Giro d’Italia (Finale)

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Foi uma jornada curta, mas bastante intensa. Voltar para casa é sempre bom. Voltar com a sensação do dever cumprido é muito melhor! Ao longo desses últimos três dias e graças a Victor Martins, Flavio Gomes e toda a galera do Grande Prêmio, tive a chance de adquirir um enorme aprendizado, expandir a experiência profissional em minha primeira cobertura na Europa, conhecer uma nova cultura e novas pessoas, além de apreciar a incrível culinária italiana.

A grande missão foi a cobertura da apresentação dos pneus da Pirelli para a temporada 2013, na última quarta-feira. Vários jornalistas, do mundo inteiro, foram convidados para estarem em Milão. Foi um dia cercado de expectativa e que começou com a visita à fábrica e centro de desenvolvimento e pesquisa da Pirelli na capital da Lombardia. Depois, sim, o momento mais esperado da jornada milanesa.

Achei a apresentação divertida e com a cara da Itália. Marco Tronchetti, presidente da Pirelli, abriu a cerimônia e logo chamou Jean Alesi (foto ao lado) — nomeado novo embaixador da marca —, até hoje muito querido na ‘terra da bota’ por seus anos na Ferrari e, provavelmente, por ter optado por Maranello e não pela Williams no início dos anos 90. Depois, Paul Hembery e Giorgio Barbier foram chamados ao palco para falarem sobre os planos da fábrica e os objetivos no esporte a motor. Hembery falou bastante sobre a importância da Stock Car e ressaltou a presença de Rubens Barrichello no grid.

http://www.youtube.com/watch?v=0ibumHOfLyw

Para mim, a apresentação teve dois momentos bem interessantes: primeiro, quando todos os funcionários da divisão esportiva da Pirelli subiram ao palco e retiraram o pano quadriculado que cobria os novos pneus para F1 e Superbike em 2013; e segundo, quando foi exibido um vídeo bem mostrando ‘o outro’ lado de quem comanda o esporte na fornecedora italiana. Eu, particularmente, gostei muito.

Depois, vieram as entrevistas coletivas com Tronchetti e Paul Hembery. Antes disso, aproveitei para falar com o Alesi e também com o Barbier. Cumpridas as obrigações, fomos comer um aperitivo na Bicocca degli Arcimboldi: presunto Parma e vinho branco. Nada mais italiano. Após a pausa, optei por seguir rumo ao hotel e, de lá, dar sequência aos trabalhos. Mais tarde, estava previsto uma espécie de encerramento com um jantar. Tudo marcado para 20h de Milão.

O lugar escolhido foi o Jazz Café, bar e restaurante na Corso Sempione e tradicional reduto dos boleiros de Milão. Logo na chegada percebi que, mesmo nunca estando ali antes, era um lugar familiar. Afinal, uma banda tocava muita música brasileira, desde Bezerra da Silva a Seu Jorge. Clima bem legal. E o jantar também foi incrível, regado a comida boa, bons vinhos e papo legal com alguns jornalistas argentinos que dividiam a mesa conosco. O fim daquela épica quarta-feira teve muita música brasileira — tocou até Michel Teló e Gusttavo Lima. As italianas, todas lindíssimas, cantavam e dançavam. Aí o papai aqui pira, diria o outro!

Após o retorno ao hotel, percebi que o sono não viria de jeito algum. Então procurei aproveitar a viagem por mais tempo: peguei um cachecol no quarto e saí caminhando sem destino e sem hora para voltar. Incrível como em uma cidade daquele tamanho foi possível ficar duas horas na madrugada sem qualquer tipo de problema ou ameaça. Ao contrário. Talvez, por conta do frio — que beirava 1ºC —, as ruas estavam praticamente desertas, salvo o trânsito de um ou outro carro pela rua. Fui direto para o Duomo di Milano, a belíssima e monumental catedral gótica construída no século XIV. Durante alguns bons minutos, fiquei ali parado, de frente para o templo, só admirando aquilo tudo. Para não dizer que estava sozinho ali, algumas pombas e um casal de turistas lituanos, que pediram para que eu tirasse algumas fotos.

Dei uma volta ali ao lado e depois voltei para o hotel. Descansei um pouquinho antes de acordar e bater perna de novo. Comprei algumas lembranças para muita gente aqui da terrinha e procurei me informar sobre o caminho para o San Siro. Depois de inserir as moedas na máquina, que emitiu o bilhete para o metrô — € 2,55 —, embarquei na Linha 1 (vermelha ou rossa) lá no Duomo, com destino à estação Lotto.

Duas situações me chamaram a atenção: mesmo estando razoavelmente cheia — nada comparado a São Paulo, mas cheia —, não vi nenhum tumulto, empurra-empurra ou algo do tipo. Outra coisa é que os vagões, pelo menos da Linha 1, são bem antigos e todos pichados.

Depois de uns 25 minutos e nove estações, cheguei lá ao destino: Lotto. Era a estação mais próxima do Giuseppe Meazza, um dos mais tradicionais estádios de toda a Europa, no bairro San Siro. Bairro que lembra um pouco o Morumbi. Dispensei o táxi e andei mais ou menos uns 2 km até começar a ver a monumental estrutura ao redor do estádio. Foi a glória. Seria inaceitável estar em Milão e não ir ao San Siro, mesmo não sendo dia de jogo. Conheci o museu (sabe qual a única camisa de time brasileiro por lá? a do Santos, claro!) e fiz um tour pelo estádio, com direito a visita aos vestiários. Para mim, amante do futebol, foi incrível.

Antes do retorno ao metrô, parei em um McDonalds e fiquei tentado a comer um Big Mac, mas fiquei com medo de perder o horário da saída para o aeroporto — 15h30 — e peguei só uma Coca Cola antes de iniciar a volta. Daquela vez, porém, desci na estação San Babila, logo à frente da Duomo, pois ficava mais próxima ao hotel. Cheguei bem em tempo lá, antes das 15h. Talvez daria tempo de comer um Big Mac italiano, que custava € 6,15. Mas não importa. Sinto que fechei a viagem a Milão com chave de ouro. Cidade encantadora, povo acolhedor, comida das melhores e mulheres lindíssimas. Definitivamente, a Itália é um espetáculo.

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2 respostas para Giro d’Italia (Finale)

  1. André Almeida disse:

    Gostei pra caramba dos seus relatos. Eu fiz uma viagem, que foi a dos sonhos para mim, em 2011: dirigi cerca de 2000 km pelas estradas italianas, numa viagem estritamente sobre o automobilismo…

    Cara, se você puder fazer isso no futuro, cê vai querer viver na Itália!

    Por causa disso eu estou aprendendo a falar italiano, pra em 2014 voltar, mas pra passar mais na calma. Milão é fantástica! Pena que não deu tempo pra você ir em Monza, que fica uma meia horia do Giuseppe Meazza.

    Abraços! Teus chefes são gente boa!

    • Fernando disse:

      Obrigado pelas palavras, André. Foi um giro curto e inesquecível. Espero voltar para lá, a Itália é linda. Se tivesse mais algumas horinhas, certamente iria para Monza, seria espetacular. Fica para a próxima. Abração!

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