Arquivo da tag: Evelyn Guimarães

A satisfação do dever cumprido

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Demorei um pouco mais que o normal para escrever sobre o fim de semana que eu vivi em Interlagos. É que, além de toda a correria que marcou esse período, também estive envolvido (ou melhor, ainda estou) com um sem número de trabalhos da faculdade, o que tem deixado esses dias com cada vez menos horas livres para meditar, refletir, fazer um balanço desse meu primeiro GP do Brasil, enfim, dessa minha estreia na F1.

Lembro como se fosse ontem da minha primeira cobertura jornalística para o Grande Prêmio e para a Revista Warm Up. Tudo aconteceu no Sertões Series, uma prévia do Rali dos Sertões, em Avaré, Interior de São Paulo, em maio do ano passado. Sabia que representava a maior agência de notícias do Brasil, eu era um novato, não podia fazer feio. Felizmente, salvo a timidez inicial, acho que fui bem para uma primeira experiência. De quebra, me apaixonei pelo rali, modalidade que não conhecia muito, mas aprendi a respeitar e amar. Uma nova era na minha vida havia começado ali.

Desde então, acumulei cada vez mais experiência. Na sequência, fiz o inesquecível Rali dos Sertões, Stock Car, FIA GT em 2010, e nesse ano, Mitsubishi Cup, Mitsubishi Motors e a Porsche Cup. Começo promissor para mim, devo dizer. Mas faltava algo, faltava a F1 para completar esses primeiros anos com essa gloriosa equipe do Grande Prêmio. E a chance finalmente veio nesse ano.

Foi meio que uma surpresa para mim. Confesso que quando fiquei sabendo que estava credenciado, fiquei ao mesmo tempo empolgado e apreensivo. Realmente não sabia o que esperar, não sabia se poderia desempenhar um bom trabalho, levando em conta que na F1 o acesso aos pilotos e equipes é muito mais restrito do que em qualquer outra categoria.

Por um momento temi por não conseguir entrevistar ninguém. Meu inglês está muito longe do ideal. Meu espanhol sim, é bem razoável, mas de qualquer forma, nunca tive a certeza de que daria conta do recado. Fui com o coração na mão, para não dizer outra coisa, imaginando que enfrentaria dias difíceis pela frente.

Foram seis dias de intensa correria em São Paulo, desde o dia em que fui para lá pegar a credencial (essa está guardada em um lugar especial), até retornar no outro dia para aí sim, iniciar minha jornada em Interlagos. Eu, que jamais consegui assistir uma corrida de F1 in loco antes, tive a real dimensão do que era aquele universo todo.

Trabalhei ao lado de mestres do jornalismo, como Flavio Gomes, Victor Martins e Evelyn Guimarães, e conheci outros tantos, do Brasil e do exterior. Entrevistei muita gente boa por lá, muita gente mesmo. Mesmo com meu inglês macarrônico, e que, quando bateu o nervosismo, tornou-se sofrível, estava eu lá em busca de alguma informação, uma foto, qualquer coisa que fosse interessante para o leitor, razão única de estar ali.

Nesse tempo todo consegui fazer algumas entrevistas boas: garanti uma entrevista exclusiva com Daniel Ricciardo — o que foi uma surpresa para mim —, e falei também com Sergio Pérez, Jaime Alguersuari, Peter Sauber, Esteban Gutiérrez, Pastor Maldonado, Tony Kanaan, Rubens Barrichello e Bruno Senna. Muito desse material já está publicado no Grande Prêmio, é só conferir no site. Julgo que, levando em conta as minhas limitações todas, consegui fazer um bom trabalho, mas isso só foi possível também graças à equipe toda na retaguarda: Juliana Tesser, Felipe Giacomelli e Mauro de Bias.

Foi tudo inesquecível, do começo ao fim. É muito bom sair da redação ‘virtual’ para fazer o trabalho na rua, na pista, em qualquer lugar. Seguramente serão dias que guardarei comigo para sempre. Ainda tenho muito que aprender, tenho que comer muito feijão com arroz (ainda mais?), preciso evoluir muito ainda, em todos os sentidos. Certamente, mais estudado e experiente, voltarei ainda mais forte em 2012, mas claro, sem nunca perder a humildade. É meio o discurso dos pilotos todos nesse fim de temporada, e por tabela, acaba sendo meu discurso também.

Como prêmio pelo árduo, porém prazeroso trabalho do fim de semana, Evelyn, Juliana e eu estivemos presentes à premiação do Gomes como melhor apresentador de rádio (Estadão/ESPN) e do Victor como melhor repórter de imprensa escrita pelo Troféu ACEESP, o mais importante de São Paulo e talvez, do Brasil. Foi o primeiro prêmio da Revista Warm Up, um momento histórico para todos nós.

Como se não bastasse, tive a chance de conhecer de perto o mito e Pai da Matéria, Osmar Santos, coroando assim a minha estada em São Paulo com chave de diamante. Momento único na minha vida. Dias que levarei para sempre comigo.

Volto para Sumaré, aqui no interior de São Paulo, com a mala cheia de experiência e aprendizado e também com o sentimento do dever cumprido. Agora é finalizar bem essa temporada e começar tudo de novo em 2012. Hasta siempre!

3 Comentários

Saldo do fim de semana

Evelyn Guimarães

Mexilhoeira Grande, Portugal | Algumas coisinhas.

_ O formato parece estranho, mas funciona. No Mundial de GT1, a definição do grid de largada vem por meio de um treino e uma corrida. Primeiro, os pilotos disputam a sessão classificatória no sistema de Q1, Q2 e Q3, similar à F1.

Depois vem a corrida classificatória, cujas posições foram definidas pela no treino. Essa corrida vai formar o grid definitivo. Mas é uma prova disputada, divertida e cheia de alternativas. Assim como a principal, a prova classificatória tem uma hora de duração. Quer dizer, na verdade, o fim de semana tem duas corridas movimentadas, mas com pontuação diferente. Talvez, seja um sistema complicado do ponto de vista da transmissão de TV, mas certamente é um formato interessante para o público.

_ Apesar da estrutura e dos valores acessíveis, as arquibancadas não lotaram. O domingo foi o dia mais movimentado e grande parte da torcida preferiu a arquibancada principal. Mesmo assim, 24 mil pessoas passaram pelo autódromo no fim de semana.

– A próxima parada do Mundial do GT1 é na Espanha e não mais em Durban, na África do Sul. Por conta de uma construção, o traçado urbano sul-africano não pôde ser concluído, o que acabou adiando a etapa para o próximo ano. Aragón, que recebeu a MotoGP no fim de semana, foi escolhido para a oitava etapa, que acontece entre 24 e 25 de outubro. De lá, os carros do GT1 seguem para o Brasil. A rodada em Interlagos será no fim do mês de novembro. A temporada encerra na Argentina, no circuito de San Luis.

– Enrique Bernoldi foi o único brasileiro na etapa portuguesa. Ricardo Zonta deve voltar na próxima etapa. O paranaense da Maserati não conseguiu completar sequer a primeira volta por causa de toque na primeira curva. O piloto reclamou da diferença de performance entre as duplas. “Apesar de termos um bom carro, a categoria não comporta mais duplas que não andam no mesmo ritmo, e temos sofrido muito com isso neste ano”, afirmou.

_ F-Superliga. A categoria, que dividiu com os boxes com o GT1 no Algarve, também vai para a Espanha com o GT1. Embora tenham inúmeras limitações aerodinâmicas e técnicas, os carros da Superliga proporcionam belas corridas. O formato também é esquisito, mas o negócio é o show e, pelo que vi, tem funcionado. Mas a identidade com os times é nula mesmo. Os membros das equipes acompanham pouco o futebol e a marca do time normalmente aparece apenas nos caminhões das equipes, no macacão do piloto e, claro, no carro.

– A Superliga também já está em busca de novos mercados. Mas a América do Sul ainda não está nos planos. Ao menos não de forma imediata.

Deixe um comentário

Também quero!

Olha só que interessante. Minhas fontes em Leipzig, na Alemanha, acabam de me informar que uma rede supermercados, a Rewe, anunciou que podem ser adquiridos ingressos promocionais, somente via telefone, para etapa alemã da F1, que será realizada em Nürburgring, entre os dias 10 e 12 de julho. O mais curioso da história é que a pessoa compra dois ingressos pelo valor de € 99 (o que dá mais ou menos uns R$ 270) e ganha uma visita aos boxes da Brawn, a grande sensação da temporada.

E não é só isso, como diria a propaganda. O torcedor fica em uma arquibancada com telão, participa de um sorteio que vai presentear o vencedor com uma volta de táxi com um piloto da F1 e, de quebra, ainda participa de uma festinha no autódromo, a festa não faz parte do sorteio. Quer mais? O dono dos dois ingressos ainda ganha um passeio no famoso circuito germânico, além de um vale compras de € 20 no tal mercado.

Só para fazer um comparativo. No Brasil, a entrada mais barata custava R$ 356 para o sábado e para o domingo. Sem direito a telão ou visita. Vale lembrar que os bilhetes mais baratos para a corrida em Interlagos já se esgotaram.

Evelyn

8 Comentários

Primeira vez

Sempre pensei em ter um blog. E a cobrança por um sempre foi grande. Dos amigos, principalmente. E, claro, da chefia. Primeiro, a ideia seria colocá-lo no ar junto com o site novo. Mas ele deu muito trabalho no início, então acabei adiando. Até hoje. Como ontem estava de folga e muito longe de qualquer computador, só hoje pude me apresentar. Bem, lá vai. Sou Evelyn Guimarães e estou na equipe do Grande Prêmio desde 2007. Acompanho automobilismo desde a adolescência. Mas usarei esse canal não só para falar sobre automobilismo. Música, cinema e outras coisas mais também estarão em pauta. Além disso, será um grande prazer dividir esse espaço com os meus companheiros de trabalho. E sejam todos bem-vindos.

4 Comentários