A PRIMEIRA VEZ DO RAPAZ

MAURO DE BIAS [@MaurodeBias]
de Bolonha

Caros leitores, é com prazer que escrevo aqui no BloGP pela primeira vez. Não, mas não é da minha primeira vez que quero falar. É da de Lewis Hamilton. E não, isso não tem nada a ver com nenhuma Pussycat Doll.

Falo da primeira crise que Hamilton vive na carreira desde que chegou à Fórmula 1. Em polêmicas o nome do inglês sempre esteve envolvido, desde a sua primeira temporada, em 2007. Mas essa é a primeira vez em que o pupilo da McLaren se vê numa situação em que seu companheiro é consistentemente mais rápido e funciona bem com a equipe, enquanto Lewis amarga apresentações medíocres para quem tem o talento e o carro que tem.

Hamilton já chegou na F1 por cima. Com o pé na porta, disputando o título com Kimi Raikkonen e sendo vice já em seu ano de estreia. Logo no ano seguinte, foi campeão. O mais jovem da história da categoria, batendo o recorde de Fernando Alonso (e sendo batido por Vettel em 2010). Em 2009 e 2010, a McLaren não mostrou os melhores desempenhos e em 2011 está atrás apenas da suprema Red Bull.

A questão é que o momento de Hamilton, apesar dos maus resultados também em 2009, tem características que o tornam único. No seu primeiro ano, seu companheiro era Fernando Alonso. Obviamente, o inglês recebeu toda a atenção de sua equipe conterrânea, enquanto o espanhol foi relegado com o desenrolar do ano. O casamento Alonso-McLaren, aliás, era um daqueles fadados ao fracasso.

O piloto precisa ter identificação com a equipe, precisa saber liderá-la. E se tem uma coisa que Alonso não tinha com a McLaren era identificação. Portanto, foi para Lewis que o time se dedicou mais. E, assim, o estreante bateu o bicampeão Alonso, que saiu praticamente enxotado dos lados de Woking.

Nos dois anos seguintes, o inglês teve a companhia do invisível Heikki Kovalainen, que nada fez na época e nada faz até hoje. Ainda não mostrou a que veio, apesar de ter tido chance em um carro campeão. Lewis venceu o campeonato e destruiu seu parceiro, que terminou a temporada num distante sétimo lugar. E se o ano seguinte foi ruim para Hamilton, para Kovalainen foi muito pior. Terminaram em quinto e 12º, respectivamente.

Mas em 2010 Button, campeão de 2009 e tão inglês quanto Hamilton, chegou à McLaren. Apesar de serem dois campeões, não houve briga de egos, nem conflitos extra-pista (como na época de Alonso) para a equipe administrar. Os pilotos criaram um bom relacionamento, Button se adaptou muito bem ao ambiente de Woking e ambos terminaram o campeonato bem próximos. Lewis em quarto e Jenson em quinto.

O problema, porém, agora é outro. Hamilton passa por um momento pessoal complicado que pode estar afetando seu desempenho na pista. Afinal, piloto também é gente. Não parece muito, mas é. O inglês recebeu diversas punições no ano por sua pilotagem um tanto atrevida, procurando espaço onde não havia, brigou via imprensa com os comissários, teve muitos resultados ruins (apesar de duas vitórias) e viu seu companheiro de equipe ter um ano muito bom, com apresentações que o levaram a hoje estar na briga pelo vice-campeonato, e Hamilton não.

Pela primeira vez, Lewis está pressionado na McLaren. Não que ela venha de cima, afinal, o próprio Martin Whitmarsh, chefe da equipe, afirmou ter dito a Hamilton: “Não se desculpe [com a gente], você é um piloto. Se você cometeu um erro, aceite, aprenda e siga em frente”. Mas ver o companheiro bem adaptado e colecionando sucessos quando dispõe do mesmo equipamento não é, definitivamente, uma situação em que um piloto queira estar. A pressão vem de dentro.

Portanto, Lewis Hamilton tem um grande desafio pela frente: se reequilibrar e aprender a lidar com o fato de que ele divide as atenções da equipe com um piloto tão talentoso quanto ele e que não vai ser relegado como Alonso ou inofensivo como Kovalainen. Bem-vindo à vida real, Lewis. It sucks.

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4 respostas para A PRIMEIRA VEZ DO RAPAZ

  1. Wallace disse:

    Meu caro Mauro,
    Perfeito, já tinha dito isso no GP, o pior competidor é o do lado e principalmente se ele é alegre sorridente e de bem com a vida. O butão está comendo ao Luiz Amilton pelas beiradas, e disse que ele ia explodir era só questão de tempo. Parece que isso vai longe, vamos ver no que dá.

  2. Marc disse:

    Ótima matéria! Falou tudo..

  3. Lewis Hamilton disse:

    Textinho óbvio né? Do inicio ao fim… Quase como falar de uma promoçāo de bolsas. Sem novidades. Cade aquela menina carolina? Ela mandou bem.

  4. Alexandre disse:

    Concordo. …que o Mauro foi perfeito.
    Mas com relação aos pilotos, lamento o fracasso do menino, assim como da máscara de bom-moço. Afinal talento para correr é uma coisa e sorte para se chegar ao bom carro é outra.
    De qualquer forma, sou muito mais o Button, pela sobriedade e principalmente na astúcia em conservar o equipamento, coisa que o Lewis parece nunca dar a importância devida.

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