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Desprezível

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Dias depois de Guilherme Spinelli e Youssef Haddad darem uma lição de esportividade, o Dakar viu outra face bem mais cruel e suja. Tudo aconteceu na última segunda-feira (9), oitava etapa do Dakar, entre as cidades chilenas de Copiapó e Antofagasta. Seria apenas mais uma especial duríssima no deserto do Atacama. Até que os competidores enfrentaram um verdadeiro lamaçal ainda no primeiro setor do estágio.

Alguns pilotos passaram sem problemas pela tal areia movediça do Atacama, caso de Marc Coma, Juan Pedrero Garcia, Jordi Viladoms e Felipe Zanol. Outros não tiveram a mesma sorte e lá ficaram atolados: Cyril Després, Paulo Gonçalves, Hélder Rodrigues, David Casteu e Gerard Farrés Guell.

A organização do Dakar entendeu que o trecho do lamaçal não estava previsto na planilha dos pilotos. Por essa razão, os competidores que por lá atolaram tiveram o tempo perdido naquele setor devolvido. Dessa forma, Després diminuiu a diferença para Coma. Os outros pilotos que atolaram no lamaçal também receberam a bonificação do Dakar.

Aí já é algo questionável, já que a bonificação é meio injusta com quem passou por ali ileso. Afinal, os problemas e as dificuldades são as mesmas para todos, alguns escapam, outros não. Mas esse nem é tanto o caso.

Ocorre que Després, preso ali naquele monte de lama, recebeu a ajuda do luso Gonçalves, que também ficou atolado no mesmo setor do francês. Graças à ajuda do português, Cyril conseguiu se recompor e teve condições de seguir rumo a Antofagasta. Mas ao invés do piloto retribuir a ajuda ao colega, Després simplesmente saiu em disparada, deixando ‘Speedy’ Gonçalves desesperado e com uma sensação de injustiça.

Sem pregar o ‘politicamente correto’, mas foi uma puta sacanagem. Não é a primeira vez que Després é envolvido em polêmicas e falta de espírito esportivo com os adversários. Ainda em 2009, no fim do Rali dos Sertões, o francês sequer cumprimentou o vencedor, Zé Hélio. O brasileiro não deixou por menos e disse que Cyril é o piloto “mais desprezível do mundo.”

O trocadilho, que empresta o título para o post, é inevitável, mas talvez não haja mesmo outra palavra para definir tal ato, pelo menos na minha opinião.

Ano passado, já no Dakar, Després viu Olivier Pain caído inconsciente, vítima de um acidente, mas não socorreu o compatriota. Coma, que ajudou Pain até a chegada do socorro médico, disparou contra o rival.

Veja as imagens da atitude de Després no lamaçal do Dakar e tirem suas próprias conclusões.

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