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Na rota dos Sertões: Vai deixar saudades

Escrevo este texto na noite desta terça-feira, 28 de agosto de 2012, dia de encerramento da histórica 20ª edição do Rali dos Sertões. Para mim, especificamente, foi um privilégio estar, pelo segundo ano, como responsável do Grande Prêmio pela cobertura desse evento único, tanto na esfera esportiva quanto na social. Foi uma grande honra estar aqui representando o melhor site de automobilismo do Brasil. Não sou lá muito afeito a autoelogios, mas, dentro das possibilidades, acho que o trabalho foi bom. Pode melhorar demais para as próximas edições, mas deixo Fortaleza, na próxima quinta, bastante satisfeito.

Desde quando acabou o ‘meu’ primeiro Sertões, em 2010, já vinha sonhando em participar da próxima cobertura. Não aconteceu em 2011, mas não deixei a guarda abaixar. Sabia que, mais cedo ou mais tarde, teria minha segunda chance. E ela veio neste ano, através de um convite da organização de prova, a quem agradeço demais pela oportunidade, e, novamente, ao Grande Prêmio e todos os membros do nosso ‘dream team’: Renan do Couto, Fagner Moraes, Juliana Tesser, Victor Martins, os viajantes Felipe Giacomelli e Evelyn Guimarães e o patrão Flavio Gomes.

Não é fácil fazer uma cobertura ‘in loco’ de um evento tão grande como é o Rali dos Sertões. É totalmente diferente de trabalhar em uma corrida em um autódromo, por exemplo. A complexidade é muito maior. São percorridos, em média, cerca de 500 km por dia. E muitas vezes as cidades por onde passa o rali não oferecem uma estrutura adequada para a realização de um bom trabalho. Foi assim em algumas oportunidades nesta edição, como em Palmas. Acontece. Então nós, jornalistas, temos de matar às vezes quatro ou cinco leões por dia. Peço desculpas por não ter conseguido atualizar o blog da maneira como eu gostaria. Mas é vivendo e aprendendo.

Por isso a necessidade de uma equipe forte e competente. Dessa forma, agradeço a todos do GP. Sem a ajuda de todos vocês, nada disso teria acontecido e jamais estaria aqui.

Eis um dos prêmios por completar o Rali dos Sertões: a medalha da vitória

Foram dez dias de estrada, mas um pouco mais de tempo entre a minha chegada a São Luís, no dia 16, até a minha partida, dentro de um dia e meio. Nesse tempo todo, conheci muitas pessoas, fiz bons amigos, passei por lugares onde jamais estive antes, ouvi histórias de luta, superação e vitória. Tudo isso ao longo de quase 5 mil km entre estradas, ótimas e péssimas, desse Brasil varonil.

Vi um pouco de tudo nesses dez dias de Sertões. De forma inimaginável, passei FRIO em Petrolina, em pleno semiárido pernambucano. E só para citar outros três exemplos vistos na penúltima cidade visitada, Iguatu, acho que jamais verei novamente um TÁXI rebaixado. Nessa cidade, cravada no centro-sul do Ceará, há, logo na entrada, um bar chamado ‘Sadan Hussein’ e, de forma contrastante, há um hotel, onde ficamos hospedados, comandados por freiras (Diocesano Hotel), algo que também nunca tinha visto antes. Espetacular!

Vi um Norte-Nordeste ainda bastante carente em muitos lugares, mas também é fato que, conversando com as pessoas que vivem por aqui, tudo melhorou significativamente de uns dez anos para cá. Muita coisa ainda precisa ser feita, mas o fato é que o Nordeste é uma terra promissora. Como eu disse para meu amigo Fagner hoje (ou ontem), o Nordeste é o futuro do Brasil.

Também tive o privilégio de acompanhar, ‘in loco’, um dos maiores ralis do mundo, e estar em contato diário com pilotos, navegadores, equipes de apoio, jornalistas, pessoal da organização, equipe médica, todo mundo que faz do Rali dos Sertões um acompanhamento grandioso. Quase duas mil pessoas e um só ideal. No fim das contas, o que vale é a parceria, o companheirismo, a amizade e o espírito de equipe… tudo o que, na verdade, compõe o verdadeiro espírito do Rali dos Sertões.

Aprendi demais nesses dez dias aqui. Estamos sempre aprendendo todos os dias. Mas estar em uma cobertura tão intensa como é o Rali dos Sertões nos ensina demais, não apenas como profissionais, mas na vida como um todo. Aprendi com uma lenda viva do esporte que, mesmo que você seja o melhor do mundo e o mais #fera de todos os tempos, é possível ser humilde e atencioso com o próximo. Aprendi com Cristiano Teixeira que, por mais limitações que você tenha, é possível realizar sonhos. Como o que eu realizei hoje, chegando ao fim da minha segunda cobertura do Sertões.

Junto com alguns dos muitos parceiros que me ajudaram nessa jornada ao longo desses dez dias — Fernanda Gonçalves, Caio Scafuro, Daniel Betting, Cleber Bernucci e Luciano Fritsch —, subi a rampa da vitória e recebi a medalha por ter completado o Sertões. Sentimento único de satisfação e vitória. Sentimento que gostaria de compartilhar com todos aqueles que, de uma forma ou de outra, proporcionaram tudo isso.

A cobertura do Rali dos Sertões ainda não acabou, mas o sentimento que fica já é de saudades. Nesta quarta-feira, vai ao ar um especial completo sobre tudo o que aconteceu na prova deste ano, com análise do que foi bom e do que pode melhorar, declarações de pilotos, organizadores, chefes de equipe, trazendo revelações e até mesmo um possível encerramento de carreira por parte de um lendário piloto brasileiro.

Fica o sentimento do dever cumprido, a saudade e o desejo de voltar em 2013. E seguimos na batalha, sempre acelerando. Avante!

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