O X da questão

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

O começo da temporada 2012 da F1 foi marcado por fatos interessantes. Primeiro, claro, o equilíbrio entre as equipes e também a imprevisibilidade. Alguns acontecimentos marcaram época: o melhor resultado da história da Sauber graças ao segundo lugar de Sergio Pérez na Malásia, ou mesmo a vitória de Nico Rosberg no GP da China, a primeira de um carro da Mercedes em quase 57 anos, desde os tempos de Fangio. Já no Bahrein, o êxito de Sebastian Vettel fez com que a F1 visse quatro vencedores de quatro equipes diferentes nas quatro primeiras corridas do ano pela primeira vez desde 1983.

Com a Lotus em alta, Räikkönen é um dos favoritos à vitória em Montmeló (Foto: Lotus F1)

Pela ordem, venceu a McLaren na Austrália, Ferrari na Malásia, Mercedes na China e Red Bull em Sakhir. Mas é a Lotus quem surge como a grande favorita à vitória no GP da Espanha, em Barcelona, neste fim de semana. O E20 vem se mostrando o carro mais equilibrado do grid e seu desempenho nos treinos coletivos de Mugello, na semana passada, credencia a equipe de Kimi Räikkönen e Romain Grosjean como favorita à conquista em Montmeló.

E é aí que começa o X da questão, como já diria Zeca Pagodinho. Teoricamente, se a Lotus vencer em Barcelona no domingo, será a primeira conquista da equipe em 25 anos, desde quando Ayrton Senna celebrou a vitória no GP dos Estados Unidos, quando a corrida era disputado em Detroit, com o carro amarelo patrocinado pela Camel, certo? Sim e não. Há muitas controvérsias quanto a este assunto.

O fato é que nem a própria Lotus, autobatizada de Lotus F1 Team, se considera uma herança e uma sequência do legado da equipe fundada pelo mitológico Colin Chapman. Ao contrário. São nulas as referências ao lendário dirigente britânico. Fuçando na página oficial da equipe, encontrei um link com o começo da história deles. E essa história não começa no GP de Mônaco de 1958, quando ‘aquela’ Lotus, a verdadeira, estreou com Graham Hill e Cliff Allison.

A julgar pelo que existe no site da Lotus F1 Team quanto à sua história , a equipe, de acordo com seus dirigentes, se considera a quarta geração iniciada em 1981, quando estreou a Toleman e quando já existia a Lotus, à época, comandada nas pistas por Nigel Mansell e Elio de Angelis.

A Toleman, marcada, claro, por ser a equipe pela qual Ayrton Senna estreou na F1, foi comprada pela Benetton em 1986. Ao fim da temporada de 2001 e depois de dois títulos mundiais de Pilotos, ambos com Michael Schumacher, e um de Construtores, a Benetton foi adquirida pela Renault, que voltou com tudo à F1. Foram mais quatro títulos: dois de Construtores e dois de Pilotos, pelas mãos de Fernando Alonso. Até que, oficialmente neste ano, a Renault deu lugar à Lotus. Que não se assume como aquela Lotus do Chapman.

Hoje mesmo, durante a minha folga, estava lendo algumas coisas no Facebook e tal, e vi um destaque que a Lotus colocou na rede, lembrando a dobradinha que a Benetton, da segunda geração, completou no GP da Espanha de 1995, quando colocou Michael Schumacher na ponta e Johnny Herbert em segundo em Barcelona. Mais uma referência à geração Toleman-Benetton-Renault-Lotus. Até mesmo no site da F1 as referências históricas à atual Lotus são relacionadas com a Renault e Benetton, por exemplo.

Dessa forma, caso Räikkönen ou Grosjean vença em Barcelona no domingo, será a primeira vitória de uma nova história de uma quarta geração de equipes, por mais que às vezes os nomes nos façam entender que essa Lotus preta e dourada é a sequência daquela de Chapman e representada por mitos como Mansell, Senna, Nelson Piquet, entre tantos. Então, na prática, caso essa vitória da Lotus aconteça no domingo, nada terá, com exceção do nome da equipe, nada a ver com a vitória de Senna em Detroit. Se for, será uma vitória da Lotus. Mas não ‘daquela’ Lotus.

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11 respostas para O X da questão

  1. Fabio de Deus disse:

    Foi o que sempre disse! De Lotus esta equipe não tem nada, e sua história remete à antiga Toleman, que depois virou Benetton e depois Renault. O que não diminui em nada a equipe atual, pelo contrário, tem muito do que se orgulhar de pertencer à essa linhagem!

  2. RafinhaDias disse:

    Muito bom! (E que confusão)

  3. Vinícius Lucas disse:

    Eu associo a história deles desse jeito que está no site, só tem o nome e a pintura da Lotus original.

    Sem falar que o nome Lotus foi por causa do patrocínio da Lotus Cars, e logo logo mudarão o nome novamente.

  4. Flavio disse:

    Por essa e outras que o nome Lotus tinha que ficar com a malaia!!

  5. Ricardo Soares disse:

    Sinceramente, sempre achei que o nome “Lotus” deveria ter ficado adormecido com a grande equipe que se extinguiu da F1, e que era a minha favorita… A homônima malaia (verde) e essa agora (preta), só fazem “manchar” a grande equipe do passado…Problemas para os estatísticos de F1…

  6. MTP disse:

    Mas, é bom lembrar que no início do ano o Eric Bouiller que seria legal fazer uma boa temporada pois esse ano o time completaria 500 GPs, considerando a Lotus que não é Lotus uma continuidade daquela Lotus, ignorando os GPs que a equipe do Tony Fernandes correu como Lotus… (eh, confusão…).
    Talvez eles recuaram porque a Lotus Cars tá quase falida, cortou verba de patrocínios e está numa situação caótica. É só ver o papelão dos motores Lotus na Indy…

  7. Jacaré & Capivara do Tietê disse:

    Vou ficar na posição do Lótus e meditar sobre o tema…
    Pronto, o que foi foi, o que é é! Apenas um nome que se repete na história.
    Hoje é sexta e domingo tem corrida!!!
    Fascinante Capitão!
    Deixemos a emoção de lado!
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    “Vida Longa e Próspera”

  8. Bruno Braz disse:

    Discussão besta. É Lotus pelo patrocínio da Lotus Cars e pronto. Quem tem o espólio do que foi a Lotus, é o time Malaio que trocou o nome para Caterham.

  9. Lucas disse:

    Realmente, essa equipe não tem anda de Lotus.

    Agora, uma coisa deve ser considerada: é a primeira vez em muito tempo que as 3 principais equipes da história da F1 estão dividindo as três primeiras posições: Ferrari, Mclaren e Williams. Que coisa não?

  10. William disse:

    Bom se a BAR–HONDA–BRAWN/GP–MERCEDES, for uma equipe tão legítima quanto as de Fangio… por que então a TOLEMAN–BENETTON–RENAULT–LOTUS, não pode ser? Uma coisa temos que reconhecer ambos os nomes trazem muito mais charme a categoria, principalmente com os bons resultados deste ano!

    • Renan do Couto disse:

      Pera aí, amigo. A Mercedes de hoje é a do Fangio porque é a mesma montadora que está lá bancando a equipe. Ela apenas comprou a vaga e a estrutura pronta de outra equipe. É diferente da Lotus, que não tem nada a ver com a Lotus criada pelo Colin Chapman.

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