O policial “mal amado”

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Lembro como se fosse hoje. Há quase dois anos, ainda escrevendo minhas primeiras letras para o Grande Prêmio, noticiei um fato inusitado. Paulo Nobre, o lendário Palmeirinha, e Edu Paula, disputavam o Rali da Nova Zelândia. À época, a dupla brasileira corria com um Mitsubishi Lancer na P-WRC, divisão do Mundial de Rali para carros de produção. Seria só mais uma etapa na carreira de ambos não fosse pelo fato de que os competidores foram abordados por um policial por conta, veja só, de excesso de velocidade em um trecho de deslocamento.

Dois anos depois, as lembranças daquele episódio ainda estão bem vivas para Palmeirinha. Tanto é que o piloto palmeirense não deixou por menos e descreveu com todas as letras tudo o que aconteceu em 2010 nas cercanias de Auckland. Conhecido por ser um cara sem papas na língua, o piloto, que eternizou termos como ‘corintianada’ e ‘pé no porão’, entre tantos outros, disparou contra o policial que enquadrou a dupla lá do outro lado do mundo.

“Infelizmente, tivemos um problema com um policial imbecil, obtuso, limitado e mal amado. Ele acabou destruindo nossa prova e o nosso ânimo de continuar na disputa, logo no primeiro dia de rali. De forma alguma achamos que, porque estamos correndo rali, podemos sair por aí desrespeitando as leis de trânsito ou pondo em risco os carros das pessoas locais, mas o absurdo que aconteceu há dois anos dá raiva só de lembrar”, bradou o piloto e ex-candidato à presidência do Palmeiras, Nobre.

Palmeirinha se lembra de cada detalhe do que viveu na Nova Zelândia há dois anos. “Na verdade a organização de prova foi a grande responsável pelo início do problema, que findou com o policial nos tirando fora do primeiro dia de prova! No reabastecimento só uma das três bombas de combustível estava funcionando e assim formou a maior fila de carros. Quando finalmente abastecemos, já estávamos no nosso horário de controle para a largada da especial seguinte. Não havia ninguém da organização lá para nos orientar.”

“Nós saímos do reabastecimento, que estava locado em um lugar afastado e deserto e entramos em uma estrada secundária. Era uma reta de uns 5km sem, absolutamente, nenhum carro. Acelerei o Mitsubishi Lancer com o qual eu corria na época e cheguei a ‘impressionante’ velocidade de 126km/h. Ao me aproximar de uma autoestrada, diminuí e entrei, porém, um policia me seguiu, me parou e me enrolou de forma ridícula por pouco mais de uma hora. Isso nos impedindo de continuar na prova. E pior, o imbecil nem me multou. Ele me deu uma notificação por direção perigosa e me mandou ir à corte, pois naquela estrada deserta o limite era 70km/h! Foi ridículo!”

“Mas para piorar, ao chegarmos ao apoio mecânico, crentes que teríamos a organização ao nosso lado, tomamos outra invertida. Eles ainda nos aplicaram outra multa, o que, na época, nos revoltou. Diante disso, fomos falar com o diretor de prova e dissemos a ele que a organização tinha culpa em tudo isso, pois foi uma falha dela que ocasionou o problema. Nós Dissemos que abandonaríamos a prova. Então, ele intercedeu por nós junto à polícia e fomos liberados. Mas tudo isso são águas passadas e um rali maravilhoso como esse não pode ser manchado por causa de um estúpido de um kiwi quadrupede policial!”, desabafou o piloto.

O rali tem dessas coisas, vez em quando. É um esporte que tem suas regras e, muitas vezes, também tem de seguir as normas de segurança de cada localidade por onde passa, já que geralmente os trechos de deslocamento cruzam cidades e vilas, às vezes até passando pelo perímetro urbano. No Brasil, mesmo, há a obrigatoriedade de o carro ser emplacado para poder transitar sem restrições. No caso do Palmeirinha na Nova Zelândia, sinceramente achei que faltou bom senso do policial, já que era uma situação em que o piloto não colocou ninguém em risco. Dois anos depois, tudo certo agora. Palmeirinha e Edu Paula seguem no WRC, agora correndo com Mini, então muita coisa mudou desde 2010. E que, dessa vez, seja uma jornada sem sobressaltos na Nova Zelândia.

E é sempre bom relembrar: vida longa ao rali, sempre!

Tags: , , , , , ,

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.