Automobilismo brasileiro, why so ruim?


MAURO DE BIAS [@MaurodeBias]

de Bolonha 

Ok, não preciso voltar ao assunto porque todos já sabem o que está acontecendo. A cada ano, menos brasileiros chegam à F1, o futuro do país na categoria é obscuro e o presente do esporte em terras tupiniquins é lamentável.

O que eu quero questionar hoje é: por que isso está acontecendo? O que houve com o automobilismo nacional? Por que nossas categorias estão tão fracas? O que acontece? A situação não foi sempre assim.

O Brasil faz parte desde 1973 do calendário da F1 e nunca ficou de fora um ano sequer. A torcida brasileira sempre foi apaixonada pelas corridas e sempre lota o autódromo. Os próprios pilotos estrangeiros destacam essa paixão quando vão correr em Interlagos. Nos últimos anos, era frequente que os ingressos para o GP se esgotassem semanas, às vezes até meses, antes da etapa.

A Stock Car, com o apoio da TV, arrasta grandes públicos aos terríveis autódromos brasileiros. Chega a ser bizarro ver carros tão bons correndo em estruturas tão ruins. Gramado alto, zebras mal cuidadas, boxes antigos, áreas de escape mal feitas.

Eu realmente não entendo o que passa com o automobilismo brasileiro. As categorias com pilotos experientes até têm algum destaque, mas a base morreu. A F3 é capenga e só a F-Futuro parece surgir como um celeiro, mas com um número muito reduzido de competidores. E a categoria só existe graças à iniciativa de Felipe Massa. Não fosse por ele, a situação seria ainda pior.

E não vejo nenhuma atitude da CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo) para levantar o automobilismo, pelo contrário, só vejo inoperância.

Mas se as pessoas assistem corrida pela TV…

Se pagam centenas de reais (milhares em alguns casos) para ver uma corrida…

Se lotam autódromos…

Por que o automobilismo nacional carece tanto de investimentos?

Sinceramente? Gostaria de encontrar uma resposta para isso. Enquanto não encontro, vejo nossa base naufragar de forma lamentável sem entender o porquê. Uma pena. Acho que não está longe o ano que vamos ficar sem representantes na F1.

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11 respostas para Automobilismo brasileiro, why so ruim?

  1. Ely-Sandro Sandes disse:

    E o pior é que, sem brasileiros representando o Brasil na F-1, a tendência será a queda do interesse do público e da mídia em relação as corridas de monopostos, e com isso, poderemos não ter mais transmissões de corridas pela TV aberta, e ainda, o fim do GP Brasil, sacramentando enfim qualquer esperança de ressurreição do automobilismo brasileiro. Quando será que a CBA, promotores, empresários, investidores, patrocinadores, emissoras de TV, vão acordar para a realidade do automobilismo brasileiro? Quando é que vão tomar providências para incentivar as categorias de base?

  2. Um dos motivos que eu julgo importante é a falta de campeonatos regionais de fórmula, para estimular os kartistas a subir o primeiro degrau. São Paulo que tem um numero sem fim de kartistas não conseguiu manter de pé a Fórmula São Paulo. Hoje existem alguns regionais de Fórmula(RS/CE/PR) e a fórmula Vee. Infelizmente, a não ser a imprensa regional, à muito custo diga-se, não se conseguernenhum tipo de divulgação. Aqui no Grande Premio é um exemplo. Cansei de pedir apoio ao Flavio Gomes para divulgar nosso regional, que hoje, apesar dos carros serem antigos, reune 20 monopostos, com pilotos de vários estados do Brasil, mas em nenhuma das vezes recebi retorno. Assim se a nossa imprensa não dá a minima para os regionais e os brasileiros estão com dificuldade em função de custos, não podemos ser otimistas em relação ao nosso futuro nas categorias top.

  3. Eduardo Di Lascio disse:

    É a cultura do automóvel que está em decadência. O mundo mudou, o automóvel só se sustenta pelo lobby da indústria, não encanta mais a sociedade, é o novo cigarro.

  4. Renato F1 disse:

    A resposta, a meu ver, parece simples: como em outras áreas no Brasil, ocorre que o automobilismo, durante muito tempo, foi a galinha dos ovos de ouro. Graças à geração de torcedores do automobilismo, principalmente de Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna, muitas pessoas faturaram muito dinheiro. Esse dinheiro representava um percentual muito pequeno naquela época, sobrando uma boa quantia para investimento na categoria como um todo. Para o dia de hoje, vinte anos sem um título no Mundial de Pilotos e sem muita perspectiva de quebra desse hiato e, por causa disso, tem-se vacas muito menos gordas, o percentual que representa esse dinheiro parece ser muito maior, deixando pouco (ou quase nada) para investimentos. Assim sendo, tudo pode ser resumido em duas palavras: corrupção e/ou má-administração!

  5. Marcão disse:

    Todas essas respostas são encontradas no proprio autodromo, ou autodromos!!
    O abandono e a falta de capacidade imperam em todos eles..
    Ao falar em autodromo vamos falar do mais importante deles, o de interlagos, que é um exemplo de tudo isso….
    Em primeiro lugar os custos não dos carros e equipes mas que começa na inscrição de novas categorias regionais.
    Aqui em SP a FASP acenou com o custo de 40.000 reais só para isso, nisso está fora a locaçao da pista, dos boxes, do preço do carro, da sua manutenção, equipamentos de segurança e reposição, alem da inscrição do piloto nos treinos e corridas alem do carro..Fora é lógico as taxas das federações e da confederação…
    Some tudo isso e já da pra perceber que quem responde pelas regras está mais afim é do dinheiro do piloto..Depois vem o organizador que pra tentar tirar o que já gastou anteriormente e sua propria subsistencia se depender disso pra sobreviver..
    A equipe e pilotos tem obrigatóriamente que adquirir o combustível utilizado nas dependencias do autodromo, os pneus também são comercializados por lá..
    Como se ve o maior problema é o que afeta a maioria do Brasileiro, o custo da brincadeira…
    Depois de passar por todo esse problema encontram o autodromo abandonado no ano inteiro a não ser por ocasião da F-1..Sem a expectativa de publico a equipe também se ve sem seus meios de sobrevivencia que é o patrocinador, tenta arrumar maneiras de estar presente, arruma um jeito…
    Isso se falando de corridas de automóveis, se voltar-mos pra onde tudo começa que é o kart, ai a coisa fica mais cara ainda.. Hoje uma equipe pra temporada fica muito mais cara do que qualquer categoria de base do automobilismo…
    Se a gente reparar bem vamos ver que os formulas sumiram, ficaram só os Vee e os Future… O Vee não oferece tecnologia pra um aprendizado rázoavel a Future por apresentar altos custos acaba beneficiando só aqueles mais afortunados financeiramente, normalmente o “”talento”” o cara de futuro promissor acaba de fora pois esse não encontra patrocinios. Dai o esvaziamento das pistas….
    Só mesmo a capacidade e a vontade de trabalhar é que pode mudar esse rumo, a começar pelas entidades responsáveis em fomentar o automobilismo como esporte..
    Todos sabemos como as agremeações responsaveis pelo esporte tratam do assunto.
    Se a CBA como principal responsável pelo esporte trata as corridas nacionais da maneira até vulgar imagine como são tratados os esportistas em nivel regional…
    Em todos os níveis é uma lástima, o esportista só é visto até o momento dos pagamentos depois não a tratamento que a gente possa qualificar além do péssimo!!!
    Portanto se é possível mudar essa situação, temos que procurar gente realmente engajada com o esporte para tratar destes assuntos todos…
    Uma forma de melhorar essa situação é acabar com a facilidade da circulação do dinheiro dentro dos autodromos em dias de atividade de pista… Deveria ser regulamentada a arrecadação e taxas, e a sua quitação deveria ter um destino visivel através de depositos em contas bancárias somente aos orgãos especificos relativos ao evento.
    Sabemos que há muitas despesas a serem efetuadas em dias de atividades, tais como , carros médicos, bombeiros, pessoal de pista e resgate, comissários desportivos etc…
    Essas pessoas qualificadas deveriam ser pagas pelo autodromo que recebe o evento, só ele, assim também teriamos uma forma de coibir certos abusos..
    Essas despesas todas, mais as taxas, seriam menores e mais transparentes… E vagarosamente acabariam com os que especulam e não contribuim em nada com o esporte…
    Todo mundo sabe desses “”causos”” mas como na maioria dos enviolvidos estão engajados com uma máfia instalada a anos, ninguem quer falar muito a respeito por que se não acaba ficando de fora…
    Só como exemplo, vemos o que essa atual gestão da CBA fez com os que não a apoiaram nas eleições .. Simplesmente excluiu todos dos trabalhos esportivos em época de eventos…
    Capacitados ou não foram excluidos de maneira arbitraria na base da rasteira mesmo..
    E pior, ainda está acontecendo.. Os pilotos e equipes por serem “com”federados não podem falar nada, se não são sumariamente suspenços por tempo indeterminado das corridas…Alguns até proibidos de entrar dentro dos autodromos…Que são publicos diga-se de passagem
    Fora os desmandos com as vidas em jogo… E por ai vai….
    Esse assunto é longo e tenebroso, como é o futuro do motorsport no Brasil.
    Mas temos sim que falar e muito disso tudo.
    Arrumar soluções!!

    • “Se a gente reparar bem vamos ver que os formulas sumiram, ficaram só os Vee e os Future”……………….. Apesar de concordar com algumas das tuas críticas, não existe só a Futuro e a Vee. Tem a F-3, e, se leres o primeiro comentário, a Fórmula 1.6 gaucha, que está atraindo gente do todo Brasil.

      • Marcão disse:

        Não falei nada da F-3 por ela não ser de entrada no automobilismo!
        A F-3 é um passão enorme pras corridas fora do Brasil, esses carros são até mais potentes do que os F-3 europeus..
        Quanto a F- 1.6 gaucha não conheço mas se vc fala que está em aclive ótimo! É de noticias assim que precisamos..
        Aliás o automobilismo no Sul é um verdadeiro Oasis perto do que acontece no resto do Pais..
        Tomara que de lá surjam valores pra alavancar nosso esporte.
        Valeu…

        • Para conhecer o nosso trabalho, acesse nosso site:
          http://www.formulars.com.br
          Você vai se surpreender com o que fazemos aqui. Até fabrica de chassi de fórmula(Minelli) está voltando a produzir carros, além da Techspeed que voltou a produzir peças de reposição. Só não conseguimos apoio da mídia especializada de fora do nosso estado.

          • Marcão disse:

            Legal, vi o site e achei ótima a iniciativa!!!
            Bacana também é ver no site os carros para serem vendidos e já com os preços ofertados, carros para aluguel e tudo mais…
            Ótima a iniciativa de vcs… Aqui em SP até pra achar um F-SP, um F Renault para comprar é coplicado. Quando acha o cara já quer acharcar…
            Acho que a gente ainda compra um desses ai do seu site…Nem que seja só pra treinar nos dias de treinos da federação….

            Vou chamar uns amigos pra compor a grana e depois falo com vcs pelo seu site
            Valeu… Valeu mesmo…

          • Marcão disse:

            Ehh quanto a mídia, uma hora aparece…
            Lembro a vc embora não o conheça pra falar assim, do caso do Velopark.. Demorou um tempo pra entrar na mídia.Mas depois não saiu mais!!
            Por que vc estando ai não fala com Bonilla..
            É gente boa, ligadíssimo em automobilismo alem de competente… Sabe como é, uma mão lava a outra, de repente vc entre com as competições e ele colca vcs nas preliminares dos Brasileiros que correm lá !! Pode ser uma idéia..

        • Marcão
          Vou responder o teu ultimo comentário por aqui. O Bonilla saiu do Velopark em Junho. Eles gastaram uma grana preta para aparecer na midia. Nós temos um espaço comprado pelas Lojas Benoit(rede gaúcha de lojas) no Speed Chanel, que transmite em VT um compacto das nossas provas. Felizmente a nossa realidade é muuuuuuuuuuuuuuito diferente da praticada em São Paulo. O que o pessoal gastava para fazer uma etapa da extinta Fórmula São Paulo, aqui eles fazem 3 provas.
          Tem fila de espera pois não temos carros suficientes para alugar. Em 2010 a categoria tinha 7 carros, hoje tem 20 e com chance de chegar a 25 monopostos.

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