Metalíngua

Felipe Paranhos [@felipeparanhos]

O jornalismo me intriga. É daquelas coisas que podem emocionar e dar nojo em questão de segundos, a depender de que canal você está, que revista lê, que site visita, que colunista acompanha. É o jornalismo o instrumento que leva ao público grandes histórias, lições, denúncias. Mas é também o jornalismo que cria pequenas aberrações, como o mundo dividido entre dois lados, os que amam e os que odeiam, os que dizem PIG e os que dizem PTralhas, os que não percebem que há mil matizes entre o bem e o mal.

Dias atrás, o jornalismo apanhou de cinta. Não aconteceu nada, como sempre, com esse masoquista dos infernos. Uma marca aqui, um vergalhão ali, mas ele continuou caminhando, manquitolento, rumo ao nada. Apareceu no email uma nota de (risos) esclarecimento.

[Esclarecer | explicar, aclarar, elucidar. Ops.]

Não havia qualquer esclarecimento no texto. Só ataques, todos sem sentido. Chega a ser engraçado classificar de boato e de “besteira sem base” uma notícia consolidada, longamente apurada, confirmada por inúmeras fontes — duas delas oficiais — e pelo próprio alvo dela.

[Boato | balela, rumor, peta, mentira. Ops.]

O comunicado teve repercussão próxima do zero. Pelo que vi, a versão sem sentido foi reproduzida por alguns sites que se valem do Ctrl+C e Ctrl+V e alguns veículos que aparentemente não tinham conhecimento do caso.  Um alento. A apuração continuou. À CBA, foram pedidos, aí, sim, esclarecimentos.

Vieram. Ou nem tanto. Muitas das perguntas feitas não foram respondidas. Mas as primeiras palavras, aquelas infladas artificialmente, divorciadas da informação, tiveram sua natureza escancarada. De acordo com o segundo comunicado, a dita inocência não existe, uma vez que houve uma redução da pena — o que não invalida a punição.

Só que o segundo comunicado também deixa mil lacunas. E modifica uma informação que ela mesma havia divulgado. Era uma, agora é outra. Não que haja grandes diferenças entre elas. Mas, se X agora desmente algo que ele mesmo disse e também desmente Y, no que e em quem acreditar?

X não queria que a história aparecesse, ao contrário do que reza a ética esportiva, ao contrário do que é feito em toda entidade séria — e, pasmem, até nas não sérias. A história apareceu. X teve de confirmar. Y, o criador de toda a história, fez o mesmo, mas se recusou a dar detalhes. E, depois de uma redução de pena, não de uma declaração de inocência, tentou emplacar uma história.

X e Y poderiam ser qualquer entidade e qualquer atleta. No Brasil, país em que a maioria das confederações é rodeada por suspeitas, fica cada vez mais difícil acreditar na idoneidade delas. Mas o torcedor ainda movimenta essa grande roda financeira, porque acredita na disputa sadia, na igualdade entre todos… Acredita no esporte. O atleta, protagonista das competições esportivas, deveria saber disso. Deveria zelar por isso.

Mas prefere, por meio de seus assessores, atacar a informação apurada à exaustão, a informação bem cuidada — independente de quem a tenha publicada. Prefere isso a admitir seu erro, a conceder uma entrevista verdadeira, falar aos seus fãs, àqueles que o admiram ou admiravam. Ao fazerem isso, pisa no pescoço de quem um dia vibrou pelo atleta, sonhou com um resultado improvável, torceu pelo seu sucesso ou quis comprar seus produtos.

Além disso, ainda me espanta que o jornalismo seja atacado pelo jornalismo. Me espanta o desprezo dado por outros jornalistas a uma notícia tão importante. Me espanta ver a minha profissão achincalhada por quem aprendeu as mesmas coisas que eu. Não nasci pra isso. A saída é a academia. Não aquela. A academia do mundo acadêmico. Outra faculdade, outra profissão, outras desilusões.

Falta estômago para a podridão de hoje.

Atualização meia hora depois: mas aí eu vejo o Bem, Merdinhas, programa do chefe no Twitter, e a força pra continuar volta. Aqui, ao menos aqui, estamos livres do me-ajuda-aqui-que-eu-te-ajudo-ali, do jornalismo de amiguinhos, de interesses nefastos. Enfim. Desabafo feito.

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36 respostas para Metalíngua

  1. marcão disse:

    Que é isso?
    Deixar de dizer, escrever, apurar a verdade?
    Isso fazendo vc só vai favorecer essa corja que se instalalou no meio autobilistico deste Brasilzão!!!
    Não pare não, nem desanime o seus colegas com esse repentino e pequeno desanimo!
    Caro sr… A verdade é uma só! Quando dita ela pode até doer, mas se doer vai ser uma vez apenas, não mais, pois os fatos já estão ditos…
    O grande problema em se dizer apenas a verdade é saber se as pessoas estão preparadas para ver a verdade, e não as “próprias verdades”…
    Doping não é nunca foi novidade no meio esportivo em geral, só esse ai é que tá pegando, e quanto mais pegar mais vai feder, pros lados do piloto, da CBA, e dos demais envolvidos…. Deixar como está é a melhor forma de acabarem as noticias, já foi mesmo…
    Tentaram de toda forma deixar esse problema pra lá, empurrar pra baixo do tapete, só não deu certo dessa vez. Perderam, tem que aceitar, e pronto…
    E mais , o uso do anti doping, não desobriga os orgãos competentes de outros vários casos, inclusive de quase embriaguez ao pilotar carros de corrida. Tá cheio disso por aí, é só fazer uso do tal do bafometro, nas saidas de box.. Vão pegar um monte de desavisados….E ai CBA? Tem peito pra isso? Tem coragem? Ou será ela a primeira a oferecer uns goles antes das corridas pros mais afortunados pilotos???’Eu “””acho””” que ela é quem acaba oferecendo……Alem de outras “””coisinhas”””… Tá! Não,, já passou da hora de se revirar essa CBA, Esses seus mandantes, esses seus colaboradores….Esses…., deixa pra lá.. Todo mundo já deu o seu nome genérico pra essa CBA de agora…..
    E vamos apurar, e vamos publicar, só não publica quem tem o rabo preso com essas mazelas da vida….Podem ter certeza, nesses dias, uns mais ou menos, vai aparecer um senhor “engravatado” com o colarinho engomado, pescoço duro, barrigudo, e vai “mostrar uns envelopes, é só não aceitar…..Só isso e pronto, muita gente deixou de aceita-los já…Essa corja já começou a se fuder….

    • Felipe Paranhos disse:

      Marcão, deixar de dizer a verdade jamais vou fazer. Enquanto estiver no jornalismo, nunca hesitarei em apurar ao máximo e buscar mostrar o que está errado. O desabafo é só em relação aos podres da profissão. Já faço uma outra faculdade e daqui a alguns anos cogito deixar o jornalismo. Abraço.

  2. Edison disse:

    Exatamente, seu comentario esta sem pe, nem cabeca. Se voce esta com medo de dar nome aos bois, nao escreva nada, pois existe pouca diferenca entre omissao e covardia.

    • Felipe Paranhos disse:

      Edison, você anda meio longe do noticiário, né? É claro que eu estou falando do caso de doping do Tarso Marques, revelado pela Revista Warm Up, e da CBA. Eu não citei os nomes simplesmente porque disse que poderia acontecer com muitas outras confederações e atletas brasileiros. Afinal, são inúmeros os casos recentes de doping no Brasil. É só acompanhar o que acontece no ciclismo.

      Seria ridículo eu ter “medo de dar nome aos bois”, depois de Flavio, Victor e o próprio GP coordenarem uma extensa cobertura sobre o caso.

  3. João Luiz disse:

    Uma profissão que é cativante e cansativa, mas que ao mesmo tempo, trás essas podridões e pessoas que não falam a verdade, por amizades, ou mesmo por serem funcionários de uma empresa, que interesses ($$$) naquilo que porventura está sendo criticado. Uma pena isso, mas é realidade, e ainda está longe de mudar…

  4. Daniel Dias disse:

    A mídia hoje tem mais poder do que qualquer entidade ou governo.
    E com a Internet, o equilíbrio de forças entre esses meios é bem maior. Até desconhecidos através de redes sociais, com uma causa justa, conseguem se sobressair sobre gigantes.
    No fim, a verdade prevalece.

    Ps: Agora… Imagine se o atleta em questão fosse o Cacá Bueno…?

  5. Wallace disse:

    Felipe,

    Debaixo desse angú tem caroço que não acaba mais, esse caso é o mesmo do político ” onesto “. Se a Receita fizer o trabalho dela de verdade não vai sobrar um, tão confundindo
    adrenalina com dopamina e essa parece que tá sobrando na área esportiva….. Como disse o Marcão, se quiser fazer direito vai doer muito e cuidado ao vibrar com manobra ousada….. pode ser só um espasmo doidão. Será que esse Tarso olhando nos olhos da Mãe dele juraria que não cheira,pica, aspira ou bebe?????? Sei não com esse olhar de cracolândia….. Deve ser por isso que dá aqueles porradões legais, deve ver espaço aonde não existe. Verdade Já!!!!

  6. Jacaré e Capivara do Tietê disse:

    Jornalismo não é profissão, é ato de fé!
    In god I trust, in you too!!
    Se vc mudar de caminho eles vencem!

  7. Juan Paul Montracy disse:

    Po, não se aposente antes de dizer que o Vettel é seu piloto preferido e grande favorito ao título desse e dos próximos 5 anos… :)

  8. Gabriel Souza disse:

    Sensacional o seu texto, Felipe.

    Não abandone o jornalismo, meu caro. Quero ter orgulho de poder ter um colega de trabalho como você e os demais integrantes do GP.

    O que precisamos é de mais pessoas como vocês nesta profissão.

    Abraço!

  9. Marcelo Alves de Castro disse:

    As vezes levamos umas cacetadas na vida. Não desanime por isso. infelizmente estamos numa época onde fazer o certo é que surpreende as pessoas. Notícias assim já não assustam mais, infelizmente…
    Comtinue firme, muitos ainda estão contigo…

  10. marcão disse:

    Jornalismo é um dom, que deve ser preservado e respeitado..
    Portanto protejido por lei…
    Se há opção em uma outra especialização, parabens, tenha uma outra profissão e um dom também!
    Dai a noticia será mais apurada ainda..
    uem “tem que” apanhar de cinta de chicote ou sei lá mais o que é a CBA… Ela sim é culpada por toda essa confusão… No mínimo achou que poderiam levar alguma vantagem em cima disso tudo e a vítima acabou por ser o piloto em questão….
    Tudo por amadorismo, e falta de capacidade em gerir os acontecimentos do dia dia da vida das pessoas que se envolvem com o esporte á motor….As regras tem que ser claras, sempre. A quebras delas também devem ser bem esclarecidas, e suas conseqüências…. De novo pecou a CBA, puniu errado o piloto, e por esse erro puniu duplamente o esportista… E o jornalista está lá para informar, mesmo que seja no “sitezinho”.. Que por ser o “sitezinho” repercutiu e muito no meio…..Quanto ao piloto, da ainda pra se refazer disso tudo, sempre dá…
    Só não da pra remediar mais a infecção que é hoje a CBA infelismente….
    E au sr. Felipe Paranhos, parabens, o jornalismo não apanhou, deu de lavada….Uma matéria e uma matéria.. Outra matéria e outra matéria. Ambas são diferentes e diferente de ambas é á MATÈRIA..
    E essa é a matéria….

  11. Uma mentira dita muitas vezes acaba se tornando verdade. É isso que os envolvidos tentam fazer.

  12. Saulo Benatti - Palmas TO disse:

    Caro Felipe ou qualquer advogado que venha a ler este post, eu tenho uma dúvida: tecnicamente (ou juridicamente) falando, quando os jornalistas dizem “uma fonte segura me disse”, “várias fontes confirmam” onde estão, nestes casos, a prova cabal, definitiva de que o jornalista realmente obteve tal informação? Estranho porque nós leitores não temos como saber se os jornalistas estiveram com tais fontes (ou até mesmo se realmente apuraram), principalmente porque as fontes não são reveladas, na maioria dos cados.
    Não é difícil um “jornalista” ou um “sitezinho” afirmar “uma fonte segura me disse” e de forma irresponsável deduzir algo e tratá-lo como fato, difamando algo ou alguém que nunca vai ter a chance de uma réplica e claro, o poder da mídia em suas mãos.
    Não seria o caso de, daqui pra frente, os jornalistas divulgarem fatos ou informações baseados em prova concreta, definitiva, não em deduções, molecagem ou até mesmo comprando a briga de sua “turminha”?
    Alguém pode me responder então, como resolver o conflito “fonte” versus “prova, realidade”?

    • Felipe Paranhos disse:

      Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988; Tìtulo II, Capítulo I, Art 5º, inciso 14:

      “é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”

      Ou seja, se a minha fonte não quiser ter sua identidade revelada, por medo de retaliações (o que normalmente acontece) ou algo do tipo, eu tenho o direito assegurado de não revelá-la. Um exemplo: eu publico uma informação que, de alguma forma, incomode um poderoso; nenhum governo pode me forçar a revelar quem me passou a informação. É preceito-chave do direito à informação, direito este também previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

      [O jornalismo é uma atividade que exige extrema responsabilidade; o problema é que muitos decidem, para não assumir este responsabilidade, deixar de fazer jornalismo, sem perder seu status de jornalista. Quase ninguém repara.)

      Você se engana ao dizer que um jornalista pode “deduzir algo e tratá-lo como fato, difamando algo ou alguém que nunca vai ter a chance de uma réplica”. A Justiça está aí para isso. Hoje mesmo, uma emissora foi condenada a pagar 73 mil euros pro Alonso e obrigada a publicar repetidos direitos de resposta. Isso também já acontece no Brasil. Na minha opinião, o ideal é que existisse um conselho regulador do jornalismo, nos moldes da OAB ou do Conselho Federal de Medicina. Infelizmente, ainda não há.

      [A propósito: eu espero que, ao falar de deduções, você não tenha se referido ao caso do Tarso, tão provado que o pessoal dele até falou em “inocência”, que não existiu. O laboratório confirmou, a CBA confirmou, ele confirmou, inúmeras outras fontes confirmaram. Houve doping, e todas as partes, exceto o laboratório, lidaram muito mal com o fato.]

  13. Saulo Benatti - Palmas TO disse:

    Ah, já ia me esquecendo: você é jovem, ainda dá tempo de pular fora desse barco furado do GP e se livrar da podridão que contamina a todos que trabalham para o Amostra Grátis de Purgante! Só um conselho! Abraço!

  14. Willian Xavier disse:

    Respeito muito o jornalismo que vcs fazem na WARM UP com o Flávio Gomes. É muito importante que exista um jornalismo como o de vcs num país onde tudo é jogado pra baixo do tapete na emissora onde 90% do povo se informa (infelizmente). Parabéns pelo trabalho e hoje vc ganhou um novo seguidor! PArabéns.

  15. soltlam disse:

    Falar o que , x, y, z. Ler este texto foi como ler um manuscrito, Eu leio todos os dias o site grande premio. Precisei ler totalmente a noticia e depois comentários para saber do que se tratava, ficaria muito mais fácil fazer um texto claro sem tantas incógnitas matemáticas

    • Felipe Paranhos disse:

      Acho que se você lesse o site todos os dias, saberia do tema do texto, afinal, só nós temos dado a necessária atenção ao caso. Além disso, não é uma notícia. É um comentário, sou livre para escrevê-lo do jeito que quiser. Acho que a razão de ter citado X e Y está bem clara no texto. Se não estiver, desculpe. Mas acho que está.

  16. Francieli Campos disse:

    Sou advogada e poderia escrever o teu texto trocando jornalismo e jornalistas por advocacia e advogados. Infelizmente.

  17. marcio riva disse:

    X+Y=não gosto do que restou do automobilismo brasileiro, que se danen, que morram todos abraçados, tudo farinha do mesmo saco.

  18. Anderson disse:

    Felipe, primeiramente quero lhe dar os parabéns pelo seu desabafo, não sou uma pessoa de nome renomado, pelo contrário, um anônimo que admira jornalismo verdadeiro e transparante, principalmente quando esse se trata de um esporte que aos poucos está sendo jogado as traças como o automobilismo brasileiro, mas tenho que além de lhe dar parabéns lhe agradecer por ainda querer exercer sua profissão com competência e com ética, coisa raríssima hoje em dia.
    Já quis (e ainda sonho em um dia) ser jornalista, mas sei que é complicado devido a acontecimentos como esses e como outros que vemos pelas mídias, mas não custa nada fazer bem o próprio trabalho, pois o importante é você ter sua consciência limpa de que fez seu trabalho corretamente.
    Novamente agradeço pelos serviços prestados aos fãs de verdade do automobilismo brasileiro e torço para que você não desista dessa profissão, pois é de profissionais que pensam como você que precisamos.
    Abraços
    Anderson Oliveira

  19. Filemon Fabio Oliveira disse:

    Concordo diametralmente com o artigo escrito pelo dono do blog e a advogada!

  20. José Angelo disse:

    Realmente tem que ter estômago, mas não exclusivamente no jornalismo. Seu texto está bem claro, sim. Mesmo com todas as “incógnitas matemáticas”, pra quem está acompanhando o caso fica fácil entender.

    A falta de resultados e pilotos realmente de ponta na Fórmula 1 é o melhor “castigo” para o automobilismo brasileiro. Merece a falta de resultados que tem hoje.

    Abraço, Felipe. Excelente trabalho de todos vocês da WARMUP.

  21. Claudio disse:

    Felipe, posso dar uma sugestão ? Mandem um email à CBA comentando as informações que vocês tem sobre o caso, em caráter oficial, e coloquem no final a frase: “Oferecemos à CBA e a qualquer pessoa, empresa, entidade, o que quer que seja, que se sinta atingido pelas informações publicadas, o direito amplo e irrestrito de resposta em nosso site”.
    DUVIDO, DUVIDO E DUVIDO que eles se manifestem a respeito.

  22. Roni disse:

    Caro Felipe,
    Uma hora ou outra, seria invitavel seus parceiros darem tiro no pé. Chegou a hora… Gosto muito de seu blog e me admira até hj fazer parte dessa laia do site grande premio. Como disse um colega acima. Saia enquanto é tempo…. Sucesso e espero que minha crítica seja construtiva a sua pessoa

    • Felipe Paranhos disse:

      Meus parceiros? Meus parceiros são os bons. Os escrotos estão fora daqui. No GP, a gente faz jornalismo, não perfumaria. Meu desencanto é com a profissão, por causa dos maus profissionais, não com o site. O site é incrível. Você talvez tenha entendido errado. Abraço.

  23. Thayse V Negreiros disse:

    Vamos lá: é minha primeira participação por aqui. Confesso, desconhecia este link.
    Agora… sobre o assunto do piloto envolvido copm substâncias. Qual o problema? Sério mesmo: se algum dia você se dispuser a visitar um asilo que funciona apenas porque ainda existem pessoas neste mundo preocupadas com o próximo (cadê o governo numa hora destas???????), as pessoas envolvidas com o automobilismo iriam ver que existem problemas PIORES do que um piloto estar envolvido em processo. E daí? Com certeza não deixarei de assistir F1, Stock ou corridas de caminhão só porque a entidade CBA não se preocupa com nada ou porque um piloto está “dopado”. O mundo, minha gente… segue rodando. E as pessoas nos asilos… sofrendo. Existem coisas piores no mundo… e mais: vocês queiram ou não, o piloto alvo da extensa matéria vai continuar tendo vida boa. Vocês, repórteres, certamente continuarão empregados e com direitos a benesses trabalhistas que muitos sequer sonham. Por isso… não creio que algo irá mudar com a divugação dos fatos. Lamentável não é o piloto envolver-se com drogas. Lamentável (bem, pelo menos creio ser esta a opinião de pessoas realmente dotadas de coração e preocupação com o próximo) é o que se faz com um trabalhador comum (ou uma trabalhadora), muitas vezes na obrigação de pegar dois ônibus de madrugada, dar duro 8 a 10 horas por dia, enfrentar mais dois ônibus para voltar ao lar… subir o morro, esgotado (a) e faminto (a), por míseros 500 reais ao mês.
    Que fique claro: não duvido nem faço pouco caso do trabalho jornalístico de vocês. Mas não vejo resultados positivos em tal divulgação – pelo que constato, não muda a vida de ninguém (não consigo imaginar NENHUM dos envolvidos perdendo as benesses da boa vida e do dinheiro que acumularam ao longo dos anos…). Seja no meu local de trabalho, seja junto de amigas que fiz no esporte: nos reunimos no final de semana, analisamos os textos e… nada mudou. Inclusive, isto me faz lembrar a época de colégio no qual diziam que país desenvolvido é aquele no qual a imprensa é livre para divulgar fatos. Então, ok: temos uma imprensa livre. A revista Warmup divulga fatos. E daí? Isto significa que o país melhorou? No mundo em que atuo, nada melhorou. Portanto, lamentável é viver em um país que dá ouro para poucos e penúria para a maioria…

    • Felipe Paranhos disse:

      A minha função, como jornalista de automobilismo, é mostrar o que está errado no automobilismo. Quem trabalha num site de notícias gerais vai falar desse tipo de coisa, denunciar os outros problemas do Brasil. E desculpe, Thaise, ninguém quer que piloto nenhum perca boa vida ou dinheiro. Acontece que, se um piloto se dopa usando anabolizantes, que só influem no próprio desempenho, outros podem um dia se dopar usando algo que realmente ponha a vida de outros em risco, sobretudo num esporte perigoso como o automobilismo. A Revista Warm Up informa. Se as coisas não mudam por conta disso, só temos de lamentar. Mas não de deixar de fazer nosso trabalho.

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