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A grande jogada de Gusttavo Lima

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Por conta de uma infinidade de trabalhos, sobretudo no fechamento da REVISTA WARM UP deste mês, mas também no dia-a-dia do Grande Prêmio, só agora consegui um espaço para comentar uma das notícias que mais chamou a atenção nesta semana no automobilismo. Na última segunda-feira, Gusttavo Lima apresentou sua própria equipe, que terá o suporte da RSports Racing, que disputará o Mercedes-Benz Grand Challenge e terá na pista Raphael Teixeira e o experiente Leandro Romera como chefe do time. Sinceramente, achei tal iniciativa muito positiva por parte do cantor e sob o prisma do esporte, por vários aspectos. Vamos a eles.

Raphael Teixeira ao lado do patrão Gusttavo Lima (Foto: Luciano Santos/Sigcom)

O primeiro é que Gusttavo Lima colocou o automobilismo em evidência. O cara é bastante midiático, convenhamos. Faz muito sucesso aqui e lá fora — estive na Itália no começo do ano e vi de perto o quanto suas músicas são tocadas por lá. Assim, praticamente tudo o que ele faça de diferente ou inusitado acaba ganhando as manchetes de sites, jornais e revistas, o que aconteceu no começo desta semana. Foi legal porque ajudou a chamar a atenção para o automobilismo como um todo e para a Mercedes-Benz Grand Challenge em particular.

Seu gesto vai um pouco na contramão do que acontece hoje, sobretudo aqui no Brasil. Salvo raras exceções, os investimentos no automobilismo são cada vez mais raros por aqui. Não à toa, várias categorias fecharam ano passado: Mini Challenge, Trofeo Linea, Audi DTCC são alguns desses exemplos. Em todos os casos, as respectivas montadoras decidiram tirar o time de campo. Cada vez menos o automobilismo é lucrativo e, em contrapartida, é cada vez menos popular e é mais restrito aos amantes do esporte.

Gusttavo Lima contrariou essa ‘lógica’ de menos investimentos no automobilismo e decidiu estampar seu nome e sua marca numa categoria-suporte do Brasileiro de Gran Turismo, mas que tem muito prestígio, sobretudo pelo nome glorioso da Mercedes. Como entusiasta das corridas e do esporte a motor como um todo, o cantor acertou em cheio ao fazer valer sua paixão e ver seu nome ali no grid, lutando por vitórias nas pistas mais tradicionais do Brasil.

Investimento de Gusttavo Lima é benéfico para o automobilismo nacional (Foto: Luciano Santos/Sigcom)

A iniciativa de Nivaldo Batista Lima, nome de batismo de Gusttavo, pode incentivar outros cantores ou pessoas do meio artístico a seguir o mesmo caminho. Mesmo que o esporte a motor seja caro — sempre foi, diga-se —, ele acaba sendo mais barato, por exemplo, que investir num time de futebol ou numa equipe da SuperLiga, esta, com valores cada vez mais inflacionadas. Vejo que o automobilismo só tem a ganhar com o patrocínio de Gusttavo, principalmente se o projeto for de médio ou longo prazo, algo que não sei dizer.

E para fechar por aqui, bem que ele, Gusttavo Lima, poderia aproveitar o gancho e a vontade de investir no automobilismo para ajudar a carreira de um jovem piloto que hoje está na promissora F4 Inglesa. Seu nome? Gustavo Lima. Não entendo nada de marketing, publicidade ou algo do tipo, mas seria uma jogada de craque por parte do cantor. Quem sabe não seja essa a próxima aposta do cantor, não é?

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Corinthians e o automobilismo brasileiro, uma relação vitoriosa

FERNANDO SILVA

Um dos clubes mais populares do Brasil comemorará nesta quarta-feira (1), 100 anos de história, conquistas, sofrimento e glórias. Mas você haverá de perguntar. O que o Corinthians tem a ver com automobilismo, nosso tema principal aqui? Muito, meu caro.

Para ficar apenas no campo da F1, dá para elencar pilotos do passado e do presente identificados com o time. Há relatos que Emerson Fittipaldi disputou várias provas nos anos 70 com a camisa do Corinthians por baixo do macacão, justamente na época do jejum de títulos alvinegro, época que teve fim em 1977. Foi o primeiro piloto brasileiro de grande destaque internacional a assumir a paixão pelo clube e inaugurar uma relação vitoriosa.

Ayrton Senna também se declarou torcedor do Timão, mas não roxo, como o próprio piloto confirmou em entrevista ao “Roda Viva” da TV Cultura, em 1986. Entretanto, o sucesso daquele que anos mais tarde seria tricampeão de F1 fez a torcida alvinegra adotá-lo como um dos símbolos do corintiano que deu certo. Até hoje, Senna é retratado em bandeiras e camisetas que também remetem ao Corinthians.

Quem também assumiu a paixão pelo clube alvinegro de Parque S. Jorge foi Rubens Barrichello. O paulistano é visto frequentemente circulando pelo paddock dos autódromos pelo mundo com a camisa do clube. Recentemente, o piloto da Williams, que também comemorou uma marca centenária nesta semana — 300 GPs —, esteve presente à sede do Timão e foi recepcionado por Ronaldo e Roberto Carlos. Ainda sobre os pilotos da atual temporada, Bruno Senna também herdou a preferência futebolística do tio.

Mas a presença do Corinthians não se resume apenas à torcida dos pilotos. Muito pelo contrário até. Embora seja considerada mais uma ação agressiva de marketing do que uma intenção de se firmar no automobilismo, o fato é que 2010 marcou a ascensão do alvinegro nos autódromos do Brasil. Desde a elitistas Stock Car e GT Brasil, até a popular F-Truck, o time se faz presente, com relativo destaque. A presença do clube paulista nas pistas não se resume somente ao Brasil, já que também compõe o grid da F-Superliga [a exemplo do Flamengo] há dois anos.

Se não dá para dizer que a história do Corinthians se confunde com o automobilismo brasileiro em si, é possível concluir que ambos têm uma história semelhante: superação, lutas, suor, lágrimas, derrotas, vitórias, fracassos e muitos títulos. Que venham muitos outros centenários.

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GT Brasil, menos para Santos, Campinas e RS

A expectativa foi criada para a estreia do GT Brasil na tela da RedeTV!. Enfim, a categoria nacional teria um espaço na TV aberta, a grande oportunidade de ser difundida nacionalmente. Eu, em Santos, estava preparado para ver a etapa de Curitiba. Quando deu 13h e coloquei na RedeTV!, tenho uma surpresa: nada de GT Brasil. A afiliada da Baixada Santista e Campinas, a Rede VTV, preferiu exibir um programa de produção independente, horário locado.

A mesma coisa aconteceu no Rio Grande do Sul, com a TV Pampa, afiliada da RedeTV! em terras gaúchas. O que é uma prática comum por lá. Segundo relato de Eduardo César, que cuida do site “Papo de Bola”, a TV Pampa não passa quase nenhum evento esportivo da RedeTV! – Série B do Brasileiro, Liga Europa, GT Brasil, Copa Montana, entre outros.

Pelas informações dos internautas pelo Brasil afora, via Twitter, Baixada Santista, Campinas e Rio Grande do Sul foram as únicas regiões a perderem a corrida sob chuva vencida pela dupla formada por Daniel Serra e Chico Longo. Mas é possível que isso também tenha acontecido em outras cidades.

O acordo do GT Brasil com a RedeTV! é algo para ser muito celebrado porque já é um grande avanço para o automobilismo nacional, tão castigado nos últimos anos. Qualquer esporte precisa de divulgação. Uma transmissão em canal aberto é peça fundamental para que uma modalidade faça sucesso e seja popular.

Só que é aquela coisa: tem de ser difundido para todo o Brasil. Não adianta fazer de um jeito em alguns pontos do país e de uma maneira diferente em outros. O GT Brasil vai passar pelo Rio Grande do Sul, no Velopark. E não é exibido pela afiliada gaúcha da RedeTV!. Há cabimento nisso?

As afiliadas precisam seguir as regras da rede nacional. É o que acontece, por exemplo, na Globo. As TVs locais têm seus horários para produzir programas próprios. Mas se há um evento de apelo nacional, a Globo exige a exibição do evento, e as afiliadas que arrumem um jeito de se adaptar à programação para todo o Brasil.

Pelo o que pude apurar, isso não acontece na RedeTV!. Ao ponto de a TV Pampa ter quase uma programação própria, à parte do canal nacional. Desse jeito, fica difícil saber se realmente se trata de afiliada. Mas isso é um problema que cabe à RedeTV!.

Agora, o GT Brasil não pode ser refém desse esquema de trabalho. Ao fazer o acordo com o canal, a ideia era mostrar a categoria para todo o país. Depois desse domingo, acredito que os promotores da categoria devem se sentar com os diretores da emissora e exigir a exibição das provas para todo o Brasil.

Afinal de contas, é o GT BRASIL. Não é o GT Brasil, menos as cidades de Santos, Campinas e Porto Alegre, que ficam com um programa qualquer.

Marcus Lellis – @marcuslellis / Lellisblog

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