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A previsão do burro

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

O lendário Polvo Paul, sucesso da Copa do Mundo de 2010, segue fazendo escola. O programa britânico ‘Pole Position’ traz um quadro em que vários animais, de diversas espécies, fazem suas ‘previsões’ ao longo desta temporada do Mundial de F1. E para este fim de semana, o escolhido para apontar o vencedor do GP da Espanha foi o burro chamado ‘Pardal’, do zoológico de Barcelona.

Ao ser colocado diante das fotos de vários dos pilotos do grid, o burrinho Pardal não teve dúvidas e foi direto na imagem de Alonso, ‘prevendo’ a vitória do espanhol em casa. Pacheco que só, o animal ainda ‘escolheu’ Mark Webber como segundo e Felipe Massa como terceiro. Se o burro estiver certo, Massa irá ao pódio pela primeira vez nesta temporada.

Mas até aqui, os bichos não estão honrando o legado deixado pelo infalível Polvo Paul. Na Austrália, uma ovelha previu a vitória de Sebastian Vettel. Deu Kimi Räikkönen. Na Malásia, um orangotango apontou Fernando Alonso como vencedor. Mas o espanhol sequer passou da segunda volta na corrida vencida por Vettel. Uma cobra escolheu Räikkönen para vencer na China, só que aí foi a vez de Alonso vencer. E no Bahrein, um camelo escolheu Hamilton. Mas Vettel ganhou de novo.

ADENDO: encontramos o substituto do Polvo Paul. O mítico burro Pardal acertou 66% dos seus palpites no ‘Pole Position’. Além da vitória de Alonso neste domingo, o animal também acertou o pódio de Massa na Espanha, errando somente o segundo lugar, já que deu Räikkönen. Sensacional!

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Dois reis

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré


Logo no começo da manhã desta quarta-feira (8), Emerson Fittipaldi postou uma foto em suas redes sociais Twitter e Facebook. Não foi uma foto qualquer, mas sim um verdadeiro encontro de reis. O pioneiro Emerson posou ao lado simplesmente de Roberto Carlos após um show no Espaço das Américas, em São Paulo, onde o Rei da Música tem feito sua turnê na capital paulista. Uma foto para a história, diga-se. Os dois são amigos de longa data e ícones da década de 70, mas que estão em alta até hoje.

E quando se fala em Roberto Carlos e Emerson Fittipaldi, não há como não falar sobre velocidade e carrões. E é impossível não mencionar essa joia rara do cinema nacional que posto logo aí abaixo.

http://www.youtube.com/watch?v=UzT6zj0XOKw

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Senna na Sapucaí

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

(Foto: Ivo Gonzalez/Agência O Globo)

Na esteira dos textos, vídeos e imagens que vi por aí hoje sobre Ayrton Senna, cuja morte completa 19 anos nesta quarta-feira, Dia do Trabalhador, uma delas me chamou a atenção. O tricampeão mundial de F1 será tema do enredo da Unidos da Tijuca no carnaval de 2014. Com o título “Acelera, Tijuca”, a escola de samba carioca, sob a batuta do vitorioso carnavalesco Paulo Barros, vai homenagear Ayrton na Marquês de Sapucaí em memória dos 20 anos de seu passamento. A notícia foi publicada nesta tarde pelo jornal carioca ‘O Dia’.

A associação entre esporte e carnaval é bem antiga. Falando do carnaval carioca, por exemplo, lembro quando a Estácio de Sá, ‘puxada’ pelo grande Dominguinhos do Estácio, homenageou o Flamengo no ano do seu centenário, em 1995.

A própria Unidos da Tijuca usou de expediente parecido ao desenvolver um enredo em menção ao centenário do Vasco da Gama, em 1998. Naquela ocasião, contudo, a escola foi rebaixada. Antes disso, em 1986, a eterna Beija-Flor de Nilópolis abordou a Copa do Mundo de 1986 com o enredo “O mundo é uma bola”. Isso sem contar o envolvimento direto das escolas de samba de São Paulo com as torcidas organizadas de Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos.

A Gaviões da Fiel, aqui em São Paulo, homenageou Senna em 2009. Antes, bem antes, a Tradição fez algo a respeito em 1995, um ano após a morte de Ayrton, mas não parece ter ficado muito legal. Depois disso, o máximo que eu vi a esse respeito foi quando a X9 Paulistana, em 2011, levou ao Anhembi um enredo em homenagem ao Rally dos Sertões. Mas certamente o impacto que o enredo em lembrança de Ayrton Senna será bem maior.

A presença de Senna na Sapucaí não é tão novidade assim. Em 1992 o tricampeão entrou na avenida pela Estácio de Sá no desfile das campeãs. A escola foi a campeã naquele ano. Trata-se do único grande registro de Senna no carnaval carioca.

Coincidência ou não, as cores da Tijuca, azul e amarelo, são as mesmas do eterno capacete do tricampeão. De qualquer forma, mesmo levando em conta que esses enredos de hoje em dia, sobretudo no carnaval carioca, são patrocinados — e isso eu acho que tira um pouco da alma do carnaval —, considero a homenagem bem válida e pertinente. Afinal, goste ou não, Ayrton é um dos maiores esportistas brasileiros da história. Não foi santo — quem é, não é mesmo? —, mas foi um dos melhores pilotos de todos os tempos.

E você, leitor? O que acha de ver Ayrton Senna homenageado na Marquês de Sapucaí no ano que vem? Opine!

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Lindo demais

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Tá aí uma das muitas coisas que gostaria de fazer como jornalista: cobrir o Rali Internacional de Erechim, disparado a maior prova do rali de velocidade do Brasil. Tudo é muito bacana por lá: a organização, os competidores e, principalmente, a empolgação da torcida gaúcha. Tudo isso proporciona ao evento uma aura ímpar em solo nacional.

Pois bem: nesta sexta-feira a organização do Rali de Erechim divulgou um belo vídeo com uma prévia da prova. Não perca o fôlego! Imagens realmente fantásticas e que, principalmente, deixam o fã do rali com muita vontade de conferir de perto esse verdadeiro espetáculo na terra.

Entre 16 e 19 de maio, serão disputadas a primeira etapa do Campeonato Sul Americano, além da terceira e quarta etapas do Campeonato Brasileiro e segunda etapa do Campeonato Gaúcho. Imperdível!

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A tequila que não desce

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

A temporada 2013 da F1 começou cheia de expectativas para o México. Afinal, era a primeira vez desde 1968 que dois astecas correriam lado a lado no grid de largada da principal categoria do automobilismo. Só que nem sempre qualidade é quantidade, não é mesmo?

Muito dessa expectativa gravitava em torno de Sergio Pérez. O jovem de Guadalajara fez seu primeiro ano e meio de F1 muito bem, brilhou em alguns momentos com a intermediária Sauber e ficou perto de ganhar corrida, subindo ao pódio em três oportunidades. É bem verdade que desde que sua contratação pela McLaren fora anunciada, ele jamais foi o mesmo, mas talvez fosse algo passageiro.

Esteban Gutiérrez é a cara nova do México na F1. O magrelo piloto de Monterrey pintou com certo destaque quando foi campeão da GP3 — o primeiro campeão, aliás, em 2010 — e correu na GP2 com relativo destaque, mas não chegou a ser um cara brilhante. Ganhou algumas corridas aqui e ali, mas só. Ainda assim, demonstrava um certo potencial que, aliado ao apoio da Telmex, foi decisivo para ser contratado pela Sauber justamente para substituir Pérez.

O pacote asteca para 2013 parecia ser mesmo promissor: Pérez na McLaren, equipe mais do que vencedora e dono de um histórico glorioso na F1; Gutiérrez na Sauber, time que cresce cada vez mais a cada temporada e que deixou boa impressão nos últimos anos, graças ao legado de ‘Checo’ e de Kamui Kobayashi (que saudades do Kobayashi na F1).

Sergio Pérez já começa a ser contestado dentro da McLaren

Só que toda a expectativa sobre um bom desempenho por parte dos mexicanos caiu por terra assim que o campeonato começou. Pérez, apontado até mesmo aqui pelo BloGP como um potencial campeão do mundo, desandou: nas pistas, parece sucumbir à força de Jenson Button e começa a receber críticas por parte da McLaren. Fora delas, deixou de ser aquele cara solícito que se diferenciava dos outros pilotos e adotou uma linha mais política, sendo mais do mesmo, às vezes menos do mesmo.

Os resultados de ‘Checo’ são pífios até aqui. Enquanto Button vai tirando leite de pedra e conseguindo o que talvez fosse impossível com o péssimo carro que dispõe — são 12 pontos em três corridas, sendo o quinto lugar na China como melhor resultado —, Pérez só foi ao Q3 uma vez, na Malásia, onde conquistou sua melhor colocação no ano: nono lugar. Patético. Como se não bastasse, Sergio foi descrito por Martin Whitmarsh como um piloto “muito polido”, e o chefão lhe pediu que fosse mais incisivo para se defender das ultrapassagens.

O começo de Pérez na McLaren tem sido tão ruim que me faz lembrar outros dois casos num passado não muito distante. Na mesma McLaren, em 1993, Michael Andretti só conseguiu pontuar na quinta corrida da temporada e não foi nem sombra daquele piloto combativo que se consagrou na Indy. Um ano antes, na Ferrari, Ivan Capelli foi igualmente pífio, somando apenas dois pontos nas primeiras corridas do ano. O destino de ambos foi semelhante: a dispensa antes mesmo do fim da temporada.

Não me parece que Pérez tenha esse fim, pelo menos por enquanto. Muito se fala sobre a Telmex vir a ser a patrocinadora principal da McLaren no futuro, mas não acredito que eles precisem tanto assim da grana a ponto de colocar ‘Checo’ em um dos seus cockpits a troco disso. A McLaren é muito grande para se submeter a um piloto meramente pagante. Mas caso eles se cansem das patacoadas de Pérez, tem um Kobayashi aí dando sopa, mantendo o ritmo de corrida no Mundial de Endurance…

Gutiérrez vai ficando marcado pelos seus erros neste seu começo de carreira na F1

Falando sobre Gutiérrez — já apelidado por muitos como ‘Gutierros’, com justiça, inclusive —, é preciso levar em conta dois fatores: como estreante, é natural que ele cometa erros aqui e ali, tudo isso faz parte do cruel aprendizado de um piloto de F1. Mas não é preciso ser um gênio para perceber que, pelo menos por enquanto, Esteban continua devendo, e muito. Com um carro que parece ser bom — e Nico Hülkenberg, um extra classe, mostra isso —, o jovem de Monterrey sequer chegou perto de almejar os pontos.

Em Xangai, por exemplo, Gutiérrez foi ridículo e cometeu um erro bizarro ao encher a traseira de Sutil — que azar, hein Adrian —, destruindo a corrida de ambos. Não à toa, foi punido pela FIA com a perda de cinco posições no grid de largada do GP do Bahrein. Certamente, Monisha Kaltenborn e Peter Sauber já devem estar com saudades de Kobayashi, mas, diferente da McLaren, precisam muito da grana da Telmex, que só está lá porque Esteban ocupa um dos seus cockpits.

Sinceramente, não vejo futuro muito grande para Gutiérrez na F1. Muito fraco e parece não ter estrutura para suportar a pressão de estar na categoria. Pérez ainda tem a seu favor o fato de ter mostrado bom serviço na Sauber, então ainda tem um pouco de crédito. O único trunfo de Esteban é a grana do seu Slim e nada mais.

Aguardemos as próximas corridas. Mas a julgar pelo começo de temporada, a tequila dos mexicanos está batizada e não desce nem com sal e limão.

Adendo: por meio de sua conta no Twitter, a Academia de Pilotos da Ferrari deu uma leve alfinetada em Gutiérrez e, principalmente Pérez, oriundo do programa de Maranello, durante a péssima participação de ambos ontem: not a very good day for Mexicans today !!! #tooyoungforf1. Vale lembrar que no ano passado Luca di Montezemolo justificou a não contratação de Pérez por considerá-lo verde demais para ser titular da Ferrari. E não é que ele tinha razão?

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Épico

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

O tempo passa rápido demais, não é mesmo? Há 20 anos (parece que foi ontem), Ayrton Senna vencia de forma histórica o GP da Europa de F1, única corrida da categoria disputada no tradicionalíssimo circuito de Donington Park, na Inglaterra. Foi uma prova marcante em vários sentidos: pela ESPETACULAR primeira volta de Senna, que passou simplesmente quatro carros (Wendlinger, Schumacher, Hill e Prost), pela grande corrida do então novato Rubens Barrichello (que chegou a andar em segundo) e pela própria conquista de Ayrton em si.

Com aquela vitória, vindo logo em seguida ao seu triunfo no GP do Brasil, Senna assumia a liderança do Mundial de Pilotos. Algo inimaginável, já que a Williams de Prost e Hill tinha um carro bem melhor que a McLaren Ford do brasileiro, que tirava no braço a diferença e se destacava demais, sobretudo em piso molhado. No fim, em condições normais, deu Prost, que virou tetracampeão do mundo e encerrou a carreira naquele ano.

Vale a pena demais ver cada segundo desse momento histórico do automobilismo brasileiro e mundial (santo YouTube). Tempos que não voltam mais.

http://www.youtube.com/watch?v=CEFm8AtyH1c

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Vida longa ao Caipira Voador

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Vida longa ao Caipira Voador

O automobilismo brasileiro está em festa. Neste domingo (7), um dos maiores e mais carismáticos pilotos do nosso país em todos os tempos completa 50 anos. Djalma Fogaça faz aniversário em grande fase e vai comemorar da forma que mais gosta: na pista. Logo mais, em Londrina, o grande Caipira Voador vai largar na segunda posição do grid da segunda etapa da F-Truck. Um belíssimo resultado para coroar uma data tão especial.

Djalma foi um dos expoentes da grande geração de pilotos brasileiros formados nos anos 80. Lembro de ter visto, ainda criança, algumas das suas glórias nas pistas, principalmente na F-Ford, lá no fim daquela década — a categoria era transmitida pela saudosa Rede Manchete e tinha ótimo público… dá saudades daqueles tempos.

O sorocabano foi contemporâneo de grandes pilotos da época como Rubens Barrichello, Tom Stefani, André Ribeiro, Christian Fittipaldi, Renato Russo, entre tantos outros.

O Caipira Voador foi campeão da F-Ford, F-Chevrolet, correu na F-Opel, foi destaque na Stock Car e ajudou a fundar (ao lado de Aurélio Batista Félix) a ótima F-Truck, a categoria mais popular do automobilismo brasileiro nos dias de hoje. Na Truck, aliás, Fogação tem um baita retrospecto: sete vitórias e 11 poles conquistadas ao longo de sua carreira.

Djalma vive grande fase nas pistas e fora dela. Além de recomeçar com tudo sua carreira na F-Truck, o cinquentão não esconde a felicidade pelo bom momento do filho, Fábio Fogaça, que começou muito bem sua jornada na Stock Car, diga-se.

Além de tudo isso, Djalma é um dos caras mais irreverentes do automobilismo brasileiro e isso fica claro em sua conta no Facebook. Sem papas na língua ao apontar os grandes problemas do esporte a motor por aqui, ele também conta grandes e engraçadíssimos ‘causos’ do mundo das pistas.

É de caras como o Djalma Fogaça que o esporte a motor brasileiro precisa. Vida longa ao glorioso Caipira Voador.

 

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A maior de todos os tempos

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

2013 começou de maneira bastante positiva para as mulheres do automobilismo. No corpo diretivo, Claire Williams virou chefe adjunta da equipe do lendário pai, que, ao que tudo indica, vai pendurar as chuteiras em breve e prepara a filhota como sucessora. Claire, que trabalhou por um bom tempo no departamento de comunicação da equipe, agora vai desempenhar uma função de grande responsabilidade, assim como Monisha Kaltenborn, que já é chefe da Sauber desde o ano passado e substitui com propriedade o grande Peter Sauber no comando do austero time suíço.

Nas pistas, a história também está se mostrando bem interessante para as mulheres, o sexo forte, como costumo dizer. Danica Patrick, aquela que, embora muitos torçam o nariz, é uma baita pilota (sim, pilota está correto segundo a língua portuguesa) e foi pole nas 500 Milhas de Daytona da Nascar, alcançando um feito histórico. Na Indy, Simona de Silvestro fez uma baita corrida em sua estreia pela KV e quase, por muito pouco mesmo, não conquistou um pódio, mas impressionou ao superar o novo companheiro de equipe Tony Kanaan. Bia Figueiredo, que a princípio correria apenas em St. Pete, Anhembi e Indianápolis, garantiu mais duas corridas, pelo menos: Barber e Long Beach.

Talvez hoje não seja mais tão surpreendente assim ver cada vez mulheres em posição de destaque no automobilismo de elite pelo mundo. Mas não era assim que a banda tocava há 30 anos. Naquele tempo, era muito raro ver uma menina fazendo bonito nas pistas. Evidente que o espaço ofertado naquela época era muito menor que nos dias de hoje, e isso, obviamente, faz toda a diferença.

Mas uma mulher em especial quebrou todos os paradigmas possíveis no automobilismo e se colocou, em minha opinião, como a maior pilota de todos os tempos. Michèle Mouton, a rainha do automobilismo, venceu, sempre ao lado da navegadora Fabrizia Pons e correndo de Audi, nada menos que quatro provas do Mundial de Rali entre 1981 e 1982 (em 82, aliás, foram três vitórias). Sua última vitória aconteceu exatamente no Brasil. Naquele ano mágico, Mouton conquistou o vice-campeonato mundial. Jamais uma mulher chegou perto de alcançar o feito de Michèle.

Segue abaixo uma coletânea das melhores imagens da rainha. Pilotava muito ou não?

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Estreia com o pé esquerdo

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

A chegada de Rubens Barrichello à Globo oficialmente rendeu piadas nos bastidores. Na festa organizada pela emissora ontem à noite, que aconteceu no Credicard Hall, em São Paulo, o piloto foi apresentado como novo comentarista das transmissões de F1 ao lado de Galvão Bueno e Reginaldo Leme. Para a introdução, resolveram colocar Barrichello dentro de um carro de corrida.

O carro preparado para Rubens entrar no palco falhou na hora H (Foto: Instagram)

Só que o monoposto morreu duas vezes até que Rubens conseguisse chegar ao palco da festa. Segundo Mauricio Sytcer, colunista do UOL, o comentário recorrente entre os convidados foi de que Barrichello “já começou quebrando”.

A estreia de Barrichello, como antecipado pelo Blog de Victor Martins, acontece na quarta etapa do campeonato, o GP do Bahrein. Sua presença é garantida em pelo menos dez etapas do campeonato deste ano, que já teve duas disputadas, na Austrália e na Malásia. O líder é Sebastian Vettel.

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A Ferrari de Koba-san

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Kamui Kobayashi deu início à sua preparação visando a estreia no Mundial de Endurance e, principalmente, o debute nas 24 Horas de Le Mans deste ano. Novo piloto da AF Corse, equipe oficial da Ferrari na classe LMGTE-Pro do WEC, O japonês, que será parceiro de Toni Vilander em Sarthe, testou sua Ferrari F458 Italia na última segunda-feira no circuito de Vallelunga, na Itália. Em uma das fotos, divulgada em sua conta no Instagram, Koba-san não escondeu seu sentimento: “Meu novo carro. Feliz por ver meu brinquedinho”.

O mito, que faz muita falta na F1, diga-se, até que ficou bem vestido com as cores da Ferrari, não? Grande sacada da Ferrari e de Kamui, que mostra que há vida fora da F1. O WEC já provou ser uma baita categoria e certamente atrairá muitos outros pilotos da F1 em pouco tempo.

Vida longa ao WEC, vida longa à carreira de Kobayashi!

Kobayashi todo feliz com seu brinquedinho novo (Foto: Instagram)

Kamui testou sua F458 Italia em Vallelunga (Foto: Instagram)

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Gillette na McLaren?

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Esse é o rumor da vez no paddock da F1. A Gillette, marca de propriedade da gigante norte-americana Procter & Gamble e ligada a Bruno Senna, pode, segundo a revista alemã ‘Auto Motor und Sport’, ser a principal patrocinadora da McLaren a partir da próxima temporada. O time de Woking perderá a Vodafone no fim do ano e procura um investidor de peso para permanecer entre as equipes de ponta da F1.

A Gillette, claro, não é a primeira empresa que aparece ligada à McLaren a partir do ano que vem. O principal rumor aponta para a Telmex, gigante mexicana das telecomunicações, comandada pelo bilionário Carlos Slim, como substituta da Vodafone, que opera no mesmo ramo de atividade, só que na Europa. E, ainda por cima, haveria outro interesse, já que seu pupilo Sergio ‘Checo’ Pérez agora está no time britânico. Torcida, pelo menos da parte de Pérez, não falta.

Nesta fase, já li rumores apontando a Emirates Airlines e também a Coca Cola à McLaren. A primeira empresa já estampou sua marca nos carros cromados de Woking em um passado não muito distante. Já a Coca Cola atualmente patrocina a Lotus por meio da marca de bebidas energéticas Burn.

Voltemos à Gillette. Essa especulação remete, obviamente, a Bruno Senna, piloto que contou com o apoio da empresa principalmente nos seus dois últimos anos de F1, quando correu pela Renault e pela Williams. O primeiro-sobrinho foi sacado do grid e agora tem um novo foco na vida, já que se prepara, junto com a Aston Martin, para disputar o Mundial de Endurance nesta temporada.

Só que Bruno permanece no WEC com o patrocínio da Gillette, que bancou a maior parte do seu orçamento na Williams no ano passado. Não é difícil imaginar numa possibilidade de Senna vestir o macacão da McLaren, ainda que como piloto reserva, caso a equipe tenha, de fato, o patrocínio da P&G. Vai depender mesmo de Bruno ter o interesse em deixar o endurance para ocupar o posto de reserva e piloto de testes — que quase não testa — na McLaren.

Senna + McLaren + Honda = combinação explosiva, pelo menos do ponto de vista do marketing (Foto: Divulgação)

Mas nunca é demais lembrar que Senna + McLaren, do ponto de vista do marketing, é algo muito forte a ser explorado. Indo além, existe também outro rumor — que ganha muita força a cada dia — ligando a Honda à McLaren. Assim, a combinação Senna + McLaren + Honda hoje é ainda mais forte, quase explosiva.

Sinceramente, acho bem difícil que tal situação se torne realidade, ainda que aconteça a união McLaren-Gillette. Bruno, convenhamos, foi apenas mediano na F1 e tem diante de si um horizonte muito mais interessante no endurance, que vem crescendo a passos largos. E outra: a McLaren vem investindo muito em jovens talentos, um em especial: Kevin Magnussen. E o padrão de exigência da equipe em termos de pilotos é muito maior do que é hoje na Williams, por exemplo.

Rumores são rumores. Mas nesse mundo da F1, tudo pode acontecer.

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Baile de debutantes

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Você começa a perceber que está ficando velho quando vê que uma corrida relativamente nova na F1, o GP da Malásia, vai completar 15 GPs na categoria. É isso mesmo. O país, que revelou Alex Yoong, e agora tem até uma equipe no grid — a Caterham de Tony Fernandes —, realizou sua primeira corrida no Mundial em 1999. Faz mesmo muito tempo!

A primeira corrida em Sepang — um dos mais belos circuitos da temporada, mas que ficará eternamente marcada pela morte de Marco Simoncelli em 2011, na MotoGP — reservou um momento histórico. Naquele 17 de outubro, a Ferrari dominou a classificação, com Michael Schumacher largando na pole e Eddie Irvine ocupando o segundo lugar. Só que era Irvine quem lutava pelo título contra Mika Häkkinen, da McLaren. Michael sofreu aquele acidente terrível em Silverstone e perdeu boa parte da temporada.

http://www.youtube.com/watch?v=5Q1p2RrtbSE

Os papeis se inverteram totalmente na quarta volta quando a Ferrari liberou o jogo de equipe. Schumacher, para ajudar Irvine, abriu passagem para o companheiro de equipe, que venceu a primeira corrida em Sepang. Michael terminou em segundo e Häkkinen, terceiro numa corrida que, bem diferente do padrão malaio, não choveu. Se bem que naquela época a prova não era realizada nesse horário de agora, quase no fim da tarde.

Alguns números interessantes na história do GP da Malásia: Schumacher e Fernando Alonso foram os que mais venceram em Sepang. Cada um deles tem três conquistas, contra duas de Kimi Räikkönen e outras duas de Sebastian Vettel. Dentre os pilotos em atividade, Jenson Button também tem um triunfo, conquistado naquele ano épico da Brawn, em 2009.

Naquele ano, Sepang viu alguns momentos épicos e que entraram para a história da F1. Primeiro, pelo temporal que desabou na região do circuito. Vejam as imagens abaixo, foi uma verdadeira hecatombe! A prova foi interrompida na 31ª volta e não mais foi retomada. Assim, os pontos foram computados pela metade. E foi naquela indefinição sobre o recomeço ou não da corrida que Räikkönen mitou ao aparecer todo tranquilo com seu sorvete Magnum nos boxes da Ferrari. A imagem eternizou o finlandês e é bem explorada pela Lotus até hoje.

Voltando aos números, a estatística do GP da Malásia mostra que Felipe Massa tem um grande retrospecto em Sepang em ritmo de classificação. O brasileiro tem duas poles, conquistadas em 2007 e 2008. Fernando Alonso também tem duas poles. O recordista, aliás, é Schumacher, o rei dos recordes, com cinco. Button, Mark Webber, Vettel e Lewis Hamilton têm uma pole cada.

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20 anos de Sauber e Barrichello na F1

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Vai começar, amigos e amigas amantes do automobilismo. Logo mais, a partir das 22h30 (horário de Brasília), vai começar mais uma temporada do Mundial de F1. Temporada tão aguardada quanto imprevisível. Mas neste breve post quero falar sobre outro  acontecimento importante ocorrido em 14 de março. Há exatos 20 anos, Rubens Barrichello fazia sua primeira corrida de F1. Aliás, não só Barrichello, mas também a gloriosa Sauber estreava no grid naquela nublada tarde de domingo no circuito de Kyalami, África do Sul.

Barrichello iniciou ali em Kyalami a carreira mais longa de um piloto de F1. Considerado um dos brasileiros mais bem-sucedidos depois dos campeões Emerson, Nelson e Ayrton, Rubens agora dá sequência à sua carreira na Stock Car e vai competir neste fim de semana em Curitiba. Mas, ao longo do ano, o veterano piloto será um dos comentaristas da Rede Globo na F1, como informou o boss Victor Martins no seu blog.

A Sauber jamais venceu uma corrida, mas conquistou grandes feitos em sua história. Nos tempos em que equipes vem e vão, o time liderado por Peter Sauber é o quarto mais antigo  da F1 atual, ficando atrás somente de Ferrari, McLaren e Williams. A Sauber revelou grandes pilotos, como Kimi Räikkönen, Felipe Massa, Sergio Pérez e Kamui Kobayashi, além, claro, de Michael Schumacher, quando o time suíço contava com o apoio da Mercedes e disputava o antigo Mundial de Marcas.

Além disso, a Sauber foi a primeira equipe da história da F1 a entregar seu comando para uma mulher. Monisha Kaltenborn agora é a comandante do time de Hinwil e mantém o sempre austero e discreto, porém eficiente, estilo de administração que tanto caracterizou Peter Sauber, hoje ainda presidente do conselho da equipe que leva seu nome.

Lá em Melbourne, a Sauber abre nova fase com uma dupla de pilotos renovada: Nico Hülkenberg alinhará ao lado de Esteban Gutiérrez. Ambos levarão nos novos e acinzentados C32 uma inscrição comemorativa dos 20 anos da primeira largada da equipe na F1. Lá em Curitiba, certamente Rubens Barrichello vai recordar da sua primeira corrida e do início de uma carreira bastante consistente na principal categoria do automobilismo.

Relembre abaixo a íntegra do marcante GP da África do Sul de 1993 (narrado em alemão e transmitido pela RTL), o último da F1 em solo africano, mas o primeiro de tantos da Sauber e de Rubens Barrichello. Alain Prost, vencedor da corrida, estreava pela Williams e iniciava ali sua cruzada pelo tetracampeonato. Ayrton Senna fechou em segundo e Mark Blundell, de forma surpreendente, foi terceiro colocado correndo pela então promissora Ligier, empurrada pelo motor Renault.

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Favoritos e azarões

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Faltando apenas alguns dias para o início dos treinos do GP da Austrália, as apostas em torno do vencedor da primeira corrida do Mundial de F1 em 2013 se intensificam. Em uma rápida visita a alguns dos mais famosos sites britânicos, desses em que dá para apostar no vencedor e até mesmo em quem vai fazer a pole ou abandonar primeiro a corrida, observei que os números indicam o óbvio favoritismo de Sebastian Vettel, que já venceu uma vez em Melbourne, em 2011.

Na William Hill, uma das mais conhecidas casas de apostas do mundo, a vitória de Vettel paga 3,75 libras para cada libra apostada. Fernando Alonso e Jenson Button aparecem empatados em segundo e pagam £ 6,5/1 em caso de vitória. Já um triunfo de Lewis Hamilton em Melbourne paga £ 8,5/1, enquanto quem apostar numa eventual conquista de Kimi Räikkönen e Mark Webber vai receber £ 10 para cada libra.

Dentre os pilotos das cinco maiores equipes da F1, Felipe Massa é o menos cotado. Uma vitória do único brasileiro do grid paga, pelo menos por enquanto, £ 34 para cada libra apostada, enquanto Pastor Maldonado, que fez muita gente lucrar com sua vitória no GP da Espanha do ano passado, tem a cotação de £ 51 por cada libra apostada se vencer em Albert Park.

Obviamente, os quatro pilotos das equipes nanicas, Caterham e Marussia, são os menos cotados. Caso aconteça algo sobrenatural e Charles Pic, Giedo van der Garde, Jules Bianchi ou Max Chilton vençam na Austrália, o felizardo e sortudo apostador lucrará £ 1.001 para cada libra apostada.

Outra modalidade de jogo disponível na William Hill é a aposta em quem abandonará primeiro o GP da Austrália. Aí a lista se inverte, e os mais bem-cotados são os pilotos dos times nanicos: caso Bianchi ou Chilton seja o primeiro a deixar a corrida, quem neles apostou receberá £ 11 por libra. Romain Grosjean, que tanto ficou marcado pelos acidentes causados no ano passado, é o décimo da lista, com £ 17/1 libra.

Já os reis da consistência Alonso, Räikkönen e Vettel são, obviamente, os menos cotados como os primeiros a deixarem a corrida do próximo domingo e pagarão £ 34 por cada libra apostada.

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Milagre na Argentina

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Aconteceu ontem no circuito Río Cuarto, Argentina. Lá nas terras de Gardel e Maradona, o Mini Challenge segue firme e forte. Mas a categoria teve uma cena assustadora e, por muito pouco, não se tornou um acidente fatal. Em alta velocidade, Hugo Ballester e Christian Nápoli disputavam posição e se tocaram em plena reta, e, sem o controle dos respectivos carros, entraram na enorme área de escape, composta de grama e terra. Mas, no meio dessa área de escape, havia um bandeirinha. Milagrosamente, o fiscal de pista escapou de ter sido atropelado pelo Mini de Nápoli e nada sofreu.

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A (bela) cidade da velocidade

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
do VeloCittà

Desde a tarde desta sexta-feira (8), estou na cobertura da abertura da primeira temporada da história da Mitsubishi Lancer Cup, que terá neste sábado a primeira das seis rodadas duplas realizadas em Mogi Guaçu, interior de São Paulo, no novíssimo circuito VeloCittà, de propriedade da montadora. O primeiro dia de atividades de pista foi tranquilo e compreendeu a realização de dois treinos livres, cada um com duração de meia hora.

O grid é composto basicamente por gentleman-drivers, mas tem muita gente conhecida na lista dos inscritos, todos oriundos do turismo. Para citar alguns, estarão presentes neste fim de semana de provas aqui em Mogi Guaçu Elias Junior (que, obviamente, não é aquele apresentador do Show do Esporte nos áureos anos 90 na Band), Leo Burti, Sylvio de Barros e a bela Michelle de Jesus, só para citar alguns.

A grande atração do certame é mesmo o carro: o Lancer Evo R, preparado especialmente para a categoria. A Mitsubishi trouxe para estar à frente da Lancer Cup alguns nomes conhecidos. Hoje no VeloCittà, pude ver Duda Pamplona (matéria com ele amanhã), que além de ser um dos instrutores da Mitsubishi, também é piloto da montadora no Brasileiro de Marcas. Mas, evidentemente, a grande estrela atende pelo nome de Ingo Hoffmann.

O alemão, que completou 60 anos na semana passada, é o novo coordenador de competições da Mitsubishi e passa toda sua experiência acumulada por décadas à montadora, que inicia sua incursão como categoria monomarca no automobilismo de pista depois do sucesso no off-road com a Mitsubishi Cup e o Mitsubishi Motorsport.

Foi com Ingo que tive a chance de completar uma volta rápida no VeloCittà. O circuito é uma maravilha, uma verdadeira joia: rápido, seletivo e muito bem cuidado, fato raro aqui no Brasil. Deu gosto conhecer um pouco mais sobre a mais nova pista do automobilismo brasileiro e também foi bem bacana andar ao lado de um mito vivo como o Ingo, ‘apenas’ 12 vezes campeão da Stock Car, entre tantas outras glórias.

Amanhã começa pra valer a temporada, que abre com a realização de duas corridas: uma pela manhã e outra à tarde. Antes, haverá uma sessão classificatória para definir o grid da primeira prova. Já a segunda, assim como boa parte das categorias turismo no Brasil e no mundo, terá seu grid determinado pela ordem da primeira etapa, sendo que os oito primeiros largarão em posições invertidas, com o oitavo lugar da bateria 1 largando na pole à tarde.

Seguiremos aqui acompanhando o despertar da mais nova categoria do automobilismo do país! Posto abaixo algumas fotos tiradas há pouco. E claro, acompanhe tudo da Lancer Cup aqui no Grande Prêmio.

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60 anos de um mito

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Hoje, 28 de fevereiro, é um dia muito especial na história do automobilismo. Não, não é por causa da retomada da pré-temporada da F1, lá em Barcelona. Falo sobre o aniversário de uma verdadeira lenda viva do esporte. Poderia ser Mario Andretti, que completa 73 anos nesta quinta-feira. Mas não. O grande aniversariante do dia representa muito para o automobilismo brasileiro. Ingo Hoffmann completa 60 anos muito bem vividos e merece reverência por tudo o que fez em sua carreira dentro e fora das pistas.

Falar em Ingo é falar em vitórias, títulos, glórias. O Alemão é o eterno rei da Stock Car, conquistando nada menos do que 12 títulos, DOZE. O próprio Cacá Bueno disse há pouco, no Arena SporTV, que nem se competisse até os 60 anos não chegaria ao que Hoffmann alcançou na Stock Car.

Ingo eternizou a imagem dos Opalas como símbolo da Stock romântica. Não só dos Opalões, mas também do Fusca, Brasília, Uno, Ômega… tudo com sua marca registrada: o lendário número 17. O Alemão também fez parte da história da Copersucar, única equipe brasileira a integrar o grid da F1. Hoffmann correu de tanta coisa nessa vida, até mesmo no rali ele deu suas aceleradas, participando do Rali dos Sertões, do Brasileiro de Cross-country e da Mitsubishi Cup. É na Mitsubishi, aliás, que Ingo atua no dia a dia como coordenador da nova escola de pilotagem da montadora depois de ter ficado anos e anos na BMW.

Estou a caminho de completar 33 anos, pouco mais da metade da idade de Ingo. Muitos dos seus feitos só pude acompanhar por livros, revistas e, depois, pelo YouTube ou por sites que resgatam a história do automobilismo brasileiro. Mas, quando comecei a acompanhar as corridas, tenho como uma das minhas primeiras lembranças suas corridas na Stock Car e na hoje extinta F-Uno.

Tinha em mente a imagem de um Ingo quase intransponível, embora corresse em uma geração fortíssima, com nomes como Chico Serra e Paulão Gomes, todos lendários dentro das pistas. Mas Ingo estava um degrau acima. Ou melhor, muitos degraus. Certamente, foi um desses personagens mitológicos da minha infância e que, de certa forma, contribuiu muito para que eu gostasse muito do esporte a motor como um todo e fosse um profissional de imprensa.

Há quase um ano, tive a chance de conhecer o outro lado de Ingo. Um lado igualmente vencedor, mas com um brilho muito maior. Numa dessas pautas para a Revista WARM UP, visitei o Instituto Ingo Hoffmann, que fica ao lado do Centro Boldrini, em Campinas, perto aqui de casa. Trata-se de um projeto fantástico que ajuda crianças com câncer e suas famílias. Vi nos olhos do Alemão sua vontade, dedicação e paixão por um projeto tão nobre.
À época, ele falou: “Olho para trás com orgulho, feliz por ter feito a diferença”, descrevendo o Instituto como sua maior vitória na vida. E acho que é bem isso. Ingo conseguiu fazer a diferença dentro das pistas e agora, fora delas. Na falta das palavras, só consigo descrever Hoffmann como um mito vivo, pessoa rara.

Parabéns, Alemão! Vida longa e muitas vitórias pela frente!

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Bernie, a lenda

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Não dá para negar que a F1 só é o que é hoje por causa de Bernie Ecclestone, o homem que revolucionou o esporte. Piloto mediano (não só no tamanho) e exímio negociante, o britânico colocou a categoria em um patamar inigualável de profissionalismo e excelência. Há quem diga que Bernie é o grande responsável por inflacionar os custos da F1, sendo um mal necessário. Outros dizem que não haveria a F1 como ela é hoje sem Ecclestone e sua ampla visão empresarial. Talvez as duas opiniões estejam corretas.

Há um documentário bastante completo sobre a vida de Bernie e a maneira como ele tornou a F1 no que ela é hoje. O vídeo me parece recente e foi produzido pela ESPN. São pouco mais de 50 minutos com alguns detalhes bem interessantes da trajetória de Ecclestone, que se confunde com a própria F1, construindo um império bilionário em torno do esporte. O filme está em inglês. O material é excelente, como é de praxe das produções ESPN pelo mundo. Recomendo demais.

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O primeiro fiasco de 2013 na F1

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

O sábado (2) começou, como previsto, com a apresentação do carro da gloriosa Sauber, o C32, para a temporada 2013 da F1. Cerimônia simples, sem muita pompa e circunstância lá na gelada Hinwil, na Suíça. Ao passo em que eram divulgadas as fotos do evento e as declarações dos jovens Nico Hülkenberg e Esteban Gutiérrez, além da comandante Monisha Kaltenborn, a Mercedes, toda renovada pela chegada de Lewis Hamilton neste ano, surpreendeu o mundo com o anúncio de uma campanha deveras interessante e prometia revelar as primeiras imagens do W04 hoje, dois dias antes da data originalmente marcada para o lançamento.

A Mercedes quis aparecer no sabadão com a cara da riqueza; ficou mesmo a imagem #sóderrota (Foto: Divulgação)

A ideia consistia, basicamente, no incentivo dos fãs da F1. Por meio do Twitter, os internautas tinham de escrever postagem com a hashtag #F1W04Reveal. Assim, a partir das 14h (no horário de Brasília) deste sábado, a equipe deveria revelar, aos poucos, o novo modelo. Quanto mais mensagens, mais rápido o novo carro de Hamilton e Nico Rosberg seria exibido aos fãs da F1. Baita inciativa, não é? Eu achei sensacional e uma forma de fortalecer a imagem de uma Mercedes antenada e com poder de interação com seu público.

Só que o tiro saiu MUITO pela culatra. O volume de tuitadas e o número de acessos ao site oficial da Mercedes foram tão grandes, que o servidor simplesmente não aguentou o tranco e caiu. Eu, pelo menos, não consigo mensurar qual esse volume, mas fato é que a hashtag #F1W04Reveal chegou a ocupar a segunda colocação no Trending Topics mundial. O negócio foi sério. Mas fato é que, três horas e meia depois da prometida foto do W04, o que aconteceu foi um grande fiasco, o primeiro na temporada.

Tenho aqui uma opinião a respeito. Não que eu seja especialista em tecnologia ou mesmo em marketing esportivo. Mas entendo que a Mercedes simplesmente não esperava tamanho retorno por parte dos fãs da F1. Ou eles desprezaram o poder das redes sociais ou não estavam preparados para um sem número de acessos para um evento de tal natureza. Quer dizer: se a intenção era aproximar o fã da F1 da Mercedes por meio das redes sociais, o efeito foi muito ao contrário. A iniciativa foi mesmo louvável e inovadora, contudo, o resultado final foi um desastre. Mesmo que os servidores voltem a funcionar ainda neste sábado e o carro seja apresentado ao mundo, o estrago já está feito. De inovadora, a Mercedes virou motivo de chacota universal.

Em tempos de crise econômica mundial, as equipes vêm optando por apresentar seus respectivos carros para 2013 via internet. Acaba sendo mais fácil e mais barato, no fim das contas. Lotus, McLaren e Sauber fizeram seus lançamentos pelo YouTube, medida que se mostrou mais eficiente do que, por exemplo, Ferrari e Force India, que lançaram seus carros no último sábado (1) por meio de servidores próprios, mas não faltaram queixas sobre travamento das imagens e da baixa qualidade do que foi transmitido ao redor do mundo.

É mais do que correto, e essa é mesmo a tendência, de que as equipes façam uso da internet cada vez mais para divulgar suas marcas, seus feitos, seus carros, suas conquistas. Só que, nos dias de hoje, saber usar tais ferramentas de divulgação é quase tão importante quanto ter um carro bom e eficiente nas pistas. É algo que se faz mais do que necessário, ainda mais em tempos em que o torcedor da F1 não é apenas um mero telespectador, mas também consumidor da marca e dos produtos dos seus patrocinadores.

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Vai dar liga

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Pode-se dizer que a temporada 2013 do Mundial de F1 começa hoje, 28 de janeiro. Tô maluco? Nem tanto. Afinal, hoje é o dia da apresentação do primeiro carro para a disputa do campeonato, o Lotus E21, na belíssima combinação preto-dourado. É uma das equipes que, se mantiver a curva ascendente de 2012, vai lutar pelo título neste ano.

Mas, pelo menos neste post, eu quero falar de Lewis Hamilton e da Mercedes (confesso que jamais imaginei ver o cara vestindo outro macacão que não fosse o da McLaren). Contratado a peso de ouro (US$ 100 milhões por três anos de contrato), Lewis chega para revolucionar a equipe e fazê-la, de fato, vencedora.

Comparo sua contratação pela Mercedes com a chegada de Michael Schumacher à Ferrari, em 1996. Naquela época, Maranello vivia uma seca de títulos e contratações mal-sucedidas. Nigel Mansell e Alain Prost até corresponderam e entregaram vitórias, mas não conseguiram converter em títulos a expectativa dos tifosi. Veio Jean Alesi, então considerado o ‘novo Senna’, mas tudo o que o francês de origem siciliana conseguiu foi uma vitória, no GP do Canadá de 1995, e nada mais.

Schumacher foi igualmente contratado a peso de ouro e colocou a Ferrari de volta ao caminho das vitórias e dos títulos. Claro que nada veio a curto prazo. Aos poucos, Michael estruturou uma equipe ao seu redor. Bateu na trave em 1997, sucumbiu ao domínio da McLaren de Mika Häkkinen em 1998 e 1999 — ano do pior acidente da sua carreira, em Silverstone —, mas em 2000 não teve para ninguém, abrindo uma épica sequência de cinco títulos em cinco anos.

Da mesma forma, Lewis chega a Brackley para elevar o padrão da Mercedes, algo que Schumacher não conseguiu nos últimos três anos. Nico Rosberg até conquistou uma vitória,  mas ainda lhe falta estofo para liderar uma equipe. Estofo que Hamilton parece ter de sobra depois de seis anos na McLaren, time mais tradicional da F1 depois da Ferrari.

No último fim de semana, a Mercedes divulgou um vídeo com imagens da visita de Lewis à sede alemã da escuderia, em Stuttgart. Recepcionado por Ross Brawn e por Rosberg, Hamilton vestiu o macacão da Mercedes e se mostrou empolgado pelo novo desafio. Acredito que, se houver paciência — e o piloto disse que haverá — para traçar um projeto a longo prazo, a parceria Hamilton-Mercedes pode dar muito certo. Talento não falta a Lewis. Dinheiro não falta à Mercedes. Toda a equipe trabalhará pelo britânico e não medirá esforços para gastar milhões de euros em prol de um projeto vencedor. Pode levar tempo, mas acredito que Hamilton na Mercedes vai dar liga. Como deu Schumacher na Ferrari.

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Giro d’Italia (Finale)

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Foi uma jornada curta, mas bastante intensa. Voltar para casa é sempre bom. Voltar com a sensação do dever cumprido é muito melhor! Ao longo desses últimos três dias e graças a Victor Martins, Flavio Gomes e toda a galera do Grande Prêmio, tive a chance de adquirir um enorme aprendizado, expandir a experiência profissional em minha primeira cobertura na Europa, conhecer uma nova cultura e novas pessoas, além de apreciar a incrível culinária italiana.

A grande missão foi a cobertura da apresentação dos pneus da Pirelli para a temporada 2013, na última quarta-feira. Vários jornalistas, do mundo inteiro, foram convidados para estarem em Milão. Foi um dia cercado de expectativa e que começou com a visita à fábrica e centro de desenvolvimento e pesquisa da Pirelli na capital da Lombardia. Depois, sim, o momento mais esperado da jornada milanesa.

Achei a apresentação divertida e com a cara da Itália. Marco Tronchetti, presidente da Pirelli, abriu a cerimônia e logo chamou Jean Alesi (foto ao lado) — nomeado novo embaixador da marca —, até hoje muito querido na ‘terra da bota’ por seus anos na Ferrari e, provavelmente, por ter optado por Maranello e não pela Williams no início dos anos 90. Depois, Paul Hembery e Giorgio Barbier foram chamados ao palco para falarem sobre os planos da fábrica e os objetivos no esporte a motor. Hembery falou bastante sobre a importância da Stock Car e ressaltou a presença de Rubens Barrichello no grid.

http://www.youtube.com/watch?v=0ibumHOfLyw

Para mim, a apresentação teve dois momentos bem interessantes: primeiro, quando todos os funcionários da divisão esportiva da Pirelli subiram ao palco e retiraram o pano quadriculado que cobria os novos pneus para F1 e Superbike em 2013; e segundo, quando foi exibido um vídeo bem mostrando ‘o outro’ lado de quem comanda o esporte na fornecedora italiana. Eu, particularmente, gostei muito.

Depois, vieram as entrevistas coletivas com Tronchetti e Paul Hembery. Antes disso, aproveitei para falar com o Alesi e também com o Barbier. Cumpridas as obrigações, fomos comer um aperitivo na Bicocca degli Arcimboldi: presunto Parma e vinho branco. Nada mais italiano. Após a pausa, optei por seguir rumo ao hotel e, de lá, dar sequência aos trabalhos. Mais tarde, estava previsto uma espécie de encerramento com um jantar. Tudo marcado para 20h de Milão.

O lugar escolhido foi o Jazz Café, bar e restaurante na Corso Sempione e tradicional reduto dos boleiros de Milão. Logo na chegada percebi que, mesmo nunca estando ali antes, era um lugar familiar. Afinal, uma banda tocava muita música brasileira, desde Bezerra da Silva a Seu Jorge. Clima bem legal. E o jantar também foi incrível, regado a comida boa, bons vinhos e papo legal com alguns jornalistas argentinos que dividiam a mesa conosco. O fim daquela épica quarta-feira teve muita música brasileira — tocou até Michel Teló e Gusttavo Lima. As italianas, todas lindíssimas, cantavam e dançavam. Aí o papai aqui pira, diria o outro!

Após o retorno ao hotel, percebi que o sono não viria de jeito algum. Então procurei aproveitar a viagem por mais tempo: peguei um cachecol no quarto e saí caminhando sem destino e sem hora para voltar. Incrível como em uma cidade daquele tamanho foi possível ficar duas horas na madrugada sem qualquer tipo de problema ou ameaça. Ao contrário. Talvez, por conta do frio — que beirava 1ºC —, as ruas estavam praticamente desertas, salvo o trânsito de um ou outro carro pela rua. Fui direto para o Duomo di Milano, a belíssima e monumental catedral gótica construída no século XIV. Durante alguns bons minutos, fiquei ali parado, de frente para o templo, só admirando aquilo tudo. Para não dizer que estava sozinho ali, algumas pombas e um casal de turistas lituanos, que pediram para que eu tirasse algumas fotos.

Dei uma volta ali ao lado e depois voltei para o hotel. Descansei um pouquinho antes de acordar e bater perna de novo. Comprei algumas lembranças para muita gente aqui da terrinha e procurei me informar sobre o caminho para o San Siro. Depois de inserir as moedas na máquina, que emitiu o bilhete para o metrô — € 2,55 —, embarquei na Linha 1 (vermelha ou rossa) lá no Duomo, com destino à estação Lotto.

Duas situações me chamaram a atenção: mesmo estando razoavelmente cheia — nada comparado a São Paulo, mas cheia —, não vi nenhum tumulto, empurra-empurra ou algo do tipo. Outra coisa é que os vagões, pelo menos da Linha 1, são bem antigos e todos pichados.

Depois de uns 25 minutos e nove estações, cheguei lá ao destino: Lotto. Era a estação mais próxima do Giuseppe Meazza, um dos mais tradicionais estádios de toda a Europa, no bairro San Siro. Bairro que lembra um pouco o Morumbi. Dispensei o táxi e andei mais ou menos uns 2 km até começar a ver a monumental estrutura ao redor do estádio. Foi a glória. Seria inaceitável estar em Milão e não ir ao San Siro, mesmo não sendo dia de jogo. Conheci o museu (sabe qual a única camisa de time brasileiro por lá? a do Santos, claro!) e fiz um tour pelo estádio, com direito a visita aos vestiários. Para mim, amante do futebol, foi incrível.

Antes do retorno ao metrô, parei em um McDonalds e fiquei tentado a comer um Big Mac, mas fiquei com medo de perder o horário da saída para o aeroporto — 15h30 — e peguei só uma Coca Cola antes de iniciar a volta. Daquela vez, porém, desci na estação San Babila, logo à frente da Duomo, pois ficava mais próxima ao hotel. Cheguei bem em tempo lá, antes das 15h. Talvez daria tempo de comer um Big Mac italiano, que custava € 6,15. Mas não importa. Sinto que fechei a viagem a Milão com chave de ouro. Cidade encantadora, povo acolhedor, comida das melhores e mulheres lindíssimas. Definitivamente, a Itália é um espetáculo.

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Giro d’Italia (2)

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Milão

Apesar de toda a correria vivida ontem, o sono, esse danado, insistia em não dar as caras. Acho que era a adrenalina a mil por hora, principalmente por estar em um lugar tão interessante e diferente de tudo o que eu havia visto, pela viagem em si, pelas coisas que estava a viver hoje. Então, dormi pouco, talvez para fazer o dia durar mais: só conseguir deitar o esqueleto no colchão às 3h30 (horário daqui, 0h30 em Brasília), para acordar três horas mais tarde para o início das atividades de hoje.

Como previsto,  a quarta-feira foi bastante movimentada por aqui. Pudera. Afinal, gente do mundo inteiro veio a Milão acompanhar o lançamento dos pneus da Pirelli para a temporada 2013. Só que, antes da apresentação, marcada para meio-dia, fomos visitar a fábrica da Pirelli aqui na capital da Lombardia. Uma fábrica enorme, diga-se.

Aqui são fabricados os pneus para carros de luxo, como Ferrari, Lamborghini e McLaren. Mas, além da fábrica, existe um avançado centro de desenvolvimento e pesquisa, que trabalha em conjunto com as fábricas de Izmit, na Turquia — responsável pelos pneus para o automobilismo internacional e a Stock Car — e Breuberg, na Alemanha — que fabrica os compostos do Mundial de Superbike. O centro conta com um grande laboratório responsável por pesquisa molecular. Coisa de cinema. Contudo, por ser um ambiente de desenvolvimento de novos produtos, fotos e filmagens não foram permitidas.

Tanto a fábrica quanto a sede da Pirelli ficam em um bairro industrial daqui. Perto da fábrica, há um enorme shopping center que, à primeira (e externa) vista, é bem parecido com os que existem aqui. Seguimos pela Viale Sarca, onde está o prédio da Pirelli e a Bicocca degli Arcimboldi, um prédio histórico e construído no século XV. No entorno deste prédio fica a sede da Pirelli.

Por ser um evento especial, a organização instalou vários alto-falantes, que tocavam sons e mais sons dos roncos dos motores dos carros, como F1, GT, Rali e Superbike. Era uma atmosfera boa, aquela. Logo na entrada, depois de passarmos por duas portas de vidro, entramos em um salão, devidamente coberto e aquecido, que tinha vários carros em exposição. Muitos, mesmo. Tinha GT, carro de rali, F1 (Lotus de 2012, Toro Rosso de 2012 e Ferrari de 2011), a moto de Max Biaggi na Superbike e a Honda de Hélder Rodrigues, que disputou o Dakar recentemente. Foi bem divertido para aquecer o dia aqui em Milão. Fazia 3ºC no começo da manhã, mas depois ficou menos frio.

Confira algumas fotos de hoje por aqui. Mais tarde volto para falar sobre a apresentação dos pneus e sobre o restante do dia em Milano.

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Giro d’Italia

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Milão

2013 começou de uma maneira que eu jamais esperava. A Pirelli convidou o Grande Prêmio para fazer, no dia 23, a cobertura do evento que consiste na apresentação dos seus pneus para a nova temporada. As categorias são inúmeras, mas só para citar as principais: F1, GP2, GP3, Superbike e Stock Car. Fui escolhido pelo Victor Martins para representar nossa equipe e trazer a melhor informação a você, amigo leitor.

Fiquei feliz e honrado demais com o convite, obviamente. Afinal, jamais havia estado na Europa. Seria a chance ímpar de conhecer o Velho Mundo e aliar com o trabalho para o GP e a Revista Warm Up, trazendo a melhor e mais completa informação, algo que amo demais fazer. Desde que recebi a confirmação que viria para Milão, sede mundial da Pirelli, aqui na Itália, não consegui esconder a expectativa e comecei a preparar mil coisas, desde pautas até as roupas mais pesadas que tenho para me proteger do frio polar que faz por aqui.

Desde quando fomos convidados para vir a Milão, até o embarque, a expectativa só aumentou. E aí chegou o grande dia: 21 de janeiro. A rota foi São Paulo => Frankfurt -=> Milão. O horário previsto para a decolagem era 19h35, mas graças às nevascas lá na Alemanha, o voo foi adiado para 23h59. Não me importei por ter de esperar mais cinco horas. O duro foi comer um pedaço de pizza e dois chopps para matar minha modesta fome e ter de pagar ‘apenas’ 40 conto… coisas de aeroporto, né?

Durante a espera, vi uns caras famosos, pelo menos no esporte. Antes do embarque, vi o Fabio Simplício, aquele que jogou no São Paulo, Palermo, Roma e hoje está no japonês Cerezo Osaka. Conversei brevemente com ele, que foi gente boa. Disse que não quer saber de voltar ao Brasil e muito menos da Itália. “Já fiquei muito tempo lá”, falou o volante, que estava a caminho do Japão com mulher e filhos.

Já na hora do embarque, vi outros dois conhecidos e, veja só, do Dakar. Artur Ardavichus, piloto cazaque com o inconfundível uniforme da Astana, e Jean-Paul Cottret, navegador pentacampeão do Rali Dakar e escudeiro do mitológico Stéphane Peterhansel.

Mitológica, mesmo, seria a viagem prestes a começar. Assim que autorizado, fui ao assento marcado, não sem antes de pegar um exemplar da Gazzeta dello Sport — destacando muito o jogo do Pogba pela Juventus no fim de semana. Daí pra frente foi só relaxar, me ajeitar, apertar o cinto e voar em direção da Alemanha. A comida ótima veio acompanhada por três Warsteiner e, depois, emendei um sono pesado, que durou até 11h30, horário de Frankfurt, quando o avião já sobrevoava os céus da Espanha.

Pude ver melhor as paisagens depois que o avião começou a sobrevoar a França. Aí comecei a ver a neve tomando conta do relevo. E assim foi também na Suíça e, por fim, a Alemanha.

Depois de 10h28 de voo, o ‘bruto’ Boeing 747-400 aterrissou no monumental aeroporto internacional de Frankfurt, que, com exceção das pistas, estava todo coberto pela neve. Contudo, apesar da densa neblina e do frio cortante lá fora (uns 3ºC), não nevava, e isso era ótimo para o prosseguimento da nossa viagem.

Era só o começo. Depois de desembarcar, me inteirei sobre a situação do voo para Milão, passei a bagagem de mão pela vistoria e fui encarar a imigração. O agente alemão fez algumas perguntas básicas, do tipo “para onde vai?”, “quanto tempo vai ficar aqui?”, essas coisas. Tudo respondido, passaporte carimbado. Mais do que isso, passaporte descabaçado. Primeiro registro no meninão!

Antes disso, encontrei com outros jornalistas brasileiros igualmente convidados pela Pirelli para o evento desta quarta-feira. Um deles foi o Marcelo ‘Tuvuca’, que por algum tempo trabalhou aqui no Grande Prêmio. Fomos todos para uma sala VIP da Lufthansa, comemos uns acepipes, beberiquei uma cerveja Becks e fiz meus primeiros contatos internéticos na Europa. Estava bom demais tudo aquilo.

Alguns minutos depois, fomos para a fila de embarque do voo para Milão. Às 16h45 (13h45 de Brasília), segui junto com todo mundo para aquele avião, um A319 rumo à capital da Lombardia. Só que, diferente do que fora na viagem para Frankfurt, dessa vez tinha uma companhia feminina ao meu lado. Fui no corredor e, com um banco de espaço, uma italianinha aparentando ter uns 25 anos, ruiva e de cabelos longos e encaracolados.

Qual não foi a minha surpresa quando, antes mesmo de o avião decolar, a guria, que mora em Milão, começou a trocar uma ideia? Pois é… ela falou que vinha do Rio de Janeiro depois de ter ficado um tempo nos Estados Unidos. Misturando palavras em italiano, inglês e espanhol, consegui me comunicar até que bem. E acho que a conversa rendeu e ela gostou do brasiliano aqui. O papo rolou praticamente por todo o voo até Linate, aeroporto de Milão similar a Congonhas em São Paulo. Peguei o contato da italianinha, de nome Sofia, e cada um foi pro seu canto.

Um motorista da Pirelli estava a nos esperar no desembarque em Linate. Seguimos ao estacionamento, onde seguimos em uma van até o hotel. Um fabuloso hotel, diga-se. Deixei as malas, fiz um pit-stop providencial e segui para o ônibus, que estava esperando todos nós para o Terrazza Martini, onde rolou o jantar desta terça-feira. Jantar que foi oferecido a jornalistas e convidados. Vi gente da Argentina, Espanha, Japão e nós do Brasil. Os britânicos devem chegar amanhã. Também avistei Paul Hembery, que conversava animadamente em uma mesa.

Depois de aproveitar a beleza da vista inesquecível da Terrazza Martini, de frente com o belíssimo Duomo. Após um tempo ali e de bate papo com o pessoal, fomos todos ao jantar: igualmente maravilhoso. Durante o jantar, conhecemos um italiano, Francesco, que nos contou uma história curiosa: ele disse que tem uma banda, chamada Esquizofrenia, que é cover do Sepultura. E o cara é fã também do Ratos do Porão. Foi divertido.

Foi um dia e tanto… ou melhor, praticamente dois dias. Amanhã, sim, ao trabalho, que é a razão de eu estar aqui. A apresentação dos pneus da Pirelli para a temporada 2013 começará ao meio-dia, horário daqui de Milão. Antes, vamos acompanhar uma exibição, na sede da Pirelli, de como são feitos e desenvolvidos os pneus da Pirelli para várias categorias.

Desde já, faço um convite para acompanhar conosco a primeira cobertura internacional ‘in loco’ do Grande Prêmio por meio do site, Twitter, Facebook e pelo BloGP. Até logo mais!

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Dakarianas

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Olá, amigos e amigas do Grande Prêmio e do BloGP. Tudo bem com vocês? Este é meu primeiro post aqui em 2013. Então, desde já, quero desejar a todos os leitores um sensacional ano, com muito sucesso e realizações mil. Todos nós merecemos.

E a mil está o Rali Dakar, a primeira grande competição do esporte a motor em 2013. Você pode acompanhar a cobertura especial que o Grande Prêmio vem fazendo desde os primeiros dias do ano aqui. Estamos levando não somente o noticiário, mas o dia a dia dos brasileiros no maior rali do mundo. Eram nove os competidores daqui, mas Lourival Roldan, o ‘papa do rali’, deixou a prova depois de não conseguir largar ontem ao lado dos bolivianos Luis Barbery e Hernán Daza, já que o Toyota Hilux do trio enfrentou problemas no motor.

O Dakar é, seguramente, uma das mais difíceis provas do automobilismo. Não basta o competidor estar bem preparado física e psicologicamente para enfrentar mais de 8.500 km pelos desertos da América do Sul, que recebe a prova desde 2009. Os veículos precisam de muita força para superar as dunas, muitas delas imensas.

A seguir, dois vídeos dos primeiros dias de prova: um resumo do trabalho da Husqvarna, que vem sendo destaque no Dakar principalmente com Joan Barreda, e do peso-pesado Tatra do tcheco Ales Loprais. Repare na extrema dificuldade que o caminhão de Loprais tem para subir uma duna. Como diria o outro, isto é Dakar, meu amigo!

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El duelo

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Bem diferente de 2012, quando a Williams fechou sua dupla desta temporada depois da virada de ano, confirmando Bruno Senna — em substituição a Rubens Barrichello — como parceiro de Pastor Maldonado, 2013 se avizinha mais promissor, com o anúncio da dupla Pastor-Valtteri Bottas dias depois do GP do Brasil. A dupla parece ser das melhores. Maldonado, em que pese as críticas pela sua irregularidade, provou seu valor. Rápido, muito rápido, só precisa amadurecer, e isso deve acontecer em 2013, sua terceira temporada na F1. E pela primeira vez, é o venezuelano quem será a referência do time, já que ele terá ao seu lado o jovem e promissor Bottas, que desbancou Senna e fará sua estreia no ano que vem.

O duelo entre o experiente Maldonado e o jovem Bottas promete. Ambos não esperaram pelo GP da Austrália, daqui a 101 dias, para começarem a disputa. Em um vídeo divulgado hoje pela Williams, Pastor e Valtteri duelaram no par ou ímpar e na brincadeira do sim ou não.

E nas pistas? Quem vai levar a melhor? Opine!

 

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O futuro do mito

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Após ter feito sua melhor temporada na F1, com direito ao terceiro lugar diante do seu público, no Japão, Kamui Kobayashi foi dispensado pela Sauber para dar lugar a Esteban Gutiérrez. A princípio, tudo poderia indicar que a situação do Mito seguiria o mesmo curso já visto com Adrian Sutil e Jaime Alguersuari, dois outros que, depois de realizarem suas melhores temporadas em 2011, perderam vaga no grid. O caso de Kamui é bem diferente.

A informação publicada nesta quinta-feira (29) pelo jornal finlandês ‘Turun Sanomat’, indicando que Kobayashi conversa com a Lotus, procede. O BloGP apurou e soube que as negociações entre o piloto e a escuderia iniciaram ainda em outubro. Existe uma possibilidade real de Kamui substituir Romain Grosjean em 2013. O Mito dispõe do suporte de empresas locais, o que é fundamental na F1 dos dias atuais.

Mesmo dispensado da Sauber, Kamui tem futuro bem promissor na F1 (Foto: Sauber)

Romain, apesar do prestígio que tem com Éric Boullier e do apoio financeiro da Total, não tem sua situação definida para 2013, como disse ao Grande Prêmio Gerard Lopez, o todo-poderoso da Lotus, lá em Interlagos.

Koba-san também conversa com outra equipe do pelotão intermediário. O BloGP apurou também que outro time, este do fim do grid, chegou a lhe oferecer uma vaga, mas Kamui quer subir um patamar em relação à Sauber, jamais descer.

Sua meta, como já foi dito por ele mesmo, é crescer em 2013 para pleitear uma vaga nas equipes top em 2014. Lembrando que Ferrari e Red Bull têm pilotos, no caso Felipe Massa e Mark Webber, respectivamente, com contrato vencendo no fim do próximo ano.

Embora Grosjean seja protegido de Boullier, vale lembrar que o dirigente francês já trabalhou com Kobayashi — foi patrão de Koba-san nos tempos de Dams na GP2 — e tem muito apreço por ele. Tanto que, quando chefiava a Renault, chegou a cogitar a contratação de Kamui depois que a Toyota deixou a F1, no fim de 2009, mas acabou optando pelos petrodólares de Vitaly Petrov.

Uma coisa é certa: caso as negociações deem certo, Kobayashi e Kimi Räikkönen formariam a dupla mais épica, mitológica e lendária nessa F1 atual.

Adendo 1

Como bem lembrou o leitor Celso, o site Kamui Support entrou no ar no dia 21 de novembro, e hoje, dia 30, já arrecadou US$ 1,5 milhão. Quantia que seguramente vai aumentar muito nas próximas semanas. Levando em conta seu carisma Brasil e no mundo, o mito tem tudo para garantir, financeiramente, uma vaguinha na F1 em 2013.

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Craque no paddock

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Interlagos

Ontem foi um dia bem movimentado em Interlagos, tanto dentro da pista quanto fora dela. A presença dos famosos é algo bastante comum nos finais de semana de F1. São tantos os chamados VIPs por aqui que é fácil de perder a conta. Mas destaco um em especial. Lucas, craque do São Paulo e contratado pelo Paris Saint-Germain por R$ 108 milhões, esteve presente ontem aqui em Interlagos como convidado da Gilette, ao lado de Ronaldo Fenômeno, o gordão.

Ambos, lado a lado, deram entrevistas coletivas, e a muvuca em torno deles era muito grande, muito mesmo. Tanto que impressionou até mesmo Narain Karthikeyan, da quase falida HRT, que passava pelo local com destino ao box da sua equipe, que fica bem no fundão. Impressionante como a aglomeração em cima do maior artilheiro das Copas do Mundo era grande, mas também havia muita gente entrevistando Lucas. Então fui saber a impressão dele sobre a F1 e essa maravilhosa parafernália que envolve esse mundo.

“Não manjo absolutamente nada (risos). Mas eu gosto muito de carros, de motor, de escutar o ronco deles, e quem assiste meu jogo sabe que eu gosto muito de correr, então nada mais justo do que prestigiar um evento como esse”, disse ele, todo simpático e solícito à imprensa, apesar de a assessora de imprensa ficar apressando o garoto.

“Tudo é muito diferente. Eu me sinto como um peixe fora d’água por aqui. Vi um monte de fios, cabos, o volante cheio de botões… não dá para entender nada (risos). Tive até uma aulinha ali com o Bruno Senna… Mas é bacana você poder conhecer, ter uma noção do que é outro esporte e feliz por estar aqui e conhecer o Senna, que é uma ótima pessoa”, falou o craque.

Questionado sobre a saída de Mano Menezes, que foi o treinador que o alçou à Seleção Brasileira, Lucas desejou sorte ao gaúcho, mas preferiu não mencionar sua preferência por seu substituto. O que ele deixou muito claro é sua ansiedade pelo momento de mudança em sua vida, quando trocará a caótica São Paulo pela bela Paris, mas levará consigo o Tricolor do Morumbi no Coração.

Perguntei a ele sobre sua expectativa pela mudança para a Europa em janeiro. “A ansiedade e a angústia aumentam a cada dia. Vai ser tudo muito diferente para mim, tudo muito novo, então só vou saber se estou preparado quando chegar lá. Só sei que vou sentir muita falta, ficar com muita saudade de tudo por aqui no São Paulo, no Brasil, mas tenho de buscar meus objetivos lá fora. Estou feliz por ir para um grande clube e vou deixar o São Paulo no meu coração“.

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A grande paixão de Kubica

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Robert Kubica nunca escondeu sua paixão pelo rali. Sempre que pôde, deu suas traseiradas aqui e ali. Teve de parar um tempo, é verdade, por causa da F1. A BMW não permitiu que o polaco participasse de provas esporádicas e fez questão de colocar essa restrição em contrato. Os bávaros saíram de cena em 2009, e aí Robert teve a chance de ir para a Renault para substituir o amigo Fernando Alonso. Pelo time anglo-francês, finalmente Kubica pôde voltar a disputar seus ralis vez em quando, ele mesmo fez questão de colocar isso em contrato.

Numa dessas trágicas ironias do destino, dias depois de ter sido o mais rápido da primeira semana da pré-temporada da F1 em 2011, em Valência, sofreu aquele trágico acidente lá em Gênova, quando disputava o Rali Ronde di Andora. Sua carreira na F1 praticamente terminava ali.

Ao mesmo tempo em que avançava na recuperação física — principalmente da mão direita —, Kubica era a fonte de boa parte dos rumores proferidos pela mídia europeia. Muitas dessas especulações o colocaram como piloto da Ferrari, no lugar de Felipe Massa, para 2013. Tudo dependia, claro, da sua reabilitação. Contudo, desde então, não houve nenhuma manifestação pública mais contundente de Robert quanto a um possível retorno à F1 àquela época.

Em contrapartida, o polonês, cada vez melhor fisicamente, voltou a competir fazendo o que ele mais gosta, suponho: disputando ralis. E, de maneira até surpreendente, desandou a ganhar provas pela Europa. Em sua primeira conquista, em setembro, Kubica chegou a considerar o retorno à F1 e tratou isso como prioridade para o futuro da sua carreira. Contudo, no último fim de semana, em Como, parece ter mudado de ideia ao afirmar que, em curto prazo, seu retorno aos monopostos é impossível.

Nesse mesmo tempo, Kubica, ao lado do navegador Emannuele Inglese, conquistou com extrema tranquilidade a vitória no Rali de Como pilotando o vitorioso Citroën C4 WRC, o mesmo modelo que tantos títulos deu a Sébastien Loeb. Mais do que as vitórias em sequência, os resultados mostram que Kubica é muito feliz no rali. Felicidade que se traduz em competência.

Tá aí um cara que, depois da saída do Loeb do WRC, poderia ser o grande nome dessa nova fase do Mundial de Rali. Talento, competência e carisma não lhe faltam. Além disso, não teria as mesmas dificuldades de Kimi Räikkönen, que tanto tempo levou para se adaptar. O principal, porém, Kubica tem de sobra: a sua paixão pelo rali.

Confira abaixo os melhores momentos da vitória de Kubica e Inglese no Rali de Como

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Todos os campeões em cinco minutos

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Antti Kalhola é um gênio dos vídeos de automobilismo. Já postei alguns deles, sendo que o último teve como estrela maior Sébastien Loeb. Mas o jovem finlandês entende do riscado também quando o assunto é F1. Na sua última produção, divulgada nesta sexta-feira, Antti colocou todos os campeões mundiais desde 1950 até o ano passado, tudo em um espaço de pouco mais de cinco minutos. As imagens são espetaculares. Recomendo muito!

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Sinal de alerta

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

O tom das linhas mal traçadas a seguir pode até soar alarmista para alguns, mas, na minha visão, apenas traduz a realidade. Os últimos acontecimentos em São Paulo, mais precisamente na região metropolitana que engloba a capital paulista, indicam que há um estado não-declarado de guerra civil. Os números não mentem.

São inúmeras as mortes nos últimos meses. As estatísticas quanto aos homicídios apenas crescem. Segundo estudo do Estado de S. Paulo, pelo menos 154 pessoas foram mortas a tiros entre 24 de outubro e a última segunda-feira. Contudo, o governador daqui, Geraldo Alckimin, dizer que está “tudo sob controle”. Não, Sr. Governador, não está.

Faltam pouco mais de dez dias para o GP do Brasil de F1, o principal evento esportivo do ano no Brasil. Às vésperas da última etapa da temporada e restando menos de dois anos para a Copa do Mundo, parece evidente que haverá uma força-tarefa policial no próximo fim de semana, em Interlagos. Tudo para garantir a segurança de quem estará presente em São Paulo, e, também, para passar a imagem de um país seguro. Imagem esta que anda muito arranhada lá fora, pelo que se pode perceber da repercussão que essa última onda de violência ganhou mundo afora.

Tensão antecedeu o GP do Bahrein de F1

Tão grave situação me fez lembrar do que aconteceu sete meses atrás. Entre o fim de março e começo de abril, muito se falou sobre um possível cancelamento do GP do Bahrein, prova que foi cancelada no ano passado por motivos de (falta de) segurança. O Grande Prêmio fez uma baita cobertura sobre o assunto. O clima de tensão ainda pairava no ar em 2012, um ano depois de o movimento chamado de Primavera Árabe explodir. Protestos entre movimentos populares contra o regime totalitário do rei Hamad bin Salman Al-Khalifa davam o tom.

Até dias antes do embarque do material das equipes da F1 da China para o país insular, havia muita incerteza quanto à realização da prova. Emissoras de TV da Finlândia, Alemanha e Japão se recusaram a embarcar rumo ao Oriente Médio.

Entretanto, apesar da tensão e do medo de algumas equipes e pilotos — a Force India, por exemplo, não participou de parte das atividades de sexta-feira —, Bernie Ecclestone bateu o pé. A corrida foi realizada no circuito de Sakhir e não houve nenhum grande problema. O único fato relevante e digno de note foi que o Bahrein presenciou a primeira vitória na temporada do homem que pode ser campeão do mundo neste fim de semana, Sebastian Vettel.

Às vésperas do GP do Brasil, São Paulo vive onda de violência

De volta ao assunto São Paulo. Embora a maioria dos pilotos diga que ama o Brasil e que adora o ambiente hospitaleiro que existe neste país tropical, outros tantos não escondem o receio com a violência estabelecida por aqui. Apenas para recordar casos recentes, Jenson Button sofreu uma tentativa de assalto, em 2010, mesmo ano em que uma van que transportava membros da Sauber foi interceptada por ladrões próximos à saída de Interlagos.

Se naquela época não havia essa onda de violência como existe agora e o clima já era de tensão, o que dizer dos dias atuais?

Obviamente, o GP do Brasil deve e vai acontecer. Até onde eu sei, não há nenhuma ameaça de boicote de jornalistas quanto à viagem para São Paulo. O mesmo se pode dizer em relação aos pilotos e membros das equipes. Tal postura é alentadora e indica confiança na segurança do país, mas não basta. Por conta de todo o contexto atual e o número absurdo de mortes em tão curto espaço de tempo, chego a duas conclusões inevitáveis: São Paulo vive um momento tão ou mais tenso que o Bahrein na época da F1 por lá; e, na minha visão, não parece nenhum exagero dizer que o GP do Brasil de 2012 parece ter virado um evento de alto risco. Mas quero e espero estar errado. Espero que São Paulo tenha, de verdade, a violência sob controle, algo que, por enquanto, não passa de ilusão.

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