entrevista após o briefing, à tarde. E finalmente consegui falar com o mítico Peter, por volta das 17h. Em todas as respostas, Stéphane foi muito convicto, simples e se mostrou bastante humilde. Durante um trecho, ele diz ter a consciência de que é um dos grandes do esporte a motor em todos os tempos, mas que se vê apenas como uma pessoa normal.

Peterhansel falou sobre muita coisa, como a sua primeira vez no Sertões, sua história no Dakar, Sébastien Loeb, a possibilidade de um dia o Brasil receber uma especial do Dakar, enfim. Muita coisa. Adianto ao amigo leitor que a entrevista será publicada na Revista WARM UP, edição 29. Edição, diga-se de passagem, pra lá de especial, pois terá outra entrevista com outro mito do automobilismo: Emerson Fittipaldi. Em breve nas bancas virtuais!

Obviamente, Peterhansel veio para vencer. Por mais que diga que não, que não se considera o favorito à prova, seu equipamento e, principalmente, seu retrospecto vencedor, o coloca como o grande postulante ao título do Sertões 2012. O Mini All4 Racing é um baita carro e vai certamente lutar de igual para igual com o Lancer de Spinelli. Em teoria, a luta pela vitória ficará entre os dois, embora seja mais sensato não descartar Riamburgo Ximenes da briga.

Aliás, falando em Riamburgo, acabei fazendo parte de um momento curioso. Quando abordei Peterhansel, no saguão do hotel, para fazer uma última pergunta, o piloto cearense, que também correrá pela X-raid neste ano, mas com um BMW X3, se aproximou, bem humorado, e me disse: “Avise a ele [apontando para Peter] que só não falo mais com ele por causa de problemas de linguagem”. E eu disse isso, com meu inglês raikkonensístico, ao francês, que riu e disse que estava feliz por correr ao lado de Riamburgo.

Foi um baita dia, devo dizer. Não é sempre que você fica cara a cara com um mito do esporte.

E não é sempre que você consegue fazer uma entrevista com uma mulher linda, guerreira, vencedora, musa do rali e rainha do carnaval. No próximo post eu explico como foi.

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Olho nos caras

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Postzinho rápido porque o tempo urge. Enquanto Sébastien Loeb ainda saboreava mais uma vitória no WRC, lá do outro lado do mundo, na Nova Zelândia, seu xará e ex-companheiro de equipe na Citroën, Sébastien Ogier, completava mais uma parte do programa de testes da Volkswagen com o Polo R na Finlândia, na última segunda-feira (25), visando o Mundial de Rali de 2013.

A Volkswagen não brinca em serviço, e a competente fábrica de Wolfsburgo já mostrou isso no Dakar, com a conquista de três títulos. E o pessoal vem fazendo a lição de casa direitinho, treinando a equipe sem pressão por resultados, com Ogier e Andreas Mikkelsen guiando o Skoda Fabia S2000 em algumas provas do Mundial.

Dizem que a Volkswagen não vai seguir com Mikkelsen, um dos destaques do IRC, para a disputa do Mundial a partir do ano que vem. Fala-se muito em Jari-Matti Latvala ou até em Petter Solberg, mas talvez o cara para completar essa dupla forte com Ogier seria Dani Sordo.

Se a Ford não se cuidar, vem aí a Volks como principal adversária da Citroën, por mais que a montadora anglo-americana tenha mais tradição no rali. A Mini perdeu muito do seu potencial neste ano depois de a Prodrive deixar de oferecer suporte à fábrica de propriedade da BMW.

Mas tá ficando interessante esse WRC. Ainda mais quando os fatos indicam que outra montadora pode pintar por lá a partir de 2014. Quem é? Leia a coluna Power Stage desta quinta-feira!

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Estreia minimalista

Crédito: Guilber Hidaka

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Definitivamente, 2011 foi um ano de estreias para mim. Neste ano, pela primeira vez trabalhei na F1, debutei como comentarista televisivo e para fechar com chave de ouro, guiei pela primeira vez um carro de corrida de verdade na vida. Explico.

Fui gentilmente convidado para fazer parte do Mini Minimalism Driver Day, realizado na última terça-feira (13), no autódromo da Fazenda Capuava, em Indaiatuba. Antes, vale ressaltar. Tirei algumas boas fotos da pista, de propriedade de Alcides Diniz. Claro que não dá para comparar com as pistas homologadas para sediar corridas, mas o local é de uma organização ímpar. Grama bem cortada, asfalto na mais perfeita ordem. Gostei muito do que eu vi.

O evento teve a participação de jornalistas de várias mídias e serviu para, entre outras coias, divulgar o último lançamento da marca, o belo Mini Coupé, com o qual cada um de nós teve a chance de completar três voltas no circuito. Talvez tenha sido a primeira e última chance em poder dirigir um carro daqueles, então aproveitei a oportunidade ao máximo.

Além da apresentação do Coupé, a programação compreendeu também uma espécie de gincana, em que todos nós, em grupos, completamos três voltas na pista com um Cooper S dotado de soluções para alertar sobre o consumo de combustível e de equipamento. Confesso que fui muito mal e perdi muitos pontos — o vencedor foi o Rodrigo França —, mas foi bom para entender como um carro pode ter vida mais curta com um estilo de guiar mais agressivo e exigente. Valeu muito como lição.

Mas o melhor mesmo foi ter recebido a chance de guiar um modelo do Mini Challenge John Cooper Works. Todos nós fomos instruídos e guiados pela lenda Ingo Hoffmann, que nos orientou via rádio sobre a postura e os nossos limites na pista. Confesso que fiquei um tanto apreensivo, já que jamais guiei um kart, por exemplo. Carro de corrida, apenas em simulador. Percebi que a realidade é muito, mas muito diferente.

É preciso dizer que tudo foi feito na mais absoluta segurança, sem sustos. Não houve tomada de tempos nem nada, foi apenas uma chance para que cada um de nós sentisse as reações do equipamento e percebesse o quanto é difícil a vida de um piloto. Perceber como um carro de corrida se comporta com uma tocada mais forte, com uma passada pela zebra, acelerada, retomada, troca de marchas, até mesmo o posicionamento no banco — foi meio complicado me encaixar porque ando meio fora de forma — foi realmente incrível. Experiência única, devo dizer.

Foi um belo presente de fim de ano, mais um desses momentos que levarei comigo por muito tempo. Já que a chance de ter um carro desses no futuro é mínima — para se ter uma ideia, nunca tive sequer um carro mais novo do que um modelo de 1998 —, aproveitei cada momento. Sem qualquer tipo de jabá — essa não é a minha praia — agradeço à Mini pela grande oportunidade dada nessa semana.

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Os dois lados do Rally de São Paulo

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Confesso que recebi com admiração o fato de Rubens Barrichello organizar um evento de fim de ano, chamado Rally de São Paulo. É ótimo para divulgação do esporte e a marca, no caso, a Mini, que voltou com tudo ao cenário do automobilismo mundial neste ano, com participações no Dakar e no WRC, inclusive conquistando grandes resultados, sobretudo com Daniel Sordo.

Não sei até que ponto o evento em si foi criado e promovido por Barrichello apenas para reunir pilotos, amigos e convidados em uma espécie de confraternização off-road de fim de ano ou se tem o dedo da Rede Globo para criar um espaço para a grade do domingo, geralmente vazio nessa época de fim de ano. Não sei até que ponto o Rally de São Paulo tem alguma relação com algum projeto futuro de Rubens no automobilismo, ainda mais levando em conta que sua permanência na F1 em 2012 ainda não está definida.

Opinião minha: seria MUITO legal ver Barrichello fazendo um rali pra valer depois que ele encerrar sua carreira na F1, mesmo sabendo que ele ainda tem muita lenha pra queimar na categoria. Talvez fazendo o caminho inverso de Kimi Raikkonen ao ingressar no WRC, ou mesmo no Dakar, não sem antes começar no Rali dos Sertões. Entendo que seria importante do ponto de vista de divulgação do rali aqui no Brasil e também daria nova motivação à sua vida esportiva, mesmo levando em conta que, quase aos 40 anos, motivação nunca faltou a Rubens.

Além de Kimi, o rali, seja de resistência ou de velocidade, já contou com nomes que já passaram pela F1: Robert Kubica, Jean-Louis Schelsser, Norberto Fontana e Ingo Hoffmann, que já disputou o Rali dos Sertões, por exemplo. Até mesmo Ayrton Senna já testou um carro do WRC, um Ford Sierra (veja vídeo abaixo).

Abro aqui um parêntese: outra modalidade que, creio eu, Barrichello poderia mandar muito bem e seria bastante útil é o Endurance. Por conta de sua grande experiência nas pistas, o brasileiro seria um elemento determinante no desenvolvimento de protótipos, como Allan McNish e Olivier Panis fizeram, por exemplo. Fecho parêntese.

Por outro lado, mesmo sabendo que o evento promovido pelo Barrichello não tem ligação nem visa promover o rali, a não ser pelo nome e pela marca envolvida — assim como o Desafio das Estrelas não tem como principal função difundir o kart —, acho válida uma ponderação feita pelo Guilherme Spinelli, tetracampeão do Rali dos Sertões e duas vezes top-10 do Dakar, que postou hoje em sua conta no Facebook.

“Rubens batizou o evento de Rally de São Paulo e realizará o desafio no estádio do Corinthians com transmissão da Globo/SporTV. Tudo muito legal, PORÉM O EVENTO É PROIBIDO PARA PILOTOS DE RALLY! O motivo, segundo declaração do Rubens nessa entrevista (http://www.diariomotorsport.com.br/), é que se formos convidados, desequilibraremos o evento. Porque não mudam o nome do evento então? Ficaria envergonhado se um piloto de rally organizasse um evento e proibisse qualquer outra categoria por esse motivo!!! Mas quem decide o time é sempre o dono da bola… e se não quer encarar o adversário é melhor não deixar ele jogar.”

Volto a dizer: nem o Rally de São Paulo, tampouco Barrichello, tem a menor obrigação de incluir um ralizeiro no line-up dos pilotos que vão participar do evento. Mas por outro lado, perde-se uma das únicas oportunidades de colocar um piloto da modalidade em rede nacional, principalmente levando em conta que a modalidade, embora esteja em crescimento — Rali dos Sertões indo para o 20º ano e com dois brasileiros no WRC, Paulo Nobre e Daniel Oliveira —, quase não conta com conta com divulgação na grande mídia. A participação de alguém da modalidade, como o próprio Spinelli, Palmeirinha, Oliveira, ou mesmo os veteranos André Azevedo e Klever Kolberg seria um atrativo a mais para a prova, sem sombra de dúvidas.

Fica a dica.

Em tempo:  Maurício Neves, piloto de rali dos bons (já correu inclusive pela Volkswagen no Dakar), recebeu o convite para fazer parte do Rally de São Paulo. Entretanto, Neves vai participar da prova no sábado, no evento Pro-AM, com jornalistas e artistas convidados. O convite veio na esteira do lançamento do XRC (Xtreme Rally Car), nova categoria brasileira da modalidade. Maurício é o chefe da Pro Macchina, responsável pelo projeto do novo protótipo.

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O primeiro teste

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

É bom ver o BloGP de roupagem nova. Em breve, lá estará ele todo pimpão em nova casa, como os blogs do Flavio Gomes e do Victor Martins, além do glorioso Grande Prêmio. Mas esse assunto fica para mais tarde.  Hoje a bola da vez é WRC.

Agora é pra valer! A Volkswagen começou a bateria de testes com seu novo carro visando a estreia no Mundial de Rali de 2013. O Polo R, apresentado à imprensa no fim de semana do Rali da Itália, foi guiado pelo bicampeão mundial do WRC, Carlos Sainz, na Alemanha, em base próxima à cidade de Veldenz. O espanhol teve ao seu lado o navegador Timo Gottschalk, que foi copiloto de Nasser Al-Attiyah quando o príncipe disputou o Dacar pela Volkswagen, entre 2009 e 2011.

Dr. Ulrich Hackenberg, membro do conselho de administração do departamento de tecnologia da montadora, também guiou o belo e futuro modelo do WRC, que competirá contra Citroën, Ford e Mini, esta, muito bem com Dani Sordo e Kris Meeke nas últimas provas da atual temporada.

O modelo se comportou bem para um teste inicial. A programação da Volks para os primeiros dias de atividades na Alemanha compreenderam o percurso de aproximadamente 100 km. Tudo funcionou bem: motor, suspensão e câmbio não apresentaram grandes problemas.

‘El matador’, falou sobre a chance de guiar a Volkswagen nessa nova fase visando o WRC. “Ter o privilégio de pilotar os primeiros km é uma grande honra para mim. O carro ainda está em fase inicial, mas já passa boas impressões. Para toda a equipe, sejam engenheiros, mecânicos ou pilotos, é muito importante conhecer o carro o mais rápido possível para poder testá-lo e seguir seu desenvolvimento. Estou curtindo muito testar o novo Polo R WRC”, disse Sainz, que já deixou claro que não pretende voltar a competir, desejando apenas trabalhar como desenvolvedor do novo carro e como consultor da Volkswagen.

Vale lembrar que a Volkswagen já fez sua estreia como equipe do Mundial de Rali neste ano. Com o propósito principal de treinar a equipe, os dirigentes do time de Wolfsburgo estão trabalhando com o Skoda Fabia e, em cada etapa da temporada europeia do WRC, contam com pilotos, geralmente locais, para ajudar no trabalho de desenvolvimento da equipe.

Trata-se de um projeto ambicioso e que prevê milhares de quilômetros de testes no fim deste ano e ao longo de todo o ano de 2012, visando a estreia na temporada seguinte. Falta a definição dos pilotos. Sébastien Loeb revelou que ficou tentado em trocar de equipe, gostou do projeto do time de Wolfsburgo, mas preferiu ficar na Citroën. Os mais cotados agora são Petter Solberg e Sébastien Ogier.

Já Nasser Al-Attiyah, campeão do Rali Dacar em 2011, deu adeus à Volkswagen no meio de 2011, até de maneira surpreendente, e seu futuro é incerto. Não se sabe se ele estará no WRC na próxima temporada, ou mesmo no Dacar. Fala-se também que Nasser está negociando com Jean Louis Schlesser para disputar o maior rali do mundo com buggy, mas ainda não há nada certo.

Incertezas à parte, o que dá pra dizer é que, seguramente, a Volkswagen vai lutar por vitórias e pelo título do WRC em pouco tempo. Seu histórico vencedor no Dacar prova isso. A Mini, que fez trabalho de preparação semelhante, também está aí, bem na fita, e já consegue enfrentar a Ford e andar perto da Citroën, o que é uma façanha, visto que a equipe anglo-germânica ainda nem fez uma temporada completa.  Com quatro montadoras bem competitivas, é só o rali que tem a ganhar. Chega logo, 2013!

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=8gFSOJsKvnk

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Aí, sim


FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]

SUMARÉ — Confesso que fiquei bastante satisfeito ao ver hoje no Facebook uma foto do carro do Daniel Oliveira em Amã, na Jordânia, com adesivos de patrocinadores brasileiros. Levando em conta que hoje em dia os pilotos tupiniquins encontram dificuldades até mesmo para completar orçamento visando a disputa do Mundial de F1 — como Lucas Di Grassi —, o feito de Oliveira, único nacional a disputar o Mundial de Rali em 2011, é algo notável.

Pelo menos no Rali da Jordânia, o piloto baiano será patrocinado pela Embraer, pela Keta, empresa do setor financeiro e também de seguros, além do próprio Governo da Bahia. É preciso destacar que o WRC, apesar de ser considerado uma categoria top, jamais teve no Brasil o mesmo status que tem na Argentina, por exemplo.

E se a maior divisão do rali de velocidade do planeta não é atraente aos olhos do torcedor, esta é ainda menos visível para empresários que desejam ver suas marcas divulgadas em nível mundial. Mas é bom ver que, bem aos poucos, alguns investidores dão atenção ao rali. Aí, sim.

Infelizmente, o rali não tem a visibilidade que merece por aqui. Já venho batendo nessa tecla há tempos. O Dacar foi um exemplo claro disso. Apenas uma emissora de TV, a SporTV — é preciso reconhecer —, deu certo destaque à prova em janeiro, ainda assim, exibindo boletins no fim da noite. As outras, nem isso. E claro, baixa exposição, menor quantidade de patrocínios. O que explica a queda brusca de brasileiros inscritos na competição.

Mas aos trancos e barrancos, o esporte vai sobrevivendo aqui por essas bandas, graças a alguns mecenas, empresários apaixonados pelo rali que investem dinheiro para organizar e promover competições por todo o Brasil como o Rali dos Sertões e a Mitsubishi Cup, por exemplo. E mesmo com pouco apoio, tanto o rali de velocidade, quanto o cross-country nacional revela gente do porte de Oliveira, Guilherme Spinelli (isso para ficar só entre os pilotos de carros).

A situação de Daniel é um pouco diferente. O piloto conta com maciço apoio da Prodrive, empresa preparadora de carros de propriedade de David Richards, que criou a Brazil (assim mesmo, com Z) World Rally Team justamente para desenvolver o novo Mini, visando não apenas a atual temporada, como 2012, ano em que a montadora vai disputar todas as provas do campeonato. O time conta com estrutura de primeira e já fala em vitórias no ano que vem. Mesmo assim, um patrocínio sempre cai bem.

A equipe que conta com Daniel e o navegador luso Carlos Magalhães no comando do Mini John Cooper Works, por enquanto, da categoria S2000, cuja estreia aconteceu em Portugal no fim de março. A ‘promoção’ de Oliveira à divisão principal do WRC deverá acontecer no Rali da Itália, daqui a duas semanas.

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