Arquivo da tag: chuva

Nasce uma estrela

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Depois do que o mundo viu no último GP da Malásia, corrida que apenas confirmou que Fernando Alonso é o melhor piloto em atividade da F1, eu me atrevo a dizer que a categoria ganhou definitivamente uma nova estrela. Sergio ‘Checo’ Pérez fez até chover em Sepang, e ainda que o erro cometido lá na volta 50 tivesse lhe tirado a chance de uma vitória espetacular, o moço de Guadalajara (como diria o saudoso Fiori Gigliotii) foi alçado a um patamar superior depois de ter finalizado a caótica e encharcada prova malaia em segundo.

De uma só vez, Checo fez história ao dar à Sauber seu melhor resultado em toda sua vida na F1 — excetuando aí, claro, os anos de BMW, entre 2006 e 2009 —, e também ao colocar novamente a bandeira mexicana em um pódio da categoria após mais de quatro décadas. Incrível, mesmo!

Guardadas às devidas proporções, o feito histórico de Checo Pérez em Sepang, no último domingo (25), remete a dois outros momentos memoráveis na história na F1, até pelas condições bastante semelhantes entre si: Ayrton Senna no GP de Mônaco de 1984, e Sebastian Vettel no épico GP da Itália de 2008.

Senna era um estreante naquela temporada e fazia, no Principado, apenas sua sexta corrida na F1. O GP de Mônaco de 1984 foi disputado naquele dilúvio todo, e Ayrton fez história passando meio mundo após ter largado em 13º com um carro notoriamente limitado, o Toleman-Hart TG184, até chegar em Alain Prost, da McLaren. Fatalmente o ‘Professor’ seria ultrapassado pelo então novato brasileiro, mas foi salvo pelo diretor de prova, Jacky Ickx, que decidiu encerrar prematuramente a corrida, ainda na volta 31, por conta da forte chuva, pelo menos em teoria.

Resultado: ao invés dos tradicionais nove pontos, Prost somou só 4,5, já que a corrida fora interrompida antes do percurso total de 75%. Fato que, indiretamente, contribuiu para a perda do seu título mundial meses mais tarde. Por outro lado, pode-se dizer que Ayrton saiu muito mais no lucro, já que deixava de ser apenas mais um aspirante para se consolidar como a estrela ascendente daquela geração composta por tanta gente boa. Foi também o melhor resultado da Toleman em sua história de apenas cinco temporadas. A equipe britânica depois virou Benetton, Renault, e hoje está em sua quarta geração, agora como a nova Lotus.

24 anos depois de Senna ter mostrado ao mundo que era um piloto especial, Monza foi cenário para uma das exibições mais incríveis que já vi. Lembro como se fosse hoje ao assistir Vettel assombrar o mundo ao levar a Toro Rosso à pole do GP da Itália sem sequer tomar conhecimento dos adversários e debaixo de um temporal poucas vezes visto naquele circuito mítico. Naquele ano de 2008, Seb fazia sua primeira temporada completa na F1 e tinha como companheiro o não menos promissor Sébastien Bourdais, que havia sido contratado pelo time de Faenza depois de ganhar tudo na Champ Car. O francês foi tão bem quanto Vettel na classificação, colocando o segundo carro da Toro Rosso no quarto lugar do grid.

A forte chuva permaneceu naquele domingo em Monza. Bourdais deu muito azar, deixou o motor morrer antes da volta de apresentação e colocou ali ponto final na maior chance que teve de fazer algo de bom na F1. Vettel, apesar de seus meros 21 anos, dois meses e 11 dias, superou a desconfiança de muitos que até apostavam em um erro daquele guri ainda inexperiente e, novamente debaixo de um temporal, deixou todos os favoritos para trás, guiou com maestria e se tornou o mais jovem piloto da história a vencer uma corrida na categoria. De quebra, o tedesco deu à Toro Rosso seu maior resultado na história, fato que nunca mais esteve sequer perto de ser repetido. Se antes Vettel já pintava como um piloto de grande futuro, o fato é que Monza viu nascer em 2008 uma estrela que brilha até hoje — se bem que nas últimas provas esse brilho esteja um tanto ofuscado.

Checo escreveu uma das páginas mais especiais de sua carreira e de tua vida no domingo. Rotulado como piloto pagante quando fez sua estreia na F1, ainda no ano passado, o jovem mexicano acabou de uma vez por todas com essa balela ao se posicionar definitivamente entre os grandes da categoria. Muitos outros pilotos no grid, com carros muito superiores ao Sauber C31 e com notória capacidade de guiar no molhado — como Lewis Hamilton e o próprio Vettel —, sequer chegaram a ameaçar Pérez, que só não conseguiu superar o iluminado e santo milagreiro Alonso. Fruto de estratégia competente e de uma pilotagem bastante consistente e arrojada: talvez esse arrojo tenha contribuído para o erro cometido em um momento crucial. Mas ainda acho melhor ter na pista um piloto que não tenha medo de lutar pela vitória, assumindo os riscos necessários para isso.

Claro que não se trata de nenhuma comparação entre o mexicano e os dois campeões mundiais citados acima, mas ao mesmo tempo em que há várias variáveis entre as situações em questão, também há muita coisa em comum nos feitos históricos mencionados.

Tive a oportunidade de entrevistar Pérez no fim de semana do GP do Brasil, no ano passado. O piloto da Sauber se mostrou bastante receptivo e solícito com os jornalistas em seu redor, demonstrou bom humor e fazendo questão de elogiar a beleza da mulher brasileira. Falando sério, Checo sempre se mostrou consciente de que está em um processo crescente de aprendizagem, que se sente muito feliz na Sauber e frisou que tem ótimo relacionamento com o mítico Kamui Kobayashi. Sempre que era questionado sobre um eventual futuro na Ferrari, Sergio falava com serenidade, sem se empolgar demais com a possibilidade de representar a equipe de Maranello. Pé no chão total.

E tudo indica mesmo que, mais cedo ou mais tarde, Pérez repetirá o feito dos lendários ‘Hermanos Rodríguez’, Pedro e Ricardo, e represente a Ferrari. Ligado a Maranello pela Academia de Jovens Pilotos, Checo parece cada vez mais talhado para ser o substituto ideal de Felipe Massa, que só deve mesmo seguir na equipe italiana se muita coisa mudar em relação a este começo de temporada. Pérez é o número que a Ferrari quer calçar: piloto jovem, rápido, com grande capacidade de desenvolvimento e de trabalho em equipe. Sabe conviver com um companheiro de equipe competitivo, e muitas vezes, até conseguiu superá-lo, como tem sido na própria Sauber, com Kobayashi, ou mesmo na GP2, quando foi muito melhor que os veteranos Edoardo Mortara, em 2009, e Giedo van der Garde, no ano seguinte.

Para o bem e renovação da F1, que brilhe cada vez mais a estrela de Checo Pérez, o moço de Guadalajara.

Tags: , , , , , , , , , , , | 5 Comentários

F1 na segunda-feira?

FELIPE GIACOMELLI

Essa não foi a primeira vez que um treino da F1 foi cancelado por causa do mau tempo. Nos últimos anos, o mês de outubro tem sido cruel com a categoria. Em 2004, o próprio GP do Japão teve o treino classificatório adiado para o domingo em virtude do tufão Ma-on que atingiu as terras japonesas. No ano passado, foi a vez da chuva paulistana bagunçar o treino classificatório do GP do Brasil.

A previsão do tempo para o domingo aponta que as atividades deverão ser disputadas com pista seca, embora exista a possibilidade de chuva. E se novamente acontecer uma tempestade torrencial, estaria o GP do Japão fadado a acontecer em uma segunda-feira?

Corridas serem adiadas não é algo tão raro no automobilismo. Nos Estados Unidos é uma situação bem comum, já que provas em ovais não podem acontecer com a pista molhada por razões de segurança. Por isso, azar de quem trabalha, mas as competições acabam acontecendo em plena segunda-feira, diante de um público restrito.

Só que quando São Pedro não coopera e o temporal continua, o jeito é continuar adiando a prova e realizá-la, por exemplo, em uma terça-feira. Em 1997, apenas quinze voltas das 500 Milhas de Indianápolis foram disputadas no domingo. A chuva constante no restante do dia impediu que a corrida, que até então era liderada por Tony Stewart, continuasse.

O tempo não melhorou na segunda-feira e os carros sequer foram alinhados. Na terça-feira, o sol reapareceu e a corrida aconteceu normalmente com vitória de Arie Luyendyk, aproveitando que Stewart não teve o mesmo desempenho com o tempo bom.

Na Nascar, a situação foi parecida para a segunda etapa de Michigan de 2007. A chuva impediu a corrida de acontecer tanto no domingo quanto na segunda-feira e a previsão de tempo não garantia que o restante da semana tivesse tempo bom. Para piorar, os caminhões das equipes deveriam chegar no máximo até quinta-feira em Bristol para a realização da próxima etapa.

Em meio às especulações de uma transferência da corrida para o final da temporada, a prova aconteceu na terça-feira mesmo, entre uma pancada e outra de chuva. A vitória ficou com Kurt Busch, enquanto Tony Stewart foi o décimo, provando que não dá sorte em provas adiadas.

Nenhum caso, porém, é tão simbólico quanto as 500 Milhas de Indianápolis de 1986. A chuva impediu que a prova fosse realizada no domingo e o mau tempo continuou na segunda-feira. A direção de prova decidiu adiar a corrida, sem definir quando iria acontecer. Horas mais tarde veio a informação de que a corrida aconteceria no sábado seguinte – seis dias depois da data prevista.

A etapa de Milwaulkee, porém, estava marcada para o domingo e precisou também ser adiada em uma semana para que a tradicional prova da Indy acontecesse. Bobby Rahal venceu a corrida e se tornou o primeiro piloto a completar a corrida em menos de três horas. Sendo assim, ironicamente, a edição mais curta da prova até então.

Tags: , , , | 2 Comentários

Um conselho, Bernie

Felipe Paranhos

O GP da Austrália mostrou que na F1, pra ter emoção, o negócio é chover. A corrida teve gente errando, ultrapassagens, indefinição até o fim e dois azarões no primeiro e no segundo lugares — e quem diria que o Button fosse começar como underdog

Por isso, deixo aqui meu conselho sacana para Bernie Ecclestone: tio, compra a máquina do Boninho! É simples: sabe aquele sistema interativo que o BBB usa nas provas do líder? Então: quando a corrida tiver chata, o povo vota na internet: “Chuva!” “Calor!” “Neve!” Aí pronto: ninguém vai mais reclamar de falta de emoção…

Bahrein? Tempestade de areia. Turquia? Puro vento. Brasil? Chuva. Abu Dhabi? Hum… Aí não tem jeito, viu… Dá pra colocar tudo ao mesmo tempo?

Tags: , , , , , , | 17 Comentários

Massa diz que dificuldades existem para todos

A quinta-feira (18) foi mais um dia de treinos coletivos em que a chuva atrapalhou o trabalho dos pilotos em Jerez de la Frontera. Felipe Massa falou sobre esse assunto na entrevista concedida após as atividades na pista espanhola – em que o Grande Prêmio, com o repórter Marcelo Ferronato, esteve presente.

O brasileiro da Ferrari se mostrou insatisfeito por não poder novamente desenvolver totalmente a F10, carro da equipe italiana para esta temporada, mas preferiu não reclamar muito disso, lembrando que o problema afeta todos que estão em Jerez.

Aqui no BloGP, o internauta pode acompanhar esse trecho e mais outros temas abordados no papo dos jornalistas brasileiros que estão presentes no circuito anduluz com Massa.

Ouça a entrevista com Felipe Massa, direto de Jerez de la Frontera, na Espanha

Marcus Lellis – @marcuslellis

Tags: , , , , , , , | 2 Comentários

Bovinas 1

IMG_2246
Temporal DO CARALHO caindo na minha fuça na hora de andar 70 km até o autódromo

Bueno,

Antes que os gaúchos que nos leem comecem a desfraldar xingamentos como se alguém estivesse rindo do feriado que comemora uma revolução derrotada, vale a pena dizer que sou colorado e gaúcho nascido em Novo Hamburgo, exemplo maior do provincianismo que reina no Pampa. Em 1993, por aí, acho que a taxa de carros que tinha aquele adesivo maléfico de República dos Pampas era de 1 para cada 2, facilmente.

Portanto, sei do que falo. Somos todos, sim, bovinos até os ossos. Achamos bonito ter conhecimento sobre merda de vaca, por exemplo. Nada mais bovino do que isso.

Mas vamos lá: uma das diversas coisas que me irrita neste estado é a completa falta de estrutura de tudo de tudo mais tudo. Como hoje (ontem, teoricamente, mas o dia só vira amanhã quando vamos dormir, o que pretendo fazer nos próximos 20 minutos): quando coloquei o pé na estrada – ou, mais especificamente, os pneus do Golzinho na BR116 -, o mundo começou a EMULAR 2012 pela segunda vez em dois dias.

Sério mesmo, foi PAVOROSO guiar em uma estrada que conseguiu ficar alagada entre NH e Sapucaia em dez minutos. Gravei vídeos e, quando tiver uma internet decente, vou colocar no youtube para que vejam – sigam @franciscoluz no Twitter para serem avisados.

Mas, depois, a água tranquilizou e consegui chegar a Tarumã praticamente ileso, com apenas um tênis dando sinais de esgotamento fatal. E o que vi lá me surpreendeu: um grande trabalho conseguiu recuperar o autódromo da DESGRACEIRA absoluta de quinta e deixou tudo em ordem para o treino.

Não é novidade para ninguém – ou, ao menos, ninguém que me conheça – que não gosto das corridas de Stock. Acho chatas: os carros são muito grandes para as nossas depauperadas pistas, como destacou o Felipe logo abaixo. Não tem condições de se fazer uma prova competitiva se não há como dois carros ficarem lado a lado sem que um deles passe metade do tempo na grama.

Mas admiro, sim, o trabalho que é feito nos bastidores da Stock. Claro que toda a política que existe, por N motivos (Rede Globo, comissários inaptos, pilotos que têm mais poder do que os outros, etc), incomoda – e muito. Mas a estrutura é MUY DIGNA e merece os parabéns, por conseguir colocar de pé um negócio que parecia fadado ao fracasso: metade das cidades da região metropolitana de Porto Alegre está com problemas no abastecimento de água e luz. Isso é caos, gurizada, e a Stock superou isso. Como sempre dissemos, parabéns quando estes são merecidos.

Como só cheguei à tarde em Tarumã – estava fazendo o rescaldo da tragédia na firma nº 2 pela manhã -, pude acompanhar apenas um treino de cada categoria. Mas valeu para ver que, se a chuva permanecer caindo por aqui, como está previsto, vamos ter mais problemas. Paulo Salustiano capotou seu carro no final do TL2 da V8 na curva do Tala Larga, e eu burramente deixei a câmera na mochila na hora de ir conferir. Logo que eu tinha chegado, João Ometto havia batido na Pick-up, e não vai participar da prova, pois seu carro ficou todo empenado.

Mas vamos lá. Copiando o que faz a chefia, este é o primeiro boletim das Bovinas. Mais virão ao longo do sábado e domingo. Não percam.

E, como estamos aqui, é hora de homenagear o que realmente merece desta terra:

Escutando um hardcore,
Francisco Luz

Tags: , , , | 2 Comentários