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“Um ano bem diferente quer dizer…” “Voltar a vencer. Disputar o campeonato”


MAURO DE BIAS [@MaurodeBias]

de Bolonha

No último domingo Felipe Massa deu uma entrevista a Marília Gabriela no ‘De Frente com Gabi’. Quem não assistiu pode procurar no YouTube porque tem lá a versão completa. O programa foi excelente. Massa aparentou honestidade (ele se definiu como “100% honesto”, diga-se) e franqueza nas respostas e Marília Gabriela tocou em pontos relevantes.

Algumas das melhores partes da entrevista foram quando Massa falou sobre paternidade, seu futuro na F1, a temporada lamentável de 2011, jogo de equipe e o acidente de 2009, na Hungria.

O brasileiro disse já ter sido sondado por outras equipes. Mas isso não chega a ser nenhuma grande surpresa. Seria interessante de verdade saber se o interesse é recente e quem são essas equipes, já que Massa não citou nomes. Todas as grandes parecem muito satisfeitas com suas duplas de pilotos hoje e nenhuma delas vai trocar em 2012. Nem trocou em 2011.

Quanto aos dois anos ruins que teve, Massa não soube dar uma explicação. Admitiu que foram abaixo da crítica e disse querer melhorar, mas até aí, como diria o senhor meu pai, morreu Neves. É preciso mostrar na pista.

Massa também insistiu que o acidente que o tirou das pistas no fim da temporada de 2009 não é o culpado pelos resultados ruins apresentados desde então. Mas enquanto ele não provar isso na pista, a dúvida vai sempre pairar.

Ao lembrar do GP da Alemanha de 2010, quando ele cedeu a liderança da corrida a Fernando Alonso, Massa não mostrou arrependimento e falou sem embaraço sobre a situação. O que foi bom, na verdade. Ele disse ser a favor do jogo de equipe e já ter se favorecido, quando Kimi Raikkonen lhe cedeu o segundo lugar no GP da China de 2008.

Massa deu uma entrevista que vale muito a pena assistir. Quem gosta de conhecer o lado mais pessoal da vida dos pilotos também vai gostar. O brasileiro fala sobre como é ser pai, sobre limpar a fralda do filho, sobre o interesse do pequeno pelas motos… Muito interessante.

Num dos momentos em que falava sobre a temporada de 2011, Massa disse querer que o próximo ano seja diferente. Gabi interpelou: “Um ano bem diferente quer dizer…” e Massa interrompeu sem hesitar: “Voltar a vencer. Disputar o campeonato”.

Então é isso. Vejamos o que vai ser de 2012 pra ele.

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De gelo. Mão lá, pé cá

FELIPE PARANHOS [@felipeparanhos]
de Salvador

Que pé-frio eu sou. Disse que o Mikhail Aleshin tinha duas chances na Turquia de mostrar que tinha talento suficiente para angariar patrocinadores e ficar em definitivo com a vaga da Carlin na GP2. O russo bateu durante a classificação e… fraturou a mão esquerda.

Na sexta-feira, o carro da Carlin por ele pilotado passou reto na curva 12, atingindo a barreira de proteção. Aleshin disse que não fez nada de errado. “Freei em meu lugar normal na curva 12, mas o carro não parou. A equipe está investigando que problema pode ter acontecido”, disse Mikhail depois do acidente.

Vou ficar de olho pra ver se a Carlin divulga informações sobre o que aconteceu.

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Muita força

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Felipe Paranhos

Yuki Takahashi marcou o melhor tempo desta sexta-feira de treinos livres em Portugal pela Moto2. Mas não há espaço para a alegria pura no homem mais rápido da categoria mais disputada do motociclismo. Ele perdeu seu irmão mais novo, Koki, no último domingo (24).

Koki, também piloto, já com passagens pelas categorias de acesso à MotoGP, voltava de um evento beneficente que reuniu recursos para as vítimas dos terremotos no Japão, em sua terra natal, Saitama, quando se envolveu em um acidente de trânsito e faleceu.

Cinco dias depois, lá está Yuki, que em uma semana deve ter envelhecido muito mais do que os três anos de diferença que tinha em relação a Koki, fazendo o que há de melhor em seu trabalho e superando outros 38 pilotos — todos, suponho, totalmente concentrados nos pontos a disputar no Estoril.

Eu não teria a menor condição de trabalhar se passasse pelo que ele passou.

Muito menos conseguiria fazer minha função com excelência.

De onde se tira tanta raça?

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Bom [outro] retorno

Felipe Paranhos

Neste fim de semana, Chris van der Drift tem um novo começo nas pistas. O neozelandês sofreu o acidente mais assustador da temporada 2010, durante uma etapa da Superliga em Brands Hatch, em 1º de agosto do ano passado, e quebrou um tornozelo, duas costelas, um ombro e dois dedos. Olha aí em cima como ficou o carro.

Desafiando as expectativas dos médicos, que no início suspeitavam até que Chris pudesse não voltar a correr por conta das lesões na mão, o piloto disputou a etapa de Navarra da categoria, menos de três meses depois do acontecido. Para pagar os custos de sua recuperação, seus amigos chegaram a organizar uma prova de kart beneficente, já que o neozelandês não estava coberto por um seguro especial para acidentados no esporte a motor.

Agora, em Aragón, pela World Series, Van der Drift começa uma nova temporada, um novo caminho no automobilismo. Neste período em que se discute a segurança nas pistas brasileiras e internacionais, é bom ver de volta às competições alguém que esteve tão perto de sofrer um acidente fatal.

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Parabéns, Stock

Reprodução/EPTV Campinas


Felipe Paranhos

Parabéns, Stock, pela grande ideia. Seu campeonato começa no dia 20 de março e foi marcado um teste coletivo para hoje, dia 23 de fevereiro, em Piracicaba. É o único treino de pré-temporada. Piracicaba tem um miniautódromo de 2.100 metros — 1,5 km menor, por exemplo, do que o circuito da abertura, em Curitiba.

A pista de Piracicaba, que soube ser até arrumadinha e destinada a provas regionais, não está no calendário da Stock — portanto, bastante apropriada para o único treino antes da abertura do campeonato. Este treino, inclusive, não é cronometrado. Que profissional, fazer do treino um shakedown de motores.

Ah, mas há outras coisas a testar. Os pneus, por exemp…Não. Os pneus usados nas duas sessões do dia são os do ano passado — os compostos de 2011 não estão disponíveis para o treino.  Além disso, cada equipe só pode colocar um carro na pista, até porque o circuito é pequeno. Só que vários times têm pilotos com patrocinadores diferentes, caso, por exemplo, da RCM, equipe de Rosinei Campos, que decidiu sequer viajar a Piracicaba.

Aí os carros vão para a pista. No fim da manhã, Xandinho Negrão sofre um acidente. Passou reto numa curva, subiu num BARRANCO e foi parar do outro lado da, digamos, proteção. As informações são as de que havia fotógrafos e cinegrafistas próximos ao local. Depois de quase o acidente ter proporções muito piores, aí, sim, foi convocado um briefing com os profissionais. Xandinho tem suspeita de fratura de clavícula. Ou seja, se ela for confirmada, ele não corre a etapa de abertura em Curitiba. O chassi ficou bastante danificado, possível que seja descartado pela equipe.

É triste ver tanta gente boa, equipes, pilotos, profissionais de imprensa, gente que rala submetido ao amadorismo, aos regulamentos feitos nas coxas, à gestão absurdamente leniente da CBA, que silencia a todos os absurdos denunciados no automobilismo brasileiro (Alô, entidade, alô, Vicar, vocês por acaso souberam que tem piloto da Stock incitando crimes de trânsito no Twitter, anunciando aos quatro ventos que coloca 300 km/h numa estrada? Não vão dizer nada?).

No meio desse texto, eu li um tweet do chefe Victor Martins. E ele tem toda a razão no questionamento, por isso vou reproduzi-lo aqui, reiterando que obviamente estão excluídos dele os profissionais que ralam pra colocar carro na pista: Por que a Stock Car gosta de ser este grande lixo?

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O horror

Felipe Paranhos

Ashley Sara Phalen, 24, morreu na última sexta-feira (15), em Fontana, quando participava do Mario Andretti Racing Experience, programa que, a preços entre R$ 217 e R$ 721, permite a pessoas comuns a chance de dar voltas em um carro de corrida baseado no da Indy.

Pessoas comuns, que participam de um briefing, ouvem sobre segurança, e depois saem acelerando. Estes são trechos do texto de apresentação do negócio, no site: “Não há nenhum carro  à frente para seguir nem nenhum professor correndo com você”; “É permitido ultrapassar”, o que, ao lado de uma foto com vários carros do programa, me permite imaginar que, sim, pessoas comuns correm AO MESMO TEMPO contra outras pessoas comuns. Ah, e quando você termina a experiência e sai do carro, recebe um “certificado colorido com a sua velocidade máxima impressa”, o que obviamente é um estímulo para que gente como eu e você saiam acelerando doentiamente.

Embora as autoridades não tenham divulgado a velocidade do carro pilotado por Ashley na hora da batida, estima-se que os carros do que chamam de “escola” passem de 250 km/h. Uma amadora no comando de um carro a mais de 200 km/h bate no muro interno do circuito, é levada para um hospital e morre. A escola perde uma aluna. Mas o show tem de continuar e no dia seguinte, lá estão as “aulas” novamente.

Segundo a agência de notícias AP publicou no sábado, as ligações pedindo um pronunciamento por parte da empresa de Mario Andretti não foram respondidas.

Ah, mas está lá no site oficial, redundantemente: “segurança é a prioridade número 1”.

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Continuidade

Felipe Paranhos

Vamos informar que nosso trabalho é este: Jules Bianchi vai correr o GP da Bélgica da GP2, neste fim de semana, a menos que um imprevisto aconteça. A equipe deve confirmá-lo amanhã, mas os médicos responsáveis por monitorá-lo o liberaram na tarde da última segunda-feira, 23.

De início, a contusão de Bianchi parecia mais grave do que a de Ho-Pin Tung, tanto que a equipe que examinou a fratura na segunda vértebra da lombar do francês, logo após o acidente na Hungria, nem estipularam tempo de recuperação. Mas a lesão de Tung, também na lombar, revelou-se mais grave, e o chinês acabou substituído por Romain Grosjean.

A ART já havia contatado alguns pilotos para o caso de Jules não estar apto a correr em Spa-Francorchamps. Um deles foi Alberto Valerio, que deixou a Coloni. Na Bélgica, Álvaro Parente corre no lugar do brasileiro. A presença do luso ainda é incerta para o resto da temporada.

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O clique certeiro, o risco corrido

Felipe Paranhos

O acidente de Simona de Silvestro foi o mais preocupante do último GP do Texas, graças à inoperância e ao amadorismo mostrado pelos fiscais da prova, cometendo um erro que poderia ter custado a vida da suíça. Mas outro incidente me chamou a atenção: a batida entre Mario Moraes e Helio Castroneves — não pelo toque entre os dois, mas pelo perigo que correram.

Este risco é inerente à Indy e aos ovais em geral. Assim já morreu Paul Dana e já perdeu as pernas Alex Zanardi. Bertrand Baguette conseguiu diminuir a velocidade antes de chegar aos dois brasileiros, até por isso estava na faixa inferior da pista, mas este tipo de situação sempre me arrepia.

Para mim, a imagem do fim de semana foi capturada pelo Dú Cardim, com um mero print screen. Eis:

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