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Taj Mahal

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Cheio de moral, de contrato renovado e em grande fase, Felipe Massa já está na Índia para a disputa da 17ª etapa do Mundial de F1. Mas antes de chegar ao circuito de Buddh, Felipe visitou o lendário Taj Mahal, um dos Patrimônios da Humanidade da Unesco e uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo — lista que inclui o Cristo Redentor. “Ir à Índia e não conhecer Taj Mahal é como ir a Roma e não ver o Papa”, diria Renan do Couto.

Muitos apontam o Tah Mahal como a mais bela expressão de amor de todos os tempos, quando o príncipe Shah Jahan construiu o templo em memória da sua esposa favorita, Aryumand Banu Begam. Massa, que também vive uma relação de amor com a Ferrari, postou a foto há pouco no Twitter.

Para contar melhor a história do fabuloso Taj Mahal, nada melhor que a música eternizada pelo mítico Jorge Ben Jor!

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O adeus de duas lendas

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Querido por todos no paddock, Peter Sauber está se despedindo da F1. O mitológico dirigente suíço, que já revelou tantos nomes de sucesso no automobilismo — só pra lembrar: Michael Schumacher, Karl Wendlinger, Heinz-Harald Frentzen, Felipe Massa, Kimi Räikkönen, Sergio Pérez — comemorou seus 69 anos, no último sábado (13), em Yeongam, com a sensação de dever cumprido.

Fiz uma entrevista com Peter no fim da temporada passada, em Interlagos. Certamente, uma das que mais guardo com carinho. Sujeito de fino trato e bastante cordial, ele me atendeu de maneira extremamente solícita e sempre com um sorriso no rosto. Lembro que ele disse que estava muito feliz com sua dupla de pilotos (Pérez e Kamui Kobayashi), Sauber previu uma melhora significativa para 2012 e muitos pontos para sua equipe. E, mais uma vez, ele estava certo.

Em uma foto emblemática, divulgada pela assessoria da escuderia helvética, o velho e bom Sauber, que agora passou o bastão para a competente Monisha Kaltenborn, recebe o abraço da sua maior revelação, Schumacher, que também dará adeus à F1 em 2012.

Definitivamente, o esporte sentirá a falta desses dois.

Assim como Peter Sauber, Michael Schumacher deixará a F1 no fim do ano (Foto: Sauber)

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O artista do rali

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Depois de quase um mês de férias, estou de volta! É bom retornar ao trabalho, diga-se. Baterias recarregadas para fechar mais um ano aqui no Grande Prêmio.

Mas vamos ao que realmente importa. O assunto da vez é Sébastien Loeb. Loeb é mito, é lenda viva, é tudo isso e muito mais. Loeb é um desses gênios do esporte a motor que, de tempos em tempos, brindam os fãs da velocidade em todo o mundo. Dono de pilotagem perfeita, Loeb dá show. Um show que, pelo menos no WRC, está prestes a terminar.

Perto do NONO título mundial, Seb já anunciou que fará três ou quatro provas em 2013 e vai mudar seus horizontes. As primeiras informações apontam para um futuro no WTCC, mas, em minha opinião, é muito pouco para o que Loeb representa. Talvez o Mundial de Endurance e as 24 Horas de Le Mans tenham mais a ‘cara’ dele, mas ficaria muito feliz se ele anunciasse sua estreia no Dakar em 2014.

Abro um parêntese aqui. Claro que Loeb é o gênio do rali, é o cara, é o fodão, enfim. Mas é preciso creditar boa parte dos seus méritos ao eterno parceiro, o navegador Daniel Elena, um homem de história imensa no rali também! Fecho o parêntese.

Antti Kalhola, um gênio dos vídeos, produziu essa incrível e espetacular coletânea de imagens de Loeb em sua história vitoriosa no Mundial de Rali. Enquanto Seb não se despede do WRC, recomendo cada segundo deste vídeo antológico, de pouco mais de três minutos. Não perca o fôlego com Loeb, o artista do rali!

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Na rota dos Sertões: Vai deixar saudades

Escrevo este texto na noite desta terça-feira, 28 de agosto de 2012, dia de encerramento da histórica 20ª edição do Rali dos Sertões. Para mim, especificamente, foi um privilégio estar, pelo segundo ano, como responsável do Grande Prêmio pela cobertura desse evento único, tanto na esfera esportiva quanto na social. Foi uma grande honra estar aqui representando o melhor site de automobilismo do Brasil. Não sou lá muito afeito a autoelogios, mas, dentro das possibilidades, acho que o trabalho foi bom. Pode melhorar demais para as próximas edições, mas deixo Fortaleza, na próxima quinta, bastante satisfeito.

Desde quando acabou o ‘meu’ primeiro Sertões, em 2010, já vinha sonhando em participar da próxima cobertura. Não aconteceu em 2011, mas não deixei a guarda abaixar. Sabia que, mais cedo ou mais tarde, teria minha segunda chance. E ela veio neste ano, através de um convite da organização de prova, a quem agradeço demais pela oportunidade, e, novamente, ao Grande Prêmio e todos os membros do nosso ‘dream team’: Renan do Couto, Fagner Moraes, Juliana Tesser, Victor Martins, os viajantes Felipe Giacomelli e Evelyn Guimarães e o patrão Flavio Gomes.

Não é fácil fazer uma cobertura ‘in loco’ de um evento tão grande como é o Rali dos Sertões. É totalmente diferente de trabalhar em uma corrida em um autódromo, por exemplo. A complexidade é muito maior. São percorridos, em média, cerca de 500 km por dia. E muitas vezes as cidades por onde passa o rali não oferecem uma estrutura adequada para a realização de um bom trabalho. Foi assim em algumas oportunidades nesta edição, como em Palmas. Acontece. Então nós, jornalistas, temos de matar às vezes quatro ou cinco leões por dia. Peço desculpas por não ter conseguido atualizar o blog da maneira como eu gostaria. Mas é vivendo e aprendendo.

Por isso a necessidade de uma equipe forte e competente. Dessa forma, agradeço a todos do GP. Sem a ajuda de todos vocês, nada disso teria acontecido e jamais estaria aqui.

Eis um dos prêmios por completar o Rali dos Sertões: a medalha da vitória

Foram dez dias de estrada, mas um pouco mais de tempo entre a minha chegada a São Luís, no dia 16, até a minha partida, dentro de um dia e meio. Nesse tempo todo, conheci muitas pessoas, fiz bons amigos, passei por lugares onde jamais estive antes, ouvi histórias de luta, superação e vitória. Tudo isso ao longo de quase 5 mil km entre estradas, ótimas e péssimas, desse Brasil varonil.

Vi um pouco de tudo nesses dez dias de Sertões. De forma inimaginável, passei FRIO em Petrolina, em pleno semiárido pernambucano. E só para citar outros três exemplos vistos na penúltima cidade visitada, Iguatu, acho que jamais verei novamente um TÁXI rebaixado. Nessa cidade, cravada no centro-sul do Ceará, há, logo na entrada, um bar chamado ‘Sadan Hussein’ e, de forma contrastante, há um hotel, onde ficamos hospedados, comandados por freiras (Diocesano Hotel), algo que também nunca tinha visto antes. Espetacular!

Vi um Norte-Nordeste ainda bastante carente em muitos lugares, mas também é fato que, conversando com as pessoas que vivem por aqui, tudo melhorou significativamente de uns dez anos para cá. Muita coisa ainda precisa ser feita, mas o fato é que o Nordeste é uma terra promissora. Como eu disse para meu amigo Fagner hoje (ou ontem), o Nordeste é o futuro do Brasil.

Também tive o privilégio de acompanhar, ‘in loco’, um dos maiores ralis do mundo, e estar em contato diário com pilotos, navegadores, equipes de apoio, jornalistas, pessoal da organização, equipe médica, todo mundo que faz do Rali dos Sertões um acompanhamento grandioso. Quase duas mil pessoas e um só ideal. No fim das contas, o que vale é a parceria, o companheirismo, a amizade e o espírito de equipe… tudo o que, na verdade, compõe o verdadeiro espírito do Rali dos Sertões.

Aprendi demais nesses dez dias aqui. Estamos sempre aprendendo todos os dias. Mas estar em uma cobertura tão intensa como é o Rali dos Sertões nos ensina demais, não apenas como profissionais, mas na vida como um todo. Aprendi com uma lenda viva do esporte que, mesmo que você seja o melhor do mundo e o mais #fera de todos os tempos, é possível ser humilde e atencioso com o próximo. Aprendi com Cristiano Teixeira que, por mais limitações que você tenha, é possível realizar sonhos. Como o que eu realizei hoje, chegando ao fim da minha segunda cobertura do Sertões.

Junto com alguns dos muitos parceiros que me ajudaram nessa jornada ao longo desses dez dias — Fernanda Gonçalves, Caio Scafuro, Daniel Betting, Cleber Bernucci e Luciano Fritsch —, subi a rampa da vitória e recebi a medalha por ter completado o Sertões. Sentimento único de satisfação e vitória. Sentimento que gostaria de compartilhar com todos aqueles que, de uma forma ou de outra, proporcionaram tudo isso.

A cobertura do Rali dos Sertões ainda não acabou, mas o sentimento que fica já é de saudades. Nesta quarta-feira, vai ao ar um especial completo sobre tudo o que aconteceu na prova deste ano, com análise do que foi bom e do que pode melhorar, declarações de pilotos, organizadores, chefes de equipe, trazendo revelações e até mesmo um possível encerramento de carreira por parte de um lendário piloto brasileiro.

Fica o sentimento do dever cumprido, a saudade e o desejo de voltar em 2013. E seguimos na batalha, sempre acelerando. Avante!

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Na rota do Sertões: Desafio Maranhão

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Carolina

Depois de um longo dia de viagem nesta quarta-feira (22), quase 600 km após sair de Barra do Corda, estamos em Carolina, base da quarta especial do Rali dos Sertões, que começou a desenhar a luta pelo título. Mas o Sertões está muito além da esfera esportiva. Ao longo desses quase 1.500 km que foram percorridos desde a saída do rali, a belíssima São Luís, vi bastante coisa interessante e contrastante que queria aqui compartilhar com vocês. A começar pelos dois primeiros dias de prova.

Depois de entrevistar a musa Helena Soares e o mito Stéphane Peterhansel, entre tantos outros, na última sexta-feira, poder acompanhar o incrível Prólogo e o empolgante Super Prime, era a hora de partir pelas estradas deste Brasil varonil.

A nossa primeira parada foi em Barreirinhas, cidade distante 253 km da capital maranhense. Cidade que aparenta ser menor do que é. É um daqueles vilarejos que lembra muito os cenários da novela do lendário Dias Gomes. Mas foi um povo bem hospitaleiro (ou bem hospitalar, como diria o outro), que recebeu muito bem a caravana do Sertões no domingo.

Conversando com alguns moradores que olhavam admirados para os imponentes carros, motos, caminhões, quadriciclos e UTVs, eles me disseram que só souberam da vinda do rali recentemente e criticaram a administração local pela falta de divulgação. De fato, não havia mesmo tanta gente esperando pelo pessoal do rali, como costuma acontecer em outras cidades daqui do Maranhão.

Nesse mesmo dia, pouco antes de ir embora, engatei uma breve entrevista com o Filipe Palmeiro. O luso, que já foi navegador de Paulo Nobre, o Palmeirinha, no Dakar e no último Rali dos Sertões, já trabalhou na equipe de apoio da Mitsubishi Brasil, disputou algumas etapas do Mundial de Cross-Country deste ano como navegador de Yazeed Al-Rahji, e que no Sertões 2012 auxilia nos trabalhos da X-raid, disse ao BloGP que vai voltar a navegar no Dakar e revelou que assinou contrato com a equipe alemã visando 2013, mas preferiu não falar sobre o piloto para quem vai trabalhar.

Mas o portuga se mostrou empolgado por estar mais uma vez aqui no Rali dos Sertões, se dizendo um apaixonado pela competição e pelo ambiente que cerca a prova.

Mas o melhor daquele dia estava por vir depois. Eu já tinha marcado de conversar com o Cristiano Teixeira, piloto que conheci durante o briefing de apresentação do Rali dos Sertões em julho, lá em Barueri. Depois de outro briefing, desta vez, dos pilotos de moto após a primeira especial da prova, tive a chance de falar com ele.

De fala mansa, como todo bom mineiro, Cristiano falou sobre sua carreira como piloto. Exemplo de vida e de esportista, ele se manteve sempre sereno ao comentar sobre seu acidente, onde perdeu parte da perna esquerda. No fim das contas, todos são vencedores apenas pela coragem de encarar o desafio do Rali dos Sertões. A reportagem completa está no Grande Prêmio.

Não há tempo para perder no Rali dos Sertões. Depois de algumas horas de descanso em Barreirinhas, era a hora de partir. O destino daquela segunda-feira era Bacabal, iniciando de vez a descida do Maranhão. Ao deixar Barreirinhas, percebi alguns detalhes bem contrastantes. Talvez seja o costume daqui, mas o fato é que era possível ver, por exemplo, muita gente andando de moto sem usar capacete, e pasmem, com até criança recém-nascida no colo de uma passageira. O trânsito parecia uma Índia, longe de ser um primor de organização, pelo contrário. Os paus-de-arara ainda sobrevivem por aqui, mas com uma configuração um pouco mais compacta, com picapes (como Toyota e S10) tendo bancos instalados para o transporte de passageiros. Tudo devidamente credenciado pela prefeitura local.

Por outro lado, na saída da cidade, avistei o imponente Instituto Federal do Maranhão, Campus Barreirinhas, que evidencia uma localidade que busca se desenvolver. Aliás, apesar do contraste e da pobreza que ainda reina por aqui, é inegável o desenvolvimento da região como um todo. Isso é atestado pelos moradores e também por quem cobre, participa ou mesmo ajuda na caravana do Sertões ano após ano.

De Barreirinhas para Bacabal foram quase 400 km, 382,1, para ser mais exato, seguindo pela BR 135. Estrada de condições satisfatórias. Detalhe: por falar em estradas, até o momento, em quatro dias de jornada, não pegamos nenhum pedágio. Quer dizer, encaramos um, mas não foi de nenhuma concessionária, como existem aos montes em São Paulo e no Sudeste do Brasil, mas essa história fica para o próximo post.

Em Bacabal, foi possível ver que a cidade, assim como muitas outras daqui do Maranhão, se desenvolveu ao redor da rodovia, que, no fim das contas, é quase como uma avenida da cidade (e de outras da região). Nesse caso, diferente de Barreirinhas, o povo compareceu em peso e prestigiou a chegada do Rali dos Sertões, que é um dos acontecimentos do ano nas cidades daqui do Maranhão.

E foi em Barreirinhas que consegui um dos dias mais produtivos por aqui. Falei com muita gente: Jean Azevedo, Felipe Zanol, Riamburgo Ximenes, Guiga Spinelli e Stéphane Peterhansel, que, obviamente, tem seu inglês afrancesado, mas consegui entender até que bem; foi uma entrevista marcante aqui para esse humilde escriba. Estar diante do melhor do mundo em alguma coisa é privilégio para poucos. Está tudo lá no Grande Prêmio.

Tem muita coisa para contar sobre o que acontece por aqui. Nos próximos dias vou colocar aqui um pouco do que aconteceu em Barra do Corda e Carolina, as últimas paradas da prova até o momento. Posso assegurar que a experiência (a minha segunda) no Sertões, é inenarrável, é maravilhosa. Vale a pena estar aqui. É puro aprendizado. Como disse um amigo certa vez, estar no Rali dos Sertões é o tipo de experiência que muda a sua vida. E muda mesmo.

Continue com a gente na cobertura do 20º Rali dos Sertões!

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Na rota do Sertões: cara a cara com o mito

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de São Luís

É amanhã que os motores finalmente vão roncar aqui em São Luís, e o Rali dos Sertões vai começar a escrever a 20ª página de sua história. O clima de expectativa e de ansiedade é nítido nos olhares, nas entrevistas, nos gestos de cada competidor que está por aqui. E pude ver isso ao falar com muitos deles. As ambições são bem distintas: alguns vêm para lutar pela vitória, enquanto que, para outros, a conquista maior é simplesmente chegar em Fortaleza no próximo dia 28. No fim das contas, o que move todos é a pura e simples paixão pelo esporte.

Hoje, sexta-feira (17), foi um dia de muita movimentação aqui no Hotel Luzeiros, onde foram realizados os briefings com pilotos de carros, caminhões, motos, quadriciclos e UTVs, um outro briefing, com as equipes de apoio, além de, mais cedo, uma entrevista coletiva com as autoridades, diretores de prova e competidores e, também, um almoço promovido pela Honda Racing. Nesse tempo todo hoje tive a chance de conhecer de perto um mito do esporte, nas duas e nas quatro rodas.

Stéphane Peterhansel é a grande estrela do Rali dos Sertões 2012 (Foto: Fernando Silva/Grande Prêmio)

Talvez a grande atração do histórico 20º Rali dos Sertões seja a presença de Stéphane Peterhansel e seu inseparável navegador Jean-Paul Cottret, que vão tentar bater Guilherme Spinelli e Youssef Haddad com um Mini All4 Racing da equipe alemã X-raid. Peter, como é chamado por todos os seus colegas aqui no Maranhão, foi o último a se posicionar na mesa dos pilotos que participaram da entrevista, sentando-se ao lado de Tom Rosa, Felipe Zanol, Guilherme Spinelli, Edu Piano e Guido Salvini.

A sala de convenções, onde foi realizada a entrevista na manhã desta sexta, estava cheia de mulheres (lindíssimas, por sinal) distribuindo latinhas de Red Bull a torto e a direito. E as latinhas taurinas também decoravam a mesa da coletiva, sempre com um piloto tendo um Red Bull à frente. ‘Macaco velho’, Stéphane, que é patrocinado pela concorrente Monster, sutilmente colocou a ‘sua’ latinha de Red Bull para bem longe, até para não correr o risco de ser fotografado com um produto de uma marca rival.

Dez vezes campeão do Dakar e verdadeiro mito do esporte, Peterhansel, pode-se dizer, está para o rali cross-country como Michael Schumacher está para a F1. O maior de todos os tempos, o único, o imbatível. Assim é como Stéphane é visto por todos aqui, como o cara, o fodão, o melhor da história. E é justo considerá-lo assim. Afinal, são dez títulos do Dakar, seis nas motos e quatro nos carros. Quando um competidor vence uma prova da dimensão e da importância do Dakar uma vez, vira grande; quando vence dez, vira imortal. E Peterhansel é imortal.

E o que percebi, desde quando ele fez sua primeira aparição pública aqui em São Luís nesta sexta, é que ele, no alto da sua história como piloto, sempre se mostrou muito solícito com todos, seja com o amigo ‘Guiga’ Spinelli, seja com um fã, um membro de uma equipe de apoio, se disponibilizando sempre para tirar uma foto ou bater um papo. Assim foi também com a imprensa presente aqui. Peter deu a mesma atenção a cada um dos repórteres presentes e falou com todos com a maior tranquilidade. Postura, aliás, comum aos pilotos e navegadores do rali.

Marquei com ele próprio uma entrevista após o briefing, à tarde. E finalmente consegui falar com o mítico Peter, por volta das 17h. Em todas as respostas, Stéphane foi muito convicto, simples e se mostrou bastante humilde. Durante um trecho, ele diz ter a consciência de que é um dos grandes do esporte a motor em todos os tempos, mas que se vê apenas como uma pessoa normal.

Peterhansel falou sobre muita coisa, como a sua primeira vez no Sertões, sua história no Dakar, Sébastien Loeb, a possibilidade de um dia o Brasil receber uma especial do Dakar, enfim. Muita coisa. Adianto ao amigo leitor que a entrevista será publicada na Revista WARM UP, edição 29. Edição, diga-se de passagem, pra lá de especial, pois terá outra entrevista com outro mito do automobilismo: Emerson Fittipaldi. Em breve nas bancas virtuais!

Obviamente, Peterhansel veio para vencer. Por mais que diga que não, que não se considera o favorito à prova, seu equipamento e, principalmente, seu retrospecto vencedor, o coloca como o grande postulante ao título do Sertões 2012. O Mini All4 Racing é um baita carro e vai certamente lutar de igual para igual com o Lancer de Spinelli. Em teoria, a luta pela vitória ficará entre os dois, embora seja mais sensato não descartar Riamburgo Ximenes da briga.

Aliás, falando em Riamburgo, acabei fazendo parte de um momento curioso. Quando abordei Peterhansel, no saguão do hotel, para fazer uma última pergunta, o piloto cearense, que também correrá pela X-raid neste ano, mas com um BMW X3, se aproximou, bem humorado, e me disse: “Avise a ele [apontando para Peter] que só não falo mais com ele por causa de problemas de linguagem”. E eu disse isso, com meu inglês raikkonensístico, ao francês, que riu e disse que estava feliz por correr ao lado de Riamburgo.

Foi um baita dia, devo dizer. Não é sempre que você fica cara a cara com um mito do esporte.

E não é sempre que você consegue fazer uma entrevista com uma mulher linda, guerreira, vencedora, musa do rali e rainha do carnaval. No próximo post eu explico como foi.

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Na rota do Sertões: finalmente, São Luís

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de São Luís

Amigos e amigas do Grande Prêmio e do BloGP! Salve, salve! Finalmente estamos em São Luís. Depois de encarar uma verdadeira epopeia durante toda a quinta-feira, fizemos uma viagem tranquila, entre Campinas, com escala em Confins, até chegar à ‘Jamaica brasileira’ na madrugada de hoje, por volta de 1h30. Tudo tranquilo, sem problemas, sem tensões. Aproveitei o tempo de voo para descansar um pouco. Sei que os dias que virão serão cansativos, mas igualmente prazerosos.

Não dormi muito por aqui, mas não estou aqui para dormir, e sim para passar o melhor da informação para o amigo leitor. Então cochilei algumas horas e despertei de vez às 7h. E despertei de frente para o mar. Faz muito calor aqui em São Luís. Nunca menos que 25ºC. Logo no começo da manhã, tirei uma foto para ver como estamos bem por aqui. São Luís é mesmo espetacular.

Depois do café da manhã por aqui, falei com Marcos Cassol, campeão na categoria Caminhões no Sertões 2010. Depois de um ano de fora da prova, o gaúcho radicado na cidade goiana de Rio Verde voltará com um Troller da equipe Território providenciei os primeiros contatos com a lendária redação virtual do GP

O Grande Prêmio já está em São Luís para o início do histórico 20º Rali dos Sertões (Foto: Fernando Silva)

Hoje a programação do Rali dos Sertões prevê, para daqui a pouco, às 11h, a entrevista coletiva de abertura do evento, com a presença dos campeões da edição 2011 — Edu Piano, Guido Salvini, Guilherme Spinelli e Tom Rosa —, do vice-campeão nas motos, Felipe Zanol, e do mito Stéphane Peterhansel. Dentre os campeões do ano passado, apenas Cyril Després  não estará na edição de 2012.

Um pouco mais tarde, ao meio-dia, a Honda Racing promoverá um almoço-entrevista coletiva com Zanol, talvez o maior favorito ao título do Sertões nas motos, e seu companheiro de equipe, Dario Júlio.

Mais tarde, vou conhecer a área dos boxes, onde estão estacionados os carros, motos, caminhões, quadriciclos e UTVs, além de fazer algumas entrevistas e ver como está a expectativa antes do prólogo e do superprime, amanhã, além de conferir a movimentação no local. Tudo fica distante uns 10 minutos (de carro) daqui do hotel, onde serão realizados os eventos daqui a pouco.

E vamos que vamos que o Sertões está só começando!

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Na rota do Sertões: Entrando no clima

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7],
de Sumaré
(ainda)

Bom dia, amigos e amigas do Grande Prêmio e do glorioso BloGP. Daqui a pouco estaremos em São Luís, capital maranhense, que também é conhecida como a ‘Ilha do Amor’ e ‘Jamaica brasileira’. Ainda estou em Sumaré, aguardando um pouco mais antes de embarcar. No entanto, a viagem já começou e, parafraseando Roberto Carlos, em ritmo de aventura, ou em ritmo de caos aéreo. Mas até que valeu para entrar no clima.

Nosso voo rumo a São Luís, partindo de Viracopos, em Campinas, e com escala no Rio de Janeiro, estava marcado para 7h15. Por alguma razão, desconhecida para nós, a companhia aérea, de tamanha importância por aqui, remarcou nossas passagens para ONTEM, às 19h. Sem saber do ocorrido, eu e 20 integrantes da equipe piracicabana Kaipiras na Lama, que integra o time de apoio do Rali dos Sertões para motos e quadriciclos, não conseguimos embarcar.

Depois de entrarmos em contato com a organização da prova, a Dunas Race, garantimos nossa ida para São Luís, para alívio de todos. Desta vez, por uma nova companhia aérea. Contudo, não vamos voar com o céu azul, já que o horário mais próximo disponível para embarque era partindo à noite, às 20h06, com escala no aeroporto mineiro de Confins, antes de finalmente chegar à bela São Luís, já na madrugada de sexta-feira. Faz parte, diria um; imagine na Copa, diria outro. O que importa é que estaremos no Sertões para mostrar ao fiel leitor tudo o que envolve um dos maiores ralis do mundo.

'Ilha do Amor', São Luís abre histórico 20º Rali dos Sertões. E o Grande Prêmio está nessa (Foto: Divulgação)

Enquanto todos nós aguardávamos a solução do problema, conversei bastante com o pessoal da Kaipiras na Lama. Eles formam um time de enduro de Piracicaba, aqui pertinho de Sumaré, e, em agosto, integram uma das principais equipes de apoio do Rali dos Sertões. A maioria dos seus integrantes é formada por profissionais liberais, apaixonados por moto e que, nas horas vagas, fazem suas trilhas aqui e ali, principalmente no mítico interior paulista.

No papo com um dos chefes do time, Paulo Huff, o Paulinho, ele falou um pouco sobre como funciona o trabalho deles dentro da prova. A equipe é uma das responsáveis por garantir a segurança da população que vive nas cercanias do percurso por onde passa o rali. Muito antes do início da especial, a Kaipiras na Lama conscientiza o povo sobre onde a prova vai passar e monitora todo o terreno, até para que não haja nenhum risco aos moradores e transeuntes.

Paulinho vai para seu sétimo Sertões. São vários anos conhecendo as histórias do povo sertanejo durante o percurso da competição. E ele me disse que ter visto de perto uma realidade completamente diferente da que estava acostumado mudou para sempre sua vida. Como também mudou a minha depois que eu fui para meu primeiro Sertões, em 2010.

Uma dessas histórias chamou bastante a atenção. Certa vez, durante o Sertões de 2007, no Maranhão, Paulinho conheceu um garoto, de seus 17 anos, mais ou menos, que não via a hora de chegar à maioridade para arrumar as malas e tentar a sorte em São Paulo, tendo cursado apenas a 5ª série do ensino fundamental. Conversando com o rapaz, Paulinho alertou para as enormes dificuldades em ganhar a vida na cidade grande e indicou, como alternativa, ir para Fortaleza, uma das principais cidades do Nordeste (em franca evolução econômica) e intensificar os estudos, visando um futuro melhor para ele e seus familiares.

Depois de algum tempo, Paulinho teve novamente contato com o jovem maranhense, que já não era mais um garoto, mas sim o principal pilar econômico da sua família. Estudante de hotelaria depois de ter intensificado os estudos, o rapaz, que por muito pouco não veio para a cada vez mais incerta e insegura São Paulo, tem bom trabalho, ganha lá suas 2 mil dilmas por mês e consegue tranquilamente garantir o seu sustento e o da sua família. Com estudo, determinação e uma boa orientação, muita coisa pode mudar, e para melhor.

Além dessa história, que foi contada com enorme sentimento de satisfação, Paulinho relatou outras tantas ocorridas em sua trajetória no Rali dos Sertões. E cada uma delas é repleta de superação, determinação e conquistas. Como é a história dos competidores que buscam chegar ao fim de mais uma especial, como é a deste humilde escriba na luta pelo melhor texto, pela melhor entrevista, pela evolução diária, como é a da população sertaneja, que luta pela sobrevivência e por dias melhores.

A fome já estava batendo forte, o estômago estava roncando mais que o motor da Ferrari do Fernando Alonso. Sabendo que teria de esperar bastante tempo antes do embarque rumo ao Maranhão, percebi que compensava mais pegar dois ônibus e voltar para casa para almoçar por aqui. Comer em aeroporto e rodoviária está cada vez mais caro. Para se ter uma ideia, qualquer garrafinha de água custa R$ 4. Absurdo. Nem arrisquei saber o preço do rango. Preferi voltar e forrar meu estômago aqui em Sumaré mesmo. Às 16h10 retomo meu rali particular, pegando mais dois ônibus de volta a Viracopos, mas São Luís como destino final.

Ainda estou muito longe do Maranhão, mais precisamente a 2.850 km, mas, para mim, a jornada do Rali dos Sertões 2012 já começou. E para entrar no clima de vez, segue um vídeo sobre São Luís, a ‘Jamaica brasileira’. E vamos que vamos!

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Verde e amarelo

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Enquanto os Jogos Olímpicos rolam solto lá em Londres, do outro lado do Atlântico, na última terça-feira (31), em São Paulo, a Mitsubishi Brasil apresentou o Lancer com o qual Guilherme Spinelli e Youssef Haddad vão tentar mais um título do Rali dos Sertões, logo mais, entre os dias 18 e 28, entre São Luís e Fortaleza. A partir do dia 16 estaremos lá.

O modelo é praticamente o mesmo que disputou as últimas edições do Dakar e também o último Sertões, vencido pela dupla. Só que o Lancer deixou para trás o tradicional vermelho para vestir verde e amarelo (e branco também), graças à parceria com a Petrobras. Ficou bacana a nova pintura, não? O clique é do Carsten Horst.

É com o Mitsubishi Lancer verde e amarelo (e branco também) que Spinelli e Haddad vão lutar por mais um título no Sertões (Foto: Carsten Horst/Mitsubishi)

A Petrobras, aliás, que tem um histórico de muito apoio ao rali brasileiro, já que, por quase 20 anos, patrocinou a Brasil Dakar, equipe comandada por André Azevedo, um dos pioneiros do país no maior rali do mundo (ao lado de Klever Kolberg). A parceria durou até o Dakar deste ano, e os rumos da Petrobras apontaram para a Mitsubishi.

Além de Spinelli e Haddad, estiveram presentes ao evento atletas do quilate de Torben Grael, Fernando Meligeni, Rodrigo Raineri, Luigi Cani, Chico Serra, Felipe Maluhy e Fabinho Fogaça.

Spinelli, aliás, vai lutar pelo pentacampeonato do Rali dos Sertões. Mas o carioca terá uma dura missão pela frente: entre os maiores adversários estão pilotos do quilate de Reinaldo Varela, que vai de Mitsubishi Triton SR; Riamburgo Ximenes, que neste ano virá com BMW X5 da equipe X-Raid, e, principalmente, Stéphane Peterhansel, mito supremo e dez vezes campeão do Dakar.

O rali é feito de lendas. E o Sertões, que chega ao 20º de uma história vitoriosa, construiu várias. A Revista WARM UP 28 traz reportagem especial com sete lendas do Rali dos Sertões: André Azevedo, Klever Kolberg, Edu Piano, Jean Azevedo, Zé Hélio Rodrigues, Guilherme Spinelli e Marcos Moraes, o homem responsável por dar à competição o aspecto profissional que tem nos dias atuais. Não é por nada não, mas recomendo a leitura. É só clicar e ler!

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O legado de Nasser no Rali dos Sertões

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

A conquista da medalha olímpica de bronze por Nasser Al-Attiyah no tiro skeet, nesta terça-feira, em Londres, me fez recordar uma história incrível, na qual o ‘Príncipe do Deserto’ teve papel decisivo e deixou uma legião de fãs e admiradores aqui no Brasil. Fazendo a cobertura do Rali dos Sertões, em 2010, tive o prazer de entrevistar Heleninha Deyama e Joseane Koerich em Sobral, após o fim da penúltima especial daquela prova. Ambas estavam ali, comemorando o renascimento no rali, e demonstraram gratidão com Nasser que, um ano antes, em um gesto de generosidade, amor ao próximo e também ao esporte, proporcionou à dupla seguir competindo.

A história a seguir já foi publicada no Grande Prêmio em 2010. Só que, com a mudança de servidores e de portal, já não está mais no ar da forma como foi postada. Contudo, tenho a sorte de sempre guardar meus textos aqui, principalmente os feitos para coberturas especiais. Dessa forma, compartilho com vocês novamente esse texto que dá a dimensão do caráter de Al-Attiyah e da superação de Heleninha e Josi no Sertões. O texto está praticamente na íntegra, é um tanto longo, mas, ainda assim, vale a pena a leitura. Recomendo.

Após o encerramento do briefing dos pilotos no ginásio que abrigou a organização da prova em Sobral, falei com as experientes Helena Deyama e Joseane Koerich. Foi uma conversa que valeu a pena. Valeu por ter visto o brilho nos olhos de pessoas que têm prazer em competir, mas que também têm o gosto pela superação. É esse o caso de Helena e Josi.

No alto de seu pouco mais de 1,5m de altura, a brasileira de origem nipônica não aparenta, mas é uma fortaleza em forma de mulher. Ao lado da navegadora Joseane, a pilota revelou, com exclusividade ao Grande Prêmio, como renasceu esportivamente das cinzas após superar o acidente sofrido em 2009 e voltar de forma triunfante em 2010, que se encerra nesta sexta-feira (20) em Fortaleza.

Há quase um ano, a dupla teve o carro — uma Mitsubishi Pajero — totalmente destruído em um incêndio, após vazamento de combustível. Parecia mesmo o fim. Mas essas mulheres de fibra provaram que foi apenas mais um recomeço. Muito graças a Nasser Al-Attiyah, príncipe no Catar e também piloto vice-campeão da prova com a equipe Volkswagen.

Na cerimônia de premiação e encerramento do Sertões em 2009, em Natal, Reinaldo Varela organizou uma rifa de um jogo de pneus, cujo dinheiro seria revertido a Helena e Josi. O vencedor foi o diretor de prova, Jaime Santos, que não tinha condições de levar os pneus embora. Então, foi feito um leilão dos pneus, que valiam R$ 3 mil. Nasser se manifestou e fez a doação de US$ 20 mil para a dupla adquirir um novo carro, causando comoção a todos os presentes à festa.

Deyama batizou o carro de 2010 de ‘Príncipe’, justamente em homenagem a Nasser. Inclusive, a pilota colocou um adesivo no capô do carro, demonstrando mais uma vez a gratidão, tanto sua quanto de Josi. Talvez pelos bons fluídos trazidos diretamente do Oriente Médio, as competidoras não tiveram qualquer problema e estão em 14º na classificação geral do Sertões, o que pode ser considerado um bom resultado.

“O Príncipe foi perfeito. Você vê que até colocamos um adesivo de agradecimento ao Príncipe do Catar, que nos ajudou, e o carro retribuiu. Então foi perfeito. É o melhor carro de corrida que já tive até hoje. E realmente, tenho a certeza de que vamos terminar”, frisou Helena.

A pilota lembrou o momento de emoção vivido em 2009 e garantiu: vai retribuir em Fortaleza todo o apoio demonstrado pela caravana do Sertões. “No ano passado eu chorei muito quando subi naquele palco para agradecer à ação dos pilotos que fizeram leilão, rifa, tudo para nos ajudar. E nesse ano eu vou ter o prazer de subir no palco para agradecer a eles por toda essa força e comemorar a nossa vitória em mais essa edição do rali”, comentou.

Questionada pelo Grande Prêmio sobre o sentimento particular após estar prestes a completar mais um Sertões, Helena atribuiu o sucesso aos céus. “Olha, eu acho que é uma bênção de Deus que nós estamos recebendo. É o meu 11º rali, mas este tem um sabor todo especial, porque depois de tudo o que aconteceu, eu achei que teria de parar. Foi uma coisa bastante traumatizante. Mas tudo aconteceu de uma forma tão legal que notei que ainda não era a hora. Que era o momento sim de superar isso e voltar por cima”, disse a paulista.

Por sua vez, Josi exibiu o sentimento de dever cumprido. Faltando apenas o último estágio para ser disputado — entre as cidades cearenses de Sobral e Fortaleza —, a navegadora preferiu destacar o trabalho desempenhado pela equipe Brasil Rally e se lembrou de uma promessa feita à parceira logo após o incêndio em 2009.

“É uma satisfação muito grande. O que aconteceu em 2009 foi um infortúnio. Carro, equipe, pilota, navegadora, a gente tenta fazer com que tudo dê certo. Esse ano, acho que é o resultado do trabalho, do entrosamento, do comprometimento que tive com a Helena lá no ano passado, naquele fatídico dia. Prometi que voltaríamos vitoriosas”, vibrou Koerich, que logo em seguida exaltou o desempenho de sua parceira no off-road.

“Acho que isso nada mais é do que merecimento. A Helena é uma pilota maravilhosa, guerreira, que está fazendo seu 11º Sertões. Então, ela merece mais do que ninguém”, complementou a navegadora. Assim como a parceira, Joseane também tem grande experiência, já que disputa sua oitava prova neste ano.

Joseane Koerich, Nasser Al-Attiyah e Heleninha Deyama no Sertões 2009 (Foto: David Santos Jr.)

Feliz com o sucesso da parceria, Deyama revelou que a motivação para conquistar o bom resultado neste ano veio do apoio maciço que recebeu de torcedores por todo o país, comovidos com o drama da dupla no ano passado.

“Uma coisa que me levanta muito é o carinho e a torcida dos amigos. Tem gente do Brasil inteiro que torce por nós. Eu sou uma pessoa que acredita muito na força do pensamento e na força das pessoas. E a força positiva que todas essas pessoas emitem para nós tem nos dado tanta sorte e estamos bem no Sertões”, celebrou.

O fato é que uma competição como o rali ensina muito. Ensina a viver, ensina a entender, e ensina que nada como um dia após o outro, superação em cima de superação. Helena e Joseane provam que o esporte é pródigo em apresentar exemplos como esse, guardadas às devidas proporções, como aconteceu com Nelson Piquet nas 500 Milhas de Indianápolis de 1993 e também com Ronaldo na Copa do Mundo de 2002. Voltar ao rali com grande êxito depois do incêndio de um ano atrás é como ressurgir das cinzas. Como uma fênix.

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A imagem do dia

Campeão do Dakar em 2011, Nasser Al-Attiyah é um dos raros pilotos de ponta a participar dos Jogos Olímpicos. Alguns até já participaram de uma ou duas edições, mas creio que jamais algum grande piloto chegará a cinco participações em Jogos Olímpicos como o catariano, conhecido como ‘Príncipe do Deserto’. E hoje, terça-feira, Nasser conquistou uma incrível medalha de bronze no tiro skeet em Londres. Baita piloto, baita atirador e uma das grandes figuras do esporte, no pessoal e no profissional, como diria alguém. Merece, pois. Além da vitória no Dakar, no ano passado, ele também conquistou o Mundial de Rali na categoria Production, em 2006. Seis anos depois, veio a medalha olímpica de bronze. Mais que um multiatleta, Al-Attiyah vira um verdadeiro mito do esporte.

Por Fernando Silva.

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Ascensão e queda

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Finalmente a F1 foi para a tão aguardada pausa no verão europeu. Agosto será um mês de análises, muitas notícias de bastidores, especulações e, muito provavelmente, anúncios. Acredita-se que logo o futuro de Lewis Hamilton e Felipe Massa será definido em breve. Acho que Lewis fica na McLaren, enquanto paira uma enorme dúvida sobre o brasileiro da Ferrari. A sequência de Bruno Senna na Williams também é uma incógnita, ainda mais porque o nome de Valtteri Bottas ganha cada vez mais força dentro de Grove.

E já que estamos falando de Williams, é inevitável salientar o enorme salto de qualidade da equipe em relação à temporada passada. Como Pastor Maldonado me disse durante entrevista lá em Interlagos no ano passado, não havia como o substituto do FW33 ser pior. De fato. O próprio venezuelano e Senna mostraram isso na pista, e a Williams soma 53 pontos em 11 etapas, contra míseros cinco de 2010.

Antes de seguir, cabe um parêntese. Lembro que no começo da temporada a dupla Senna-Maldonado era considerada jovem e inexperiente demais para correr pela Williams e, principalmente, para desenvolver o novo FW34. De certa forma, as previsões estavam bem equivocadas, já que o carro desse ano é mesmo muito bom. Sigamos.

Williams precisa chamar atenção de Maldonado para fazê-lo voltar a andar bem (Foto: Williams)

A maior parte desses pontos foi conquistada por Maldonado. O ‘placar’ aponta 29 x 24 a favor do pupilo de Hugo Chávez em relação a Senna. Mas aí cabe uma reflexão. Sem olhar tanto para os números, que são frios, não dá pra falar que Bruno está fazendo temporada pior que seu companheiro de equipe. Vou tentar explicar meu ponto de vista.

Entendo que Maldonado e Senna se equivalem, ambos têm o mesmo nível. Contudo, Pastor é mais agressivo, enquanto o primeiro-sobrinho tem adotado postura mais conservadora. No começo do campeonato, o venezuelano até despontou como o grande showman. Duelou com Fernando Alonso pelo quinto lugar no GP da Austrália, bateu, mas deixou seu recado. Senninha, por sua vez, não aparecia com o mesmo brilho do parceiro sul-americano.

Mas em termos de resultados na sequência do Mundial, Bruno vinha melhor, com 14 pontos após quatro etapas, contra apenas quatro de Pastor. Até que veio o GP da Espanha, onde o venezuelano conquistou uma vitória tão épica quanto inesperada. A surpresa maior foi pela pilotagem tranquila em Barcelona, suportando com maestria os ataques de Fernando Alonso. Naquele 13 de maio a Williams quebrava o jejum de quase oito anos sem vitórias, Maldonado fazia história e colocava Senna sob pressão.

Foi o ápice de Pastor na temporada e, talvez, na carreira. É óbvio que ele pode vencer novamente: talento não lhe falta, velocidade idem, mas é fato que Maldonado precisa domar essa agressividade toda, sob pena de ser marcado muito mais pelos erros do que pela vitória em Montmeló. Desde então, sua temporada tem sido permeada por punições — já foram seis em 2012 —, manobras polêmicas e, principalmente, pelo jejum de pontos e boas corridas.

Senna, em contrapartida, ressurgiu no campeonato e mostra que, diante daquilo que a Williams pode fazer, tem feito bom trabalho. Desde a vitória de Pastor na Espanha, Bruno pontuou em quatro das seis últimas corridas e exibiu talvez sua melhor performance no ano em Hungaroring, neste fim de semana, indo ao Q3 pela primeira vez em 2012, segurando no braço Mark Webber para ter seu melhor resultado desde o sexto lugar do GP da Malásia.

Senna está em melhor fase, mas nem de longe está garantido para 2013 na Williams (Foto: Williams)

Discretamente, alternando corridas de altos e baixos, Senna faz o que é possível com o carro que tem. Mas Maldonado, nem isso. Na minha opinião, mesmo com a — injusta — punição ao piloto no último domingo, na Hungria, acho que falta uma ‘chamada de atenção’ por parte da Williams. Como Pastor é indiretamente o dono da grana que banca a maior parte do orçamento do time de Grove, fica a impressão de que, para a Williams, está tudo bem assim, mas é fato que Maldonado pode e deve fazer muito mais. Nem mesmo com a carroça do ano passado o sul-americano enfrentou fase tão ruim quanto agora. Depois de ir ao topo da F1, Pastor vem em queda livre em termos de rendimento.

O quadro atual da Williams é um pouco esquisito quando se trata da sua dupla de pilotos para o ano que vem. Hoje é o inconsistente venezuelano quem está em baixa, mas tem a segurança de que seguirá em 2013 — por conta do contrato da PDVSA com a equipe britânica. Por sua vez, Senna está em ascensão, mas ao mesmo tempo não tem nenhuma garantia de que vai renovar seu vínculo com Grove.

Talvez o grande azar de Bruno tenha sido justamente a chegada das férias, que dá uma ‘quebrada’ no bom momento por ele vivido. Certamente que a partir de Spa-Francorchamps, cada corrida será decisiva para sua permanência na Williams em 2013. Em alta, Senna luta pela sobrevivência na F1. Em baixa, Maldonado luta para mostrar ao mundo que aquela vitória em Barcelona não foi mera obra do acaso. Para ambos, a missão é duríssima. Veremos a partir de setembro quem leva a melhor.

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Portas abertas

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Post curto porque o tempo é igualmente escasso. E não é que a Red Bull, depois de muito falar que conversaria com Mark Webber sobre seu futuro em agosto, durante as férias de verão, renovou seu contrato? Não foi uma surpresa, visto o belo desempenho que o australiano tem conseguido neste ano, andando até melhor que Sebastian Vettel e sendo um dos destaques da temporada. Vale lembrar que a Red Bull foi a primeira equipe a definir a sua dupla de pilotos para 2013, o que é sempre importante.

No meio das declarações comemorando e comentando a renovação de contrato com a “grande família” Red Bull, Webber disse algo importante: que, confirmando os rumores, conversou com a Ferrari, sim, mas que preferiu ficar onde está, até pelo fato de conhecer todo mundo e tal. E é aí onde entra o X da questão. Como fica a cabeça de Felipe Massa ao saber que sua equipe negociou com outro piloto para ocupar sua vaga no ano que vem?

Renovação de Webber com Red Bull pode ajudar Felipe a seguir em Maranello (Foto: Ferrari)

À parte disso tudo, aumentam muito as chances de Felipe seguir o caminho de Webber e renovar com a Ferrari pelo menos por mais um ano. O brasileiro tem potencial de sobra e mostrou, no GP da Inglaterra, que ainda é forte, combativo e tem muita lenha para queimar. Depois do bom quarto lugar em Silverstone, Massa ganhou ainda mais confiança, ainda mais porque sabe que só depende dele e dos resultados das próximas corridas a sua permanência em Maranello.

Stefano Domenicali disse que a Ferrari não tem pressa para definir o parceiro de Fernando Alonso para 2013. Muito provavelmente a cúpula do time italiano espera que Felipe repita, nas próximas etapas, o que fez em Silverstone. Se isso acontecer, é improvável que a Scuderia opte por outro piloto.

‘Checo’ Pérez parece ser carta fora do baralho, pelo menos para 2013. O próprio poderoso chefão Luca di Montezemolo já disse que o mexicano, embora seja bastante talentoso, ainda é verde para ocupar uma vaga de titular em Maranello. Aí, com Webber como grande ameaça ao seu lugar em 2013 com futuro já garantido, não parece haver nenhum outro piloto que possa colocar sua posição em xeque. Ou há?

Paul di Resta parece ser mesmo o homem para o futuro da Mercedes, já que vem sendo forjado pelo time alemão há muito tempo. No último domingo, Alonso e Lewis Hamilton trocaram capacetes, indicando que aquela ferrenha e histórica rivalidade de 2007, dos tempos de McLaren, ficou mesmo no passado. Mas daí ao espanhol aceitar dividir os boxes de uma equipe com Lewis, em seu último ano de contrato com Woking, vai um caminho enorme. Kamui Kobayashi seria um baita nome, mas quase impossível de ver o mito desembarcar em Maranello. Então tudo aponta mesmo para a permanência de Massa na Ferrari.

O leitor também acredita que Felipe vai ficar na Ferrari na próxima temporada? Opine!

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A primeira vitória de uma nova era

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Escrevo este post aqui da gloriosa Sumaré, mas, há quase uma semana, estava eu no briefing de apresentação do roteiro do Rali dos Sertões, onde estará o Grande Prêmio, o BloGP e este que vos escreve a partir de 16 de agosto. Após Du Sachs explicar com detalhes o trajeto da 20ª edição de um dos maiores ralis do mundo, fiz uma entrevista com Maurício Neves. Trata-se do lendário piloto que já alcançou, dentre tantos feitos, três Brasileiros cross-country (na T1), o Rali dos Sertões em 2007 e a participação no Sertões de 2009 e no Dakar de 2010 como piloto oficial da Volkswagen, correndo com o espetacular Race Touareg.

Mas, no papo que tive com Neves, abordei principalmente o XRC, o novo projeto para o rali de velocidade no Brasil. O Xtreme Rally Car vem sendo desenvolvido desde o ano passado para oferecer aos ralizeiros um carro mais barato graças à sua concepção. Trata-se de um bólido híbrido partindo de um monobloco de série, motor de 330 cv movido a etanol e usando 75% de peças usadas nas linhas de produção. O veículo tem tração 4×4, câmbio sequencial de cinco marchas e pode alcançar 210 km/h. Tudo feito pela ProMacchina, uma das equipes mais importantes do rali brasileiro, que é liderada justamente por Neves, lá no Paraná.

Na entrevista, perguntei ao piloto e chefe da ProMacchina como estava o desenvolvimento do XRC, que fez a sua estreia oficial no Rali Internacional de Erechim, etapa válida também pelo Sul-americano de rali de velocidade. Neves falou sobre os problemas que teve lá no grande Rio Grande do Sul, mas disse que recebeu uma bela e inesperada notícia nos últimos dias.

XRC conquistou primeira vitória logo na segunda etapa do Brasileiro (Foto: Divulgação)

“Em Erechim, onde o XRC estreou, o carro já tinha uma boa quilometragem. Acabou que, como todo projeto novo, tivemos alguns pequenos problemas, tivemos quase 45 dias para trabalhar em cima disso, mas não eram problemas de projeto ou nada do tipo, mas defeitos de fabricação de peças, mesmo”, explicou.

“Nesse meio tempo, a gente teve de trabalhar não só na parte técnica, mas sim politicamente fora do rali, para a homologação do carro. E a gente conseguiu muito mais do que a gente imaginava. O carro vai ser homologado pela Codasur, e a partir do ano que vem, eles vão poder correr o Campeonato Sul-americano, junto com os Lancer, enfim. A intenção era que ele fosse homologado em nível Brasil, e no fim ele vai ser homologado pela Codasur. Isso está tudo em processo, e a gente continua desenvolvendo os carros”, disse o visionário Maurício.

O preparador e comandante da ProMacchina explicou que o XRC, na verdade, não fará um campeonato à parte, como fazem, por exemplo, a Mitsubishi Cup e a Copa Peugeot, mas sim estará em disputa junto com outras categorias no Campeonato Brasileiro e também no Sul-americano. “O XRC vai andar junto com o Brasileiro. Hoje ele está em uma categoria separada, junto com a Classe 2, pode andar outros carros na categoria, mas a intenção é que, assim que a gente tiver um número maior de carros, vamos começar um trabalho de promoção e cuidado em cima da categoria XRC. Assim que passarmos do número dos cinco carros, vamos tentar trabalhar a categoria como se faz com a Stock Car ou com outra categoria monomarca, tentando baixar os custos, aumentar a competitividade e aumentar o espetáculo para todo mundo.”

Prosseguindo no assunto, Neves falou sobre a expectativa para o fim de semana, mais precisamente para o Rali de Passo Fundo, segunda etapa do Brasileiro de Velocidade e uma nova etapa no processo de desenvolvimento do XRC. “No fim de semana tem a segunda etapa, em Passo Fundo. Vamos para lá com dois carros: eu e o KZ [Morales], mais o Jean Pimentel e o Tiago Osternack, e espero não ter os mesmos problemas, pelo menos. Que sejam problemas novos, ou que não sejam. Mas estou muito empolgado com o projeto e vai dar tudo certo.”

E não é que deu certo mesmo? No último fim de semana, Neves, correndo ao lado de KZ Morales, venceu cinco das seis especiais da prova e faturou, logo na segunda participação, a vitória na classificação geral, terminando à frente até mesmo do 4×4 Turbo de Ulysses Bertholdo e Marcelo Dalmut. Pelo fato de o XRC ser um projeto ainda em estágio inicial, pelo menos em competições, é mesmo um resultado e tanto, e a comemoração é mais do que válida. Uma vitória maiúscula e histórica de uma nova era e de um projeto que já começou bem-sucedido no rali de velocidade do Brasil, mas ainda tem muito caminho para trilhar.

Voltando à entrevista, Neves falou exatamente sobre esse caminho para desenvolver o XRC e lembrou que, a maior dificuldade ainda é, disparado, a busca por maiores investimentos.

“A maior dificuldade para tocar o projeto é a falta de grana para investir. A ProMacchina não é uma empresa tão grande, então é uma luta, sempre. Às vezes eu deixo de fazer coisas minhas para investir. E acho que, em 12 anos de rali, é a primeira vez que eu acho que tenho muito mais para oferecer do que eu imaginava. Sempre fui pioneiro na construção dos carros, das Protons, trazendo o etanol de volta ao rali, e agora, trazendo o XRC, é um investimento alto. O desenvolvimento do automobilismo requer investimento.”

Neves explicou que, assim como nos últimos anos, vai estar no Rali dos Sertões em 2012 como chefe da ProMacchina, que vai levar quatro carros para o Norte-Nordeste em agosto. A intenção do experiente piloto e preparador é voltar a competir em 2013, desta vez, liderando outro projeto que tem tudo para ser tão vencedor quanto vem sendo o XRC no rali de velocidade.

“Volto no ano que vem com um projeto XRC cross-country, que é uma aposta minha, um projeto revolucionário, é um projeto que vai mudar o cenário do rali, mais uma vez. Carro para o nosso tipo de rali, não um carro que tenha a cara dos carros do Dakar. Nosso rali não se parece em nada com o Dakar, mas os nossos carros se parecem muito com os carros do Dakar. Então estou trabalhando nisso, e em 2013 eu estou de volta”, finalizou Maurício.

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Loeb, o mito

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

No último domingo, lá em Los Angeles, Sébastien Loeb deu mais um show de pilotagem. Sem tomar conhecimento dos rivais, venceu com sobras a prova do RallyCross e faturou a medalha de ouro no X Games 18 logo em sua estreia na competição. Ken Block, Tanner Foust… ninguém, absolutamente ninguém foi páreo para Seb, que só deu mais uma prova de que é um desses mitos que todos da nossa geração temos o privilégio de ver. Já escrevi aqui algumas vezes que a nossa geração é privilegiada por poder ver em ação verdadeiras lendas do esporte como o próprio Loeb, Valentino Rossi, Michael Schumacher, Fernando Alonso, Kelly Slater, entre tantos outros.

Também já escrevi algumas vezes que considero, dentre todos, pelo menos entre os que estão em atividade, que Loeb é disparado o melhor, à frente até de Alonso, sem aqui querer fazer qualquer comparação entre os estilos do rali e da F1. Mas lembro que certa vez, em uma entrevista, Kimi Räikkönen disse que era muito mais fácil bater Sebastian Vettel do que o xará Loeb. E de fato, o cara é praticamente imbatível. Enquanto Loeb estiver em atividade, todos os outros lutarão pelo segundo lugar, simples assim.

Atualmente, no esporte a motor, coloco Loeb, Alonso e Jorge Lorenzo no top-3. E para você, amigo leitor, Sébastien é o melhor de todos em atividade? Opine aqui!

E abaixo, curta a final do RallyCross nos X Games e veja porque Loeb é o mito e a lenda.

http://youtu.be/vwvCmYT6xJQ

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Quem sai?

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

O que antes era apenas mais uma bravata de Bernie Ecclestone ganhou força — e como ganhou — ao longo desta quinta-feira. Só se fala no tal GP de Londres, que não se sabe quando será, mas, a julgar pela repercussão e, principalmente, pelo maciço apoio do banco Santander, pode mesmo rolar já em 2013 — não é informação, mas um mero palpite desse humilde escriba. Dito isso, alguns pontos a discutir.

Considerando as eventuais entradas dos GPs de Londres e Nova Jersey no calendário do ano que vem, ainda que Bernie indique que o tal GP da América não deva acontecer em 2013, seriam aí 22 corridas na próxima temporada, sendo que o próprio Ecclestone já disse que o ideal é formatar um campeonato com 20 etapas. Dessa forma, e levando em conta também que a Espanha deve ter apenas uma prova — revezamento entre Barcelona e Valência — quem sairia?

Acredito que o GP da Coreia do Sul está com seus dias contados e entendo que 2012 deve ser a última vez da F1 por lá. Além de ser um evento deficitário, fato é que a corrida pelas bandas da distante Yeongam definitivamente não pegou. A China, por mais que seja uma etapa sem a presença maciça de público, deve permanecer, já que é um mercado importante. O Bahrein, sempre posto em xeque, também é um país estratégico, principalmente por ser a sede de várias empresas que investem na F1.

GP da Coreia do Sul: uma corrida eternamente em xeque (Foto: Caterham)

A Europa, sempre em crise, tem Spa-Francorchamps na alça de mira, que pode ser salvo graças a um eventual e tão falado revezamento com Paul Ricard, na França. Entretanto, o novo presidente François Hollande não parece tão disposto a investir na F1. Certo ele, já que há outras prioridades para um país que está no olho do furacão, com a crise ali ao lado — na Espanha.

Outro assunto que também merece discussão caso o tal GP de Londres e a corrida em Nova Jersey sejam oficializadas na F1 é o seguinte: cada vez mais os circuitos de rua estão tomando conta do calendário no lugar dos chamados ‘circuitos de verdade’, ou circuitos permanentes, como queira.

É legal que a F1 tenha um, dois, três circuitos de rua, por exemplo. Mais do que isso, na minha opinião, já é demais. Considerando Valência, haveria, além desta, os GPs de Mônaco, Cingapura, Rússia — a partir de 2014, em Sochi — e Nova Jersey. Sem contar com as pistas em parques, como Albert Park, em Melbourne, e o circuito Gilles Villeneuve, em Montreal, são cinco circuitos urbanos, 25% das pistas do Mundial. Na minha época era Mônaco, Adelaide e só.

Como já tô com meus 3.2, claro que gostaria de ver a F1 com mais circuitos permanentes, como nos velhos tempos. Algumas pistas fazem falta, como Estoril, Paul Ricard, Ímola, Hermanos Rodríguez, Zeltweg — ou Red Bull Ring —, Kyalami e Istambul. Pelo menos a entrada de Austin e seu Circuito das Américas ameniza um pouco isso. Pelo que eu vi nas simulações, é uma pista espetacular.

Em tempo: a tal ideia do GP de Londres é sensacional. Como o colega Renan do Couto escreveu em seu Por Fora dos Boxes, a Inglaterra talvez seja o único país digno de ter duas corridas de F1 em um único ano. E Londres, mesmo ainda não conhecendo, é uma baita cidade, espetacular, e seria um belíssimo cenário para uma corrida de carros, como as ruas de Buenos Aires foram para o Súper TC 2000 meses atrás.

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Coluna Power Stage, por Fernando Silva: O retorno da Toyota

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Os números são bastante relevantes: três títulos de pilotos, outros três de construtores e 43 vitórias no Mundial de Rali. Mesmo de fora do campeonato desde o fim de 1999, quando alegou a crise econômica para sair do WRC — mas anos depois começou a injetar rios de dinheiro, sem sucesso, diga-se, na F1 — a Toyota ainda é uma das grandes lendas da categoria. E 15 anos depois, o retorno está muito próximo. A palavra é do próprio presidente da Toyota Motorsport, Yoshiaki Kinoshita.

“Nossa meta final é o WRC. Esperamos estar prontos em 2014. O futuro é desconhecido, mas nós precisamos nos preparar para o projeto do rali. Negociamos muito com a FIA. Para voltar ao WRC, nós precisamos avançar várias etapas. Porque nós paramos em 1999 e depois a maioria das pessoas se foi e não há nenhum know-how dentro da empresa. O que precisamos é preparar os motores e homologar os chassis e assim adquirir conhecimento novamente. Então estaremos prontos. Acho que só podemos fazer um projeto neste momento”, disse o executivo durante uma entrevista coletiva a jornalistas australianos na sede europeia da montadora, em Colônia, na Alemanha, antiga base da equipe de F1.

Toyota pode voltar ao WRC em 2014 com o Yaris (Foto: Divulgação)

Muito da motivação da montadora para retornar ao Mundial de Rali tem a ver com o novo regulamento de motores adotado pela FIA para a categoria no ano passado, com o uso dos motores de 1,6 L. Desta forma, todos se viram obrigados a trazer modelos novos, com a Citroën trocando o C4 pelo DS3 e a Ford substituindo o parrudo Focus pelo Fiesta. A medida também motivou a entrada da Mini no ano passado com o John Cooper Works, e a Volkswagen, que fará sua estreia no ano que vem com o novíssimo Polo R, em fase constante de desenvolvimento. A Toyota, caso entre mesmo no WRC em 2014, deverá fazê-lo como Yaris, que deve ser adaptado, já que o modelo original não cumpre às dimensões obrigatórias estabelecidas pela FIA para o WRC.

Aí vale destacar o trabalho de Jean Todt. Mesmo tendo seu passado recente ligado à Ferrari e à F1, o baixinho tem um longo histórico no rali como navegador, entre 1966 e 1981. É graças a Todt que hoje o WRC conseguiu ter um pacote atraente e que vem atraindo as montadoras, proporcionando uma variação e uma dinâmica bastante distinta de, por exemplo, 2010, quando só Citroën e Ford estavam na luta pelo título. Falta, no entanto, a figura-chave de um promotor, um Bernie Ecclestone para a categoria.

Claro que não será como em 1982, quando nada menos que 18 montadoras estiveram presentes (como Audi, Opel, Nissan, Renault, Porsche, Mitsubishi, Lancia e até Ferrari) na temporada, mas ainda assim é bom saber que uma categoria do quilate do Mundial de Rali não seja monomarca (como é a Indy, no que tange aos chassis) ou protagonizado por poucas equipes, como era o WRC há poucos anos.

A Toyota não brinca em serviço, é bom lembrar. Acho que, com exceção do fracassado projeto F1, a montadora sempre teve um papel de destaque no automobilismo. Só nos tempos mais recentes, a fábrica esteve (ou está) presente na F3, Cart e IRL (como fornecedora de motores), Nascar e voltou com tudo ao Mundial Endurance, sendo que poderia, sim, ter vencido as 24 Horas de Le Mans neste ano com o inovador TS030 Hybrid.

Tudo aí esbarra na questão da restrição de custos, ainda mais com essa crise toda que agora chegou de vez à Europa. Mas dinheiro não parece faltar à Toyota, diga-se. E é animador ter a perspectiva de ter um Mundial com pelo menos cinco marcas fortes, como Citroën, Ford, Volkswagen, Toyota e Mini. E também vale lembrar que Sébastien Loeb tem contrato com a equipe francesa até o fim de 2013, então o Mundial do ano seguinte, sem aquilo que eu chamo de ‘dinastia Loeb’, poderá ter contornos imprevisíveis, tal qual a F1 neste ano.

Mas, obviamente, ainda é muito cedo para dizer qualquer coisa, embora seja mesmo o quadro seja bastante animador para um futuro próximo, não há dúvidas. Que venha 2014, o ano que, para a Toyota, pelo menos na figura do seu presidente, já começou.

Nas trilhas do Brasil

— Falta pouco: menos de dois meses para o começo do Rali dos Sertões, o maior do mundo disputado em um só país. A prova deste ano começará em São Luís, Maranhão, em 18 de agosto, e terminará dez dias depois, em Fortaleza. Acompanhe todo o noticiário aqui no Grande Prêmio. Estamos preparando uma cobertura especialíssima, começando já a partir da próxima semana. Fique ligado!

— Como prévia do Sertões, foi disputado em Barretos, a terra do rodeio no Brasil, o Rali Cuesta Off Road, válida pelo Brasileiro de Cross Country. Entre os carros, melhor para o duo Romeu Franciosi e Ivo Mayer. Na categoria Caminhões Leves, o trio Rafael Conde, Leandro Silva e José Papacena Neto venceu, enquanto nos pesos pesados venceu o experiente Guido Salvini, ao lado de Flávio Bisi e Fernando Chwaigert;

— Também no interior de São Paulo, mas em Jaguariúna, a Mitsubishi realizou mais uma etapa da Cup, a quarta de 2012. E na categoria principal, a L200 Triton RS, deu Marcos Baumgart/Kleber Cincea, que alcançaram 42 pontos, mesmo número de Marcos Cassol e Luis Felipe Eckel. Na L200 Triton ER Master deu Zé Hélio Rodrigues, aquele, que correu ao lado de Weidner Moreira. Cassol/Eckel lidera a Mitsubishi Cup 2012 na Triton RS, com 132 pontos;

— O mês de junho foi bastante movimentado no rali brasileiro. A Copa Peugeot realizou a sua segunda etapa na temporada em Poços de Caldas, sul de Minas Gerais. E na categoria principal, a 207 Super, venceu a dupla formada por Fabio Dall Agnol e seu navegador, Gabriel Morales. Luccas Arnone e Felipe Costa terminaram em segundo, mesma colocação na temporada;

— E não será em 2013 que o Brasil voltará a receber o Mundial de Rali. Isso porque a FIA decidiu manter as sedes do WRC para o próximo ano, com exceção da Austrália, que vai substituir a Nova Zelândia no rodízio já previsto para a Oceania.

Nas trilhas do mundo

— Junho foi um mês trágico para o rali mundial. Primeiro pela morte do jovem Gareth Roberts, de 24 anos, que não resistiu aos graves ferimentos sofridos na etapa de Targa Florio do IRC (Desafio Intercontinental de Rali), na Itália. O galês era navegador do experiente Craig Breen. A prova foi cancelada pela organização do IRC;

— Ainda pelo IRC, uma semana depois da tragédia que matou Roberts, Juho Hanninen venceu o Rali de Ypres, na Bélgica, correndo com um Skoda Fabia S2000. A liderança segue nas mãos de Andreas Mikkelsen, com 89 pontos, seis a mais que Jan Kopecky;

— Lucie Vauthier, de apenas 28 anos, também morreu neste trágico junho, também por conta de um acidente em um rali. A pilota francesa guiava um Citroën C2 no Rali Vins-Macon, etapa do campeonato francês. Lucie bateu em alta velocidade no muro. Removida para um hospital em Dijon, ficou internada por seis dias, mas não resistiu.

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Olho nos caras

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Postzinho rápido porque o tempo urge. Enquanto Sébastien Loeb ainda saboreava mais uma vitória no WRC, lá do outro lado do mundo, na Nova Zelândia, seu xará e ex-companheiro de equipe na Citroën, Sébastien Ogier, completava mais uma parte do programa de testes da Volkswagen com o Polo R na Finlândia, na última segunda-feira (25), visando o Mundial de Rali de 2013.

A Volkswagen não brinca em serviço, e a competente fábrica de Wolfsburgo já mostrou isso no Dakar, com a conquista de três títulos. E o pessoal vem fazendo a lição de casa direitinho, treinando a equipe sem pressão por resultados, com Ogier e Andreas Mikkelsen guiando o Skoda Fabia S2000 em algumas provas do Mundial.

Dizem que a Volkswagen não vai seguir com Mikkelsen, um dos destaques do IRC, para a disputa do Mundial a partir do ano que vem. Fala-se muito em Jari-Matti Latvala ou até em Petter Solberg, mas talvez o cara para completar essa dupla forte com Ogier seria Dani Sordo.

Se a Ford não se cuidar, vem aí a Volks como principal adversária da Citroën, por mais que a montadora anglo-americana tenha mais tradição no rali. A Mini perdeu muito do seu potencial neste ano depois de a Prodrive deixar de oferecer suporte à fábrica de propriedade da BMW.

Mas tá ficando interessante esse WRC. Ainda mais quando os fatos indicam que outra montadora pode pintar por lá a partir de 2014. Quem é? Leia a coluna Power Stage desta quinta-feira!

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O policial “mal amado”

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Lembro como se fosse hoje. Há quase dois anos, ainda escrevendo minhas primeiras letras para o Grande Prêmio, noticiei um fato inusitado. Paulo Nobre, o lendário Palmeirinha, e Edu Paula, disputavam o Rali da Nova Zelândia. À época, a dupla brasileira corria com um Mitsubishi Lancer na P-WRC, divisão do Mundial de Rali para carros de produção. Seria só mais uma etapa na carreira de ambos não fosse pelo fato de que os competidores foram abordados por um policial por conta, veja só, de excesso de velocidade em um trecho de deslocamento.

Dois anos depois, as lembranças daquele episódio ainda estão bem vivas para Palmeirinha. Tanto é que o piloto palmeirense não deixou por menos e descreveu com todas as letras tudo o que aconteceu em 2010 nas cercanias de Auckland. Conhecido por ser um cara sem papas na língua, o piloto, que eternizou termos como ‘corintianada’ e ‘pé no porão’, entre tantos outros, disparou contra o policial que enquadrou a dupla lá do outro lado do mundo.

“Infelizmente, tivemos um problema com um policial imbecil, obtuso, limitado e mal amado. Ele acabou destruindo nossa prova e o nosso ânimo de continuar na disputa, logo no primeiro dia de rali. De forma alguma achamos que, porque estamos correndo rali, podemos sair por aí desrespeitando as leis de trânsito ou pondo em risco os carros das pessoas locais, mas o absurdo que aconteceu há dois anos dá raiva só de lembrar”, bradou o piloto e ex-candidato à presidência do Palmeiras, Nobre.

Palmeirinha se lembra de cada detalhe do que viveu na Nova Zelândia há dois anos. “Na verdade a organização de prova foi a grande responsável pelo início do problema, que findou com o policial nos tirando fora do primeiro dia de prova! No reabastecimento só uma das três bombas de combustível estava funcionando e assim formou a maior fila de carros. Quando finalmente abastecemos, já estávamos no nosso horário de controle para a largada da especial seguinte. Não havia ninguém da organização lá para nos orientar.”

“Nós saímos do reabastecimento, que estava locado em um lugar afastado e deserto e entramos em uma estrada secundária. Era uma reta de uns 5km sem, absolutamente, nenhum carro. Acelerei o Mitsubishi Lancer com o qual eu corria na época e cheguei a ‘impressionante’ velocidade de 126km/h. Ao me aproximar de uma autoestrada, diminuí e entrei, porém, um policia me seguiu, me parou e me enrolou de forma ridícula por pouco mais de uma hora. Isso nos impedindo de continuar na prova. E pior, o imbecil nem me multou. Ele me deu uma notificação por direção perigosa e me mandou ir à corte, pois naquela estrada deserta o limite era 70km/h! Foi ridículo!”

“Mas para piorar, ao chegarmos ao apoio mecânico, crentes que teríamos a organização ao nosso lado, tomamos outra invertida. Eles ainda nos aplicaram outra multa, o que, na época, nos revoltou. Diante disso, fomos falar com o diretor de prova e dissemos a ele que a organização tinha culpa em tudo isso, pois foi uma falha dela que ocasionou o problema. Nós Dissemos que abandonaríamos a prova. Então, ele intercedeu por nós junto à polícia e fomos liberados. Mas tudo isso são águas passadas e um rali maravilhoso como esse não pode ser manchado por causa de um estúpido de um kiwi quadrupede policial!”, desabafou o piloto.

O rali tem dessas coisas, vez em quando. É um esporte que tem suas regras e, muitas vezes, também tem de seguir as normas de segurança de cada localidade por onde passa, já que geralmente os trechos de deslocamento cruzam cidades e vilas, às vezes até passando pelo perímetro urbano. No Brasil, mesmo, há a obrigatoriedade de o carro ser emplacado para poder transitar sem restrições. No caso do Palmeirinha na Nova Zelândia, sinceramente achei que faltou bom senso do policial, já que era uma situação em que o piloto não colocou ninguém em risco. Dois anos depois, tudo certo agora. Palmeirinha e Edu Paula seguem no WRC, agora correndo com Mini, então muita coisa mudou desde 2010. E que, dessa vez, seja uma jornada sem sobressaltos na Nova Zelândia.

E é sempre bom relembrar: vida longa ao rali, sempre!

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Não é a mamãe!

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Em um dia morno no noticiário do esporte a motor, um fato chamou a atenção. No Momento Ego desta quarta-feira, o BloGP conta que a deusa Tamara Ecclestone não vai ao casamento do pai, o chefão da F1, Bernie, com a brasileira Fabiana Flosi. Tamara justifica sua ausência da cerimônia, ainda sem data marcada, pela sua lealdade à mãe, Slavica Radic, ex-modelo croata que protagonizou um divórcio polêmico e bilionário com o dirigente, em 2009.

Bernie, de 81 anos, e Fabiana, advogada brasileira de 36, se conheceram no GP do Brasil de 2009 e estão juntos há dois anos. O octogenário se mostrou empolgado com a nova união e mudou seu objetivo de vida. Depois de enfrentar o divórcio com Slavica, Ecclestone declarou que não queria mais saber de casamento e só pensava em trabalho, trabalho e trabalho. Mas aí apareceu Fabiana e tudo mudou.

Sem o apoio da filha Tamara, Bernie vai se casar com a brasileira Fabiana (Foto: Divulgação)

 

Mas Tamara, a filha mais velha de Bernie com Slavica, não acredita no futuro do casamento do seu pai com a brasileira. Em entrevista à revista ‘Heat’, a bela modelo justificou a sua ausência da cerimônia de núpcias do velho Ecclestone.

“Não vou ao casamento do meu pai. Sou muito fiel à minha mãe e estou um pouco surpresa por meu pai se casar. Mas quero que ele seja feliz, e ele é”, disse Tamara, que continuou. “Meu pai até me convidou. Estou certa que será um breve affair, acho que não vou [ao casamento].”

Com 27 anos, Tamara disse que não tem nada contra a futura madrasta, mas revelou ter uma relação distante com Fabiana e disse que é difícil ver outra mulher ocupando o lugar que foi sua esposa desde 1985. “Eu realmente não a conheço. Ela não é uma madrasta malvada, mas é difícil porque eu tinha 25 anos quando meus pais se divorciaram. É muito difícil acolher alguém com os braços abertos”, revelou a socialite.

Tamara prefere não ir ao casamento do pai por lealdade à mãe, Slavica

Pelo que disse Tamara ao diário ‘The Sun’, Bernie jamais fez questão que as filhas tivessem muito contato com sua futura esposa. A filha do chefão da F1 contou que só soube do envolvimento do pai com a brasileira por meio da internet. “Fiquei muito surpresa. Ele parecia uma pessoa racional e essa foi a coisa mais irracional que ele já fez”, disse uma magoada Tamara. “Meu primeiro pensamento foi em minha mãe. Ela não conheceu ninguém desde que se divorciou”, lembrou a primeira filha da F1.

De uma forma ou de outra, Bernie é um dos grandes nomes da F1, seja no paddock, seja nos bastidores, seja até em sua vida pessoal. O sucesso em torno de sua biografia ‘No Angel’, batizada no Brasil de ‘Não sou um anjo’ (que ainda não li, mas dizem que vale a pena), recheadas de relatos polêmicos, principalmente em torno da relação com Slavica, mostra que é impossível, atualmente, pensar em um substituto. Amado ou odiado, Ecclestone, de aparência frágil mas um leão nos negócios e responsável por tornar a F1 um dos esportes mais lucrativos do mundo, é daqueles personagens que marcam época e que são, praticamente, insubstituíveis.

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A lenda em Mônaco

FERNANDO SILVA [Fernando_Silva7]
de Sumaré


Coisa breve, porque o fim de semana é corrido e promete. Segue um vídeo divulgado pelo Alex Wurz no Twitter e recomendado pelo Bruno Mantovani. Isso tudo é Mônaco, há mais de 50 anos, na visão de Juan Manuel Fangio, a lenda das lendas da F1. Espetacular!

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O X da questão

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

O começo da temporada 2012 da F1 foi marcado por fatos interessantes. Primeiro, claro, o equilíbrio entre as equipes e também a imprevisibilidade. Alguns acontecimentos marcaram época: o melhor resultado da história da Sauber graças ao segundo lugar de Sergio Pérez na Malásia, ou mesmo a vitória de Nico Rosberg no GP da China, a primeira de um carro da Mercedes em quase 57 anos, desde os tempos de Fangio. Já no Bahrein, o êxito de Sebastian Vettel fez com que a F1 visse quatro vencedores de quatro equipes diferentes nas quatro primeiras corridas do ano pela primeira vez desde 1983.

Com a Lotus em alta, Räikkönen é um dos favoritos à vitória em Montmeló (Foto: Lotus F1)

Pela ordem, venceu a McLaren na Austrália, Ferrari na Malásia, Mercedes na China e Red Bull em Sakhir. Mas é a Lotus quem surge como a grande favorita à vitória no GP da Espanha, em Barcelona, neste fim de semana. O E20 vem se mostrando o carro mais equilibrado do grid e seu desempenho nos treinos coletivos de Mugello, na semana passada, credencia a equipe de Kimi Räikkönen e Romain Grosjean como favorita à conquista em Montmeló.

E é aí que começa o X da questão, como já diria Zeca Pagodinho. Teoricamente, se a Lotus vencer em Barcelona no domingo, será a primeira conquista da equipe em 25 anos, desde quando Ayrton Senna celebrou a vitória no GP dos Estados Unidos, quando a corrida era disputado em Detroit, com o carro amarelo patrocinado pela Camel, certo? Sim e não. Há muitas controvérsias quanto a este assunto.

O fato é que nem a própria Lotus, autobatizada de Lotus F1 Team, se considera uma herança e uma sequência do legado da equipe fundada pelo mitológico Colin Chapman. Ao contrário. São nulas as referências ao lendário dirigente britânico. Fuçando na página oficial da equipe, encontrei um link com o começo da história deles. E essa história não começa no GP de Mônaco de 1958, quando ‘aquela’ Lotus, a verdadeira, estreou com Graham Hill e Cliff Allison.

A julgar pelo que existe no site da Lotus F1 Team quanto à sua história , a equipe, de acordo com seus dirigentes, se considera a quarta geração iniciada em 1981, quando estreou a Toleman e quando já existia a Lotus, à época, comandada nas pistas por Nigel Mansell e Elio de Angelis.

A Toleman, marcada, claro, por ser a equipe pela qual Ayrton Senna estreou na F1, foi comprada pela Benetton em 1986. Ao fim da temporada de 2001 e depois de dois títulos mundiais de Pilotos, ambos com Michael Schumacher, e um de Construtores, a Benetton foi adquirida pela Renault, que voltou com tudo à F1. Foram mais quatro títulos: dois de Construtores e dois de Pilotos, pelas mãos de Fernando Alonso. Até que, oficialmente neste ano, a Renault deu lugar à Lotus. Que não se assume como aquela Lotus do Chapman.

Hoje mesmo, durante a minha folga, estava lendo algumas coisas no Facebook e tal, e vi um destaque que a Lotus colocou na rede, lembrando a dobradinha que a Benetton, da segunda geração, completou no GP da Espanha de 1995, quando colocou Michael Schumacher na ponta e Johnny Herbert em segundo em Barcelona. Mais uma referência à geração Toleman-Benetton-Renault-Lotus. Até mesmo no site da F1 as referências históricas à atual Lotus são relacionadas com a Renault e Benetton, por exemplo.

Dessa forma, caso Räikkönen ou Grosjean vença em Barcelona no domingo, será a primeira vitória de uma nova história de uma quarta geração de equipes, por mais que às vezes os nomes nos façam entender que essa Lotus preta e dourada é a sequência daquela de Chapman e representada por mitos como Mansell, Senna, Nelson Piquet, entre tantos. Então, na prática, caso essa vitória da Lotus aconteça no domingo, nada terá, com exceção do nome da equipe, nada a ver com a vitória de Senna em Detroit. Se for, será uma vitória da Lotus. Mas não ‘daquela’ Lotus.

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Barrichello no Mackenzie

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Postzinho rápido sobre Rubens Barrichello. Antes de voltar para os Estados Unidos neste mês, quando vai guiar pela primeira vez em um circuito oval, tanto em Forth Worth, no Texas, quanto em Indianápolis, Rubens estará no Mackenzie. Não na condição de aluno, mas como palestrante. Explico.

Antes de voltar aos Estados Unidos, Barrichello dá palestra no Mackenzie (Foto: DAEG/Mackenzie)

O atual piloto da KV e dono do maior número de largadas na história da F1, com 323 GPs no currículo, vai palestrar para os estudantes no Auditório Ruy Barbosa, na próxima quinta-feira (3), às 20h. O tema? Motivação, liderança e competitividade. O evento é organizado pelo Diretório Acadêmico Eugênio Gudin.

Barrichello já é um veterano das palestras motivacionais. Sempre focando em assuntos como liderança e evolução contínua, o paulistano, que completará 40 anos no próximo dia 23, já fez palestras até mesmo para funcionários da Williams, sua última equipe na F1.

Os estudantes presentes à palestra da próxima quinta-feira vão concorrer a uma participação em uma corrida de kart na Granja Viana, em Cotia, Grande São Paulo. Como diria Victor Martins, informei.

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Histórico

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva]
de Sumaré

Em sua página oficial no Facebook, na noite de sexta-feira, Nelson Piquet divulgou um vídeo simplesmente histórico, e por que não dizer, lendário. No dia 30 de março, data em que celebrou os 32 anos de sua primeira vitória na F1 — o GP dos Estados Unidos (Oeste) de 1980 —, o tricampeão mundial postou a íntegra da conquista em Long Beach, tradicional circuito de rua norte-americano, na Califórnia, e que hoje sedia uma das mas especiais etapas da temporada da Indy.

O vídeo é histórico sob vários aspectos: primeiro, claro, pela primeira de 23 vitórias da carreira de Nelsão na F1, abrindo assim uma das carreiras mais vitoriosas de um piloto na F1. Depois, Emerson Fittipaldi fez corrida épica depois de ter largado em 24º e último lugar e terminou na terceira colocação, subindo ao pódio pela última vez na categoria.

Outro detalhe, claro que bem menos importante que os citados acima, mas não menos curioso, é o fato de que a narração da corrida no vídeo foi de Galvão Bueno, mas exibida pela TV Bandeirantes, que transmitiu a temporada da F1 em 1980 — um ano depois, a categoria voltou a ser exibida pela Globo, talvez por conta do sucesso de Piquet. O narrador teve ao seu lado o comentarista Gil Ferreira em uma transmissão de mais de duas horas.

Tá aí uma oportunidade de relembrar um momento histórico, para quem teve a chance de ver e viver aqueles momentos todos. Eu, particularmente, tinha apenas 18 dias de vida quando Piquet venceu a primeira de tantas outras na F1, então o registro é ainda mais importante. Vale a pena demais assistir cada segundo deste vídeo lendário!

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Nasce uma estrela

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Depois do que o mundo viu no último GP da Malásia, corrida que apenas confirmou que Fernando Alonso é o melhor piloto em atividade da F1, eu me atrevo a dizer que a categoria ganhou definitivamente uma nova estrela. Sergio ‘Checo’ Pérez fez até chover em Sepang, e ainda que o erro cometido lá na volta 50 tivesse lhe tirado a chance de uma vitória espetacular, o moço de Guadalajara (como diria o saudoso Fiori Gigliotii) foi alçado a um patamar superior depois de ter finalizado a caótica e encharcada prova malaia em segundo.

De uma só vez, Checo fez história ao dar à Sauber seu melhor resultado em toda sua vida na F1 — excetuando aí, claro, os anos de BMW, entre 2006 e 2009 —, e também ao colocar novamente a bandeira mexicana em um pódio da categoria após mais de quatro décadas. Incrível, mesmo!

Guardadas às devidas proporções, o feito histórico de Checo Pérez em Sepang, no último domingo (25), remete a dois outros momentos memoráveis na história na F1, até pelas condições bastante semelhantes entre si: Ayrton Senna no GP de Mônaco de 1984, e Sebastian Vettel no épico GP da Itália de 2008.

Senna era um estreante naquela temporada e fazia, no Principado, apenas sua sexta corrida na F1. O GP de Mônaco de 1984 foi disputado naquele dilúvio todo, e Ayrton fez história passando meio mundo após ter largado em 13º com um carro notoriamente limitado, o Toleman-Hart TG184, até chegar em Alain Prost, da McLaren. Fatalmente o ‘Professor’ seria ultrapassado pelo então novato brasileiro, mas foi salvo pelo diretor de prova, Jacky Ickx, que decidiu encerrar prematuramente a corrida, ainda na volta 31, por conta da forte chuva, pelo menos em teoria.

Resultado: ao invés dos tradicionais nove pontos, Prost somou só 4,5, já que a corrida fora interrompida antes do percurso total de 75%. Fato que, indiretamente, contribuiu para a perda do seu título mundial meses mais tarde. Por outro lado, pode-se dizer que Ayrton saiu muito mais no lucro, já que deixava de ser apenas mais um aspirante para se consolidar como a estrela ascendente daquela geração composta por tanta gente boa. Foi também o melhor resultado da Toleman em sua história de apenas cinco temporadas. A equipe britânica depois virou Benetton, Renault, e hoje está em sua quarta geração, agora como a nova Lotus.

24 anos depois de Senna ter mostrado ao mundo que era um piloto especial, Monza foi cenário para uma das exibições mais incríveis que já vi. Lembro como se fosse hoje ao assistir Vettel assombrar o mundo ao levar a Toro Rosso à pole do GP da Itália sem sequer tomar conhecimento dos adversários e debaixo de um temporal poucas vezes visto naquele circuito mítico. Naquele ano de 2008, Seb fazia sua primeira temporada completa na F1 e tinha como companheiro o não menos promissor Sébastien Bourdais, que havia sido contratado pelo time de Faenza depois de ganhar tudo na Champ Car. O francês foi tão bem quanto Vettel na classificação, colocando o segundo carro da Toro Rosso no quarto lugar do grid.

A forte chuva permaneceu naquele domingo em Monza. Bourdais deu muito azar, deixou o motor morrer antes da volta de apresentação e colocou ali ponto final na maior chance que teve de fazer algo de bom na F1. Vettel, apesar de seus meros 21 anos, dois meses e 11 dias, superou a desconfiança de muitos que até apostavam em um erro daquele guri ainda inexperiente e, novamente debaixo de um temporal, deixou todos os favoritos para trás, guiou com maestria e se tornou o mais jovem piloto da história a vencer uma corrida na categoria. De quebra, o tedesco deu à Toro Rosso seu maior resultado na história, fato que nunca mais esteve sequer perto de ser repetido. Se antes Vettel já pintava como um piloto de grande futuro, o fato é que Monza viu nascer em 2008 uma estrela que brilha até hoje — se bem que nas últimas provas esse brilho esteja um tanto ofuscado.

Checo escreveu uma das páginas mais especiais de sua carreira e de tua vida no domingo. Rotulado como piloto pagante quando fez sua estreia na F1, ainda no ano passado, o jovem mexicano acabou de uma vez por todas com essa balela ao se posicionar definitivamente entre os grandes da categoria. Muitos outros pilotos no grid, com carros muito superiores ao Sauber C31 e com notória capacidade de guiar no molhado — como Lewis Hamilton e o próprio Vettel —, sequer chegaram a ameaçar Pérez, que só não conseguiu superar o iluminado e santo milagreiro Alonso. Fruto de estratégia competente e de uma pilotagem bastante consistente e arrojada: talvez esse arrojo tenha contribuído para o erro cometido em um momento crucial. Mas ainda acho melhor ter na pista um piloto que não tenha medo de lutar pela vitória, assumindo os riscos necessários para isso.

Claro que não se trata de nenhuma comparação entre o mexicano e os dois campeões mundiais citados acima, mas ao mesmo tempo em que há várias variáveis entre as situações em questão, também há muita coisa em comum nos feitos históricos mencionados.

Tive a oportunidade de entrevistar Pérez no fim de semana do GP do Brasil, no ano passado. O piloto da Sauber se mostrou bastante receptivo e solícito com os jornalistas em seu redor, demonstrou bom humor e fazendo questão de elogiar a beleza da mulher brasileira. Falando sério, Checo sempre se mostrou consciente de que está em um processo crescente de aprendizagem, que se sente muito feliz na Sauber e frisou que tem ótimo relacionamento com o mítico Kamui Kobayashi. Sempre que era questionado sobre um eventual futuro na Ferrari, Sergio falava com serenidade, sem se empolgar demais com a possibilidade de representar a equipe de Maranello. Pé no chão total.

E tudo indica mesmo que, mais cedo ou mais tarde, Pérez repetirá o feito dos lendários ‘Hermanos Rodríguez’, Pedro e Ricardo, e represente a Ferrari. Ligado a Maranello pela Academia de Jovens Pilotos, Checo parece cada vez mais talhado para ser o substituto ideal de Felipe Massa, que só deve mesmo seguir na equipe italiana se muita coisa mudar em relação a este começo de temporada. Pérez é o número que a Ferrari quer calçar: piloto jovem, rápido, com grande capacidade de desenvolvimento e de trabalho em equipe. Sabe conviver com um companheiro de equipe competitivo, e muitas vezes, até conseguiu superá-lo, como tem sido na própria Sauber, com Kobayashi, ou mesmo na GP2, quando foi muito melhor que os veteranos Edoardo Mortara, em 2009, e Giedo van der Garde, no ano seguinte.

Para o bem e renovação da F1, que brilhe cada vez mais a estrela de Checo Pérez, o moço de Guadalajara.

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Arriba, México

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Sair de um frio de aproximadamente -10ºC da Suécia para o caliente México, atualmente com temperaturas variando entre 30ºC na cidade de León, sede da terceira etapa do Mundial de Rali, que acontece nesta semana. Essa foi a missão de Mikko Hirvonen. Acostumado com a neve, o finlandês até que se adaptou bem ao calor do país latino-americano. Tá aí o vídeo — produzido pela Citroën — que não deixa mentir.

O México é simplesmente demais!

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O duro caminho das mulheres na Europa e a alternativa norte-americana


FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Vicky Piria

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, chamou a atenção duas notícias relacionadas à F1. A primeira delas: Christian Horner, chefe de equipe da Red Bull, acredita que haverá uma mulher no grid da F1 em no máximo uma década. Horas mais tarde, María de Villota, filha do ex-piloto Emilio de Villota, foi anunciada como a nova test-driver da Marussia para 2012.

Para que a previsão de Horner se concretize, é preciso haver uma mudança na filosofia do automobilismo europeu, base da F1. Oficialmente, apenas cinco mulheres já guiaram um carro da categoria: Maria Teresa de Filippis, Lella Lombardi — única a marcar um ponto —, Divina Galica, Desiré Wilson e Giovanna Amati, a última delas, há duas décadas.

Talvez uma década seja um espaço de tempo muito curto para uma mudança tão grande de postura e aceitação da mulher em um esporte tão fechado. A situação é muito diferente, por exemplo, nos Estados Unidos.

O número de pilotas (diga-se de passagem, a expressão ‘pilota’ é correta, por mais estranho que possa parecer) na América é crescente e atrai competidoras da Europa, sem espaço para desenvolver suas respectivas carreiras no ‘Velho Mundo’. Bia Figueiredo e Sabrina Kuronuma são exemplos de brasileiras que tentam construir a carreira em solo norte-americano.

Sem contar o sucesso de Danica Patrick e a competência exibida ao longo dos últimos anos por Lyn St. James, Sarah Fisher e Simona de Silvestro, por exemplo. Algumas não mandaram tão bem, é verdade, como Milka Duno, mas outras têm condições de mostrar talento e nada devem a muitos pilotos de lá, caso de Katherine Legge. Então dá para concluir que para uma mulher vencer no automobilismo, os Estados Unidos são o melhor caminho, e talvez, o único.

Em outra frente, María de Villota tenta quebrar essa escrita do automobilismo europeu, mais conservador. A Marussia ganhou mídia e virou notícia no mundo inteiro ao anunciar a contratação da pilota espanhola, que há tempos vem tentando um lugar na F1. Com exceção dos testes de Abu Dhabi, dificilmente María vai ter condições de ter alguma grande experiência pela equipe russa, mas isso deve ajudá-la a entender como funciona o ambiente da categoria.

María teve carreira apenas discreta por onde passou — F3 Espanhola, WTCC, F-Superliga por exemplo — e não deve ter condições de fazer muita coisa como test-driver. Talvez, caso De Villota queira mesmo se desenvolver como pilota, os Estados Unidos parecem ser o rumo mais lógico, já que dinheiro parece não faltar a ela.

Enquanto María de Villota tenta dar um passo decisivo em sua carreira como pilota, lá na base, Vicky Piria começa a trilhar seu caminho no automobilismo. Se fosse só em termos de beleza, ela já seria campeã mundial, fácil fácil. Mas comentários elogiosos à parte, é preciso de resultados e oportunidades para a construção de uma carreira sólida. Esse é o desafio de Piria, esse é o desafio das meninas que tentam o sucesso na F3 Espanhola: mostrar potencial para iniciar uma mudança de filosofia no automobilismo europeu e fazer valer a previsão de Horner.

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Fique de olho

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

O novo Sauber C31, horroroso na aparência (bico de ornitorrinco e a cor cinza escura no bico), está se mostrando um carro muito eficiente na pista. Claro que testes são apenas testes e não indicam muita coisa. Mas tanto Sergio Pérez no sábado quanto Kamui Kobayashi, este, na semana passada, conseguiram grandes marcas em Barcelona. Vale lembrar que a Sauber é, com exceção das equipes do G4, a única escuderia que manteve sua dupla de pilotos, que é ótima, jovem e promissora.

A própria Sauber já andou muito bem em testes de pré-temporada no passado e, quando o jogo foi pra valer, mostrou um desempenho apenas discreto. Nesta temporada, pelo menos em teoria, o desempenho da Sauber deve se aproximar da Force India e talvez, da Toro Rosso, reeditando o grupo que lutou para ser a sexta força da F1 no ano passado.

A realidade é que somente daqui a duas semanas, no fim de semana do GP da Austrália, é que todas as perguntas serão respondidas. Mas o fato é que a impressão inicial do C31 é bastante interessante. Vale a pena ficar de olho no que ‘Checo’ e Kamui podem fazer.

E na opinião do leitor, o novo carro da Sauber é um canhão suíço ou um cavalo paraguaio?

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O primeiro treino de Mansell na Indy e o sucesso na América

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Quase 20 anos depois, a Indy volta a contar com um vencedor de GPs na F1 em seu grid. A confirmação da ida de Rubens Barrichello para a KV trouxe muitas referências à estreia de Nigel Mansell no automobilismo norte-americano. O ‘Leão’ dominou como quis a F1 em 1992, aliando talento à supremacia do Williams FW 14, na minha opinião, o carro mais fantástico da história do esporte a motor.

Claro que o momento e a circunstâncias que envolveram as idas de Mansell, e 19 anos depois, de Barrichello para a Indy, foram totalmente distintas. O Red Five cruzou o Atlântico e assinou com a Newman/Haas, que era a grande equipe da categoria — ao lado da Penske — como substituto de Michael Andretti, que fazia o caminho inverso após assinar com a McLaren para ser companheiro de Ayrton Senna em 1993.

Lembro que Mansell estava no auge, mesmo com 38 anos. Só que Frank Williams jamais fez questão de mantê-lo na equipe depois da conquista do seu título, já Senna e Alain Prost almejavam a vaga do britânico. Melhor para o ‘Professor’, que adiou o sonho do brasileiro e assinou com a Williams e foi tetracampeão meses mais tarde.

Mas Nigel não foi menos feliz que Alain. O ‘Leão’ chegou à América com status de estrela e trouxe uma divulgação que talvez a Indy jamais teve antes. E tudo começou nesse vídeo abaixo, quando Mansell testou o Lola-Ford da Newman/Haas no circuito de Firebird, com o famoso cinco vermelho estampado no carro da tradicional equipe de Paul Newman e Carl Haas.

Aí veio o sucesso, quase que imediato. Começando pela primeira corrida do ano, em Surfers Paradise, quando Mansell foi pole e venceu de maneira incrível. Na prova seguinte, o susto: uma forte batida em Phoenix ganhou repercussão mundial, (assista reportagem histórica da Rede Manchete) mas o britânico conseguiu se recuperar até com certa rapidez, voltando conquistar dois pódios na sequência, em Long Beach (terceiro lugar após largar na pole), e nas 500 Milhas de Indianápolis, novamente terceiro.

Depois de um bom começo de temporada, vieram as vitórias nos ovais de Milwaukee e Michigan, este, um superspeedway. Mais uma vitória, dessa vez em Loudon, e para fechar, a glória em Nazareth, casa da Newman/Haas. Foram dez pódios e sete poles, números que traduziram o incontestável título da Indy naquele 1993 tão supremo quanto foi Mansell um ano antes pela Williams.

Claro que Barrichello tem todas as condições para fazer uma boa temporada na Indy. A seu favor conta o fato que todos partirão do zero na tocada do carro novo. Contra Rubens pode pesar a adaptação aos circuitos ovais, mas como só serão realizadas quatro corridas nesse tipo de traçado, o prejuízo pode nem ser tão grande assim. Mas creio que nem Barrichello e talvez nem mesmo Fernando Alonso ou Lewis Hamilton conseguiriam desempenho tão avassalador quanto o de Mansell em 1993.

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Ferrari e a formação de pilotos italianos: dois caminhos

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva]
de Sumaré

Riccardo Patrese expressou sua insatisfação com o atual momento do automobilismo italiano. A crise foi evidenciada pela dispensa de Jarno Trulli da Caterham para dar lugar ao apenas mediano russo Vitaly Petrov. Dessa forma, o país da ‘velha bota’ ficou sem nenhum representante na F1.

De certa forma, Patrese culpou a Ferrari pelo desenvolvimento capenga de jovens talentos italianos e alegou que a escuderia não ajuda no trabalho com a nova safra de esportistas locais. O que, de certa forma, é até verdade. Mas tudo tem dois lados.

É fato que a Ferrari jamais priorizou o trabalho com jovens italianos. Tanto que os dois principais nomes da Academia de Pilotos do time são estrangeiros: Jules Bianchi e Sergio Pérez, este, com boas chances de até ser alçado ao posto de titular de Maranello na próxima temporada se Felipe Massa não fizer um ano muito bom.

Ao longo de sua história, a italiana Ferrari sempre deu preferência a pilotos estrangeiros

Apenas para ficar na era moderna da F1, ou seja, dos anos 80 em diante, lembro que a esquadra de Maranello teve como titulares o já falecido Michele Alboreto, Ivan Capelli, anos depois, e só. Luca Badoer e Giancarlo Fisichella substituíram Felipe Massa em 2009, mas na condição de tampões. Só Alberto Ascari, lá no começo dos anos 50, foi campeão pela Ferrari na condição de representante da Itália.

Mas fazendo uma analogia com o futebol, por exemplo, a Ferrari não está errada. Muitos clubes da Europa chegam a colocar 11 titulares estrangeiros em campo. Lembro muito da Internazionale e do Arsenal, embora o time londrino, bem aos poucos, vem trabalhando mais com jogadores ingleses. Isso denota uma categoria de base fraca dessas equipes.

Ainda no futebol, o Barcelona parece ser uma das poucas exceções, talvez a única, por aliar sucesso na base, conseguir alçar os jovens à equipe principal e construir um time vitorioso. Outros, como o Real Madrid, tentam compensar a formação capenga de jogadores gastando rios de dinheiros na compra de craques consagrados, como Cristiano Ronaldo e Kaká, por exemplo.

É dessa forma que eu vejo a Ferrari nesse sentido. Não consigo ver a equipe como a vilã, como a responsável pela falta de bons e jovens pilotos italianos, longe disso. Se é um time e que se propõe a ser o melhor do mundo, nada mais natural do que contar com os melhores, independente se o piloto seja alemão, tailandês, coreano ou até mesmo italiano. Se há capital para se dar a esse luxo todo, não é pecado nenhum.

Mas o argumento de Patrese faz sentido. A Ferrari, por toda a condição financeira que dispõe, poderia criar uma equipe junior na GP3, GP2, World Series e até mesmo na F1. Os exemplos existem aos montes, como já fazem Red Bull, Caterham, Lotus e até Marussia, para atuar no desenvolvimento de novos talentos.

Creio que seria uma boa ideia para as próximas gerações, já que a fase atual é dura, bem dura: um país depender dos eternos Luca Fillipi e Davide Valsecchi não deve ser lá muito animador.

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