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O encantador Parco di Monza

Assim como Spa-Francorchamps, Monza também é considerada uma das pistas mais importantes, tradicionais e recheada de história na F1. Um circuito mítico que dificilmente deixará o calendário. E é realmente encantador.

O Autodromo Nazionale di Monza fica dentro de um enorme parque, ao norte da pequena cidade de Monza, na região da Lombardia, próxima a Milão, e que possui cerca de 120 mil habitantes. Passando ao lado dos famosos muros que circundam esse parque nem dá para perceber que ali dentro tem uma pista de corrida, e uma das mais velozes da F1, em meio arvores e aos espaços de enormes gramados, onde existem lanchonetes, cervejas e muito panini.

A cidade, evidentemente, respira o clima da F1 em setembro, quando tradicionalmente a corrida acontece. O tempo, segundo os locais, é sempre quente e os dias são ensolarados e longos. E são bandeiras da Ferrari por todo lado, referências diversas a Gilles Villeneuve e a Michael Schumacher, principalmente, motos e scooters vermelhas que se misturam ao povo que caminha tranquilamente pelas ruas de pedra da cidade. Talvez não haja um ambiente tão mágico em todo o calendário. E a cidade é invadida por italianos de todos os lados, mas também por torcedores de toda a parte da Europa.

É aqui onde se invade a pista. É aqui onde se pode caminhar tranquilamente pelo circuito na quinta, na sexta ou até no sábado. Alguns passam até a noite espalhados pelo parque. Há trailers, mas não campings, como em Spa. Os bares ao redor do parque também lotam à noite.

Para se chegar à pista, precisa antes atravessar o parque. De carro ou a pé. Eu recomendo a pé. O lugar é gigantesco, é verdade, mas o caminho é divertido e vale a pena, se você prestar um pouco de atenção ao modo de vida dos italianos, dos torcedores, dos tifosi e entrar no clima deles. Que caminham falando alto, bradando contra os rivais da Ferrari na pista, fazendo previsões e tentando achar o melhor lugar para acompanhar a corrida e depois entrar na pista. Dá até vontade de buscar um lugarzinho entre eles e acompanhar tudo do lado de fora do organizado Paddock da F1.

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O dono da macarronada, parte 2

Outro ponto bastante eternamente destacado por Montezemolo foi sobre os custos da F1 e o futuro da categoria. Como presidente de uma das maiores e mais tradicionais equipes do grid, o italiano voltou a bater na tecla do desenvolvimento tecnológico, que segundo ele é o DNA da F1 e algo que a categoria não pode abrir mão no futuro. Mas fez algumas ressalvas e uma comparação interessante. Ele disse que hoje, com todo o peso da aerodinâmica nos carros, a F1 não trabalha mais para melhorar os carros de passeio, o que é a ideia original da competição. Hoje, a categoria desenvolve mais recursos para aviação do que para as ruas.

Por isso, Montezemolo defende uma renovação nos regulamentos, sem esquecer os custos. Ele prefere regulamentos mais simples e claros, mas que privilegiem a tecnologia e que levem melhorias reais para os carros de rua.

Ainda nesse assunto, o italiano falou que não dá mais para ficar trabalhando 24 horas no túnel de vento só para testar uma asa, que, para o grande público, não vai fazer nenhuma diferença. Para Montezemolo, chegou o momento de a F1 parar e repensar seus conceitos para continuar sendo viável. E descartou completamente a presença da Ferrari na F1, se a categoria virar uma categoria de carros elétricos, como tanto quer Jean Todt.

Sobre o público, Montezemolo também lançou uma crítica interessante. Para ele, as pessoas estão deixando de acompanhar a F1 porque ela está cada vez mais distante da realidade. E agora é hora de, talvez, adotar diferentes formatos de corridas. O dirigente até sugeriu corridas mais curtas ou a adoção de sistema de rodadas duplas.

É, não deixa de ser interessante de ver o posicionamento de Montezemolo, ainda mais vindo de alguém que comanda um dos times mais conservadores da F1.

E você, leitor, acha que Montezemolo tem razão? Acha que a F1 realmente deve deixar o conservadorismo de lado e pensar mais no público e em menos grana para bancar o show?

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O dono da macarronada, parte 1

A entrevista de Luca di Montezemolo em Monza neste sábado foi bastante disputada, claro, e também bastante interessante, por tudo que ele representa para a F1 e para a própria Ferrari. Foi legal também ver de perto o chefão e como ele lida com a imprensa, especialmente a italiana. O comandante da Ferrari falou sobre tudo: Massa, Alonso, FIA, regulamentos, criticou, reclamou e falou sobre o futuro da F1 e da própria Ferrari.

Sobre Massa, que foi a primeira pergunta, o presidente não se esquivou e disse que a equipe vai avaliar com cuidado o futuro do brasileiro e de qualquer outro que venha a ocupar a vaga dele eventualmente. “Estamos pensando em 2014”, disse, também. O italiano, que chegou atrasado e fazendo brincadeiras à entrevista, deixou claro que o que a Ferrari quer é um piloto muito mais competitivo, capaz de somar pontos em todas as corridas, em um desempenho semelhante ao de Alonso, evidentemente. Mas não que venha a incomodar a posição privilegiada que o espanhol ocupa dentro do time.

Monte falou em grande chance de Massa, que larga em terceiro neste domingo, mas disse que mesmo uma vitória amanhã não vai garantir o piloto no time. E aí surgiu o sinal de alerta de vez. É, a situação de Massa está bem mais complicada na Ferrari. As duas últimas temporadas tem sido decisivas para a escolha da equipe, que, segundo Montezemolo, não vai demorar muito para definir quem será o companheiro de Alonso em 2013. É claro que o triunfo amanhã, diante da torcida italiana, contará muito a favor de Felipe, mas será o suficiente para convencer a cúpula da equipe? Talvez Felipe precise de mais de uma vitória para ficar, pelo andar da carruagem.

Ainda durante a entrevista, e o que mostrou o quanto a Ferrari espera por um bom resultado de Massa, Montezemolo enfatizou e quase chegou a gritar: “Felipe tem uma grande chance de vencer amanhã. E a vitória significaria muito para nós, para a Ferrari e, principalmente, para o futuro dele.”

Agora é esperar, mas não muito. O time não deve esperar dezembro chegar para acertar, segundo o dirigente. E se Felipe sair, quem é o melhor para o lugar dele, principalmente dentro do que a Ferrari deseja de um novo parceiro para Alonso?

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Futuro, futuro

EVELYN GUIMARAES [@eveguimaraes]
de Monza

Futuro. Essa foi a palavra mais usada pelos jornalistas nesta quinta-feira (6) em Monza. Na tradicional coletiva de imprensa da FIA, Lewis Hamilton e Felipe Massa foram os mais questionados, evidentemente. Ambos estão sem contrato para 2013, mas vivem situações bastante diferentes e, até por isso, as reações quando perguntados com relação ao futuro são distintas.

Felipe atravessa aquele período irritante de incerteza. Ele quer a Ferrari, é a equipe que lhe deu a oportunidade de disputar um título mundial, é onde se sente à vontade, mas também é onde tem o pior companheiro de equipe possível. O pior aí é no sentido de competitivo mesmo, de forte. Fernando Alonso não é fácil e sempre foi uma pedra no sapato de todos os seus parceiros de time até agora. A comparação com o bicampeão também deve ser difícil de lidar.

O desejo de Massa é que, ao menos, a decisão não demore. Boa ou ruim. O brasileiro quer logo, e com razão, definir a equipe que vai defender em 2012. O danado chefe Victor Martins aponta aqui um possível caminho para Felipe. E pode ser mesmo, diante do redemoinho que virou o mercado de pilotos, especialmente depois de Eddie Jordan cravar as negociações entre Hamilton e a Mercedes.

Mas Felipe, acostumado que está, se mostrou tranquilo na coletiva com as perguntas sobre seu futuro. Foi direto, como tem sido sempre. “Não há nada assinado ainda”. Não demonstrou qualquer irritação. Já sabe bem como a banda toca por aqui. Mas disse que precisa de resultados. Reiterou, aliás, o que havia dito semana passada aos jornalistas brasileiros. São os resultados, no fim das contas, que vão garanti-lo na Ferrari, assim como deseja. Não tem muito segredo. Por isso, talvez, a indiferença com relação às insistentes perguntas.

Já Hamilton levantou com o pé esquerdo hoje. Estava com cara de poucos amigos na coletiva. Quase nem interagiu com os colegas, apesar da insistência de Alonso em puxar um papinho entre uma pergunta e outra.  E Lewis, já bastante escaldado de polêmica neste ano, preferiu respostas lacônicas, meio à Raikkonen. Mas sem a parte engraçada.

Hamilton não quis saber de falar de rumores e nem do episódio do Twitter da semana passada. Disse apenas que não sabe onde vai correr em 2013 e que, neste momento, seus empresários estão negociando com a McLaren. É claro que Lewis anda irritado e inquieto. E o lance do Twitter em Spa foi só mais uma prova disso. A vida pessoal é quase sempre estampada nos jornais, Jenson Button, desde que chegou à equipe, ganhou grande espaço e respeito e por aí vai. Assim como Massa, o inglês também deseja uma definição rápida.

Mas, do mesmo jeito da semana passada, será que uma mudança também não faria bem para Hamilton nesta altura da carreira? E que equipe, no grid, suportaria a vida/celebridade que o piloto leva? Aí é com vocês, leitores do BloGP, o que acham que Lewis deveria fazer?

Pessoalmente, eu acho que ele não deixa a McLaren, pela plena certeza de que a equipe é a única que pode conduzi-lo a um segundo título.

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A primeira

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Sempre gostei de assistir as corridas em Monza (pela TV, diga-se… ainda não estive presente lá, ainda), como sempre curti também acompanhar uma boa prova na chuva. E naquele setembro de 2008, o cenário era perfeito para o GP da Itália. Choveu muito naquele fim de semana, e isso certamente foi determinante para mudar toda uma ‘ordem natural’ das coisas, como dizem.

Quase um ano antes, no GP do Japão, que era disputado em Fuji, Sebastian Vettel fazia brilhante prova e poderia ter vencido a primeira na F1, logo em sua primeira temporada completa pela Toro Rosso. O alemão, no entanto, perdeu o ponto da frenagem quando estava em terceiro e encheu a traseira do carro de Mark Webber, vejam só. Foi o fim de corrida para Seb, mas ficou evidente sua capacidade no molhado.

Meses depois, mais maduro e um pouco mais experiente, Vettel teve um fim de semana praticamente perfeito no GP da itália. O alemão surpreendeu o mundo da F1 ao conquistar a pole em Monza até com certa tranquilidade. O STR2 estava muito bem acertado no molhado, tanto que Sébastien Bourdais classificou-se em quarto, mas poderia ter conquistado grid ainda melhor.

Veio o domingão, dia da corrida. Bourdais, que sempre foi bom piloto, deu um azar danado e ficou parado no grid antes da volta de apresentação. Em contrapartida, Vettel fez uma corrida suprema, liderando praticamente todas as voltas da corrida — exceto entre os giros 19 e 22, quando fez sua parada para troca de pneus e Heikki Kovalainen aproveitou para assumir a ponta —, e venceu com maestria sua primeira corrida na F1.

Foi mesmo o rito de passagem de Vettel, que deixou de ser promessa para se tornar um dos principais pilotos da F1. Tanto que no ano seguinte, o tedesco foi promovido para a Red Bull, e o restante da história todos conhecemos: mais jovem campeão da história e a caminho de ser também o mais novo bicampeão. Questão de tempo.

Acho que essa vitória de Vettel é a primeira que vem à mente quando me perguntam qual é foi a corrida mais marcante que eu já assisti. Claro que eu me recordo de outras, como a vitória de Rubens Barrichello na Alemanha em 2000, a despedida de Michael Schumacher em no GP da Itália de 2006, como também aquele final sensacional do GP do Brasil de 2008.

Mas por todas as dificuldades de Monza e por estar no comando da pequena Toro Rosso (que era Minardi), esse GP da Itália de 2008 é seguramente o meu preferido.

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