Arquivo da tag: Marco Simoncelli

Ainda sobre Marco

EVELYN GUIMARAES [@eveguimaraes]
de Misano

Ontem vivi uma experiência bastante emocionante. Eu fui até Coriano, que fica a pouco mais dez quilômetros de Rimini, onde estou hospedada para a cobertura da MotoGP. É cidade onde cresceu Marco Simoncelli. No ano passado, eu acompanhei, ao vivo, por meio da transmissão da RAI, o funeral do piloto italiano, algo que comoveu a Itália. Por isso, a visita foi tão especial. Conhecer o lugar, a Igreja e o Teatro Municipal, onde o corpo do piloto foi velado, foi uma experiência única.

A cidade ainda vive da lembrança de Marco. O número 58 é uma espécie de símbolo e está por toda a parte. Conversei com muitas pessoas e as palavras que mais ouvi foram tristeza e amável. A primeira, claro, pela perda de uma pessoa tão jovem e com um grande futuro pela frente, independente de ser ou não atleta famoso e de sucesso. E a segunda é um resumo da personalidade de Simoncelli, algo que não é difícil de imaginar apenas pelas fotos do italiano, que morreu aos 24 anos.

A matéria completa sobre a visita a Coriano o leitor do Grande Prêmio vai poder acompanhar na Revista Warm Up do próximo mês.

Tags: , , , | Deixe um comentário

Rise again


JULIANA TESSER [@JulianaTesser]
de São Paulo

No próximo dia 17 de junho a MotoGP estará em Silverstone para o GP da Inglaterra e contará com uma homenagem a Marco Simoncelli. A banda inglesa ‘The Rainband’ se apresentará no circuito tocando a música ‘Rise Again’.

As vendas do single, aliás, terão seus lucros revertidos para a Fundação Marco Simoncelli, ONG criada pela família do piloto que pretende construir um hospital especializado no tratamento de pessoas com deficiência.

“Rise Again é uma das nossas melhores músicas e é uma trilha sonora brilhante para a Fundação e um tributo adequado a um homem memorável”, afirmou Martin Finnigan, vocalista do The Rainband.

A apresentação contará ainda com James Toseland, ex-piloto que se retirou das pistas por conta de uma lesão no punho que o impedia de guiar. Campeão em 2004 e 2007 no Mundial de Superbike, Toseland vai tocar piano na apresentação.

Aqui tem uma prévia do clipe:

Tags: , , , , , , , | 5 Comentários

Começou 2012

MAURO DE BIAS [@MaurodeBias]
de Bolonha 

Pois é. Todos ainda de ressaca do ano novo, muita gente nem acordou ainda, outros nem se animaram a tirar o pernil da geladeira, dado o tamanho da preguiça pós-farra.

Mas 2012 nem começou direito ainda e já temos a primeira baixa no esporte a motor. O argentino Jorge Martínez Boero, que corria com uma moto Beta, sofreu um grave acidente hoje, na primeira etapa do Rali Dakar, e morreu em seguida em Mar del Plata. Mais uma triste notícia para quem gosta de velocidade.

O Rali Dakar é uma competição incrivelmente desafiadora e perigosa e nosso colega Fernando Silva, apaixonado por rali que é, tem feito uma cobertura muito boa da corrida, trazendo especiais, últimas notícias, comentários… Deem uma olhada.

É de se lamentar que ainda haja gente morrendo nesse esporte que nós amamos tanto. Isso como se 2011 já não tivesse sido um ano ruim o suficiente. Gustavo Sondermann, Dan Wheldon, Marco Simoncelli, Guido Falaschi… A lista não é pobre nem em números nem em talento.

Todos sabemos que o Rali Dakar eventualmente traz uma surpresa desagradável como essa que tivemos hoje. Basta olhar os números. Foram 59 mortos na história da corrida, sendo 21 competidores e 38 espectadores. Considerando-se esse número e que estamos na 33ª edição do evento, temos aí uma média de 1,84 mortes por edição, o que não é pouco.

É triste começar 2012 assim, mas vida que segue. Só nos resta torcer para que as mortes neste ano não sejam frequentes como foram em 2011.

Tags: , , , , , , | 2 Comentários

Por Simoncelli

EVELYN GUIMARÃES [@eveguimaraes]
de São Paulo

A tradicional pista de Monza recebe, entre os dias 24 e 27 de novembro, o Monza Rally Show, evento de fim de ano, que reúne pilotos da MotoGP, do WRC, da Le Mans Series e jornalistas a cada temporada. E a prova deste ano será também uma homenagem a Marco Simoncelli, morto aos 24 anos depois de um grave acidente durante o GP da Malásia do Mundial de Motovelocidade, no dia 23 de outubro.

http://www.youtube.com/watch?v=pN9JwOu9vsI

Fã de rali, Simoncelli era um participante assíduo do evento nos últimos anos. Até por isso o italiano será, mais uma vez, lembrado e dará nome à principal corrida da competição. A lista de concorrentes da edição deste ano é vasta e inclui cinco campeões europeus de rali, pilotos do IRC, 11 campeões italianos da modalidade, além de dez representantes do motociclismo e três vencedores das 24 Horas de Le Mans.

Entre os participantes mais famosos, está Sébastien Loeb, que acabou de conquistar o oitavo título no Mundial. Dani Sordo, antigo colega de Loeb, também vai disputar a prova. Rinaldo Capello, vencedor em Le Mans, será um dos concorrentes também. Entre os motociclistas, Valentino Rossi, Andrea Dovizioso, Claudio Corti e Andrea Iannone estarão presentes.

Rossi, aliás, apresentou o layout do carro que vai competir em Monza. E mais uma vez, não deixou passar a oportunidade de homenagear o “irmão mais novo”.

O vídeo acima foi um teste que Simoncelli realizou com a equipe Ford do Mundial de Rali, em setembro deste ano.

Tags: , , , , | 1 Comentário

Ciao Marco

EVELYN GUIMARÃES [@eveguimaraes]
de São Paulo

“Tão agressivo na pista quanto doce na vida”. Foi assim que o ‘irmão mais velho’ Valentino Rossi descreveu Marco Simoncelli. A morte do jovem piloto em Sepang, há duas semanas, gerou enorme comoção na Itália e também entre seus os pares na MotoGP. Nos boxes em Sepang, antes mesmo da confirmação da perda de Marco, os olhares eram distantes e a imagem de Valentino chorando na garagem da Ducati foi o que melhor traduziu o tamanho do dano que a MotoGP acabara de sofrer.

Apenas em seu segundo ano na categoria rainha, Marco era uma estrela ascendente e um dos pilotos mais carismáticos do grid. Da mesma escola de Rossi, o italiano já possuía uma legião de fãs por todo mundo. Até mesmo na Espanha, onde arrumou confusão com os dois astros maiores: Jorge Lorenzo e Daniel Pedrosa, além de Álvaro Bautista e Hector Barberá. Mesmo lá, era mais do que normal ver bandeiras com o número 58 nas arquibancadas.

Muito dessa adoração dos torcedores pode ser explicada pela simplicidade que o piloto demonstrava no trato com fãs e jornalistas e, claro, na extrema velocidade mostrada na pista. Simoncelli não era adepto dos espetáculos que Rossi protagonizava na pista a cada vitória, e que depois Lorenzo também se tornou seguidor. Até nisso Marco era simples. Celebrava à moda antiga, empinando a moto, fazendo graça, desajeitado que era. Foi assim nos triunfos nas 125cc e nas 250cc, também quando conquistou o título em 2008.

Os dois e únicos pódios da curta carreira na MotoGP, conquistados neste ano, tiveram a mesma comemoração. O primeiro, em Brno, veio evidentemente com um ar de alívio, de ‘até que enfim’. O piloto mal conseguiu descrever, na entrevista coletiva, a emoção pelo primeiro grande resultado do ano. Com seu inglês para lá de macarrônico, Marco apenas agradeceu o apoio da equipe e da família nos momentos mais difíceis do ano.

Ansioso por mostrar trabalho na MotoGP e finalmente provar que poderia, sim, estar entre os grandes no próximo ano, Simoncelli lutava contra os maus resultados do início da temporada. O italiano sentiu as seguidas quedas e sentiu, mais ainda, as críticas em torno de seu forte estilo de pilotagem. Sentiu, porque as mais severas declarações vieram de nomes como Pedrosa e Lorenzo. Até mesmo Rossi, que sempre o defendeu, chegou a reconhecer que o compatriota havia passado dos limites no incidente com Pedrosa, no GP da França.

Sem acusar ninguém, Marco assumiu seus erros, admitiu a ansiedade e se acalmou. Pacientemente, passou a conduzir a moto de forma menos emocional, mas com a velocidade de sempre, que era a marca registrada. E aí as quedas em corrida não mais ocorreram, vieram as poles e também o pódio na Austrália, depois de uma batalha acirrada com o rival de sempre Andrea Dovizioso. Em um de seus últimos vídeos, feito no quarto do hotel em Sepang, Marco não escondia a esperança de finalmente vencer. Ele já havia firmado contrato com a Gresini para 2012 e teria à disposição a moto de fábrica da Honda, agora equipada com o motor de 1000cc, de acordo com a nova regulamentação. E já era apontado com um dos possíveis rivais de Casey Stoner e Daniel Pedrosa para o próximo ano na luta pelo título, sem, claro, descartar a forte Yamaha.

Mas por que falar de Marco agora, duas semanas depois? Porque foram duas semanas intensas, um funeral belíssimo, emocionante e, acima de tudo, simples. 60 mil pessoas acompanharam a cerimônia nas ruas de Coriano e a RAI transmitiu tudo ao vivo. A imagem do caixão no chão, em frente à pequena igreja, rodeado pelos amigos, por diversos pilotos e pelo pai de Marco impressionou. Não houve pompa, nem óculos escuros, muito menos roupas pretas. Houve música, guitarras, aplausos. Assim como vai acontecer neste domingo em Valência. Nada mais apropriado que um minuto de caos para homenagear Simoncelli. Piloto ainda em formação, forte na pista, rápido como poucos, inquieto, mas dono de uma personalidade dócil, um menino, no fim da contas. Que nem mesmo os adversários ficavam indiferentes. A frase de Lorenzo no livro de condolências foi a prova maior disso.

Agora, assim como aconteceu com a Indy, a MotoGP, embora ainda tenha nomes fortes na pista e um ídolo dos mais carismáticos, terá de lidar com a perda de Marco, certamente um dos pilotos que poderia assumir o posto de Rossi, talvez não em resultados, mas em carisma, esse era o grande trunfo de Simoncelli, o carisma.

Tags: , , | 2 Comentários